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Jurista alemão especialista em Judiciário Brasileiro visita STF para compreender melhor funcionamento da Corte

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu em seu gabinete, na manhã desta sexta-feira (12), o jurista Hans-Joachim Henckel, presidente da Associação de Juristas Alemanha-Brasil (DBJV) e grande estudioso do Poder Judiciário Brasileiro, tema de sua tese de doutorado.

Como parte desse processo de conhecimento da estrutura do Judiciário brasileiro, o ministro Fachin apresentou o funcionamento de seu gabinete e as atribuições de cada um dos assessores e juízes instrutores e auxiliares que trabalham em áreas temáticas.

Fachin explicou ao colega alemão, por exemplo, que seu gabinete precisou ter um juiz a mais que os demais. “Por causa da grande demanda de processos relacionados à Lava Jato, era preciso ter um juiz exclusivo para esse tema”, destacou o ministro. Disse também que reúne todo seu gabinete às segundas-feiras para tratar da dinâmica de processos e pautas semanais.

Joachim Henckel elogiou a estrutura do Judiciário brasileiro, apontou diferenças em relação ao sistema alemão e falou sobre como é interessante ter um “olhar de fora” sobre questões como corrupção e fake news, temas que existem em todos os países. Na avaliação de Henckel, “o grande desafio da atualidade é a defesa do Estado de Direito”.

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Encontro anual

A Associação de Juristas Alemanha-Brasil (DBJV) foi fundada em Frankfurt, em 1982, por juristas renomados dos dois países com atuação nos campos da advocacia, magistratura e pesquisa científica. O objetivo do grupo é aperfeiçoar o intercâmbio de informações jurídicas entre os países.

Para estreitar esses laços são realizados encontros anuais com temas específicos. O deste ano será realizado em outubro, na Alemanha, e contará com a presença do ministro Edson Fachin. Outros encontros do tipo já foram realizados no Brasil (Rio de Janeiro em 1987 e 2007, Belém 1991, São Paulo 1995, Brasília 1999, Curitiba 2003, Santos 2011 e Belo Horizonte 2015).

A partir dos encontros anuais são elaboradas publicações temáticas, que já contam com 47 volumes com trabalhos de pesquisa com base no Direito Comparado brasileiro-alemão, bem como tradução de textos normativos brasileiros importantes, como a Constituição Federal de 1988.

A Associação também trabalha na formação de estudantes, promoção de estágios e intercâmbio com universidades alemãs. “Essa troca de experiências para mim é a parte mais fascinante e inspiradora”, disse o jurista alemão ao ministro Edson Fachin e ao grupo de assessores que o receberam em visita.

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AR//GR

Fonte: STF

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Dino endurece punição contra juízes e determina fim da aposentadoria compulsória como sanção disciplinar

Decisão do ministro do STF estabelece que magistrados que cometam infrações graves poderão perder o cargo, em vez de apenas serem aposentados com salário proporcional

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá aplicar punições mais severas contra magistrados que cometam infrações disciplinares graves. Pela decisão, a perda do cargo passa a ser considerada a principal sanção, substituindo a tradicional aposentadoria compulsória.

A medida representa uma mudança significativa no sistema disciplinar da magistratura brasileira. Até então, a aposentadoria compulsória era considerada a punição administrativa máxima para juízes que cometiam irregularidades.

Na prática, porém, a medida sempre foi alvo de críticas porque, mesmo afastado da função, o magistrado continuava recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço, o que frequentemente era interpretado como uma espécie de benefício e não como punição efetiva.
Com o novo entendimento firmado por Dino, casos graves devem resultar na perda do cargo, com a consequente perda do salário.

Segundo o ministro, uma emenda constitucional aprovada em 2019 já havia eliminado a chamada aposentadoria compulsória punitiva, o que reforça a necessidade de um sistema disciplinar mais efetivo dentro do Judiciário.

“Não faz mais sentido que os magistrados fiquem imunes a um sistema efetivo de responsabilidade disciplinar, com a repudiada e já revogada aposentadoria compulsória punitiva”, escreveu o ministro na decisão.

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Dino destacou ainda que, devido à vitaliciedade do cargo de magistrado, a perda da função depende de decisão judicial. Assim, quando o CNJ concluir pela demissão, o caso deverá ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que analisará a medida.

A decisão vale para juízes e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não se aplica aos ministros do próprio STF.

Caso analisado

A decisão foi tomada durante a análise de uma ação apresentada por um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que buscava anular decisões do CNJ que resultaram em sua aposentadoria compulsória.

O magistrado atuava na Comarca de Mangaratiba (RJ) e foi punido após investigações apontarem diversas irregularidades em sua atuação.
Entre as condutas apontadas pelo CNJ estão: favorecimento de grupos políticos da cidade;
liberação de bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público;
direcionamento de processos para concessão de liminares em benefício de policiais militares ligados a milícias;
irregularidades no julgamento de ações envolvendo policiais militares que buscavam reintegração à corporação;
anotação irregular da sigla “PM” na capa de processos para identificar ações envolvendo policiais militares.

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Após ser punido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e posteriormente pelo CNJ com aposentadoria compulsória, o magistrado acionou o Supremo Tribunal Federal.

A análise do caso levou o ministro Flávio Dino a estabelecer o novo entendimento sobre as punições disciplinares aplicadas a magistrados no país.

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