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Preservação ambiental é tema de projetos e iniciativas da ALMT

Comemorado anualmente em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é um chamamento para governos, organizações e sociedade civil a se unirem para encontrar soluções aos desafios relacionados à preservação ambiental.

Diante dos ecossistemas cada vez mais comprometidos e os recursos naturais mais escassos, os problemas ambientais são temas de amplos debates na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT0 para elaboração de normas e projetos que garantam o equilíbrio entre a conservação do meio ambiente e um desenvolvimento sustentável para  único estado do Brasil a ter, sozinho, três dos principais biomas do país: Amazônia, Cerrado e Pantanal.

No dia 29 de maio, a ALMT instalou a Câmara Setorial Temática (CST) das Mudanças Climáticas, que trabalhará durante seis meses em busca de soluções legislativas para que a conservação ambiental caminhe lado a lado com o setor produtivo. Mato Grosso é o maior produtor de grãos e de carne bovina no País, porém também é o segundo maior emissor de gases de efeito estufa per capita do ano.

O presidente da CST da Mudança Climática, deputado estadual Júlio Campos (União), destacou a importância de Mato Grosso assumir seu papel na discussão mundial sobre política ambiental e sobre as mudanças climáticas que vêm ocorrendo. “As mudanças climáticas trazem inúmeras consequências, não apenas para o ser humano, para a economia e para o Estado de Mato Grosso, que é um grande produtor de alimentos. Esta Câmara será constituída por vários técnicos, pesquisadores e ao final pretendemos apresentar um relatório sobre o que pode ser feito, quais leis já existem e o que pode mudar com relação à legislação para reforçar a ação da Sema e dos órgãos e ONGs que atuam no estado”.

Rios e pesca – A preocupação com os recursos hídricos e a exploração da pesca são temas que têm pautado as reuniões da Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Recursos Minerais da Assembleia nos primeiros meses deste ano e garantiram a aprovação de leis. Como é o caso da Lei n° 12.026/2023, de autoria do deputado Eduardo Botelho (União Brasil), que prevê o cadastramento, monitoramento e recuperação de nascentes, matas ciliares e o entorno do rio Cuiabá.

De acordo com o parlamentar, em sua justificativa apresentada junto ao projeto, a matéria tem como objetivo estabelecer critérios para ações que visem a despoluição do rio, a socialização de seu uso e a manutenção da relação histórica das populações ribeirinhas que vivem e sobrevivem da exploração de recursos naturais.

Também foi aprovada em primeira votação no dia 2 de junho o Projeto de Lei 1363/2023, mensagem governamental, que acrescenta e altera dispositivos à Lei nº 9.096, de 16 de janeiro de 2009, que dispõe sobre a Política da Pesca no Estado de Mato GrossoO PL prevê que, a partir de 1º de janeiro de 2024, o transporte, armazenamento e comercialização do pescado fiquem proibidos em todos os rios de Mato Grosso. Por cinco anos será permitido a modalidade pesque e solte, assim como a pesca de subsistência.

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Na justificativa do projeto, o governo informou que a medida é necessária por causa da redução dos estoques pesqueiros, o que coloca em risco várias espécies nativas no estado.

O presidente da Comissão de Meio Ambiente da ALMT, deputado Carlos Avallone (PSDB) deu parecer favorável para que o projeto fosse votado. “Nós temos um movimento de estados como Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins que já estão de alguma forma fazendo uma proibição do transporte. Então essa é uma discussão que está tendo no país, em vários estados e está tendo aqui também”, explicou.

A matéria tramita em regime de urgência e é considerada polêmica principalmente no que tange aos pescadores profissionais e artesanais que se sentem prejudicados economicamente. O PL do governo estabelece o pagamento de auxílio financeiro por três anos aos pescadores artesanais de Mato Grosso. No primeiro ano, será pago um salário mínimo; no segundo ano, metade de um salário mínimo e no terceiro, 25% de um salário mínimo.

O presidente defende a continuidade da discussão para aprimoramento da norma e já adiantou que a comissão pretende realizar uma audiência pública nos próximos dias para ouvir todas as partes envolvidas. “O texto que está sendo votado agora não é o definitivo e já tem diversas propostas de alterações e emendas que estão sendo discutidas”, adiantou.

Outra alteração de lei em debate está o Projeto de Lei nº 207/2023, de iniciativa do deputado Wilson Santos (PSD) que propõe mudar o período de defeso estabelecido pelo Conselho Estadual de Pesca (Cepesca) no estado, que hoje vai de 2 de outubro a 1º de fevereiro, para 1° de novembro a 28 de fevereiro. A ideia segundo a justificativa apresentada junto ao texto, é acompanhar o calendário praticado no restante do país.

Para entender melhor o impacto da alteração a comissão ouviu, no mês de maio, dia 16, o presidente do Conselho Estadual de Pesca (Cepesca) e secretário executivo da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Alex Marega. Ele defendeu que o calendário atual segue estudos e pesquisas técnicas para garantir o resguardo da reprodução dos peixes. O presidente defendeu o debate e adiantou que vai pedir estudos mais detalhados para que a decisão seja técnica.

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No segundo mandato à frente da comissão, Avallone ressalta importância dos trabalhos e das discussões realizadas no colegiado para definição de políticas ambientais que caminhe junto com o desenvolvimento do estado.

Segundo ele, a Comissão de Meio Ambiente além da apreciação das matérias, mantém um trabalho de acompanhamento da aplicação das leis e fiscalização de projetos como o monitoramento para identificar problemas e agilizar soluções de prevenção e combate a incêndios no pantanal. O trabalho é uma parceria com o governo através da Secretaria de Meio Ambiente e Corpo de Bombeiros, sindicatos rurais e entidades, e visa evitar novas catástrofes ambientais. “As ações desenvolvidas nos últimos dois anos para evitar a ocorrência de incêndios de grandes proporções, como as registradas em 2020, já se mostram muito eficazes e contribuem na restauração e conservação da vegetação”, avaliou.

Avallone destacou que a comissão de meio ambiente é uma das mais demandadas atualmente. Para os próximos meses a expectativa, segundo ele, é aprofundar as discussões sobre o projeto de lei na Câmara Federal que propõe a exclusão do estado de Mato Grosso da Amazônia Legal, além da questão da Lei do Pantanal e a criação do Parque Ricardo Franco.

Dia Mundial do Meio Ambiente – Sob o tema “soluções para a poluição plástica”, a edição de 2023 marca o 50º aniversário do Dia Mundial do Meio Ambiente. A data, celebrada anualmente desde 1973, foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, na conferência de Estocolmo. Este ano, o anfitrião da comemoração é a República da Costa do Marfim, em parceria com os Países Baixos.

Segundo a ONU, mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas a cada ano, metade das quais de uso único. Desse total, menos de 10% é reciclado. Estima-se que 20 milhões de toneladas acabam em lagos, rios e mares.

O Brasil é um dos países que mais produz lixo plástico no mundo e o que menos recicla. São 11 toneladas por ano. Cada brasileiro produz um quilo de lixo plástico por semana. Os dados fazem parte do relatório da organização não governamental WWF – Fundo Mundial para a Natureza.

A poluição plástica pode ser reduzida em 80% até 2040 se os países, empresas e sociedade fizerem mudanças profundas nas políticas, no mercado e no consumo usando tecnologias já existentes. É o que aponta o relatório mais recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). 

Fonte: ALMT – MT

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No Dia do Trabalhador, Gisela Simona destaca o cuidado como eixo da desigualdade de gênero

Na diretoria-executiva do União Mulher, em Mato Grosso, Gisela Simona traz para o centro do debate neste 1º de maio, alguns desafios enfrentados por milhares de brasileiras diariamente: a disparidade salarial e a dupla jornada. Assim, muito embora haja avanços na contratação feminina, a consolidação da equidade ainda enfrenta desafios significativos.

Coautora da Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024), Gisela defende que é necessário reconhecer o trabalho não remunerado, exercido majoritariamente por mulheres. E que qualquer discussão séria sobre valorização do trabalho precisa passar por esta ação secularmente invisibilizada, mas que ancora milhões de lares no país.

E a partir dessa lente, o Dia do Trabalhador deixa de ser apenas uma data simbólica e passa a expor uma contradição: pois enquanto o país avança na ampliação da presença feminina no mercado formal, continuam intactas as estruturas que a penalizam.

Com 33 meses de atuação na Câmara Federal, somados à experiência como advogada, servidora pública e dirigente partidária em Mato Grosso, Gisela aponta que a desigualdade de gênero segue operando de forma silenciosa, mas constante, seja na diferença salarial, na dificuldade de ascensão profissional ou na sobrecarga cotidiana.

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“Não podemos naturalizar que mulheres trabalhem mais e recebam menos. Tampouco aceitar que a responsabilidade pelo cuidado continue sendo tratada como uma obrigação individual e não como uma pauta pública”.

Dados recentes reforçam esse cenário ao revelar que as mulheres continuam concentradas em áreas historicamente menos valorizadas e, mesmo quando ocupam as mesmas funções que os homens, enfrentam remuneração inferior e menor reconhecimento. A chamada dupla jornada – trabalho formal somado às tarefas domésticas – permanece, igualmente, como uma das expressões mais evidentes dessa desigualdade.

E nesse contexto, o debate se amplia mais ao inserir a maternidade, ainda hoje observada como um fator de desequilíbrio no percurso profissional feminino. Pois a necessidade de conciliar trabalho e cuidado impacta claramente na renda, na progressão de carreira e nas oportunidades, desvelando limites concretos das políticas existentes.

Desta forma, para Gisela, embora haja avanços e medidas voltadas à igualdade salarial, a ausência de fiscalização efetiva e transparência ainda impedem mudanças estruturais. “O Brasil já reconhece parte do problema, mas ainda executa pouco. E sem ações concretas, direitos seguem sendo promessa”, afirma.

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A parlamentar, que ganhou projeção nacional ao relatar o Pacote Antifeminicídio, também reforça a conexão entre autonomia econômica e segurança. Para ela, não há como dissociar a independência financeira da proteção das mulheres. “A autonomia econômica é um dos caminhos mais concretos para romper ciclos de violência. Mas isso exige que o Estado atue de forma integrada, garantindo não só acesso ao trabalho, mas condições reais de permanência e segurança”, pontua.

Desta forma, a leitura que emerge desse 1º de maio é direta: para milhões de brasileiras trabalhar não é apenas produzir renda, é sustentar vidas, equilibrar ausências do Estado e, muitas vezes, garantir a própria sobrevivência.

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