POLÍTICA MT

Deputado apresenta projeto que autoriza mulheres a portar armas de eletrochoque em Mato Grosso

O deputado Paulo Araújo (PP) apresentou o Projeto de Lei n°1439/2025, que autoriza mulheres maiores de 18 anos, residentes em Mato Grosso, a portar armas de incapacitação neuromuscular (eletrochoque) para legítima defesa. A proposta define regras de comercialização, exigências de treinamento e mecanismos de controle, e foi apresentada na última sessão plenária da Assembleia Legislativa, no dia 17 de setembro.

O texto prevê que cada mulher poderá adquirir no máximo uma arma, com potência limitada a 10 joules, sem dardos energizados. A comercialização será feita exclusivamente em lojas especializadas, mediante apresentação de documento de identidade com foto, comprovante de residência em Mato Grosso e certidão negativa de antecedentes criminais. Além disso, a portadora deverá apresentar certificado de conclusão de curso de orientação sobre uso seguro, ministrado por instrutores credenciados pelos órgãos de segurança pública, e laudo de avaliação psicológica que ateste sua aptidão para uso do equipamento.

A iniciativa de Paulo Araújo parte de um contexto social grave. Dados do Painel de Monitoramento da Violência contra Mulheres da Sesp mostram que, até o fim de julho de 2025, foram registradas 26.666 vítimas de violência contra a mulher em Mato Grosso. As ocorrências mais frequentes são: ameaça (11.350), lesão corporal (5.886), injúria (3.053), perseguição/stalking (1.637) e descumprimento de medidas protetivas (1.235).

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“Os dados da Sesp são alarmantes e revelam que a violência contra a mulher continua a crescer em nosso Estado, mesmo com todas as campanhas de conscientização. Este projeto nasce da necessidade de garantir que as mulheres tenham uma alternativa segura de defesa pessoal, capaz de salvar vidas e reduzir riscos em situações de agressão”, afirmou o deputado Paulo Araújo.

O projeto reforça que a arma de incapacitação neuromuscular é um dispositivo não letal, destinado a afastar um agressor sem provocar morte, e que sua comercialização e uso serão regulados para garantir responsabilidade, segurança e conformidade com a legislação. O texto também aponta que a proposição complementa as medidas previstas na Lei Maria da Penha ao oferecer um instrumento imediato de proteção para mulheres que, muitas vezes, não conseguem acessar apoio institucional em tempo hábil, especialmente em áreas isoladas.

TRAMITAÇÃO

A proposta foi apresentada na sessão plenária, seguirá para análise nas comissões competentes da ALMT, que avaliarão a constitucionalidade, o mérito e as adequações necessárias à regulamentação. Caso aprovada, a lei prevê prazo de 180 dias após a publicação para sua entrada em vigor, período destinado à regulamentação e à capacitação dos órgãos de segurança pública. O autor conta com o apoio dos pares para votação e encaminhamento célere, dada a urgência do tema.

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Fonte: ALMT – MT

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O homem por trás da barba: agro, convicções e superação marcam trajetória de Nelson Barbudo

Deputado relembra origem de sua marca pessoal, reafirma posições políticas e conta como enfrentar um câncer em estágio avançado mudou sua percepção sobre a vida

A barba virou nome. O nome ganhou projeção política. E, ao longo dos anos, Nelson Barbudo se consolidou como uma das personalidades mais conhecidas da política de Mato Grosso, identificado com a defesa do agronegócio, das pautas conservadoras e de posições que nunca fez questão de suavizar.

Uma sequência de declarações do deputado federal Nelson Barbudo (Podemos-MT), durante entrevista ao podcast Mistura Cuiabana, revelou também o homem por trás dessa imagem pública: da origem da barba, mantida desde a juventude, às convicções políticas que carrega para o mandato e à experiência de enfrentar e superar um câncer em estágio avançado.

São episódios distintos, mas atravessados por uma característica comum: a disposição para lutar. Pela própria vida, pelas ideias em que acredita e por um setor — o agronegócio — com o qual construiu parte importante de sua identidade política.

A barba veio antes da política. Muito antes do primeiro mandato, já existia o Barbudo.

Ele contou que começou a cultivar a barba ainda jovem, sob influência do ambiente cultural da época, dos Beatles e da Jovem Guarda. A decisão provocou conflito dentro de casa.

Filho de pai italiano, rígido e acostumado a se barbear diariamente, Nelson ouviu repetidas determinações para retirar a barba. Aos 18 anos, decidiu contrariá-lo.

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Décadas depois, aquilo que começou como uma pequena rebeldia juvenil acabaria incorporado ao próprio nome pelo qual ficou conhecido nacionalmente.

A história também ajuda a revelar um traço que o acompanharia na vida pública: a disposição para sustentar suas escolhas mesmo diante do confronto.

*Do campo para a política*

Produtor rural e defensor do agronegócio, Barbudo construiu sua trajetória política associando a experiência do campo às bandeiras conservadoras que levou para Brasília.

Na Câmara dos Deputados, tornou-se uma voz em defesa do setor produtivo, da propriedade privada, da segurança jurídica no campo e de pautas identificadas com o eleitorado conservador.

Essa mesma personalidade aparece quando a conversa chega às questões ideológicas.

Barbudo reafirma sua oposição à esquerda e ao comunismo e mantém o discurso contundente que marcou sua trajetória política. Também sustenta posições rigorosas no debate sobre segurança pública e punição criminal.

Ao defender a pena de morte para crimes de extrema gravidade, por exemplo, argumentou que uma punição dessa natureza poderia produzir efeito dissuasório sobre potenciais criminosos.

São posições que provocam controvérsia e debate. Barbudo, porém, nunca procurou construir sua atuação política escondendo aquilo em que acredita. Ao contrário: fez da exposição direta de suas convicções uma característica do mandato.

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Foi assim que se tornou uma das principais vozes conservadoras de Mato Grosso e construiu forte identificação com o eleitorado ligado ao agronegócio e ao bolsonarismo.

*Quando a luta passou a ser pela própria vida*

Mas talvez o momento mais revelador da entrevista tenha ocorrido quando a política saiu de cena.

Barbudo relembrou o diagnóstico de um câncer em estágio quatro, com metástase, e o impacto de descobrir a gravidade da doença.

Diante do diagnóstico, conta que perguntou ao médico se outras pessoas já haviam conseguido superar um quadro semelhante. Quando ouviu que sim, decidiu que estaria entre elas.

Vieram o tratamento, a luta contra a doença e, posteriormente, a remissão. A experiência mudou sua percepção sobre aquilo que realmente importa.

“Depois de uma pancada dessa, a gente aprende que ser feliz não é ser milionário, é ter saúde e compartilhar a vida com a família”, afirmou.

É uma declaração que mostra uma dimensão menos conhecida de um político normalmente associado aos embates ideológicos e às discussões do Congresso.

O homem acostumado a defender posições duras descobriu, diante da doença, uma medida muito mais simples para a felicidade.

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