POLÍTICA NACIONAL

Senadores cobram agilidade na regulamentação do mercado de carbono

A regulamentação da lei que trata do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa – SBCE (Lei 15.042, de 2024) foi tema da audiência pública que aconteceu nesta quarta-feira (8) no Senado. Representantes do governo apontaram os desafios e as dificuldades para implementar a regulamentação, mas ressaltaram que o objetivo é que ela seja inclusiva e justa. Os senadores, porém, cobraram mais agilidade na instituição das novas regras.

O debate foi promovido pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado (CRA) a pedido dos senadores Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Zequinha Marinho (Podemos-PA). Este último é o presidente da CRA. Eles fizeram o pedido por meio do REQ 37/2025 – CRA.

De acordo com o site do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os mercados de crédito de carbono permitem que empresas, organizações e indivíduos compensem as suas emissões de gases de efeito estufa a partir da aquisição de créditos gerados por projetos de redução de emissões e/ou de captura de carbono. A ideia é transferir o custo social das emissões para os agentes emissores, ajudando a conter o aquecimento global e as mudanças climáticas.

Cobrança

O senadores que participaram da audiência destacaram a importância dessa regulamentação e cobraram agilidade do governo na sua instituição. Foi o que fizeram, por exemplo, Luis Carlos Heinze e Zequinha Marinho.

Heinze enfatizou que a regulamentação do mercado de carbono é de interesse do Brasil. Segundo ele, trata-se de um ativo importante, que o país precisa explorar.

Zequinha, por sua vez, lembrou que há o mercado voluntário e também o regulado. Ele disse que o mercado voluntário já avançou bastante, mas argumentou que o governo precisa agir para instituir a regulamentação.

— Dizem que o governo só vai na base da pressão. Sem pressão, o feijão não cozinha. Então, vamos botar pressão – brincou Zequinha.

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O senador Flávio Arns (PSB-PR) cobrou do governo a criação de um órgão responsável pela regulamentação do mercado de carbono, conforme previsto em lei. Para Arns, o país não pode perder essa oportunidade, que também é econômica.

Na mesma linha de raciocínio, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) cobrou agilidade do governo na regulamentação desse mercado. Ele lembrou que o atual governo é conhecido pelo interesse em temas relacionados ao meio ambiente e às mudanças climáticas — e que, portanto, deveria ser mais ágil nesses assuntos.

— Estamos atrasados. E podemos conversar para ver o que nós podemos fazer ­— disse Mourão.

Governo

Para Antônio Marcos Mendonça, representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a lei que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa representou um grande avanço para a política do clima e do meio ambiente.

Ele disse que um dos desafios da regulamentação é a implementação de uma metodologia de medições com critérios confiáveis. Mendonça informou que o MCTI, em parceria com o Ministério de Minas e Energia, disponibiliza um sistema para que as empresas estimem suas emissões de carbono. Ele atua no MCTI como coordenador-geral substituto de Ciência do Clima.

Jorge Caetano Júnior, do Ministério da Agricultura e Pecuária, informou que essa regulamentação vem sendo discutida por um grupo interministerial. Ele também destacou que uma regulamentação bem estruturada contribuirá para aumentar a segurança jurídica e para viabilizar um mercado mais eficiente dos créditos agropecuários. Ele atua nesse ministério como coordenador-geral de Mudanças do Clima e Desenvolvimento Sustentável.

Segundo Caetano Júnior, são importantes as medidas com foco na credibilidade e na transparência. Ele disse que o SBCE é um marco regulatório com potencial para abrir novas oportunidades de desenvolvimento econômico, “equilibrando ambição ambiental e segurança econômica”.

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— Esses créditos poderão ser adquiridos por setores sujeitos a metas ou poderão ser negociados livremente no mercado, transformando práticas sustentáveis em ativos econômicos valorizados — argumentou ele.

A gerente de projetos do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Beatriz Soares da Silva, afirmou que a regulamentação deveria ser feita por um órgão gestor especialmente criado para esse fim — o que ainda não ocorreu. Por enquanto, ressaltou ela, as respectivas diretrizes estão a cargo do Ministério da Fazenda. Beatriz informou que o Ministério do Meio Ambiente está montando um departamento para tratar especificamente de assuntos relacionados ao SBCE.

Agricultura familiar

Ana Elsa Munarini declarou que o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar está ouvindo todos os setores envolvidos para produzir uma regulamentação mais justa e inclusiva. Ana atua nesse ministério como diretora do Departamento de Desenvolvimento Socioambiental.

Ela reconheceu que o processo de regulamentação é complexo e “não tem só um caminho”. Ana também disse que o governo está atento para evitar que haja um mercado paralelo de mercado de carbono. Na sua visão, é importante que a regulamentação acolha a diversidade que o mercado de carbono exige, com destaque para o produtor familiar.

— Estamos tratando de questões importantes para que a agricultura familiar se adapte a esse modelo e seja contemplada nessa regulamentação — salientou.

Nova audiência

Durante a reunião, a CRA aprovou um requerimento para promover uma audiência pública sobre a regulamentação do mercado de carbono com representantes do setor privado. Esse requerimento (REQ 43/2025 – CRA) apresentado por Luis Carlos Heinze.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Especialista propõe análise de custo-benefício para priorizar investimentos públicos em saúde e educação

O Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara dos Deputados promoveu, nesta quarta-feira (13), uma conferência com o acadêmico dinamarquês Björn Lomborg. O debate girou em torno de como governos podem “fazer mais com menos”, utilizando a análise de custo-benefício para priorizar investimentos que tragam o maior retorno social possível. Segundo Lomborg, o que gestores públicos devem se perguntar é onde o dinheiro investido trará o maior benefício.

Lomborg apresentou um ponto de vista polêmico sobre as mudanças climáticas, questionando se o investimento maciço nessas políticas é a forma mais eficaz de melhorar o bem-estar humano. Embora reconheça que o aquecimento global é um problema real, ele afirmou que o cenário não representa o “fim do mundo” diante da capacidade de adaptação humana.

O pesquisador ilustrou a ideia comparando o impacto de desastres naturais em diferentes contextos econômicos. “Um furacão que atinge o Haiti, que é muito pobre, traz muita destruição. Mas um furacão que atinge a Flórida, que é rica, o problema é limitado e não é tão desastroso”, comparou.

A partir desse exemplo, Lomborg justificou que o investimento em crescimento econômico gera prosperidade e, consequentemente, resistência contra eventos climáticos.

Números e prioridades
Björn Lomborg apresentou ainda dados comparativos para sustentar a tese de priorização. Segundo ele, as políticas atuais de “zero líquido” de emissões de carbono até 2050 podem custar anualmente cerca de US$ 27 trilhões para gerar um benefício de apenas 4,5 trilhões. “É como gastar R$ 7 para fazer R$ 1 de benefício”, afirmou.

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Em contraste, o acadêmico apontou a educação e a saúde como investimentos de alto retorno. No caso da educação, ele defende intervenções como a pedagogia estruturada e o uso de softwares educativos poderiam entregar R$ 65 de benefício social para cada real investido. Na saúde, políticas simples, como a ressuscitação neonatal para bebês que não conseguem respirar ao nascer, poderiam salvar milhares de vidas a um custo muito baixo, de acordo com Björn Lomborg.

Questionamentos
Durante o evento, o discurso de Lomborg enfrentou questionamentos do público sobre sua aplicabilidade na realidade brasileira, onde desastres ambientais frequentemente deixam pessoas desalojadas e geram clamor público por soluções imediatas. A dúvida levantada foi se esse tipo de lógica de longo prazo conseguiria emplacar em um cenário de urgência humanitária.

Outro ponto de divergência surgiu quanto ao valor do bem-estar de outras espécies. Lomborg respondeu que, apesar de as pessoas se preocuparem com as baleias nos oceanos, por exemplo, a vida humana deve ser a preocupação central.

“Se as pessoas morrerem de desastres naturais, de frio, de calor, nós vamos nos preocupar sobre as mudanças climáticas. Isso será nossa preocupação central, não virá da biodiversidade”, disse Lomborg. “A minha pergunta seria: quanto você gastou no seu apartamento e quanto você gastou com as baleias?”.

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Critérios
Representantes da Câmara e especialistas destacaram a relevância de qualificar o debate sobre o gasto público.

O deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA), presidente do Cedes, disse que governos precisam tomar decisões orientadas por evidências. “Fazer mais com menos deve ser um compromisso inadiável, com a eficiência do gasto público e a melhoria real da vida das pessoas.”

O ministro Nauê Bernardo Azevedo, do Tribunal Superior Eleitoral, ressaltou a importância de entender o desenho das políticas para que o investimento chegue efetivamente à ponta, beneficiando quem mais precisa.

Já o consultor-geral da Câmara, José Evande Araújo, reforçou que a análise de custo-benefício não é um exercício abstrato, mas um “instrumento concreto para melhorar a vida das pessoas”.

A consultora-geral adjunta, Elisangela Moreira Batista, lembrou que, diante da escassez de recursos, as escolhas possíveis devem ser fundamentadas em critérios transparentes e técnicos.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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