TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Justiça Presente, Cidadania Preservada: Expedição leva dignidade a pioneiros de Veranópolis
O primeiro dia de atendimento da 7ª Expedição Araguaia-Xingu em Veranópolis, Distrito de Confresa, foi marcado por reencontros com a própria história e pela certeza de que o acesso à Justiça transforma destinos. Um rosto conhecido da comunidade estava entre os moradores que participaram do atendimento nesta terça-feira (11 de novembro) na Escola Municipal Vereador Valdemiro Nunes de Araújo. Era Sebastião Cândido da Costa, 86 anos, considerado um dos pioneiros da região, também conhecido como Sebastião “do Véu”.
Ele e a esposa, dona Maria, foram fazer exames de vista e atualizar documentos, algo que, por muitos anos, pareceu impossível. Em outros tempos, Maria e Sebastião caminhavam 40 a 60 quilômetros a pé, no meio do mato e sob sol forte, para tentar resolver um simples atendimento. Muitas vezes, voltavam sem conseguir nada. “Nós sofremos demais”, lembrou dona Maria, revelando que já recusou até uma caminhonete em troca de sete alqueires de terra.
Hoje, com dificuldades para enxergar e sem óculos, ela encontrou na Expedição a chance de recuperar qualidade de vida. “A gente sente uma felicidade grande… Uma coisa dessa na nossa cidade, ajudando todo mundo. É uma maravilha”, afirmou. “Depois de tudo que nós já passamos, ver isso acontecendo é uma beleza”, acrescentou Sebastião.
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Divórcio em tempo recorde – Enquanto muitos buscavam documentos, outros encontraram uma oportunidade para resolver pendências que pareciam intermináveis. José Aparecido da Silva, 62 anos, aguardava há 13 anos para formalizar o divórcio. Resolveu tudo em 23 minutos. “Eu cheguei aqui hoje, fui pegando informação. Quando vi, já estava divorciado em poucos minutos. Não precisei ir para a cidade. Agora vida resolvida”, disse, aliviado.
Paternidade socioafetiva e à distância – Outro caso simbólico aconteceu dentro da sala de audiência. Via chamada de vídeo, o Poder Judiciário, por meio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), consolidou um reconhecimento de paternidade socioafetiva de forma semipresencial, já que o pai afetivo Gilberto Pereira Machado estava na expedição e Camille Vitória Senhorino participou online, por estar na área rural. No mesmo ato, ficou garantida a inclusão do nome do pai socioafetivo e dos avós paternos na certidão da jovem, mas sem alteração do nome dela, como solicitado. “Foi tudo muito rápido. Gostei demais”, elogiou Gilberto.
Para o juiz Caio Almeida Neves Martins, diretor do Foro da Comarca de Porto Alegre do Norte, Veranópolis representa exatamente o sentido da atuação do Poder Judiciário em Mato Grosso. “A expedição representa a presença do Judiciário, a entrega de direitos, de garantias, principalmente no campo extrajudicial. Evita judicialização e assegura direitos fundamentais. Isso precisa ser comemorado”, afirmou.
Ele reiterou que a gestão do Tribunal de Justiça tem levado Justiça para lugares distantes, indo ao encontro do lema da atual gestão sob presidência do desembargador José Zuquim Nogueira: “Justiça Presente, Cidadania Preservada”. “E estamos presenciando isso na prática. Aqui, com o pé no chão, no Xingu, no Araguaia. A Justiça vai muito além dos gabinetes. Somar essa iniciativa é gratificante demais”, apontou.
Atendimentos – A comitiva da 7ª Expedição Araguaia-Xingu continua atendendo moradores do Distrito de Veranópolis, em Confresa. Os serviços são realizados na Escola Municipal Vereador Valdemiro Nunes de Araújo e seguem nesta quarta-feira (12 de novembro), das 8h às 11h30 e das 13h às 17h. Documentação, serviços de cidadania, orientações jurídicas e ações de saúde seguem disponíveis ao público durante todo o dia.
Rede de parceiros – A 7ª Expedição Araguaia-Xingu é uma ação do Poder Judiciário de Mato Grosso, realizada dentro do programa Justiça Comunitária. Para que os atendimentos ocorram de forma ágil e resolutiva, o Judiciário reúne equipes de diversas áreas: Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), responsável por mediações e conciliações; Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), com rodas de escuta e círculos de paz; Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), atuando com orientação e regularização documental; e o Juizado Volante Ambiental (Juvam), com ações de educação ambiental e apoio às atividades rurais.
A estrutura montada só é possível porque a expedição envolve uma ampla rede de cooperação entre instituições públicas. Integram essa força-tarefa: Defensoria Pública, Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), Ministério Público do Estado, Politec, Justiça Federal, Sesp, Polícia Judiciária Civil, Companhia de Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros Militar e as secretarias estaduais Sema, SES, Seduc e Secel.
Autor: Talita Ormond
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
TJ mantém prisão domiciliar de policial penal acusada de tentar matar entregador em Cuiabá
Desembargador negou recurso da defesa e manteve prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica; vítima foi atingida por três disparos
O desembargador Rui Ramos Ribeiro, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou recurso e manteve a prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, da policial penal afastada Jorcenilma França Viegas, acusada de tentar matar o entregador Carlos Filipe, de 34 anos, no bairro CPA 4, em Cuiabá. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (20).
O crime ocorreu no dia 22 de julho. Segundo as investigações, Carlos foi baleado quando foi até a residência da policial para devolver um celular que havia sido perdido pela filha dela. A devolução do aparelho havia sido previamente combinada, e o entregador receberia R$ 100 como recompensa.
Carlos foi atingido por três disparos, sendo um na perna direita e dois nas costas. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde chegou a permanecer internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A policial penal foi presa no dia 5 de agosto e posteriormente afastada do cargo. Ela responde por tentativa de homicídio qualificado.
A defesa alegou excesso de prazo para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público Estadual (MPE). Segundo os advogados, o inquérito policial foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário em 20 de agosto, mas a denúncia ainda não havia sido formalizada.
Os advogados também informaram que ingressaram, em 3 de setembro, com um pedido de relaxamento da prisão na 12ª Vara Criminal de Cuiabá. A solicitação, entretanto, ainda não havia sido analisada pelo magistrado de primeira instância.
Ao analisar o recurso, Rui Ramos afirmou que decidir sobre a questão antes de uma manifestação da 12ª Vara Criminal configuraria “supressão de instância”. O desembargador também destacou que a defesa não apresentou documentos capazes de demonstrar quais diligências eventualmente teriam sido solicitadas pelo Ministério Público após a conclusão do inquérito.
Diante disso, o magistrado entendeu que não era possível reconhecer, naquele momento, eventual demora injustificada do Estado e negou os pedidos apresentados pela defesa.
Rui Ramos determinou ainda que a 12ª Vara Criminal de Cuiabá seja oficiada para prestar informações sobre o andamento do processo e sobre a análise do pedido de relaxamento da prisão.
A decisão mantém, portanto, a prisão domiciliar da policial penal, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, enquanto o processo segue em tramitação.
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