STF
Presidência do STF define plano estratégico para gestão Rosa Weber
O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou o Plano Estratégico (PE) definido na gestão da presidente, ministra Rosa Weber (2022/2023. A ministra enfatizou a missão estratégica da Corte, que é a de garantir a supremacia da Constituição, com respeito à segurança, aos direitos fundamentais e à integridade do Estado Democrático de Direito.
Novo Plenário Virtual de RG
A fim de otimizar o processo decisório, o Tribunal tem como meta a disponibilização do novo Plenário Virtual da Repercussão Geral no STF Digital. A ideia é modernizar o processo de trabalho e possibilitar maior publicidade e transparência no encaminhamento de temas ao Plenário, por meio de uma plataforma única que permitirá a estruturação de dados.
Assessoria de Inteligência Artificial
Inspirada pelas experiências positivas de inovação tecnológica em benefício da prestação jurisdicional, o STF passa a contar com uma nova unidade, a Assessoria de Inteligência Artificial (AIA), que visa à implementação de novas inteligências artificiais, a exemplo de “Victor” e “Rafa”. O objetivo é racionalizar a admissibilidade recursal e a identificação de novos temas para repercussão geral.
Resolução de litígios complexos
Outro destaque é a criação do Centro de Soluções Alternativas de Litígios do Supremo Tribunal Federal (Cesal/ STF), voltado a integrar o Centro de Mediação e Conciliação, o Centro de Cooperação Judiciária e o Centro de Coordenação de Apoio às Demandas Estruturais e Litígios Complexos. Essa última auxilia a resolução de litígios estruturais e complexos, que exigem técnicas especiais de efetivação processual e intervenções jurisdicionais diferenciadas, como flexibilidade de procedimento, consensualidade, negociações e atipicidade dos meios de provas, das medidas executivas e das formas de cooperação judiciária.
Temas estratégicos
O planejamento atual está pautado em três perspectivas: entregas à sociedade, processos internos e pessoas e recursos. O plano elenca nove temas estratégicos: prestação jurisdicional, serviços prestados aos cidadãos e aos jurisdicionados, Agenda ONU 2030, comunicação interna e externa, relações institucionais, governança e gestão organizacional, pessoas, transformação digital e gestão orçamentária e financeira.
Previsibilidade e eficiência
De acordo com a presidente, a gestão do STF é uma obra coletiva inserida no contexto de planejamentos mais amplos, aprovados pelo Plenário desde 2009. Com ciclos estratégicos quinquenais, esses planos têm dado maior previsibilidade e eficiência à condução dos trabalhos administrativos e jurisdicionais, com resultados expressivos para a instituição e para a sociedade.
Continuidade de ações
No documento, a ministra Rosa Weber ressalta que o atual planejamento estratégico também é resultado de iniciativas bem sucedidas iniciadas nas gestões anteriores, algumas com conclusão prevista para 2023. Segundo ela, o Tribunal visa assegurar o cumprimento das metas estabelecidas, com a utilização racional dos recursos públicos na administração da Suprema Corte.
Leia a íntegra do Plano Estratégico.
EC//CF
Fonte: STF
STF
Dino endurece punição contra juízes e determina fim da aposentadoria compulsória como sanção disciplinar
Decisão do ministro do STF estabelece que magistrados que cometam infrações graves poderão perder o cargo, em vez de apenas serem aposentados com salário proporcional
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá aplicar punições mais severas contra magistrados que cometam infrações disciplinares graves. Pela decisão, a perda do cargo passa a ser considerada a principal sanção, substituindo a tradicional aposentadoria compulsória.
A medida representa uma mudança significativa no sistema disciplinar da magistratura brasileira. Até então, a aposentadoria compulsória era considerada a punição administrativa máxima para juízes que cometiam irregularidades.
Na prática, porém, a medida sempre foi alvo de críticas porque, mesmo afastado da função, o magistrado continuava recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço, o que frequentemente era interpretado como uma espécie de benefício e não como punição efetiva.
Com o novo entendimento firmado por Dino, casos graves devem resultar na perda do cargo, com a consequente perda do salário.
Segundo o ministro, uma emenda constitucional aprovada em 2019 já havia eliminado a chamada aposentadoria compulsória punitiva, o que reforça a necessidade de um sistema disciplinar mais efetivo dentro do Judiciário.
“Não faz mais sentido que os magistrados fiquem imunes a um sistema efetivo de responsabilidade disciplinar, com a repudiada e já revogada aposentadoria compulsória punitiva”, escreveu o ministro na decisão.
Dino destacou ainda que, devido à vitaliciedade do cargo de magistrado, a perda da função depende de decisão judicial. Assim, quando o CNJ concluir pela demissão, o caso deverá ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que analisará a medida.
A decisão vale para juízes e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não se aplica aos ministros do próprio STF.
Caso analisado
A decisão foi tomada durante a análise de uma ação apresentada por um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que buscava anular decisões do CNJ que resultaram em sua aposentadoria compulsória.
O magistrado atuava na Comarca de Mangaratiba (RJ) e foi punido após investigações apontarem diversas irregularidades em sua atuação.
Entre as condutas apontadas pelo CNJ estão: favorecimento de grupos políticos da cidade;
liberação de bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público;
direcionamento de processos para concessão de liminares em benefício de policiais militares ligados a milícias;
irregularidades no julgamento de ações envolvendo policiais militares que buscavam reintegração à corporação;
anotação irregular da sigla “PM” na capa de processos para identificar ações envolvendo policiais militares.
Após ser punido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e posteriormente pelo CNJ com aposentadoria compulsória, o magistrado acionou o Supremo Tribunal Federal.
A análise do caso levou o ministro Flávio Dino a estabelecer o novo entendimento sobre as punições disciplinares aplicadas a magistrados no país.
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