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Enfrentamento aos assédios moral e sexual no trabalho é uma conquista, afirma Maria Erotides

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Com quais os tipos de preconceitos e de estereótipos você convive? “Isso é coisa de brasileiro”, “Homem não chora”, “Toda loira é burra”, “Preto de alma branca”, “Servidor público não trabalha”. Segundo a desembargadora Maria Erotides Kneip, presidente da Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Assédio Sexual, Assédio Virtual e à Discriminação no âmbito do Poder Judiciário de Mato Grosso, é necessária análise de consciência para saber quais desses pensamentos permeiam o seu dia a dia.
 
Na manhã desta quinta-feira (21 de julho), durante curso (com o mesmo nome da comissão), ela explicou ainda que alguns preconceitos e estereótipos são tão antigos que estão enraizados dentro das pessoas, transformando pensamentos em ações de assédio e discriminação.
 
“A definição de assédio moral exige uma elementar importante: a prática reiterada. Comportamentos, ainda que equivocados e errôneos, não constituem assédio moral no trabalho quando não existe uma constância. Lógico que é preciso analisar caso a caso. Também é preciso ter em mente que assédio moral no trabalho não é um simples conflito, não é apenas uma frase pronunciada num momento de descontrole emocional e pode acontecer com todo mundo, não apenas com ‘pessoas frágeis’.”
 
Maria Erotides apontou ainda que essa é discussão nova, uma conquista do trabalhador brasileiro, apesar de o assédio moral no trabalho ser um fenômeno muito antigo. “É tão velho quanto a existência do homem. Também não é fácil vencer. Não pensem que é fácil ainda assim queremos ser protagonistas e vencer essa história.”
 
Assédio sexual – À tarde, a discussão teve como foco o assédio sexual no ambiente de trabalho e o que os participantes podem fazer para auxiliar uma colega que esteja vivenciado essa situação. A programação teve início com um vídeo do Tribunal Superior do Trabalho (TST), no qual foram apresentados vários depoimentos de mulheres vítimas desse tipo de crime. Segundo o material de divulgação, no Brasil uma a cada cinco profissionais revelaram ter sofrido assédio no ambiente de trabalho, uma realidade que é silenciada pelo medo das vítimas de denunciar os abusos.
 
Seja no caso de assédio sexual por chantagem, intimidação ou até mesmo com uma oferta de promoção, em muitos casos as mulheres chegam a se sentir culpadas – e não apenas vítimas – em razão do comportamento alheio. E as consequências desse assédio são graves: baixa da produtividade, desmotivação, aumento do absenteísmo, depressão, ansiedade, estresse, síndrome do pânico, falta da sensação de pertencimento, pensamento suicida, suicídio, entre outros.
 
Aos participantes, a magistrada levantou um questionamento: “O que é que nós, no nosso ambiente de trabalho, podemos fazer para colegas que sabemos que estão sendo vítimas de assédio sexual?”. O principal, destacou ela, é mostrar à vítima que ela não está sozinha. “Você precisa ouvi-la por inteiro. Falar ‘se você não tiver coragem, eu vou com você’. Contem comigo. Eu estou pronta para ajudar, em qualquer comarca que for. Isso é intolerável”, observou.
 
A desembargadora também destacou o Canal de Manifestação disponibilizado para as vítimas de assédio ou de discriminação, ou para aqueles que têm conhecimento dessa prática no ambiente de trabalho. As notícias recebidas serão encaminhadas para as Comissões de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação.
 
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: Foto – imagem retangular colorida. Desembargadora está sentada em meio aos participantes da palestra para atividade desenvolvida em sala de aula.
 
Keila Maressa e Lígia Saito/ Foto: Adilson Cunha
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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TJ mantém prisão domiciliar de policial penal acusada de tentar matar entregador em Cuiabá

Desembargador negou recurso da defesa e manteve prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica; vítima foi atingida por três disparos

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O desembargador Rui Ramos Ribeiro, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou recurso e manteve a prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, da policial penal afastada Jorcenilma França Viegas, acusada de tentar matar o entregador Carlos Filipe, de 34 anos, no bairro CPA 4, em Cuiabá. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (20).

O crime ocorreu no dia 22 de julho. Segundo as investigações, Carlos foi baleado quando foi até a residência da policial para devolver um celular que havia sido perdido pela filha dela. A devolução do aparelho havia sido previamente combinada, e o entregador receberia R$ 100 como recompensa.

Carlos foi atingido por três disparos, sendo um na perna direita e dois nas costas. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde chegou a permanecer internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A policial penal foi presa no dia 5 de agosto e posteriormente afastada do cargo. Ela responde por tentativa de homicídio qualificado.

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A defesa alegou excesso de prazo para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público Estadual (MPE). Segundo os advogados, o inquérito policial foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário em 20 de agosto, mas a denúncia ainda não havia sido formalizada.

Os advogados também informaram que ingressaram, em 3 de setembro, com um pedido de relaxamento da prisão na 12ª Vara Criminal de Cuiabá. A solicitação, entretanto, ainda não havia sido analisada pelo magistrado de primeira instância.

Ao analisar o recurso, Rui Ramos afirmou que decidir sobre a questão antes de uma manifestação da 12ª Vara Criminal configuraria “supressão de instância”. O desembargador também destacou que a defesa não apresentou documentos capazes de demonstrar quais diligências eventualmente teriam sido solicitadas pelo Ministério Público após a conclusão do inquérito.

Diante disso, o magistrado entendeu que não era possível reconhecer, naquele momento, eventual demora injustificada do Estado e negou os pedidos apresentados pela defesa.

Rui Ramos determinou ainda que a 12ª Vara Criminal de Cuiabá seja oficiada para prestar informações sobre o andamento do processo e sobre a análise do pedido de relaxamento da prisão.

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A decisão mantém, portanto, a prisão domiciliar da policial penal, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, enquanto o processo segue em tramitação.

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