POLÍTICA NACIONAL

Debatedores apoiam tornar lei o Programa Nacional de Direitos Humanos

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Tornar o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) uma iniciativa de Estado, por meio de uma lei, com mais participação dos entes federados e da sociedade civil, foi uma das propostas defendidas nesta segunda-feira (4) durante audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos (CDH).

O programa foi instituído por meio de decreto em 2009. Uma de suas diretrizes prevê a efetivação de um modelo de desenvolvimento sustentável, com inclusão social e econômica, equilíbrio ambiental, responsabilidade tecnológica e respeito à diversidade cultural e regional.

A audiência, a segunda de uma série de seis, foi solicitada pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) por meio de requerimento (REQ 4/2025-CDH). O programa foi escolhido pela CDH como uma das políticas públicas federais a serem avaliadas pela comissão neste ano.

Presidente da CDH, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) reforçou que a avaliação de políticas públicas com longo período de vigência é essencial. Ela afirmou que foi identificado um desalinhamento das políticas a partir de 2015, com impactos nas ações do programa devido a mudanças ministeriais e decisões políticas.

— O mundo mudou de 2009 para cá. As relações interpessoais mudaram. As relações trabalhistas mudaram. As relações sociais mudaram. O mundo mudou. Hoje, a gente vai abordar aqui nesta audiência as questões climáticas também, e o mundo mudou nessa área. Nós temos lições de uma pandemia para a gente trazer para um novo Programa Nacional de Direitos Humanos — declarou a senadora durante o debate.

Participação

O coordenador-geral de Cooperação Internacional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Henrique Villa da Costa Ferreira, criticou a descontinuidade de programas no Brasil, a incapacidade de planejamento de longo prazo e a dificuldade de executar políticas de caráter multissetoriais e transversais.

— Não basta ter atores participando das diversas entidades de governança que a gente constrói. Esses atores precisam ser plurais, precisam representar toda a complexidade da sociedade brasileira e precisam estar preparados para o processo de participação.

Para o coordenador, é preciso institucionalizar a participação social no PNDH-3. Henrique também disse que, quanto à categoria cooperação federativa, é necessário “fortalecer o processo e prestigiar a participação das três esferas de governo e da sociedade civil em geral”.

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— A gente precisa efetivamente avançar na estratégia de trazer estados e municípios para o programa. Sem isso, a gente não consegue sucesso algum. Portanto, a gente precisa fortalecer a cooperação federativa. Quanto aos novos princípios, conceitos e procedimentos do PNDH, a inovação precisa ser ativo da cultura institucional, no setor público em geral e no PNDH em particular.

Meio ambiente

Representante do Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, Isabela Amaral Sales declarou que, neste momento da história, em que se observam os efeitos das mudanças climáticas se agravarem de forma recorrente, evidencia-se a necessidade de uma abordagem do meio ambiente a partir dos direitos humanos e vice-versa. Ela é secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável Substituta desse ministério.

— O Ministério do Meio Ambiente tem um eixo específico que trata de desenvolvimento e direitos humanos. (…) Nós falamos necessariamente de um modelo de desenvolvimento sustentável, que inclua as pessoas social e economicamente também, que seja ambientalmente equilibrado, que seja tecnologicamente responsável, que seja cultural e regionalmente diverso, que seja participativo e não discriminatório — afirmou a secretária.

Isabela citou programas e ações que caminham nessa linha, entre eles o programa Bolsa Verde, de conservação da biodiversidade, que reconhece os serviços ecossistêmicos que são prestados pelas populações tradicionais que vivem em territórios considerados ambientalmente relevantes, como as unidades de conservação, os territórios quilombolas e os assentamentos agroextrativistas.

Transversalidade

Coordenador-geral do Departamento de Apoio ao Empreendedorismo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Eduardo Dalbosco salientou que o programa assegura o princípio da transversalidade dos direitos humanos, o que é uma “decisão corajosa e ousada, envolvendo a presença integrada de políticas de educação, segurança, meio ambiente, desenvolvimento sustentável, comunicação, cultura, dentre outros”.

— Nesse sentido, o PNDH-3, como instrumento normativo do Estado, manteve diretrizes duradouras que instruíram os diversos governos que se sucederam nesse período de vigência. Nós tivemos várias sucessões governamentais, mas o plano se manteve, e ele continuou orientando essa transversalidade.

Agricultura

Diretor de Projetos do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Fernando Schwanke defendeu o fortalecimento da agricultura familiar para o país.

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— O que nós estamos verificando nesses últimos anos é um acirramento das desigualdades. E aí, justamente, vale a pena nós nos debruçarmos, olharmos e podermos agir para que essa desigualdade não seja tão grande, ou pelo menos que a gente trate isso de uma forma distinta.

Schwanke ressalta que, de um lado, entre os mais pobres, há uma dinâmica de perda de função produtiva, com aumento da renda de fora da propriedade, sendo a aposentadoria a principal renda de muitos dos pequenos proprietários, ou os programas sociais. Isso, segundo ele, mostra que há “exclusão, envelhecimento, dependência do Estado e agendas muitas vezes retardatárias”. Mas do outro lado, avalia ele, há um grupo que está se concentrando, aumentando a escala, trazendo uma agricultura “mais digital”, olhando para o mercado e trabalhando com inovação.

Ele também chamou atenção para o envelhecimento do homem do campo:

— Isso tem muito a ver com, primeiro, um olhar muito importante para essa população, que vai precisar de uma assistência social forte, um acolhimento, mas, por outro lado, também tem a ver com a produção agropecuária e a inserção de jovens agricultores ou de jovens produtores que se mantenham na propriedade rural.

Chefe da Embrapa Agroenergia, Alexandre Alonso disse ser fundamental reconhecer a ciência agropecuária como uma política de Estado para promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável e ampliar o financiamento de pesquisas — principalmente as pesquisas voltadas a territórios vulneráveis, com foco em soluções de baixo carbono e uso social.

— Infelizmente, o financiamento da pesquisa ainda é restrito, ainda é limitado. O Brasil precisa investir mais em ciência e tecnologia, principalmente com esse foco social. É preciso reforçar a cooperação entre os ministérios, as universidades, os centros de pesquisa, os movimentos sociais, porque esse movimento é essencial para que a inovação seja verdadeiramente transformadora. E, por fim, a gente precisa fomentar redes de inovação, novos hubs voltados à bioeconomia regional, para que a gente possa fortalecer o protagonismo local e a valorização do nosso conhecimento tradicional associado — declarou Schwanke.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Em 2027, Senado terá 40 senadores novos e 14 reeleitos

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selo_eleicoes_claro.jpgA eleição deste domingo (4) definiu os ocupantes de 54 das 81 cadeiras do Senado para os próximos oito anos. Quarenta vagas serão renovadas, o equivalente a 74% das cadeiras em disputa. As demais serão ocupadas por senadores que conseguiram se reeleger.

Dos 32 atuais senadores que tentaram a reeleição, 14 conseguiram um novo mandato, o que corresponde a 43,7%. 

Antes mesmo da apuração, já se sabia que haveria mudança significativa na composição da Casa a partir de 2027. Isso porque, entre os ocupantes das 54 cadeiras em disputa, 13 não eram candidatos e outros 9 disputaram cargos diferentes ou participaram das eleições como suplentes. Com o resultado das urnas, a renovação foi ampliada pela derrota de 18 dos 32 senadores que tentavam permanecer no cargo. 

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Foram reeleitos, em ordem alfabética: Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Portinho (PL-RJ), Cid Gomes (PSB-CE), Eduardo Braga (MDB-AM), Eduardo Gomes (PL-TO), Humberto Costa (PT-PE), Jaques Wagner (PT-BA), Lucas Barreto (PSD-AP), Marcelo Castro (MDB-PI), Marcio Bittar (PL-AC), Plínio Valério (PSDB-AM), Rogério Carvalho (PT-SE), Styvenson Valentim (Podemos-RN) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). 

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Números

A disputa de 2026 repete um dado de 2018: nos dois pleitos, 32 titulares tentaram continuar no Senado. Em 2018, porém, apenas 8 foram reeleitos, e a renovação alcançou 46 das 54 cadeiras, ou 85,19%. Em 2026, o índice de reeleição foi maior, e a taxa de renovação, menor. 

As outras 27 cadeiras do Senado não estavam em disputa neste ano porque foram preenchidas na eleição de 2022 e têm mandato até janeiro de 2031. Ainda assim, algumas terão mudança a partir do próximo ano. 

Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR) foram eleitos governadores, enquanto Alan Rick (Republicanos-AC), Omar Aziz (PSD-AM) e Professora Dorinha Seabra (União-TO) avançaram para o segundo turno nos respectivos estados. O Senado é renovado alternadamente a cada quatro anos: em uma eleição são escolhidos dois terços da Casa e, na seguinte, um terço. 

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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