SAÚDE

Ministério da Saúde impulsiona desenvolvimento de tecnologias de ponta para acelerar entrega de soluções concretas para o SUS

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Uma pequena amostra de saliva pode revelar muito sobre a nossa saúde. A técnica já é usada para detecção de vírus, bactérias e até sequenciamento de DNA. Uma pesquisa desenvolvida por cientistas brasileiros foi além e criou um biossensor em formato de chip que, combinado com inteligência artificial, é capaz de identificar sinais de metástase de câncer de boca.

O projeto é conduzido há oito anos por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), mas foi em 2026 que alcançou um novo impulso. A virada de chave ocorreu com a integração ao Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, iniciativa do Ministério da Saúde desenhada para alavancar o desenvolvimento e oferta de tecnologias de última geração no Sistema Único de Saúde (SUS) e impulsionar a soberania nacional no setor.

Historicamente, o ciclo que separa o início de uma pesquisa até a oferta de um medicamento na prateleira da farmácia pode ultrapassar os 10 anos. Isso porque o percurso envolve etapas complexas, como testes laboratoriais, ensaios clínicos, validação regulatória e adaptação para produção em escala.

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, destaca que o foco do programa é justamente encurtar esse caminho, com atuação integrada e direta para superar os desafios que ainda costumam travar projetos promissores. “A missão é fortalecer a inovação radical, com o desenvolvimento de novas moléculas, medicamentos e produtos de saúde de ponta para reduzir a dependência externa e garantir a soberania do SUS”, pontuou.

De acordo com De Negri, a iniciativa parte do diagnóstico de que o país possui alta capacidade científica, mas ainda apresenta baixa conversão de conhecimento em soluções. “Para viabilizar essa transição, o Governo do Brasil vai financiar a instalação de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento dedicado às necessidades estratégicas do setor produtivo de saúde, com foco na indústria farmacêutica. A criação dessa infraestrutura no CNPEM representa um marco de inovação, uma vez que o Brasil passará a contar com um suporte tecnológico inédito, essencial para transformar pesquisa em recursos reais que posicionem o país como referência em biotecnologia e saúde.”

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A pesquisa do biossensor, por exemplo, já utilizava um método sólido estruturado em 60 amostras de pacientes com e sem metástase. Agora, a iniciativa contará com um volume 13 vezes maior que o inicialmente previsto, explicou a pesquisadora Líder do Núcleo de Tecnologia em Proteômica e líder da Divisão de Núcleos Avançados em Tecnologias para Saúde do Laboratório Nacional de Biociências do CNPEM, Adriana Franco Paes Leme.

“Tivemos a oportunidade de entrar na esteira dessa iniciativa e vislumbramos concretizar o projeto utilizando uma análise multicêntrica, onde conseguiremos crescer esse número para quase 800 amostras. E a gente vai conseguir trabalhar em parceria com os hospitais de excelência”, ressaltou Adriana Franco Paes Leme.

A ampliação é possível porque o programa aproxima instituições de peso como o próprio CNPEM, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e os hospitais de excelência vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

Para acelerar a pesquisa da detecção de metástase, a cooperação será feita com o Hospital Sírio Libanês, que irá contribuir com acesso a pacientes e validação clínica, enquanto o CNPEM aporta infraestrutura, conhecimento científico e a engenharia para o desenvolvimento do dispositivo.

Antes dessa parceria, o biossensor já tinha a acurácia, como é definido o grau de proximidade entre um resultado medido e seu valor real, de 76%. Os esforços agora são para elevar essa confiabilidade, enfatiza Adriana Franco Paes Leme. “Essa oportunidade de ter esses estudos em parceria com os centros de excelência vai nos dar outras perspectivas que a gente não tinha antes”, completa.

Como funciona o biossensor

Com um formato pequeno que permite ser levado para qualquer lugar, o biossensor utiliza princípios semelhantes aos dos microchips de smartphones para identificar biomarcadores de metástase de câncer de boca. A tecnologia utiliza espectroscopia de impedância eletroquímica para detectar biomarcadores do câncer, a partir da saliva. O método identifica alterações elétricas na superfície do chip e converte os dados em sinais digitais em tempo real, o que já substitui nessa fase o uso de um equipamento laboratorial de grande porte chamado espectrômetro de massas, orçado em até US$ 1 milhão.

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Ciclo de inovação

Ao todo, quatro projetos-piloto em execução no CNPEM foram selecionados para integrar o Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. Além do biossensor, há pesquisas avançadas para desenvolver soluções para dor crônica neuropática, doenças neurodegenerativas e autoimunes.

Para sair do laboratório e chegar ao paciente, os projetos percorrem um processo estruturado em duas etapas. Primeiro, as iniciativas passam por avaliação técnica, regulatória e de viabilidade comercial, com foco no potencial de escalabilidade e incorporação ao SUS. Em seguida, o programa apoia a captação de recursos, a formalização de parceiros e o acesso à infraestrutura de ponta do CNPEM, para transformar pesquisas em soluções reais e validadas para a saúde pública.

Tecnologia feita no Brasil

Em novembro do ano passado, o Ministério da Saúde celebrou um acordo com o CNPEM, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, para torná-lo o primeiro polo de inovação radical em saúde do país. Com isso, a instituição assumiu o papel de primeiro centro-âncora nacional, com atuação voltada às prioridades do SUS.

Na prática, a parceria fortalece a autonomia tecnológica e a soberania nacional ao disponibilizar infraestrutura científica de alto nível para pesquisadores, startups e indústrias parceiras do programa. Entre os destaques, está o Sirius, maior fonte de luz síncrotron da América Latina, capaz de visualizar estruturas biológicas em nível atômico. Essa infraestrutura é essencial para desenvolver e validar projetos de inovação radical, com a redução da dependência externa e a aceleração na entrega de novos tratamentos à população.

O que é uma inovação radical?

Diferentemente da inovação incremental, que apresenta melhorias graduais de tecnologias que já conhecemos (como uma nova formulação de medicamento ou a versão atualizada de um protocolo), a inovação radical promove rupturas tecnológicas capazes de transformar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças. Exemplos incluem o uso de inteligência artificial para diagnóstico, a implementação de terapias celulares avançadas e as vacinas com novas plataformas tecnológicas.

Roberta Paola
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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SAÚDE

Cuidado ao diabetes na Atenção Primária: profissionais do SUS terão acesso a curso gratuito com certificação

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Profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de todo o país já podem se inscrever para qualificação gratuita sobre o cuidado às pessoas com diabetes, com aulas on-line e certificação. Com foco inicial nos profissionais do Programa Mais Médicos, a formação também é destinada às demais categorias que atuam na APS. O curso foi apresentado nesta terça-feira (13/10), em São Paulo, durante atividade com transmissão ao vivo, com orientações de acesso à plataforma e uma aula especial sobre insulinoterapia.

O Curso de Capacitação da Atenção Primária à Saúde na Atenção às Pessoas com Diabetes é resultado de um Acordo de Cooperação entre o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). A parceria tem como meta quaificar aproximadamente 25 mil profissionais do Sistema único de Saúde (SUS) em até 12 meses, sendo cerca de 15 mil médicos e 10 mil integrantes de equipes multiprofissionais da Estratégia Saúde da Família.

A formação reúne conteúdos técnico-científicos baseados em evidências, boas práticas assistenciais e nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde aplicáveis ao diabetes, com foco na prevenção, no diagnóstico, no tratamento e no acompanhamento das pessoas atendidas na Atenção Primária.

Durante participação on-line no evento, o secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Jérzey Timóteo, ressaltou a importância de aproximar o conhecimento científico da prática cotidiana dos profissionais que atuam no SUS, especialmente diante da atualização dos protocolos e da incorporação de tecnologias para o tratamento do diabetes. “É necessário que essas condutas e protocolos alcancem a ponta do trabalho realizado pelas equipes de Saúde da Família”, destacou Jérzey.

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O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), João Eduardo Nunes Salles, reforçou a importância de atualizar os conhecimentos dos profissionais diante dos avanços no tratamento da doença. “O tratamento do diabetes no SUS melhorou muito com a chegada de novos medicamentos e novas insulinas. Mas como fazer para que esse conhecimento chegue a todos os médicos e profissionais de saúde que cuidam das pessoas com diabetes? Foi por isso que o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Diabetes criaram essa qualificação, para que todos estejam na mesma página em relação ao tratamento do diabetes”, afirmou.

O evento foi realizado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, quando o provedor da Irmandade, Dr. José Mansur, ressaltou a importância de iniciativas voltadas à formação e à qualificação dos trabalhadores da saúde e colocou a instituição à disposição para colaborar com projetos do Ministério da Saúde nessa área.

Educação e ciência para fortalecer o cuidado no SUS

A educação permanente dos profissionais de saúde é um dos aspectos relacionados à atualização das práticas de cuidado às pessoas com diabetes, conforme destacou a coordenadora-geral de Ações Estratégicas de Educação na Saúde (CGAES/SGTES/MS), Erika Rodrigues de Almeida. “A disponibilidade de medicamentos para o tratamento do diabetes passou por mudanças nos últimos anos. Nesse contexto, a capacitação dos trabalhadores da saúde é importante para a atualização dos conhecimentos sobre as opções terapêuticas e sua utilização na assistência aos pacientes”, explicou.

A articulação entre educação e saúde também esteve presente na fala de Carolina da Paz, representante do Ministério da Educação (MEC). Ela destacou a importância da ciência e da educação pública para qualificar o cuidado à população e ressaltou que a formação beneficiará não apenas médicos do Programa Mais Médicos, mas também tutores e supervisores responsáveis pelo acompanhamento acadêmico desses profissionais.

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Pela Sociedade Brasileira de Diabetes, Bianca Pititto, coordenadora do Departamento de Saúde Pública, Economia da Saúde e Ética da entidade, apresentou a estrutura da qualificação e destacou o trabalho de adequação dos conteúdos às diferentes realidades da Atenção Primária no Brasil. A elaboração do projeto também contou com a participação da vice-presidente da SBD, Karla Melo, e da segunda secretária, Maria Gabriela Cavicchioli, reunindo contribuições de diferentes áreas profissionais.

Formação voltada à prática

Ofertado integralmente a distância pela plataforma Diabetes Play, o curso está organizado em duas trilhas formativas, permitindo que os profissionais acessem conteúdos relacionados às suas áreas de atuação:

  • Para profissionais prescritores: nove módulos, 33 aulas e carga horária total de 7h12.
  • Para profissionais de equipes multiprofissionais: seis módulos, 18 aulas e carga horária total de 3h41.

As aulas são gravadas e incluem discussões clínicas, avaliação de aprendizagem ao final de cada módulo e certificação aos participantes.

Entre os temas abordados estão diagnóstico e metas terapêuticas, pré-diabetes e prevenção do diabetes tipo 2, avaliação do risco cardiorrenal, tratamento medicamentoso, insulinoterapia, complicações crônicas, diabetes gestacional e cuidado multiprofissional.

Um dos destaques da formação é o módulo específico sobre a transição da insulina NPH para a insulina glargina, com orientações relacionadas ao manejo e ao acompanhamento das pessoas com diabetes tipos 1 e 2.

A formação será ofertada inicialmente na plataforma Diabetes Play, com previsão de posterior disponibilização dos conteúdos na Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS).

Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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