GUERRA ELEITORAL

TRE condena Pedro Taques em duas ações e multas chegam a R$ 20 mil por ataques a Mauro Mendes e familia

Ex-governador foi responsabilizado por propaganda eleitoral negativa contra o adversário na disputa pelo Senado; decisões envolvem acusações feitas nas redes sociais e impulsionamento pago de conteúdo

O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado Pedro Taques (PSB) foi condenado pela Justiça Eleitoral em duas ações envolvendo publicações contra o também candidato ao Senado Mauro Mendes (União). Somadas, as multas aplicadas chegam a R$ 20 mil.

As representações foram ajuizadas pela Federação União Progressistas e questionaram conteúdos publicados por Taques nas redes sociais. Entre as manifestações levadas à Justiça estão acusações relacionadas a servidores públicos, corrupção, ao Banco Master e declarações de que Mauro ou integrantes de sua família “seriam presos”.

Em um dos processos, julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), a Corte decidiu por unanimidade elevar para R$ 15 mil a multa aplicada a Taques.

Segundo a decisão, além do teor das acusações, houve impulsionamento pago de conteúdo negativo contra o adversário, prática considerada irregular pela legislação eleitoral. A Corte também levou em consideração a reiteração da conduta após determinação judicial para remoção do material.

No vídeo analisado nesse processo, Taques utilizou um trecho de entrevista de Mauro Mendes e, na sequência, fez declarações nas quais associava o adversário a “roubo” e “corrupção”, além de afirmar que o então governador ou familiares “seriam presos”.

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Para o TRE-MT, o impulsionamento pago na internet somente pode ser utilizado para promover ou beneficiar candidatos e partidos, não podendo servir para ampliar artificialmente críticas e ataques contra adversários.

O acórdão também considerou que a continuidade da conduta, mesmo após ordem judicial para retirada do conteúdo, justificava a aplicação de uma penalidade acima do mínimo legal. O julgamento foi unânime e acompanhou o voto do relator, Pérsio Landim.

SEGUNDA CONDENAÇÃO

Em outra representação, o juiz Marcelo da Silva Morgado, auxiliar da propaganda eleitoral do TRE-MT, também responsabilizou Taques por conteúdo direcionado a Mauro Mendes nas redes sociais.

Nesse caso, segundo a representação, foram difundidas críticas e acusações relacionadas ao Banco Master, com associação do adversário a supostas irregularidades, favorecimento e corrupção.

A Federação União Progressistas sustentou que, em uma das publicações, Taques chamou o adversário de “Mauro Master” e afirmou que Mendes teria “autorizado” o Banco Master a “roubar os servidores públicos”.

A decisão fez, porém, uma distinção entre as manifestações. O magistrado entendeu que a expressão “Mauro Master”, isoladamente, não configurava ilícito eleitoral por estar inserida no debate público envolvendo a instituição financeira. Por outro lado, responsabilizou Taques pelas demais declarações consideradas ofensivas e pelo uso de impulsionamento pago para ampliar conteúdo negativo.

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Nessa segunda ação, Taques recebeu multa de R$ 5 mil e ficou proibido de impulsionar propaganda negativa contra Mauro Mendes.

Com as duas decisões, as multas impostas ao ex-governador somam R$ 20 mil, em mais um capítulo da disputa judicial que acompanha a corrida pelo Senado em Mato Grosso.

As decisões também reforçam um ponto que deverá ganhar importância ao longo da campanha: o limite entre a crítica política, protegida pela liberdade de expressão, e conteúdos que a Justiça Eleitoral considere ofensivos ou propaganda negativa irregular, especialmente quando há impulsionamento pago nas redes sociais.

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POLÍTICA MT

Dr. João rompe com Wellington e declara apoio a Pivetta

Deputado do MDB oficializa mudança de lado em Tangará da Serra e reforça palanque do governador; movimento ocorre após 133 prefeitos assinarem manifesto favorável à reeleição de Pivetta

O deputado estadual Dr. João (MDB) decidiu deixar o palanque do senador Wellington Fagundes (PL) e declarar apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A mudança ganhou contornos públicos durante evento realizado nesta quinta-feira (20), em Tangará da Serra, principal reduto eleitoral do parlamentar.

A manifestação ocorreu durante o lançamento da candidatura de Dr. João à reeleição para a Assembleia Legislativa, evento que contou com a participação da candidata a vice-governadora na chapa de Pivetta, Gisela Simona (União Brasil).

A decisão representa mais uma baixa no grupo de Wellington em um momento em que lideranças de diferentes partidos que poderiam compor sua base eleitoral vêm se aproximando da candidatura de Pivetta.

Dr. João já vinha fazendo críticas públicas à capacidade de Wellington de manter coeso seu grupo político. Em julho, o deputado chamou atenção para o movimento de prefeitos ligados ao próprio PL que começaram a se posicionar favoravelmente à reeleição de Pivetta.

Na avaliação manifestada pelo parlamentar à época, essas adesões representavam um enfraquecimento político da candidatura de Wellington.

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FORÇA MUNICIPALISTA

A mudança de lado ocorre justamente na semana em que 133 dos 142 prefeitos de Mato Grosso assinaram uma carta de apoio à reeleição de Otaviano Pivetta. O movimento reuniu gestores de diferentes partidos, inclusive de legendas que possuem lideranças alinhadas a adversários do governador.

Entre as siglas com prefeitos que aderiram ao manifesto estão União Brasil, Podemos, PL e MDB.

O movimento também chegou diretamente ao partido de Wellington. Os prefeitos Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis; e Sérgio Machnic, de Primavera do Leste, todos filiados ao PL, estão entre os gestores que manifestaram apoio a Pivetta.

A adesão de Dr. João ganha peso político principalmente por sua atuação em Tangará da Serra. Médico e deputado estadual em segundo mandato, ele foi eleito pela primeira vez em 2018 e reeleito em 2022, quando recebeu 24.957 votos. Atualmente, ocupa a primeira-secretaria da Assembleia Legislativa.

Durante o evento, Gisela Simona destacou a ampliação dos apoios à candidatura governista e defendeu a continuidade do atual projeto político.

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Segundo ela, as manifestações favoráveis a Pivetta ocorrem pela experiência administrativa do governador e pela confiança na continuidade das ações do Governo do Estado.

Com a entrada de Dr. João no palanque governista, Pivetta amplia sua base política no interior e conquista mais uma liderança do MDB, enquanto Wellington passa a enfrentar uma nova defecção entre nomes que estavam próximos de sua candidatura.

A movimentação acontece em uma fase decisiva da corrida ao Palácio Paiaguás, na qual o apoio de prefeitos, deputados e lideranças regionais começa a desenhar a capilaridade das candidaturas pelo interior de Mato Grosso.

Fonte: Estadão MT

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