POLÍTICA NACIONAL
CPMI pedirá ao Coaf informações sobre Eli Cohen; convocação de Frei Chico é rejeitada
Em reunião nesta quinta-feira (16), a CPMI do INSS aprovou os requerimentos, a serem encaminhados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), para que seja enviado à comissão os relatórios de inteligência financeira (RIFs) sobre o advogado Eli Cohen. Além disso, a CPMI rejeitou os pedidos de convocação de Frei Chico e de prisão preventiva de Milton Baptista de Souza Filho.
Eli Cohen é considerado a primeira pessoa a denunciar o esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas — ele prestou depoimento à CPMI do INSS no início de setembro. José Ferreira da Silva, mais conhecido como Frei Chico, é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Milton Baptista de Souza Filho, também chamado de Milton Cavalo, é o presidente do Sindnapi.
A pauta original da CPMI para esta quinta-feira continha 102 requerimentos. Desse total, 11 foram retirados antes das votações após acordo entre lideranças do governo e da oposição — a maioria deles, nove, estavam relacionados ao ex-ministro da Previdência Carlos Lupi.
Dos 91 requerimentos restantes, 75 foram aprovados (incluindo os que se referem a Eli Cohen) e 16 foram rejeitados (incluindo os relacionados a Frei Chico e Milton Baptista de Souza Filho).
Eli Cohen
Os requerimentos que pedem à Coaf o envio dos relatórios de inteligência financeira (RIFs) sobre o advogado Eli Cohen são o REQ 1.944/2025 – CPMI INSS, da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), e o REQ 2.149/2025 – CPMI INSS, do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).
A liderança da base governista recomendou que se votasse favoravelmente a esses pedidos, enquanto a oposição defendeu a sua rejeição. Ao final, houve 21 votos favoráveis e 10 contrários.
Soraya Thronicke criticou o tratamento dado a Eli Cohen pela CPMI. Ela disse estranhar “o tapete vermelho que tem sido estendido” ao advogado.
— É muito estranho que o senhor Eli Cohen, que desbaratou todo esse esquema, mas fez movimentações inclusive com a imprensa e delegados, esteja sendo protegido. Ele está absolutamente envolvido — ressaltou ela.
Por outro lado, o líder da oposição no Senado, Rogerio Marinho (PL-RN), afirmou que esses dois requerimentos são uma forma de intimidação.
— Esse cidadão é quem proporcionou a CPMI a partir das denúncias feitas ao portal Metrópoles. Agora querem quebrar o sigilo dele desde 2015. Se isso não é tentativa de calar alguém, eu não sei o que é — criticou.
Frei Chico
Um total de 11 requerimentos pediam a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, que é vice-presidente do Sindnapi e irmão do presidente Lula. O Sindnapi é acusado de envolvimento nas fraudes em descontos de aposentados e pensionistas. Esses requerimentos foram rejeitados: houve 19 votos contrários e 11 favoráveis.
Para a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), tais solicitações tinham motivação política.
— Frei Chico faz parte desse sindicato há apenas um ano e não possui atividade administrativa ou financeira. Querem apenas colar seu nome ao do presidente Lula, que foi quem determinou a apuração e afastou responsáveis pelo esquema — declarou ela.
Por outro lado, o senador Izalci Lucas (PL-DF) apontou um vínculo entre a atuação de Frei Chico no Sindnapi e o aumento da arrecadação desse sindicato, o que justificaria a convocação.
— É preciso apurar o papel dele nesse crescimento — argumentou.
Milton Baptista de Souza Filho
Outro requerimento rejeitado é o REQ 2.231/2025 – CPMI INSS, que solicita a prisão preventiva de Milton Baptista de Souza Filho, presidente do Sindnapi. O pedido foi feito pelo relator da CPMI, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL).
Também conhecido como Milton Cavalo, o presidente do Sindnapi depôs à comissão no dia 9 de outubro, mas se recusou a responde à maioria das perguntas feitas na ocasião.
O requerimento de Alfredo Gaspar foi rejeitado: houve 18 votos contrários e 13 favoráveis.
O deputado federal Mauricio Marcon (Podemos-RS) criticou a decisão.
— O governo, que diz querer investigar, está blindando o sindicato ligado ao irmão do presidente Lula. Há uma proteção para que o chefe dessa organização criminosa travestida de sindicato não vá para a cadeia — protestou ele.
Em contraste com essa avaliação, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que a CPMI deve aguardar o andamento das investigações da Polícia Federal.
— A Polícia Federal já realizou operação na sede do Sindnapi e na casa do presidente [Milton Baptista de Souza Filho]. Precisamos conhecer o resultado [dessas apurações] antes de qualquer pedido de prisão — ponderou.
Publicitária
Também foram rejeitados quatro requerimentos que pediam a quebra dos sigilos fiscal e bancário e fiscal, além do envio dos respectivos relatórios de inteligência financeira (RIFs), da publicitária Danielle Miranda Fonteles. Os pedidos foram rejeitados com 19 votos contrários e 11 favoráveis.
Os requerimentos são estes:
- REQ 2.067/2025 – CPMI INSS;
- REQ 2.070/2025 – CPMI INSS;
- REQ 2.074/2025 – CPMI INSS;
- REQ 2.078/2025 – CPMI INSS.
O senador Sergio Moro (União-PR) defendeu as quebras de sigilo da publicitária. Ele citou as suspeitas de que ela teria recebido cerca de R$ 5 milhões de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
— Ela pode ter sido usada como pessoa interposta para repasses a agentes políticos, especialmente do PT — disse Moro.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) rebateu a acusação.
— Tudo está documentado. Há contrato de compra e venda do imóvel, pagamento parcelado e distrato judicial. Criar suspeição sobre isso é uma narrativa infundada — respondeu o deputado.
Convite a procurador e convocação de contador
Outro requerimento aprovado pela CPMI é o REQ 1.809/2025 – CPMI INSS, para convidar o procurador federal Miguel Cabrera Kauam a comparecer na comissão. Inicialmente o pedido previa a sua convocação, mas isso foi alterado para se tornar um convite.
Além disso, a comissão aprovou o REQ 2.228/2025 – CPMI INSS, para que seja convocado o contador Mauro Palombo Concílio.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Relator propõe mudanças no Código de Trânsito; texto será votado em julho por comissão da Câmara
O relator da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), leu nesta quarta-feira (17) seu parecer sobre o Projeto de Lei 8085/14, do Senado, que tramita em conjunto com outras 270 propostas. Ribeiro apresentou um substitutivo que consolida boa parte dos projetos e das sugestões colhidas ao longo dos debates na comissão.
Um pedido de vista coletivo adiou a discussão e a votação do parecer pela comissão, que deverá retomar a análise do texto no dia 7 de julho, em reunião marcada para as 14 horas. Segundo o presidente do colegiado, deputado Coronel Meira (PL-PE), a expectativa é que a proposta seja votada em seguida no Plenário da Câmara no dia 8 de julho.
Uma das medidas propostas é a Permissão para Dirigir (PPD) para jovens com mais de 16 anos. Segundo o texto de Ribeiro, o menor de 18 anos poderá dirigir veículos da categoria B em perímetros urbanos, entre as 5h e as 23h59, desde que esteja sempre acompanhado por um adulto habilitado há pelo menos dois anos.
Na categoria A (motos até 150 cilindradas), o jovem poderá dirigir desacompanhado, mantendo as mesmas restrições de horário e local.
“A medida pretende ampliar o acesso dos jovens à habilitação, conferir mais autonomia em deslocamentos para estudo e trabalho e permitir a formação gradual de condutores sob supervisão”, justificou Ribeiro.
O substitutivo também reduz a idade mínima para categorias profissionais. Para habilitar-se nas categorias D e E, a idade exigida cai de 21 para 20 anos. O relator afirma que a medida visa reduzir a falta de profissionais no transporte de cargas e passageiros, além de incentivar a entrada de jovens adultos no mercado de trabalho.
Formação
O processo de formação de motoristas, de acordo com a proposta, passará também por uma simplificação para reduzir custos.
O texto cria um teto nacional para as taxas cobradas no processo de habilitação: R$ 30,00 para a abertura e emissão da PPD em qualquer categoria, e R$ 50,00 para cada exame realizado, seja escrito ou de direção. Outra inovação é a possibilidade de o candidato optar por realizar o exame em veículos com câmbio automático.
A CNH definitiva, aos 18 anos, será emitida de forma automática e gratuita, caso o condutor não tenha cometido infrações graves ou gravíssimas ou não seja reincidente em infração média.
A carga horária mínima de aulas práticas de direção foi fixada em 5 horas-aula para as categorias A e B e em 10 horas-aula para as categorias C, D e E. Já os cursos teóricos poderão ser realizados nas modalidades presencial, remota ou à distância (EAD). Hoje o padrão é de 2 horas-aula, conforme resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
A versão do relator prevê ainda a obrigatoriedade de o Ministério da Educação se manifestar técnica e expressamente sobre todas as normas do Contran que tratem do processo de habilitação ou de educação para o trânsito.
CNH social
Na frente voltada a condutores de baixa renda, a proposta fortalece a CNH Social, que será financiada pela destinação de 5% do valor das multas de trânsito arrecadadas em cada estado e no Distrito Federal.
Os recursos serão depositados em fundos estaduais específicos e cobrirão todas as taxas e despesas relacionadas ao processo de formação e emissão do documento.
Médico e psicológico
O projeto exige que os motoristas passem por avaliação psicológica em todas as renovações da CNH. Atualmente, o exame é obrigatório apenas na primeira habilitação. A mudança busca identificar transtornos mentais que possam surgir com o tempo e comprometer a segurança nas vias. Médicos e psicólogos poderão ainda reduzir o prazo de validade dos exames caso detectem indícios de doenças progressivas ou deficiências físicas e mentais.
O texto também cria o Prontuário Nacional do Condutor para registrar as perícias, o que impede que condutores omitam restrições de saúde em diferentes estados. Motoristas com bom histórico no registro de condutores positivos terão renovação automática, mas a realização dos exames de saúde continua obrigatória.
Autoescolas
As antigas autoescolas, pela proposta, passam a ser denominadas oficialmente como Escolas de Trânsito, mas continuam sendo empresas credenciadas pelos Detrans e responsáveis pela formação teórica e prática e por cursos de reciclagem.
Uma novidade da formação é a permissão para que instrutores autônomos atuem como Microempreendedor Individual (MEI) nas categorias A e B, desde que utilizem veículos com duplo comando de freios e sistema de monitoramento das aulas. Esses instrutores, no entanto, não poderão ministrar aulas práticas de direção para candidato menor de 18 anos.
“Sugerimos a convivência entre aulas práticas ministradas por Escolas de Trânsito e por instrutores autônomos, com requisitos equivalentes de segurança veicular”, argumenta o relator.
A deputada Erika Kokay (PT-DF), uma das que pediu vista, demonstrou preocupação com a regulamentação do instrutor autônomo para evitar a perda de direitos trabalhistas dos profissionais contratados (celetistas). “Nós temos uma preocupação de que os trabalhadores não venham a ser precarizados, ‘pejotizados’ e nós tenhamos, em verdade, a destruição de direitos que foram construídos com muita luta”, disse.
Para apoiar as novas escolas, o projeto cria o Programa Emergencial de Apoio Financeiro às Escolas de Trânsito, prevendo um auxílio de R$ 1.000 mensais por instrutor vinculado à escola. O benefício terá duração de seis meses, com efeitos retroativos a 1º de dezembro de 2025, podendo ser prorrogado por igual período.
Pedágios
Sobre o funcionamento dos pedágios, o texto regulamenta o sistema de livre passagem (free flow), obrigando as concessionárias a realizar campanhas informativas e a instalar sinalização ostensiva antes dos trechos de cobrança.
O substitutivo também diversifica as formas de pagamento para usuários que não possuem meios eletrônicos (como tags). A quitação da tarifa poderá ser feita de forma antecipada ou em até 30 dias após a passagem, via Pix, cartão de crédito ou débito em canais digitais da concessionária. Também deve ser oferecida a opção de pagamento em espécie ou cartão em instalações físicas às margens da rodovia.
Os usuários deverão receber notificações de todas as passagens por meio de uma plataforma digital federal, que também permitirá a consulta e quitação de débitos. A falta dessas notificações ou de opções de pagamento impede a aplicação de multas por evasão.
Patinetes
O projeto passa a exigir registro e emplacamento traseiro para os equipamentos de mobilidade autopropelidos, como bicicletas e patinetes elétricos, conforme regulamentação a ser editada pelo Contran.
Para operar esses equipamentos, será necessária uma autorização simplificada para condução de autopropelido (ACA), destinada a maiores de 16 anos que sejam aprovados em exame escrito sobre legislação de trânsito. O uso de capacete de segurança é obrigatório para condutores e passageiros.
A circulação deve priorizar ciclovias; em calçadas, a velocidade máxima é de 6 km/h para proteger pedestres. Esses veículos podem circular em vias urbanas de até 60 km/h, preferencialmente pelo bordo direito. O texto passa a prever multas para quem descumprir essas regras.
Veículos autônomos
A circulação de veículos autônomos e semiautônomos deverá, pela proposta, ser regulamentada pelo Contran, que definirá níveis de automação e requisitos mínimos de segurança para cada nível.
O órgão deverá especificar ainda testes e ensaios necessários para certificação e fixar procedimentos para investigar acidentes envolvendo esses veículos.
Radares
Por fim, em relação à fiscalização geral, o projeto proíbe o uso de radares ocultos ou instalados de maneira pouco visível em árvores e postes.
O texto deixa claro que a autuação por excesso de velocidade só será válida se houver sinalização clara do limite de velocidade no local e se existirem estudos técnicos públicos que justifiquem o limite estabelecido.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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