TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Poder Judiciário inicia Semana de Enfrentamento ao Assédio Moral e Sexual para consolidação de ações

A Semana de Enfrentamento ao Assédio Moral e Sexual do Poder Judiciário em Mato Grosso será intensa e de muito trabalho no Estado para discutir o tema. O primeiro dia de discussão teve início na manhã desta segunda-feira (23 de maio), em Seminário hibrido (presencial e virtual) realizado pelo Tribunal de Justiça, Comissão de Prevenção e  Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação do Primeiro e Segundo Graus, com palestra proferida pelo professor pós-doutor José Roberto Heloani. Nos dias que seguem, rodas de conversa ocorrerão em várias comarcas do interior para discutir o assunto.
 
A palestra foi virtual e transmitida pelo Youtube do TJMT e acompanhada por magistrados, magistradas, servidores e servidoras que presencialmente estavam no auditório Gervásio Leite, no Palácio da Justiça, em Cuiabá.
 
A presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Maria Helena Póvoas, presente na abertura do Seminário ressaltou a importância da ação promovida em âmbito estadual, cujo foco é consolidar as ações de enfrentamento ao assédio, em cumprimento à decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece diretrizes para que os tribunais coíbam a prática.
 
“Na medida em que possamos estimular as mulheres e outras pessoas a denunciar, a não aceitar nenhum tipo de assédio, para que haja possibilidade de dar um basta a tudo isso. Não tenham receio. Fico muito feliz com a realização deste seminário e esse movimento crescente está aumentando para gerar frutos.”
 
Conselheira Salise Monteiro Sanchotene, coordenadora do Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Sexual do CNJ gravou vídeo especialmente para o seminário, onde destaca o valor do evento realizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso durante a Semana de Combate ao Assédio e Discriminação, que visa fomentar atividades preventivas e informativas sobre o tema.
 
“Esse movimento do Poder Judiciário está alinhado a outras ações de outros órgãos públicos, empresas e organismos internacionais nos quais o assédio e discriminação são considerados medidas interditadas promovendo medidas internas para evitar e coibir a prática do assédio moral, sexual e discriminação.”
 
De acordo com a conselheira, avalia-se que há comportamentos que podiam ser aceitos no passado e que hoje não estão mais dentro dos limites da convivência e tolerância. “Nesse contexto as ações de prevenção e informação realizadas pela administração da Justiça são medidas abrangentes e muito benéficas trazendo reflexões que propiciem detectar, entender e modificar eventuais preconceitos ou perspectivas de gênero desconsiderada e dando oportunidade para que as pessoas revisem seus comportamentos antes de se instalarem conflitos ou de eles evoluírem para situações limites identificadas como assédio e discriminação”, complementa.
 
Antes da palestra foi apresentado vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do TJMT sobre assédio. José Roberto Heloani destacou que as falas da presidente do Judiciário e o vídeo “mostram um compromisso efetivo dos dirigentes do tribunal no que concerne a esse evento.”
 
Há 25 anos Heloani se dedica a pesquisa relacionada ao assunto e afirma que a importância de se estudar o tema é porque não é um problema nacional, mas mundial. “Em resposta aos protestos mundiais que houve a partir de 2015, no que concerne uma sucessão de assédios tanto de figuras famosas, televisivas quanto nas denúncias que ocorreram em praticamente todos os países denunciando a prática de assédio em diferentes países iniciou tratativas para aprovação de uma norma internacional que estabelecesse diretrizes de combate ao assédio e a violência no ambiente de trabalho. O resultado foi a Convenção 190, sendo que o Brasil se absteve de votar essa convenção, que estabelece e define o assédio como um conjunto de comportamentos e práticas inaceitáveis. Causam dano físico, dano psicológico […]. Por isso união e fraternidade são fundamentais. […] Para coibir o assédio temos que trocar a competição pela colaboração”, disse o palestrante.
 
Segundo ele, assédio moral é um conjunto de condutas abusivas frequentes e intencionais que atinge a dignidade da pessoa humana fazendo-o sofrer, levando ao adoecimento.
 
Presidente da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação do Segundo Grau, desembargadora Maria Erotides Kneip diz que essa mobilização estadual, além de cumprir a determinação do CNJ, significa mostrar que o Poder Judiciário de Mato Grosso está muito atento a essas questões.
 
“Precisamos conversar e refletir sobre o assédio. Temos uma herança cultural que infelizmente se perpetua nas relações de trabalho. E nós do serviço público, especialmente do Poder Judiciário, que primamos pela igualdade, que querermos um mundo melhor e mais justo, estamos fazendo esses debates dentro da nossa comunidade, com magistrados, magistradas, servidores e servidoras. Todos convocados para fazer uma semana diferente, trocar competição por colaboração. Queremos um Judiciário mais equânime e a prevenção e medidas educativas continua sendo a melhor forma de combater o assédio em todas as suas formas”, comenta.
 
O presidente da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação do Primeiro Grau, juiz Jurandir Florêncio de Castilho Júnior também falou da importância da iniciativa em âmbito estadual de discutir o assunto. “É um tema que interessa não só ao Judiciário, mas todo segmento da sociedade. Estamos trabalhando em conjunto com a Segunda Instância e a iniciativa foi de forma imediata para realizar esta Semana de discussões para esclarecimento de toda sociedade e dos próprios servidores e servidoras”, pontua.
 
Além de várias servidoras e servidores, o evento contou com a participação de magistradas e magistrados do Judiciário.
 
A Semana ocorrerá até o dia 27 de maio nas comarcas de Cuiabá, Sinop, Várzea Grande, Rondonópolis, Cáceres, Barra do Bugres e Tangará da Serra.
 
Na tarde desta segunda-feira, às 16 horas, no Fórum de Cuiabá, será realizada a primeira Roda de Conversa sobre o tema, conduzida pela desembargadora Maria Erotides Kneip.
 
Confira abaixo o cronograma das rodas de conversa pelo interior:
 
24/05 (terça-feira) – 15h – Roda de Conversa com a desembargadora Maria Erotides Kneip, no Fórum da Comarca de Sinop;
25/05 (quarta-feira) – 16h – Roda de Conversa com a desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, no Fórum da Comarca de Rondonópolis;
25/05 (quarta-feira) – 16h – Roda de Conversa com a desembargadora Maria Erotides Kneip, no Fórum da Comarca de Várzea Grande;
26/05 (quinta-feira) – 09h – Roda de Conversa Fórum da Comarca de Cáceres;
26/05 (quinta-feira) – 15h – Roda de Conversa Fórum da Comarca de Barra do Bugres;
27/05 (sexta-feira) – 09h – Roda de Conversa Fórum da Comarca de Tangará da Serra.

Essa matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência.
Foto 1 – Imagem do Adutiório Gervásio Leite com participantes do evento. Do lado esquerdo a desembargadora Maria Erotides Kneip em pé, fala ao microfone e em detalhe no canto esquerdo da imagem o palestrante José Roberto Heloani.
Foto2 – Imagem da presidente do TJMT, desembargadora Maria Helena Póvoas na abertura do Seminário.
Foto 3- Captura de imagem da conselheira Salise Monteiro Sanchotene, durante exibição do vídeo enviado ao Seminário.
Foto 3 – Captura de tela horizontal do professor José Roberto Heloani, que ministrou palestra virtual no Seminário.
Foto 4 – Desembargadora Maria Erotides Kneip durante abertura do Seminário.



Dani Cunha
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

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Curso reúne especialistas para discutir avanço das demandas ambientais no Judiciário

As mudanças climáticas, os conflitos fundiário, os impactos sobre os biomas e a crescente judicialização das questões ambientais exigem do Poder Judiciário uma atuação cada vez mais técnica e multidisciplinar. Foi nesse contexto que magistrados e servidores participaram, nesta quinta-feira (7), do primeiro dia do curso “Introdução ao Direito Ambiental – no Limiar de um Novo Paradigma Jurídico Ecocêntrico no Antropoceno”, promovido pelo Centro de Estudos Integrados em Meio Ambiente (Cesima) e pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT).

A capacitação, voltada prioritariamente a magistrados com competência ambiental, reúne os juristas Ingo Wolfgang Sarlet e Tiago Fensterseifer, dois dos principais estudiosos brasileiros na área dos direitos fundamentais e da proteção ambiental. A proposta é oferecer uma formação que parte dos fundamentos filosóficos e históricos do Direito Ambiental até os reflexos práticos nas decisões judiciais diante de conflitos cada vez mais complexos.

Na abertura do curso, o coordenador da iniciativa, desembargador Rodrigo Curvo, destacou que o Direito Ambiental deixou de ocupar um espaço periférico dentro do sistema jurídico e passou a dialogar diretamente com temas centrais da sociedade contemporânea, como saúde, economia, dignidade humana e segurança jurídica. Segundo ele, a necessidade de capacitação da magistratura acompanha a transformação dos próprios conflitos levados ao Judiciário.

“O direito ambiental dialoga diretamente com a vida, com a saúde, com a dignidade humana, com a economia, com a segurança jurídica e com o próprio futuro das cidades, das comunidades, das próximas gerações”, afirmou o desembargador. Rodrigo Curvo ressaltou ainda que preparar magistrados para lidar com essas demandas significa fortalecer a prestação jurisdicional, especialmente diante de questões que ultrapassam os limites de interesses individuais e exigem análise dos impactos sociais e ecológicos das decisões.

Ele também enfatizou a relevância acadêmica da presença dos professores Ingo Sarlet e Tiago Fensterseifer, reconhecidos nacional e internacionalmente pela produção jurídica voltada à proteção ambiental e climática. Para o magistrado, o curso nasce como um espaço de reflexão qualificada e aprofundamento técnico sobre uma área que tende a ocupar cada vez mais espaço no cotidiano judicial.

Uma das responsáveis pela organização da capacitação, a juíza Henriqueta Fernanda Chaves de Alencar Ferreira Lima destacou que a proposta do curso surge em um momento em que os impactos ambientais deixaram de ser uma preocupação apenas teórica e passaram a influenciar diretamente a realidade social, econômica e jurídica.

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Segundo a magistrada, Mato Grosso possui características que tornam esse debate ainda mais urgente. O estado abriga três importantes biomas, realidade que intensifica os desafios relacionados à preservação ambiental, ao desenvolvimento econômico e à solução de conflitos complexos.

Henriqueta observou que a pauta ambiental exige hoje um olhar multidisciplinar e sensível por parte da magistratura. “O mundo mudou e os tipos de conflitos também mudaram. Muitos desses conflitos estão justamente relacionados com questões ambientais”, afirmou. Para ela, a intenção do curso é justamente ampliar a compreensão dos magistrados sobre essas transformações e contribuir para respostas judiciais mais adequadas diante da complexidade dos casos.

Ao longo da programação, os participantes discutiram o avanço do Direito Ambiental e, especialmente, do Direito Climático, ramo que ganhou maior protagonismo nos últimos anos diante da intensificação dos eventos climáticos extremos e das decisões judiciais relacionadas à proteção do meio ambiente.

Um dos professores do curso, Tiago Fensterseifer, chamou atenção para o crescimento da atuação do Poder Judiciário em demandas envolvendo mudanças climáticas, proteção da biodiversidade e políticas públicas ambientais. Ele citou julgamentos recentes do Supremo Tribunal Federal relacionados ao Fundo Clima e ao Fundo Amazônia como exemplos do reconhecimento de deveres estatais de proteção climática.

O jurista destacou ainda que o debate ambiental passou a incorporar também a jurisprudência internacional, especialmente decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Segundo ele, no ano passado a Corte reconheceu o direito humano ao clima saudável, ampliando a compreensão tradicional do direito ao meio ambiente equilibrado.

Para Tiago Fensterseifer, a emergência climática já faz parte da realidade brasileira e atinge diretamente a vida das pessoas. Ele lembrou episódios recentes, como enchentes no Sul do país, secas severas e incêndios florestais em diferentes regiões do Brasil. “Hoje você não tem como assegurar a proteção de direitos fundamentais sem um olhar muito sensível para a questão ambiental, climática e da poluição”, afirmou.

O professor também elogiou a iniciativa da Esmagis-MT de investir na formação continuada dos magistrados. Para ele, a atualização técnica é indispensável diante das constantes mudanças legislativas e jurisprudenciais na área ambiental e climática, especialmente porque os juízes estão na linha de frente das respostas institucionais aos conflitos decorrentes da crise ambiental.

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Também professor do curso, Ingo Wolfgang Sarlet ressaltou que discutir Direito Ambiental deixou de ser uma conveniência acadêmica para se tornar uma necessidade estratégica das carreiras jurídicas. Segundo ele, o crescimento das demandas ambientais e os efeitos da crise climática tornam indispensável a formação contínua dos integrantes do sistema de Justiça.

Sarlet observou que o Judiciário brasileiro tem assumido papel de destaque na proteção ambiental, inclusive em comparação com tribunais de outros países, com decisões consideradas inovadoras e de forte impacto social. Para o professor, muitas dessas demandas envolvem não apenas empresas e particulares, mas também omissões e falhas do próprio poder público.

Ele ressaltou ainda que os conflitos ambientais exigem diálogo com outras áreas do conhecimento, especialmente a ciência, além do enfrentamento à desinformação e ao negacionismo climático. “Qualquer pessoa com mínimo de bom senso vai ter que pensar no ambiente”, afirmou o jurista, ao defender a consolidação de uma cultura de cuidado e responsabilidade ambiental aliada ao desenvolvimento econômico.

Participante da capacitação, o juiz Maurício Alexandre Ribeiro, da Comarca de Lucas do Rio Verde, destacou a importância da atualização permanente da magistratura, especialmente em Mato Grosso, onde os conflitos ambientais fazem parte da realidade cotidiana do Judiciário. Segundo ele, a presença dos três biomas no Estado torna as demandas ainda mais específicas e complexas.

O magistrado ressaltou que o curso representa uma oportunidade de aperfeiçoamento técnico diante das constantes alterações legislativas e normativas relacionadas ao tema ambiental. “A carreira jurídica é uma atualização constante”, afirmou, ao elogiar a iniciativa da Esmagis-MT e do desembargador Rodrigo Curvo em promover a formação voltada aos desafios contemporâneos do Direito Ambiental.

O curso segue nesta sexta-feira (8) e integra o eixo temático “Meio Ambiente” da Esmagis-MT. A certificação para magistrados será emitida pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (Enfam), para fins de vitaliciamento e promoção na carreira.

Autor: Flávia Borges

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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