POLÍTICA NACIONAL

Axé music é expressão da identidade baiana e brasileira, dizem participantes de audiência

Em homenagem ao ritmo axé music, participantes de audiência pública da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados exaltaram a importância social e histórica do axé como expressão das raízes negras da Bahia e do Brasil.

Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, esse gênero musical representa uma maneira de contar a história do povo negro, com respeito e admiração ao sangue derramado sobre o qual foi construída a história do Brasil.

“Graças a esta música é que a gente conseguiu criar algumas referências positivas sobre a nossa história, e esta música faz uma diferença no nosso jeito de ser, na nossa maneira de vestir, na nossa maneira de reverenciar os heróis do nosso passado”, disse.

“A Bahia, graças a Deus, nos dá essa régua e compasso, como nos disse Gilberto Gil, para termos a consciência de quem a gente é, reconhecer de onde a gente vem, e criar e traçar o nosso futuro”, afirmou a ministra.

Também na audiência, a cantora e compositora Daniela Mercury ressaltou que o axé é um movimento de resistência. A artista lembrou que o gênero surgiu logo depois do fim da ditadura militar, em meados da década de 1980, e representou, naquele momento, a expressão de um povo que precisava ter voz. E, de acordo com a cantora, essa “revolução” veio dos blocos afro de Salvador, em especial o Olodum.

“O Canto da Cidade é um samba reggae do Olodum, cantado com rock misturado, com baixo, com bateria, que a gente ia inventar. Eu, pessoalmente, queria muito ter uma música politizada, porque eu passei 20 anos na ditadura militar, e eu queria falar da felicidade de estar na democracia, eu queria falar dessa alegria possível. Quando eu cantei: Alegria é agora, que é minha e de Pierre, é agora e é amanhã, essa é a minha fala, que declara a revolução, esta arte que arde, de um povo que invade essas ruas de clave-sol e de multidão.”

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Dia Nacional da Axé Music e da Compositora e Compositor Musical Brasileiro. Artista, Daniela Mercury
Daniela Mercury: o axé é um movimento de resistência

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Daniela Mercury lembrou ainda que o termo axé provém do Iorubá e significa força que emana de tudo que é vivo.

Resultado da fusão da sonoridade africana dos blocos com outros ritmos, como reggae, samba e rock, a axé music recebeu esse nome em 1987, dois anos depois do lançamento de Fricote por Luiz Caldas, considerado o marco inicial do movimento.

Presente na audiência, o jornalista Hagamenon Brito, que cunhou o termo, explicou que o nome surgiu de forma de irônica. Segundo disse, ele era roqueiro na época e cobria música, então, estranhou a novidade e deu o apelido, incialmente pejorativo.

Alcance mundial
Quarenta anos depois de soarem os primeiros acordes da axé music, ela continua a encantar diferentes públicos pelo mundo, como lembraram os participantes do evento. De acordo com empresário e produtor cultural Mano Góes, pesquisa recente do Ecad mostrou que, das 20 músicas mais tocadas em shows no Brasil, 15 eram axé music.

Um dos expoentes do movimento, Carlinhos Brown destacou que continua a viver no Candeal, bairro da periferia de Salvador, mas escreve para a Broadway.  Ele também ressaltou a importância de outros representantes do axé na cultura brasileira.

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“Um movimento que alerta socialmente, que educa, que formata pessoas, que tem uma voz ativa, como a voz de Daniela Mercury, que tem uma ministra da Cultura como Margareth Menezes, não pode ser visto com a ideia de que esteja enfraquecido”, disse Brown.

Data nacional
A audiência pública foi sugerida pela deputada Lídice da Mata (PSB-BA), que é autora de um projeto que institui o Dia Nacional da Axé Music, da Compositora e Compositor Musical Brasileiro. Se a proposta (PL 4187/24) for aprovada, a data será comemorada no dia 17 de fevereiro.

Segundo a deputada, esse foi o dia em que se iniciou o primeiro Carnaval depois do lançamento da música Fricote, de Luiz Caldas.

O cantor Carlinhos Brown elogiou a proposta de criação de data. “O Carnaval mudou, nós mudamos e estamos fortemente agradecidos pela atitude de que nós tenhamos um dia reconhecido como um marco do axé music, mas nós somos Carnaval e responsabilidade 365 dias do ano”, destacou.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Em relatório, IFI aponta que despesas do governo continuam crescendo

O principal desafio atual do Brasil é fazer avançarem as políticas públicas de setores essenciais, como educação, saúde e segurança pública, e ao mesmo tempo ampliar os investimentos em infraestrutura e ciência e tecnologia, em um quadro de “extremo engessamento orçamentário”. A observação consta do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de agosto, publicado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) nesta quinta-feira (20).

O documento aponta que continuam crescendo “contínua e velozmente” as despesas do governo, tanto as obrigatórias quanto as “discricionárias rígidas”, aquelas que não são obrigatórias, mas que na prática o governo não pode cortar.

Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (20), o diretor da IFI, Alexandre Andrade, disse que o relatório aponta uma piora do déficit primário estrutural ao longo dos dois primeiros trimestres de 2026, basicamente por causa de uma pressão maior de despesas, apesar do crescimento da receita.

— Os números mostram que o cumprimento da meta fiscal de 2026 ficou um pouco mais folgado. Os números das avaliações bimestrais anteriores já mostravam que o governo conseguiria cumprir a meta fiscal. Isso ficou um pouco facilitado depois do choque do preço do petróleo, em razão do conflito no Irã, porque as receitas do governo aumentaram muito, principalmente em maio, junho e julho. Então, devem garantir um cumprimento com relativa folga — afirmou.

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Andrade avaliou que, com um cenário de petróleo mais caro e receitas mais favoráveis, o governo deverá cumprir a meta do ano.  

— A questão maior que se coloca é para o ano que vem. Isso tende a se esgotar ao longo do tempo. As receitas não vão conseguir crescer indefinidamente nos próximos anos — previu.

“Horizonte desejável” 

A IFI, órgão vinculado ao Senado, estima um déficit estrutural de 1,4% do PIB até o segundo trimestre de 2026. A instituição reconhece no relatório que a equipe econômica vem se empenhando na gestão do cotidiano da execução orçamentária para melhorar os resultados fiscais. Destaca, no entanto, que o horizonte desejável para o futuro do país impõe um ajuste estrutural mais profundo e sustentável.

O estudo da IFI concentra a análise nos dados e informações do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) relativo ao terceiro bimestre de 2026. Esse documento embasa as projeções constantes do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2027), a ser enviado à Comissão Mista de Orçamento (CMO) até o próximo dia 31.

De acordo com a IFI, o quadro geral permanece inalterado, apesar de afetado por fatores específicos – aceleração do pagamento de emendas parlamentares em função da legislação eleitoral; queda das despesas com o Bolsa Família; e o aumento das receitas derivadas da alta dos preços do petróleo, a partir de maio, consequência do conflito no Oriente Médio.

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O governo central produziu um déficit primário efetivo, nos sete primeiros meses do ano, de R$ 81,2 bilhões. Se, por um lado, a receita líquida registrou aumento significativo de 6,0%, acima da inflação, por outro as despesas subiram 6,3%, em termos reais, aponta o relatório. Tanto a IFI quanto o governo projetam um déficit primário efetivo em torno de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

O cumprimento formal da meta fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 será alcançado após as deduções legais de despesas, que somam entre R$ 62,8 bilhões (governo) e R$ 69,8 bilhões (IFI), além do uso do intervalo de tolerância legalmente previsto. O centro da meta deste ano corresponde a um superávit primário de 0,25% do PIB, ou R$ 34,3 bilhões.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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