LIBERDADE DE EXPRESSÃO

STF restabelece propaganda de Natasha no rádio e TV e derruba suspensão do TRE-MT

Decisão de Alexandre de Moraes considerou que retirada integral da comunicação eleitoral criava obstáculos à divulgação de informações; ministra também citou entendimentos do Supremo sobre liberdade de expressão

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (1º) o restabelecimento imediato da propaganda eleitoral da candidata ao Governo de Mato Grosso Natasha Slhessarenko (PSD) no rádio e na televisão. A decisão derrubou determinações do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), que haviam suspendido toda a comunicação eleitoral da campanha até o encerramento do horário gratuito.

A suspensão determinada pelo TRE-MT ocorreu após a Justiça Eleitoral apontar o descumprimento de uma decisão anterior que proibia a veiculação de conteúdos relacionados a uma reportagem do Fantástico, exibida em 2021, sobre uma investigação envolvendo o governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos). Segundo as decisões do tribunal, as peças reproduziam trechos da reportagem sem informar que as investigações haviam sido arquivadas por ausência de justa causa. 

Campanha teve propaganda suspensa

De acordo com o processo citado na reportagem, mesmo após a determinação inicial, novas versões das peças foram exibidas. Em 29 de setembro, os anúncios teriam sido veiculados 19 vezes em 13 emissoras de rádio e televisão. O material também continha um QR Code e orientação para que os eleitores pesquisassem pelos termos “Pivetta Fantástico”. 

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A partir dessas ocorrências, o TRE-MT determinou a suspensão integral da propaganda gratuita de Natasha até o último dia do horário eleitoral e elevou a multa aplicada à campanha. A medida foi questionada pela defesa da candidata no Supremo. 

Moraes aponta restrição à comunicação eleitoral

Ao analisar a reclamação, Moraes entendeu que a decisão do TRE-MT havia ampliado os efeitos da punição para além das inserções questionadas. Segundo o ministro, a retirada de todo o espaço eleitoral da candidata criava obstáculos à divulgação de informações e não encontrava justificativa legítima para impedir de forma ampla a comunicação da campanha. 

Com isso, o ministro determinou o cumprimento imediato da decisão e o retorno das inserções que haviam sido suspensas, justamente no último dia de propaganda eleitoral gratuita antes do primeiro turno.

Defesa contestou suspensão integral

Na reclamação apresentada ao STF, a defesa de Natasha sustentou que havia uma diferença entre discutir a legalidade das peças relacionadas à reportagem do Fantástico e impedir que a candidata continuasse apresentando os demais conteúdos de sua campanha.

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A defesa argumentou ainda que a suspensão havia atingido programas e inserções sobre temas como saúde, educação e segurança, além de outras propostas eleitorais. 

STF cita liberdade de expressão em período eleitoral

Em sua decisão, Moraes também recuperou entendimentos anteriores do próprio Supremo relacionados à liberdade de expressão durante períodos eleitorais. Entre os precedentes mencionados estão a ADI 4.451 e a ADPF 130.

Segundo o ministro, o debate público deve comportar diferentes pontos de vista, incluindo manifestações conservadoras, progressistas, científicas, jornalísticas, artísticas e humorísticas. Ele também destacou que a proteção constitucional à liberdade de expressão alcança manifestações controversas, satíricas e opiniões que não sejam compartilhadas pela maioria. 

Com a decisão, a propaganda eleitoral da candidata voltou a ter autorização para ser veiculada no rádio e na televisão no encerramento do período destinado à propaganda gratuita. A determinação do STF foi encaminhada ao TRE-MT para cumprimento imediato. 

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POLÍTICA MT

Pivetta rebate Natasha e diz que Hospital Central registrou 28,7 mil atendimentos

Governador e candidato à reeleição contestou números apresentados pela adversária; balanço divulgado pela gestão estadual aponta 2.128 cirurgias de alta complexidade até setembro

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O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), contestou dados apresentados pela candidata ao Governo Natasha Slhessarenko (PSD) sobre o funcionamento do Hospital Central. Segundo números divulgados pela gestão estadual, a unidade administrada pelo Hospital Israelita Albert Einstein registrou 28,7 mil atendimentos entre janeiro e agosto deste ano.

Durante a campanha, Natasha afirmou que o hospital teria atendido 794 pacientes em um período de seis meses. O Governo do Estado, por outro lado, informou que o balanço de 28,7 mil contabiliza diferentes tipos de atendimento, incluindo cirurgias, exames, diagnósticos, internações e outros procedimentos realizados na unidade.

De acordo com os dados apresentados pela gestão estadual, o volume corresponde a uma média superior a 100 atendimentos por dia.

O centro cirúrgico do Hospital Central começou a funcionar em 11 de fevereiro. Entre a abertura e o dia 14 de setembro, foram contabilizadas 2.128 cirurgias de alta complexidade. Somente em agosto, conforme o balanço divulgado, foram realizadas 505 cirurgias.

Entre os procedimentos citados estão cirurgias robóticas nas áreas de urologia, ginecologia, cirurgia pediátrica e aparelho digestivo, além de intervenções cardiovasculares e neurocirúrgicas.

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Os números apresentados pelo governo indicam ainda que a maior parte dos pacientes submetidos a cirurgias veio de municípios do interior de Mato Grosso, com 1.365 registros. Outros 470 pacientes eram de Cuiabá e 293 de Várzea Grande.

O balanço também detalha a faixa etária dos pacientes. Segundo a gestão estadual, o mais jovem atendido foi um recém-nascido de 29 dias, submetido a uma broncoscopia com traqueoplastia. O paciente mais idoso tinha 92 anos e realizou tratamento para pseudoaneurisma da artéria femoral comum.

A divergência sobre os números do Hospital Central passou a integrar o debate eleitoral sobre a saúde pública de Mato Grosso, com Pivetta e Natasha apresentando avaliações distintas sobre o desempenho da unidade.

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