IRREGULARIDADES NA GESTÃO PÚBLICA
TCE identifica desvio de R$ 414 mil em folha de pagamento e determina devolução por servidor de MT
Auditoria apontou adulteração de arquivos bancários da Prefeitura de Mirassol D’Oeste; prefeito Héctor Bezerra também foi multado, mas não terá que ressarcir o valor
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) determinou que um servidor da Prefeitura de Mirassol D’Oeste devolva R$ 414,5 mil aos cofres municipais após identificar irregularidades em arquivos bancários utilizados para o pagamento de salários do funcionalismo público. A investigação apontou manipulações que resultaram em transferências indevidas de recursos entre dezembro de 2019 e setembro de 2022.
A decisão foi aprovada por unanimidade pelo Tribunal, sob relatoria do conselheiro Guilherme Maluf, e publicada no Diário Oficial de Contas desta terça-feira (13).
De acordo com o acórdão, a tomada de contas especial identificou 12 créditos irregulares, que totalizaram R$ 414.584,61. O valor deverá ser ressarcido à Prefeitura com atualização monetária calculada a partir da data de cada pagamento indevido.
O servidor Jonathan Douglas Espíndola Ribeiro, apontado como principal responsável pelo prejuízo, teve a irregularidade mantida pelo TCE-MT e deverá realizar o ressarcimento com recursos próprios, no prazo de 60 dias.
Entre as movimentações analisadas pela auditoria estão depósitos de R$ 73.598,18 em maio e junho de 2022, além de pagamentos de R$ 80.858 em julho e R$ 97.029,60 em agosto do mesmo ano.
Prefeito é multado, mas fica livre de ressarcimento
O prefeito de Mirassol D’Oeste, Héctor Bezerra (União Brasil), também foi responsabilizado por uma irregularidade administrativa identificada no processo.
Os conselheiros decidiram aplicar multa equivalente a seis Unidades Padrão Fiscal de Mato Grosso (UPFs-MT), mas afastaram a responsabilidade solidária do gestor pelo prejuízo financeiro.
Com isso, Héctor não terá que devolver, juntamente com o servidor, os R$ 414,5 mil apontados pela auditoria.
O Tribunal também analisou a conduta de outros integrantes da administração municipal.
O ex-secretário de Administração e Planejamento Jeffer Kleber de Oliveira teve sua responsabilidade afastada em relação a um dos apontamentos. Segundo o colegiado, não houve comprovação suficiente de dolo, erro grosseiro ou vínculo entre sua atuação e a suposta falha de fiscalização.
Já Keila Silveira, responsável pela Unidade de Controle Interno, teve mantido um apontamento relacionado ao caso, mas não recebeu multa nem foi obrigada a participar do ressarcimento.
Prefeitura terá 90 dias para reforçar fiscalização
Além das penalidades, o TCE-MT estabeleceu medidas para corrigir fragilidades administrativas e evitar novas irregularidades na movimentação de recursos públicos.
A atual gestão municipal terá prazo de 90 dias para reestruturar a Unidade de Controle Interno, garantindo a equipe mínima prevista na Lei Complementar Municipal nº 158/2016.
Também deverá criar e aprovar procedimentos formais para comunicar ao Tribunal de Contas situações que envolvam possíveis danos ao erário, com definição de prazos, responsáveis e mecanismos de acompanhamento.
Outra recomendação é o fortalecimento da segurança dos sistemas utilizados na elaboração e transmissão da folha de pagamento.
O Tribunal orientou a adoção de controles de acesso, mecanismos de autenticação e registros de auditoria capazes de identificar alterações nos arquivos enviados às instituições bancárias.
A Prefeitura também deverá aprimorar a conferência mensal entre os valores efetivamente transferidos e aqueles autorizados na folha de pagamento.
As medidas buscam ampliar a rastreabilidade das operações financeiras e reduzir o risco de novas transferências irregulares de dinheiro público.
POLÍTICA MT
Pivetta critica populismo após Flávio Bolsonaro defender fim da escala 6×1
Governador de Mato Grosso defende liberdade econômica, negociação direta entre patrões e empregados e qualificação profissional como caminhos para melhorar os salários
O governador reeleito de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), defendeu a liberdade econômica e a negociação direta entre empregadores e trabalhadores ao comentar o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, ao fim da escala de trabalho 6×1. A declaração foi feita nesta terça-feira (13), durante coletiva de imprensa no lançamento do comitê pró-Bolsonaro, em Cuiabá.
Questionado sobre o posicionamento do parlamentar, Pivetta afirmou que o Brasil vive uma “temporada do populismo” e destacou a importância da qualificação profissional e da melhoria dos salários como instrumentos para ampliar as condições de vida dos trabalhadores.
“Eu acho que a temporada do populismo tomou conta do país. Então, eu sempre fui favorável à liberdade econômica, sou favorável à negociação entre as partes. Eu valorizo o trabalho, eu sou um trabalhador, eu vim pra cá na boleia de um caminhão, eu sei o que é trabalhar e eu quero o bem para os meus trabalhadores de Mato Grosso”, afirmou o governador.
Pivetta defende qualificação e melhores salários
Durante a entrevista, o chefe do Executivo estadual argumentou que a melhoria das condições de trabalho deve estar associada à formação profissional e ao aumento dos rendimentos. Para ele, a qualificação dos jovens e a valorização do trabalho são fundamentais para ampliar as oportunidades e a renda da população.
“Eu não vou enriquecer ninguém com salário mínimo. Nós precisamos melhorar a qualidade do trabalho, precisamos qualificar nossos jovens, precisamos de melhores salários. É isso que nós queremos, nós não queremos esmola”, declarou.
Pivetta também criticou políticas que classificou como populistas e direcionou suas declarações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em referência à disputa presidencial prevista para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
“No país se criou essa tradição de dar esmola, de comprar voto com acenos populistas. Eu quero acreditar que no dia 25 de outubro o povo brasileiro vai dar a resposta. E a resposta vai ser: ‘chega Lula, tchau’”, afirmou.
PEC prevê redução da jornada semanal
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1, estava prevista, segundo a reportagem original, para ser analisada pelo Senado Federal nesta quarta-feira (14).
O texto mencionado na publicação prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
Na terça-feira (13), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), informou que um requerimento para acelerar a tramitação da proposta já reunia as assinaturas necessárias para ser analisado. Caso um calendário especial fosse aprovado, a PEC poderia ser submetida aos dois turnos de votação no mesmo dia.
Para ser aprovada no Senado, uma proposta de emenda à Constituição precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno.
A discussão sobre a escala 6×1 ganhou espaço no debate político nacional, reunindo diferentes posicionamentos sobre jornada de trabalho, produtividade, remuneração e qualidade de vida dos trabalhadores.
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