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18ª edição do Diálogos da Magistratura destaca inovação e valorização dos juízes de Primeiro Grau

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A 18ª edição do programa “Diálogos da Magistratura” foi realizada na tarde desta segunda-feira (18 de agosto), na sede da Associação Mato-grossense dos Magistrados (Amam), em Cuiabá. Conduzido pelo ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o encontro reuniu magistrados de todos os tribunais que compõem o Sistema de Justiça do Estado para debater o aprimoramento da Justiça no país.

O evento foi marcado pelo intercâmbio de ideias e pela valorização da magistratura de Primeiro Grau (juízes e juízas). Ao final, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, entregou ao ministro Barroso a Medalha Desembargador José de Mesquita, a mais alta distinção outorgada pelo Tribunal de Justiça mato-grossense. O evento, idealizado pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e CNJ, foi organizado pela Amam com apoio do TJMT.

Barroso reforçou a importância de manter um contato direto com os juízes de primeira instância. Ele afirmou que mais de 80% do trabalho do Judiciário se concentra nas comarcas e a escuta ativa das dificuldades e ideias dos magistrados é fundamental para encontrar soluções eficazes e inovações práticas para o Sistema de Justiça. “Com muita frequência vêm ideias relevantes. Tive ideia sobre o protesto de título, sobre a extinção das execuções fiscais, algumas providências em relação a juizados especiais que preocupavam as pessoas, questão do teletrabalho e as regras do teletrabalho, tudo isso foram aprendizados durante essas conversas.”

O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, destacou a importância histórica do encontro para fortalecer os laços entre a magistratura estadual e nacional. Zuquim elogiou a atuação de Barroso, chamando-o de uma “referência ética e institucional” por sua condução firme e visionária na valorização do Judiciário e na consolidação democrática, com ênfase na inovação e transparência.

“Só temos que agradecer a oportunidade ímpar de dialogar e de realmente nos inteirarmos com os propósitos e reconhecer o excelente trabalho que o ministro Barroso fez em prol da magistratura nacional”, afirmou Zuquim.

A presidente da Amam, Jaqueline Cherulli, celebrou a presença do ministro e o fato de o estado ser sede da 18ª edição do programa. Ela elogiou a gestão de Barroso no STF e no CNJ, e ressaltou o programa “Justiça Plural”, que atende a grupos vulneráveis, e o compromisso com o uso de novas ferramentas, como a inteligência artificial, para o fortalecimento do Sistema Judicial.

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Jaqueline Cherulli também enalteceu o papel de vanguarda da Justiça mato-grossense, pioneira em iniciativas como a criação de varas especializadas de violência doméstica e familiar contra a mulher e a fundação da Associação Nacional de Mulheres Juízas, em 1992, pela desembargadora aposentada Shelma Lombardi. Ela afirmou que o encontro com o ministro Barroso “reforça o compromisso da magistratura local com a verdade, a conexão e a valorização da carreira, que continua a ser um sistema vivo em constante crescimento”.

​Inovações e prioridades da gestão

​O ministro detalhou as principais iniciativas de sua gestão, focadas em “integridade e qualidade” da Justiça. Ele mencionou a criação do Exame Nacional da Magistratura e do Exame Nacional de Cartórios, que visam estabelecer um padrão de excelência e combater irregularidades. Barroso defendeu a necessidade de incentivar a solução consensual de litígios, ao dizer que o Brasil precisa adotar uma cultura de acordos para reduzir a sobrecarga de processos.

Em sua fala, o ministro também destacou o avanço na área de Direitos Humanos, com a implementação de cotas de gênero para promoções por merecimento, buscando corrigir a desproporção entre a presença de mulheres na primeira e na segunda instância. Ele ainda mencionou o projeto de um Sistema Nacional de Precatórios para centralizar e tornar mais transparente a gestão desses pagamentos. Por fim, Barroso defendeu o Pacto da Linguagem Simples e a padronização das ementas como uma “revolução” que facilita a compreensão das decisões judiciais, tornando-as mais acessíveis e fáceis de entender para a sociedade em geral.

Além do desembargador Zuquim, participaram do encontro a vice-presidente do TJMT, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho; o corregedor-geral da Justiça, José Luiz Leite Lindote; o ouvidor do TJMT, desembargador Rodrigo Roberto Curvo, membro do Fórum Ambiental do Poder Judiciário (Fonamb) e coordenador do Núcleo de Sustentabilidade do TJMT; a presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes; a coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher (Cemulher-MT), desembargadora Maria Erotides Kneip; os desembargadores Orlando de Almeida Perri, Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, Luiz Octávio Saboia Ribeiro, Jones Gattass Dias, Mário Roberto Kono de Oliveira, Deosdete Cruz Júnior e Juvenal Pereira da Silva; e as desembargadoras Clarice Claudino da Silva, Maria Helena Bezerra Ramos; Maria Helena Gargaglione Póvoas. Juízes-auxiliares da presidência, da vice-presidência e da Corregedoria do TJMT também participaram do encontro.

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Compuseram a mesa de honra, além dos presidentes do STF e CNJ, do TJMT e da Amam; a coordenadora da Justiça Estadual da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), juíza Vanessa Matheus, que representou o presidente Frederico Meneses; secretária geral do CNJ, juíza Adriana Cruz; juiz auxiliar da presidência do CNJ, Frederico Montedonio Rego e a assessora chefe-executiva do gabinete da presidência do CNJ, Leila Mascarenhas. O conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda, e a presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT 23), desembargadora Adenir Alves da Silva Carruesco, acompanharam o evento.

Homenagem

O ministro Luís Roberto Barroso foi agraciado com a Medalha do Mérito Judiciário Desembargador José de Mesquita. A condecoração, a mais alta distinção outorgada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, foi conferida em reconhecimento ao seu notável trabalho e incansável dedicação ao Poder Judiciário brasileiro. Em seu pronunciamento, o desembargador presidente José Zuquim Nogueira destacou a trajetória exemplar de Barroso, marcada pelo compromisso com a democracia, a defesa dos direitos fundamentais e o fortalecimento das instituições, “valores que inspiram magistrados em todo o país”.

A juíza Jaqueline Cherulli fez a leitura de um breve histórico de Barroso, mencionando sua vasta formação acadêmica, incluindo mestrado, doutorado e pós-doutorado em instituições de renome nos Estados Unidos e França, além de sua atuação como professor titular de Direito Constitucional e autor de vários livros. O diretor-geral do TJMT, Flávio de Paiva Pinto, realizou a leitura do termo de outorga, que oficializou a concessão da medalha por seus “relevantes serviços prestados à justiça brasileira e à cultura jurídica”.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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