POLÍTICA NACIONAL
Projeto que regulamenta prática de acupuntura vai a Plenário
Avançou no Senado o projeto de lei que regulamenta o exercício profissional de acupuntura no Brasil. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta quarta-feira (11), proposta da Câmara dos Deputados com esse objetivo. O texto segue agora para votação em Plenário.
O PL 5.983/2019, que recebeu parecer favorável da senadora Teresa Leitão (PT-PE), define a acupuntura como o conjunto de técnicas e terapias para estimulação de pontos específicos do corpo humano por meio do uso de agulhas apropriadas, com o objetivo de manter ou restabelecer o equilíbrio das funções físicas e mentais do paciente.
Segundo o parecer da senadora, poderão exercer a atividade os portadores de diploma de graduação em acupuntura (ou em curso superior equivalente no exterior, após validação e registro nos órgãos brasileiros competentes). Profissionais de saúde com título de especialista em acupuntura reconhecido pelos respectivos conselhos federais também podem exercer a profissão.
Para aqueles com diploma em nível técnico em acupuntura, expedido por instituição reconhecida pelo governo, será permitido o exercício da atividade profissional. Quem não possuir formação na área poderá atuar como acupunturista desde que comprove que trabalhou na atividade por pelo menos cinco anos ininterruptos até a data da publicação da futura lei.
A proposta também autoriza o uso de procedimentos próprios da acupuntura durante outros atendimentos na área de saúde, se autorizado pelos respectivos conselhos profissionais. Para isso, o profissional deverá submeter-se a curso de extensão específico, oferecido por instituição de ensino devidamente reconhecida.
Divergência
Diversos conselhos profissionais da área da saúde — como o de fisioterapia e terapia ocupacional e de enfermagem, por exemplo — já disciplinam o exercício da acupuntura para seus profissionais. Porém, o Conselho Federal de Medicina (CFM) trava batalha judicial contra esses conselhos para que a prática seja restrita a médicos.
Essa divergência ficou evidente durante a votação da matéria na comissão. O senador Dr. Hiran (PP-RR), que é médico oftalmologista, chegou a apresentar uma emenda substitutiva restringindo a regulamentação do exercício da prática aos médicos e, no caso dos demais profissionais especializados na prática, o exercício só seria permitido sob a supervisão de um profissional médico. Sugestão rejeitada pela relatora. Diante da falta de consenso, os senadores Dr Hiran e Laércio Oliveira (PP-SE) pediram o adiamento da votação, igualmente rejeitada tanto pela relatora como pelo presidente da comissão, senador Humberto Costa (PT-PE).
Eles avaliaram que a matéria já foi amplamente discutida, que existem dois lados que defendem duas visões diferentes, inviabilizando um texto de consenso.
— Se a gente vai votar hoje ou amanhã, o relatório será o mesmo. Nós estamos de um lado com um setor da área e a emenda do Dr. Hiran representa isto, é radicalmente contra a regulamentação da acupuntura para quem não é médico; e, do outro lado, a possibilidade de regulamentar esta prática já efetivamente feita por centenas dos chamados acupunturistas. Sendo que o projeto original e o relatório do senador Paim, que eu assimilei, regulamenta essa prática. No meio, uma prática milenar que todos referenciam, da civilização chinesa, e que tem os seus rebatimentos aqui — argumentou Teresa Leitão.
Inicialmente a matéria teve como relator, na CAS, o senador Paulo Paim. Ele chegou a apresentar seu voto, mas acabou abrindo mão da relatoria, então assumida posteriormente pela senadora Teresa Leitão. A senadora ainda esclareceu que a posição dela não foi tomada do dia para a noite, que ouviu todos os setores envolvidos, e por isso tem muita convicção do seu voto.
Hiran lamentou o desfecho, mas disse que seguirá defendendo sua emenda substitutiva, no Plenário, como alternativa que coloca no centro a proteção à população, qualificando o serviço que é prestado pelo profissional.
— A emenda contempla, ela não acaba com a atividade dos acupunturistas que não são médicos. Mas que a gente possa discuti-la mais profundamente (…) Eu defendo que a acupuntura seja feita por médico, mas também no meu substitutivo nós consideramos a possibilidade de os profissionais que fazem acupuntura sem serem médicos, que façam acupuntura supervisionados pelo médico.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Conselho de Ética aprova 60 dias de suspensão para três deputados por ocupação do Plenário
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5), após mais de nove horas de reunião, a suspensão dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por 60 dias. Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A decisão final será do Plenário por maioria absoluta (257 deputados).
Foi aprovado o parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE). O texto do relator conclui que os três parlamentares adotaram condutas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da Mesa Diretora da Casa na sessão do Plenário de 5 de agosto de 2025.
Durante a ocupação, os deputados cobravam a inclusão na pauta do projeto de anistia (PL 216/23) aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), só conseguiu reocupar a cadeira da Presidência no dia 6 de agosto.
Rodrigues recomendou punição severa para sinalizar que a Câmara não tolera esse tipo de comportamento, aumentando para 60 dias de suspensão a pena inicialmente sugerida pela Mesa Diretora, que era de 30 dias.
Pollon respondeu por se sentar na cadeira da Presidência da Câmara, impedindo o retorno do presidente Hugo Motta; Van Hattem por ter ocupado outra cadeira da Mesa; e Zé Trovão por ter usado o corpo para barrar fisicamente o acesso do presidente à Mesa.
As condutas foram objeto das representações 24, 25 e 27, todas de 2025, e votadas separadamente. No caso de Pollon, foram 13 votos pela suspensão e 4 contrários, o mesmo placar de Van Hattem. Zé Trovão teve 15 votos pela suspensão e 4 contrários.

Defesa de Zé Trovão
Em sua defesa, Zé Trovão fez um desabafo emocionado logo no início da reunião, afirmando que a suspensão afeta diretamente seus assessores, “deixando cerca de 20 famílias sem sustento” por dois meses. “O que mais está me doendo hoje é olhar nos olhos dos meus funcionários e não saber o que falar.”
Em sua defesa, citou passagens bíblicas e fatos históricos, e classificou o momento político como de perseguição e inversão de valores. “Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu, assim o farei”, disse Zé Trovão.
O advogado Eduardo Moura, na defesa técnica, argumentou que vídeos da sessão não revelam irregularidades do deputado e destacou que testemunhas o descreveram como “alguém que tentava impedir conflitos físicos no Plenário”.
Defesa de Marcel van Hattem
Fazendo coro ao colega, Van Hattem chamou o processo de “perseguição política” e comparou sua situação à dos presos pelos atos de 8 de janeiro. O deputado também afirmou que, havendo necessidade, faria novamente. E acrescentou: “se essa injustiça vier, vamos enquadrar e colocar na parede como medalha de honra”.
Pela defesa do deputado, o advogado Jeffrey Chiquini definiu o julgamento como uma “punição política”.

Defesa de Marcos Pollon
Pollon criticou duramente a recusa da Presidência da Câmara em pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e classificou as prisões como “ilegais” e o cenário jurídico atual do Brasil como um “estado de exceção”. “Não carregaremos a vergonha de termos nos acovardado ou omitido”, disse.
Na defesa técnica, o advogado Mariano lamentou a negativa de ouvir testemunhas sugerias pela defesa e também disse que as questões técnicas foram deixadas de lado em favor de um julgamento político.
Debate
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) lamentou as ofensas dirigidas ao relator e à Mesa Diretora durante o debate no Conselho de Ética e relacionou a ocupação física do Plenário a um processo histórico de golpismo. Para ele, o relatório do conselho separa “os golpistas dos democratas”.
Em defesa dos acusados, o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) comparou o processo a uma tentativa de criminalizar a direita por atos que a esquerda já teria praticado no passado. Gonçalves questionou a escolha de apenas três deputados como “bode expiatório” em meio à participação de mais de 100 deputados nos atos de ocupação.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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