TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Mutirão: 8ª Vara Cível de Cuiabá realiza mais de 500 perícias médicas em ações de DPVAT

Mais de 500 processos relativos ao seguro obrigatório por Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) terão seu andamento acelerado com o mutirão que está sendo realizado pela 8ª Vara Cível de Cuiabá, entre esta terça-feira (2 de maio) e o próximo dia 11, no auditório do Fórum da Capital.
 
As ações contempladas são relativas aos acidentes que ocorreram até 2020. No mutirão, o assegurado passa pela avaliação médica tanto do perito nomeado pelo Juízo quanto do assistente técnico da seguradora. Em seguida, caso haja consenso em relação ao resultado da perícia, que aponta o grau de lesão decorrente do sinistro, as partes assinam um termo de concordância e o caso é remetido ao gabinete concluso para sentença.
 
O juiz da 8ª Vara Cível da Comarca de Cuiabá, Alexandre Elias Filho, explica que o objetivo do mutirão é finalizar processos que ficaram represados no período da pandemia, quando as perícias presenciais ficaram suspensas. “É uma forma de agilizar esses processos para que o cidadão possa ser periciado e a seguradora já deposite o valor de cada perícia. Por exemplo: uma invalidez permanente tem um valor X, uma invalidez parcial em um valor Y, assim como danos pessoais têm outro valor. Então é uma forma de baixar o estoque, cumprir a meta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que é justamente dar uma justiça mais célere para o cidadão que precisa”, explica.
 
Com mais de 2 mil processos aguardando perícia, o titular da 8ª Vara Cível da Capital destaca que outros mutirões serão realizados. “Vamos fazer isso até esgotarmos todos os processos pendentes e dar a resposta que o cidadão precisa. Esse é o papel da Justiça. A Justiça tem que dar ao cidadão o direito que ele tem em relação ao que ele busca da prestação jurisdicional”, afirma o juiz Alexandre Elias Filho.
 
Um dos atendidos neste primeiro dia de mutirão foi o marceneiro Aldo Ney Costa da Silva. Ele sofreu um acidente em 2020, quando transitava de moto em uma estrada na zona rural de Santo Antônio de Leverger. “Passei num buraco, fui firmar o pé e, na hora que a moto virou, eu caí. Deu uma trinca no osso mais fino, coloquei tala e sete parafusos na perna e um no tornozelo esquerdo”, conta.
 
Naquele mesmo ano, Aldo Ney acionou a seguradora para receber o seguro DPVAT, mas, por conta da pandemia e da suspensão das perícias presenciais, a espera durou mais tempo do que o previsto. “Eu queria fazer logo o processo porque fiquei três meses encostado, mas como não saiu a perícia, tive que aguardar. Hoje foi bem rápido. Cheguei cedo. A advogada me orientou que agora que já foi feita a perícia, então é só aguardar a sentença”.
 
A advogada Celsiane Marques Silva, que compareceu ao mutirão com um grupo de clientes, a maioria advinda do interior, relata que muitos ficavam angustiados com a espera pela perícia médica, pois disso depende o pagamento da indenização. “Muitos clientes ficam com sequelas permanentes, então eles ficam nessa expectativa de receber essa indenização para auxiliar eles nas percas que eles sofreram porque alguns, infelizmente, não conseguem mais voltar para as atividades laborais que eles tinham antes do fato”, destaca.
 
Por outro lado, a advogada ressalta a importância dos mutirões como forma de dar resposta a essas demandas. “É muito benéfico tanto para as partes que estão necessitando, quanto também para a celeridade do processo, para estar diminuindo essa demanda de processos, que são inúmeros. Para nós e nossos clientes, é muito benéfico esse trabalho que é realizado aqui no Fórum. Esperamos que tenha mais porque, além da celeridade, as avaliações que são feitas aqui são muito boas”, comenta.
Na semana passada, o primeiro mutirão do DPVAT de 2023 foi realizado pela 6ª Vara Cível de Cuiabá, ocasião em que 193 dos 350 processos foram sentenciados.
 
Seguro DPVAT – O benefício foi criado pela Lei n° 6.194/74, com a finalidade de amparar as vítimas de acidentes de trânsito em todo o território nacional, não importando de quem seja a culpa dos acidentes. Com a Medida Provisória 1.149/2022, a gestão do seguro ficou a cargo da Caixa Econômica Federal (CEF). Com isso, a Caixa tem o poder de administrar, entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2023, o fundo que reúne os valores arrecadados com o seguro DPVAT, além de operacionalizar os pedidos das indenizações.
 
#Paratodosverem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Imagem mostra cerca de 30 pessoas sentadas em longarinas no Fórum de Cuiabá, enquanto aguardam passar pela perícia médica. Em frente às cadeiras, há duas mesas com pessoas atendendo quem já teve sua senha chamada. Segunda imagem: juiz Alexandre Elias Filho enquanto concede entrevista à TV Justiça. Ele é um senhor com cabelos brancos, lisos e curtos. Usa óculos de grau com armação preta, camisa branca, gravata listrada azul claro e escuro, paletó azul marinho. Ao fundo desfocado, é possível ver o movimento das pessoas no mutirão e uma parede com um quadre grande representando a deusa Themis em meio a um cenário que remete à natureza mato-grossense emoldurada por um enorme mapa do estado em madeira. Terceira imagem: advogada Celsiane Marques concede entrevista à TV Justiça. Ela é uma mulher negra, de cabelo liso e preso para trás, usa blusa branca de bolinhas pretas e um crachá de advogada. Ao fundo desfocado, é possível ver o movimento das pessoas no mutirão. Quarta imagem: Médico usando jaleco branco, sentado em frente a um computador olha para o prontuário do jurisdicionado, que está sentado do outro lado da mesa, ele usa uma camiseta azul celeste.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Audiência pública reúne centenas de pessoas para discutir lei de combate ao crime organizado

Foto horizontal em plano aberto que mostra a plateia lotada no auditório do Tribunal de Justiça. A audiência pública “A Lei do Combate ao Crime Organizado no Brasil e os impactos no sistema de justiça criminal: desafios e oportunidades” atraiu mais de 200 pessoas, na tarde desta sexta-feira (12), no auditório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), para debater a Lei nº 15.358/2026 e seus reflexos no sistema de justiça criminal. A nova lei, que desde 24 de março instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, tipifica os crimes de domínio social estruturado e de favorecimento ao domínio social estruturado, altera o Código Penal e o Código de Processo Penal brasileiros, bem como legislações correlatas.

O evento foi promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), em parceria com o Ministério Público do Estado (MPE), a Polícia Judiciária Civil (PJC) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT). Houve transmissão ao vivo por meio do canal TJMT Eventos no YouTube.

Foto horizontal que mostra o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim, falando ao microfone. Ele é um senhor de pele branca, cabelos e barba brancos, usando terno cor creme e gravata marrom. Ao fundo, um telão com as informações da audiência pública.A abertura da audiência contou com pronunciamento do presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, que apontou a sensibilidade e atualidade do tema. “O crime organizado mudou sua forma de agir. Alcança diferentes áreas da vida social e econômica e exige do Estado respostas firmes, preparadas e responsáveis”, destacou.

Ele ressaltou ainda a importância de refletir sobre investigações, responsabilização, garantias processuais e atuação integrada de todos os órgãos públicos, de forma equilibrada, séria e cuidadosa, por exemplo, com a qualidade da prova, com o uso correto dos instrumentos legais e, acima de tudo, com a preservação da confiança da sociedade na justiça. “O Poder Judiciário recebe esse debate com espírito de escuta e cooperação. A contribuição do Ministério Público, da polícia, da advocacia, da academia, da Defensoria e dos demais participantes é essencial para que possamos aprimorar práticas e construir respostas mais seguras”, declarou.

Foto horizontal que mostra o desembargador José Luiz Leite Lindote do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de cabelos grisalhos, usando camisa branca, gravata rosa e terno azul marinho.O corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote, responsável pela audiência pública, ressaltou que a CGJ-MT decidiu promover o evento por compreender que o enfrentamento ao crime organizado exige diálogo permanente entre as instituições que integram o sistema de justiça criminal. “A recente Lei nº 15.358, conhecida como Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, trouxe novos instrumentos, novos conceitos e novos desafios para a investigação, o processamento e o julgamento de crimes. Diante dessas mudanças, é fundamental debater seus impactos e refletir sobre sua aplicação prática”.

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Segundo Lindote, a audiência pública é exemplo de uma atuação conjunta entre o Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Judiciária Civil e a OAB-MT. “Essa integração institucional tem produzido resultados em Mato Grosso, a exemplo da articulação que possibilitou a realização do primeiro leilão de sucatas vinculadas à jurisdição criminal, que resultou na arrecadação de cerca de R$ 675 mil para os cofres públicos”, enfatizou, informando que o resultado foi fruto de evento anterior, o Recupera MT, no qual foi assinada a Resolução Conjunta nº 01/2025 com o Estado.

Foto horizontal que mostra o delegado de polícia Valter de Melo Fonseca Júnior do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, alto, de cabelo e barba pretos, usando camisa branca, gravata azul estampada e terno azul. Ao fundo, um telão com as informações da audiência pública.Representando a Secretaria de Estado de Segurança Pública, o delegado de polícia Valter de Melo Fonseca Júnior afirmou que a audiência pública é o momento oportuno para pensar no atual cenário nacional. “A sociedade tem exigido respostas do Estado e nós acreditamos, enquanto Segurança Pública, que a resposta se faz através da integração. Os desafios são grandes, a legislação nova. Tem vários conceitos que precisam ser interpretados, como o conceito de domínio social. São novas tipificações, novos processos e são temas que temos que enfrentar em conjunto”, disse, enaltecendo a iniciativa do Poder Judiciário.

Foto horizontal que mostra o promotor de justiça Renee do Ó do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de cabelo preto, usando camisa branca, gravata e terno azul marinho e óculos de grau. Atrás dele é possível ver parte de um telão.O promotor de justiça Renee do Ó Souza pontuou que, em todo o país, o crime organizado está estabelecido e notabilizado pelo incremento do lucro e regido pela prática extremamente violenta, características que são o foco da nova lei, também conhecida como Pacote Anti-facção. “Este evento marca o pontapé do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria e da Advocacia, da Polícia Civil e de toda a população brasileira que se destina e que quer enfrentar adequadamente o crime organizado”, disse.

Foto horizontal que mostra o advogado Giovane Santin do busto pra cima, falando ao microfone. Ele é um homem branco, de barba e cabelos castanhos claros, usando camisa branca, gravata púrpura e terno azul marinho e óculos de grau.Vice-presidente da OAB-MT, Giovane Santin classificou o debate como de grande importância não só para o Estado de Mato Grosso, mas para todo o país. “Um momento em que precisamos entender e enfrentar de fato todas as consequências geradas por esse fenômeno que conhecemos e chamamos vulgarmente de facções criminosas”, disse. O advogado agradeceu ao Poder Judiciário pela oportunidade de cada instituição envolvida expor seus entendimentos sobre o tema.

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Foto horizontal que mostra o defensor público Fernando Antunes Soubhia falando ao microfone. ele é um homem branco, calvo, usando camisa branca, gravata laranja, terno azul marinho e óculos de grau.O defensor público e diretor da Escola Superior da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPE-MT), Fernando Antunes Soubhia fez uma crítica ao Pacote Anti-facção, afirmando que ele “repete a receita” que o Brasil testa pelo menos desde 1988 e que “fracassa” desde então. “Aumenta a pena, endurece regime, suprime o benefício. A gente fez isso em 90, como a lei dos crimes hediondos. Isso só fez aumentar a população carcerária, aumentar o contingente das facções, que agora se nacionalizaram e tornaram os seus métodos cada vez mais elaborados”, disse.

Ao apontar que “o cárcere historicamente é o maior centro de recrutamento das organizações criminosas”, Soubhia defendeu que este não seria o melhor método para lidar com o problema. Apontou ainda que “o sistema penal é seletivo e vai continuar sendo seletivo”, prendendo majoritariamente pessoas pretas, pobres e periféricas. “Infelizmente, mais uma vez, a resposta que o Estado dá à sua própria ausência nas comunidades vulnerabilizadas é o direito penal”, criticou. Por fim, o defensor público insistiu que segurança pública se constrói com o Estado presente no território, escola, saúde, trabalho e urbanização. “O que essa lei oferece, mais uma vez, é o Estado chegando com o fuzil e algema. Precisamos fazer melhor que isso”, asseverou.

Registro de presenças

Participaram da audiência pública o ouvidor-geral do Poder Judiciário, desembargador Rodrigo Curvo; o supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), desembargador Orlando Perri; os desembargadores Jorge Luiz Tadeu Rodrigues e Wesley Sanchez Lacerda; o juiz auxiliar da Presidência e secretário-geral do TJMT, Agamenon Alcântara Moreno Júnior; os juízes auxiliares da CGJ-MT João Filho de Almeida Portela, Jorge Alexandre Martins Ferreira e Myrian Pavan Schenkel; o delegado Cláudio Álvarez Santana, representando a Polícia Judiciária Civil; o coordenador da CGJ-MT, João Gualberto Neto, além de juízes e juízas, advogados e advogadas, assessores, estudantes de Direito, servidores e servidoras do Poder Judiciário, entre outros interessados no tema da audiência pública.

Autor: Celly Silva

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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