ELEIÇÕES 2026
TikTok muda estratégia eleitoral e leva candidatos de MT a apostar em vídeos curtos
Peças com humor, bastidores, frases de impacto e conteúdos polêmicos buscam prender a atenção do eleitor nos primeiros segundos
As campanhas eleitorais de 2026 em Mato Grosso têm ampliado o uso de vídeos curtos nas redes sociais, especialmente conteúdos adaptados à linguagem popularizada pelo TikTok. A estratégia combina cortes rápidos, humor, bastidores, frases de impacto e temas capazes de provocar reações entre os usuários.
Para Antônio Guimarães, fundador da agência Real Oficial, especializada em produção de conteúdo para redes sociais com inteligência artificial, a mudança acompanha uma transformação no consumo de informação. Segundo ele, os vídeos verticais e curtos, com ganchos nos primeiros segundos, passaram a disputar diretamente a atenção do público.
“Hoje em dia, a maior parte do consumo de vídeos é vertical, vídeos curtos com ganchos rápidos nos primeiros segundos de vídeo”, explicou.
Entre os candidatos que adotaram esse formato está o deputado federal José Medeiros (PL), que disputa uma vaga ao Senado. Em uma das peças, o parlamentar utiliza uma frase relacionada à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), sem mencionar diretamente os envolvidos.
A candidata ao Governo de Mato Grosso, Doutora Natasha Slhessarenko (PSD), também recorreu à linguagem direta. Em um vídeo, afirmou que seus adversários seriam “farinha do mesmo saco” e pediu que o eleitor tivesse atenção antes de escolher seu voto. A candidatura de Natasha ao governo está registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso.
Já o candidato à reeleição ao Governo, Otaviano Pivetta (Republicanos), aparece em conteúdos que exploram momentos mais descontraídos durante a campanha. Em uma das produções, o governador é mostrado ao som de lambadão, tentando andar de bicicleta com jovens, utilizando o celular durante compromissos e fazendo alongamentos ainda com o traje usado em atividades oficiais.
De acordo com Guimarães, a lógica das redes sociais faz com que as campanhas não dependam apenas de seus próprios seguidores. Os vídeos podem alcançar usuários que ainda não conhecem determinado candidato, enquanto o sistema de recomendação das plataformas distribui conteúdos conforme hábitos de consumo, curtidas, comentários e compartilhamentos.
O especialista também aponta que conteúdos capazes de provocar debate tendem a receber mais atenção. Nesse cenário, peças polêmicas podem alcançar públicos maiores, mas também aumentam os riscos de interpretações fora de contexto e de repercussões negativas.
Outro desafio é conquistar o usuário rapidamente. Segundo Guimarães, os primeiros segundos são decisivos para impedir que a pessoa deslize para o próximo vídeo. Por isso, mensagens diretas, personalidades marcantes e situações inusitadas podem ganhar espaço nesse formato.
A estratégia também permite que candidatos ultrapassem o público que já acompanha suas páginas. Em vez de falar somente com eleitores já identificados com determinada candidatura, os vídeos podem chegar a pessoas que ainda não seguem o político ou sequer tinham contato anterior com seu conteúdo.
Para Guimarães, essa característica exige que a comunicação seja pensada para quem não conhece o candidato. “Não basta só esse conteúdo agradar a própria base que já o conhece”, argumentou.
O especialista ressalta, porém, que a busca por alcance pode trazer riscos quando cortes ou vídeos são retirados de contexto. Por isso, recomenda que o eleitor procure o conteúdo completo antes de tirar conclusões a partir de uma publicação isolada.
A utilização das redes sociais ganhou espaço significativo na campanha deste ano e passou a integrar a estratégia de diferentes candidaturas em Mato Grosso. Com vídeos cada vez mais curtos e direcionados ao consumo pelo celular, candidatos tentam disputar não apenas o voto, mas também os poucos segundos de atenção disponíveis no feed.
Com informações Folha Max
POLÍTICA MT
Mauro segue liderando consolidado com 55,6%; Janaina é segundo lugar em MT
Ex-governador mantém ampla dianteira na soma das duas escolhas, enquanto deputada estadual alcança 19,9% e ocupa a segunda colocação na primeira preferência dos eleitores
A nova rodada do Instituto Veritá divulgada nesta segunda-feira (28) mantém Mauro Mendes (União) na liderança da corrida pelas duas vagas de Mato Grosso ao Senado Federal. O levantamento também coloca Janaina Riva (MDB) na segunda colocação quando considerada a primeira escolha do eleitor, um dos principais recortes apresentados pela pesquisa.
No chamado voto consolidado, que reúne as duas escolhas feitas por cada entrevistado, Mauro alcança 55,6% das menções. Nesse recorte específico, José Medeiros registra 36,1% e Janaina soma 32,9%. Como cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100%.
Já quando a pesquisa pergunta ao eleitor qual seria seu primeiro voto para senador, Mauro novamente aparece na liderança, com 36% dos votos válidos. Janaina ocupa a segunda posição, com 19,9%, seguida pelos demais concorrentes.
Os números mostram, portanto, Mauro na liderança tanto da primeira escolha quanto do resultado consolidado, enquanto Janaina aparece como segunda colocada na primeira preferência do eleitor.
Na segunda escolha, o cenário é diferente. Mauro registra 23,2%, Medeiros 22,9% e Janaina 15,1%. Por isso, os três indicadores divulgados pelo Veritá primeiro voto, segundo voto e soma das menções precisam ser analisados separadamente.
RETA FINAL
A rodada do Veritá se soma a outros levantamentos recentes que também registraram Mauro e Janaina nas duas primeiras posições em determinados recortes. Pesquisa Paraná divulgada em 18 de setembro, por exemplo, apresentou Mauro com 52,3% e Janaina com 32,4% na modalidade em que os entrevistados puderam indicar até dois candidatos.
A fotografia apresentada pelo Veritá reforça a liderança numérica de Mauro, ao mesmo tempo em que mostra uma disputa mais apertada entre os demais candidatos pelas posições seguintes, dependendo de qual das duas escolhas do eleitor é considerada.
METODOLOGIA
O Instituto Veritá ouviu 1.220 eleitores entre os dias 20 e 24 de setembro. A margem de erro informada é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números MT-09975/2026 e BR-04418/2026.
A pesquisa representa as intenções declaradas pelos entrevistados no período de coleta e não constitui previsão do resultado da eleição.
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