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3ª Vara Criminal é instalada em Barra do Garças para reforçar combate ao crime organizado

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A Justiça de Mato Grosso fortalece o combate à criminalidade com a instalação, nesta terça-feira (23 de setembro), da 3ª Vara Criminal de Barra do Garças. A nova unidade judiciária passa a abranger 18 comarcas e 39 municípios de uma região marcada pelo crescimento da violência, presença de organizações criminosas, tráfico de drogas, homicídios e extorsões. Com a medida, o Tribunal de Justiça amplia a política de segurança pública, garantindo a aplicação da lei com maior celeridade e eficácia.

A criação da 3ª Vara Criminal da Comarca de Barra do Garças foi aprovada pelo Tribunal Pleno durante sessão no dia 24 de março de 2025, com relatoria do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira. A Lei Complementar nº 818 foi sancionada pelo governador Mauro Mendes em 13 de maio. Em sessão de 4 de setembro deste ano, o Tribunal Pleno definiu a competência da 3ª Vara Criminal.

A nova unidade judiciária passa a ser responsável por processar e julgar crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, delitos contra a ordem tributária, econômica e de consumo, além de organizações criminosas.

O juiz Jeverson Luiz Quintieri assume a condução da Vara, que nasce com a missão de dar mais agilidade aos processos que atingem diretamente a vida da população e desafogar a 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

A escolha de Barra do Garças não foi por acaso. Localizada na divisa com Goiás e próxima a áreas de fronteira com o Pará e Tocantins, a cidade reúne condições estratégicas para sediar a nova unidade. Além disso, conta com órgãos federais e estaduais como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ministério Público Federal e Gaeco, que já atuam em parceria no combate ao crime organizado. Durante a cerimônia, diversas autoridades destacaram a relevância da instalação da vara para a segurança da região.

O desembargador Wesley Sanchez Lacerda, coordenador da Comissão Especial sobre Drogas Ilícitas do TJMT, ressaltou a importância da descentralização da Justiça criminal.

“É com essa descentralização, com a instalação da 3ª Vara Criminal de Barra do Garças, que vamos trabalhar para conter essa onda avassaladora que bate à porta do cidadão comum, na porta do juiz de primeiro grau, do promotor de justiça, do delegado, que é onde se sente a fragrância da violência. O Vale do Araguaia é estratégico, com mais de 700 km de fronteira envolvendo quatro estados. A descentralização com uma vara regional contra o crime organizado e o tráfico de drogas em Barra do Garças é um anseio não só da população, mas também da comunidade jurídica. Barra merecia isso há muito tempo”, afirmou.

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O desembargador Marcos Machado, presidente da Comissão de Planejamento de Atividades Programáticas e Racionalização dos Serviços Judiciários, ressaltou o trabalho de articulação e planejamento que resultou na criação da nova vara.

“Essa escolha se deu por uma questão geográfica, pela estrutura de fórum que já existia e também pela dedicação de magistrados que passaram por aqui, como o juiz Alexandre Pampado. Tenho uma ligação muito forte com a área criminal, por minha própria trajetória no Tribunal de Justiça, e uma preocupação enorme com o que vem acontecendo na nossa região, com o crescimento das organizações criminosas no Brasil, e em Mato Grosso não é diferente. Por isso, essa vara em Barra do Garças é resultado de estudos técnicos, mas também de um olhar atento à realidade local”, disse.

Também presente na solenidade, o desembargador Gilberto Giraldelli explicou que a criação da 3ª Vara Criminal segue uma linha de expansão do Judiciário para o interior, diante da crescente demanda.

“O Poder Judiciário começou esse enfrentamento ao crime organizado com a instalação da 7ª Vara Criminal em Cuiabá. Com o aumento dos processos, foi necessário expandir para o interior. Sinop e Cáceres já receberam suas varas e agora Barra do Garças passa a ter essa estrutura. A sociedade como um todo ganha, porque hoje a maior preocupação da população brasileira é a segurança. O Judiciário não pode ficar de fora dessa luta”, disse.

O juiz Jeverson Luiz Quintieri, que retorna à cidade após anos de atuação em outras comarcas, destacou o desafio de conduzir a nova unidade.

“É uma vara nova, especializada, que vem atender ao reclame da sociedade, não só de Barra do Garças, mas da região, e trazer mais segurança com respostas mais rápidas. Minha experiência de quase três décadas na magistratura, inclusive em varas criminais e de violência doméstica, fará diferença e será fundamental para enfrentar essa nova missão”, declarou.

Para o juiz Michell Lotfi Rocha da Silva, diretor do Fórum de Barra do Garças, a implantação da nova estrutura reforça o papel do Judiciário na garantia da paz social.

“É uma vara de grande abrangência, que cobre 18 comarcas. Para Barra do Garças é uma honra receber uma estrutura tão importante, que vai dar mais efetividade no combate ao crime organizado e devolver tranquilidade à população. O Estado precisa atuar em várias frentes, mas uma iniciativa como esta já representa um avanço enorme. Essa vara é para servir a toda a sociedade. A especialização é um meio de dar concretude aos direitos. Significa investigações mais robustas e sentenças mais rápidas. Significa atacar o núcleo do crime com confisco de bens, recuperação de ativos, interromper cadeias financeiras ilícitas, proteger testemunhas e preservar vítimas”, afirmou.

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O fortalecimento das instituições de segurança pública foi outro ponto lembrado na cerimônia. O coronel Gibson Almeida Costa Júnior, comandante regional da Polícia Militar em Barra do Garças, destacou que a chegada da vara complementa o trabalho policial.

“A expectativa é das melhores. A criação da vara especializada vai trazer um ganho muito grande para a segurança pública da região e para toda a sociedade. Estamos convictos de que isso será muito positivo para o combate às organizações criminosas”, afirmou.

Representando Pontal do Araguaia, município vizinho, o vice-prefeito Luciano Costa também reforçou a importância da medida para o Araguaia. Além de gestor, ele atua como investigador da Polícia Civil e acompanha de perto os desafios enfrentados pelas forças de segurança.

“Para nós é uma satisfação receber essa estrutura. Com a nova vara, teremos mais celeridade nos processos e maior efetividade no enfrentamento às organizações criminosas. Nosso município foi recentemente reconhecido como um dos mais seguros do estado, e medidas como essa ajudam a consolidar esse resultado, fortalecendo a parceria entre Judiciário, Ministério Público, polícias e a comunidade”, ressaltou.

Também estiveram presentes o procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, Rodrigo Fonseca; a promotora de Justiça Luciana Rocha Abrão David, coordenadora da Promotoria de Barra do Garças; o prefeito de Barra do Garças, Adilson Gonçalves de Macedo; o presidente da OAB-MT – 2ª subseção de Barra do Garças, Leonardo André da Mata; o vereador-presidente da Câmara Municipal, Alessandro Matos Nascimento; e o defensor público Edemar Barbosa Belém, coordenador do Núcleo da Defensoria Pública de Barra do Garças;

Com a instalação da 3ª Vara Criminal, a 1ª Vara Criminal de Barra do Garças passará a julgar apenas crimes contra a vida, execução penal e delitos de trânsito. Já os processos relacionados ao crime organizado que tramitavam ali, assim como os vindos de outras comarcas dos polos VIII, IX e XI, serão transferidos para a nova unidade. A expectativa é de que a mudança traga mais equilíbrio ao sistema de Justiça, eficiência processual e, sobretudo, maior sensação de segurança à população do Vale do Araguaia.

Autor: Flávia Borges

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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