POLÍTICA NACIONAL

Países do BRICS pedem mais voz no sistema financeiro global

Chefes das delegações dos países do BRICS defenderam a reformulação dos sistemas econômicos multilaterais de financiamento para refletir melhor a nova ordem de comércio global, em que diferentes atores internacionais têm relevância. Eles querem maior poder decisório dos países do bloco em organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O tema foi debatido nesta quarta-feira (4), em Brasília, durante o 11º Fórum Parlamentar do BRICS.

Segundo Tidimalo Legwase, representante do Conselho Nacional de Províncias da África do Sul, os parlamentos do BRICS devem apoiar os esforços para reformar as instituições de Bretton Woods para que sua governança seja representativa e reflita os interesses desenvolvimentistas dos mercados emergentes e de países menos desenvolvidos.

A conferência de Bretton Woods aconteceu no final da 2ª Guerra Mundial e criou o FMI e o que viria a ser o Banco Mundial, dentro da nova ordem financeira internacional.

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
2ª Sessão de Trabalho Ação Parlamentar do BRICS Desenvolvimento Econômico - 2nd Working Session BRICS Parliamentary Action Economic Development. National Council of Provinces - NCOP, Tidimalo Innocentia Legwase.
Tidimalo Legwase: governança deve ser representativa

Para o vice-presidente da Câmara da Rússia (Duma), Alexander Zukhov, a sub-representação de países em desenvolvimento faz com que essas instituições não funcionem para todos. “É muito importante tirar o aspecto político das instituições de Bretton Woods. Muitos usam o FMI e o Banco Mundial para promover seus próprios interesses e consolidar práticas neocoloniais nos assuntos globais”, declarou.

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O coordenador do Fórum Parlamentar do BRICS, deputado Fausto Pinato (PP-SP), afirmou que a reforma do sistema financeiro internacional é um tema relevante. “Países que contribuem crescentemente para a geração de riqueza mundial ainda estão em posições subordinadas na governança mundial das finanças em instituições como o FMI e o Banco Mundial”, declarou.

O presidente da Câmara do Povo do Parlamento Indiano, deputado Om Birla, afirmou que seu país apoia um “sistema de comércio global justo e baseado em regras” que abordem adequadamente as necessidades e aspirações do chamado Sul global, termo que engloba países que possuem desafios semelhantes de desenvolvimento econômico e social a despeito de contextos culturais heterogêneos entre si. “Os países do BRICS devem fazer coletivamente esforços concretos para aprimorar a participação do Sul nessas instituições”, disse.

Retrocesso do multilateralismo
Para a presidente do Novo Banco do Desenvolvimento, conhecido como Banco dos BRICS, Dilma Rousseff, o retrocesso do multilateralismo e da cooperação entre países dificulta os esforços globais para alcançar o desenvolvimento sustentável.

Ela afirmou, sem citar o aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos, que as políticas unilaterais de guerra comercial minaram a confiança e aumentaram a instabilidade nos mercados financeiros internacionais. “Para os países em desenvolvimento, essas dinâmicas representam um chamado à ação, à necessidade de aprofundar a cooperação sul-sul e construir alternativas”, disse Dilma Rousseff, que participou do debate por meio de videoconferência.

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A presidente do Novo Banco do Desenvolvimento defendeu a ação dos parlamentos para contribuir para melhor governança, compatível com a previsibilidade institucional e regulatória, que torna viáveis projetos de longo prazo. “Em um mundo que se fragmenta, os BRICS são um pilar de integração. Em tempos de incerteza, somos uma fonte de estabilidade. E em uma era de rápidas transformações tecnológicas, estamos prontos para ser uma plataforma decisiva de cooperação em tecnologia e promoção de inovações”, afirmou.

A vice-presidente do Comitê Permanente do Congresso Chinês, Ning Tie, sugeriu repensar o funcionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC), organismo multilateral do comércio entre países. “Temos um mundo aberto e todos precisam participar nas reformas e exigir essas reformas. Nós temos também a necessidade de um mecanismo de resolução de conflitos, isso poderá também fortalecer o sistema multilateral”, declarou.

Segundo ela, alguns países têm usado “a lei da selva para substituir as leis internacionais, bullying unilateral para substituir sistemas multilaterais e tarifas como arma para fazer bullying contra outros países”.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA MT

No Dia do Trabalhador, Gisela Simona destaca o cuidado como eixo da desigualdade de gênero

Na diretoria-executiva do União Mulher, em Mato Grosso, Gisela Simona traz para o centro do debate neste 1º de maio, alguns desafios enfrentados por milhares de brasileiras diariamente: a disparidade salarial e a dupla jornada. Assim, muito embora haja avanços na contratação feminina, a consolidação da equidade ainda enfrenta desafios significativos.

Coautora da Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024), Gisela defende que é necessário reconhecer o trabalho não remunerado, exercido majoritariamente por mulheres. E que qualquer discussão séria sobre valorização do trabalho precisa passar por esta ação secularmente invisibilizada, mas que ancora milhões de lares no país.

E a partir dessa lente, o Dia do Trabalhador deixa de ser apenas uma data simbólica e passa a expor uma contradição: pois enquanto o país avança na ampliação da presença feminina no mercado formal, continuam intactas as estruturas que a penalizam.

Com 33 meses de atuação na Câmara Federal, somados à experiência como advogada, servidora pública e dirigente partidária em Mato Grosso, Gisela aponta que a desigualdade de gênero segue operando de forma silenciosa, mas constante, seja na diferença salarial, na dificuldade de ascensão profissional ou na sobrecarga cotidiana.

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“Não podemos naturalizar que mulheres trabalhem mais e recebam menos. Tampouco aceitar que a responsabilidade pelo cuidado continue sendo tratada como uma obrigação individual e não como uma pauta pública”.

Dados recentes reforçam esse cenário ao revelar que as mulheres continuam concentradas em áreas historicamente menos valorizadas e, mesmo quando ocupam as mesmas funções que os homens, enfrentam remuneração inferior e menor reconhecimento. A chamada dupla jornada – trabalho formal somado às tarefas domésticas – permanece, igualmente, como uma das expressões mais evidentes dessa desigualdade.

E nesse contexto, o debate se amplia mais ao inserir a maternidade, ainda hoje observada como um fator de desequilíbrio no percurso profissional feminino. Pois a necessidade de conciliar trabalho e cuidado impacta claramente na renda, na progressão de carreira e nas oportunidades, desvelando limites concretos das políticas existentes.

Desta forma, para Gisela, embora haja avanços e medidas voltadas à igualdade salarial, a ausência de fiscalização efetiva e transparência ainda impedem mudanças estruturais. “O Brasil já reconhece parte do problema, mas ainda executa pouco. E sem ações concretas, direitos seguem sendo promessa”, afirma.

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A parlamentar, que ganhou projeção nacional ao relatar o Pacote Antifeminicídio, também reforça a conexão entre autonomia econômica e segurança. Para ela, não há como dissociar a independência financeira da proteção das mulheres. “A autonomia econômica é um dos caminhos mais concretos para romper ciclos de violência. Mas isso exige que o Estado atue de forma integrada, garantindo não só acesso ao trabalho, mas condições reais de permanência e segurança”, pontua.

Desta forma, a leitura que emerge desse 1º de maio é direta: para milhões de brasileiras trabalhar não é apenas produzir renda, é sustentar vidas, equilibrar ausências do Estado e, muitas vezes, garantir a própria sobrevivência.

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