CONTRADIÇÕES
Proximidade de Medeiros com Alcolumbre gera cobrança na ala bolsonarista sobre impeachment de Alexandre de Moraes
Candidato ao Senado enfrenta questionamentos em meio à pressão de setores da direita sobre o presidente da Casa; esposa do parlamentar está cedida ao Senado desde 2019 e lotada na estrutura da Presidência
A relação política entre o deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ganhou espaço no debate político na reta final da campanha em Mato Grosso.
O motivo é o aumento da pressão de setores mais duros do bolsonarismo para que Alcolumbre dê andamento aos pedidos de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A cobrança coloca Medeiros diante de uma situação politicamente delicada: ao mesmo tempo em que mantém um discurso crítico ao STF e procura identificação com o eleitorado conservador, sua proximidade política com Alcolumbre passou a ser questionada por setores que defendem uma ofensiva mais contundente contra o presidente do Senado.
Alcolumbre ocupa posição central nessa discussão porque compete ao presidente do Senado decidir sobre o encaminhamento inicial dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Questionado recentemente no plenário sobre quando colocaria em tramitação pedido contra Moraes, respondeu não haver previsão.
A resistência de Alcolumbre passou a provocar reações de parlamentares identificados com Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro, por exemplo, responsabilizou publicamente o presidente do Senado pela falta de avanço do impeachment e elevou o tom das críticas.
É justamente a diferença de tratamento dispensado a Alcolumbre que passou a alimentar cobranças sobre Medeiros dentro do campo conservador.
PRESSÃO BOLSONARISTA
A questão ganhou força porque o impeachment de Alexandre de Moraes se transformou em uma das principais bandeiras de parlamentares da ala mais radical da direita.
Senadores ligados ao bolsonarismo vêm cobrando publicamente uma reação do Senado. Entre eles estão Flávio Bolsonaro, Magno Malta e outros parlamentares que defendem a abertura do procedimento contra Moraes.
Nesse ambiente, qualquer relação política com Alcolumbre passou a ser observada com maior atenção por uma parcela do eleitorado que considera o impeachment uma pauta prioritária.
Medeiros, por sua vez, sustenta uma atuação parlamentar marcada por críticas ao Supremo e a decisões de ministros da Corte.
O problema político levantado pelos críticos está exatamente nessa combinação: Medeiros critica duramente o STF, mas mantém uma relação política com a estrutura do Senado comandada por Alcolumbre, justamente o presidente pressionado pela ala bolsonarista a dar andamento ao impeachment de Moraes.
ESPOSA DE MEDEIROS ESTÁ NA PRESIDÊNCIA DO SENADO
Outro componente acrescentou combustível à discussão.
Ruth Shizue Yamamoto Medeiros, esposa de José Medeiros, é servidora efetiva da Prefeitura de Rondonópolis e está cedida ao Senado Federal desde 2019.
Dados oficiais do Senado registram Ruth Medeiros como servidora cedida e lotada na estrutura da Presidência da Casa.
Segundo as informações apresentadas, a cessão começou ainda em 2019, período da primeira passagem de Davi Alcolumbre pela Presidência do Senado. Ela permaneceu na estrutura durante a gestão de Rodrigo Pacheco e continua vinculada à Presidência com o retorno de Alcolumbre ao comando da Casa.
Registros reproduzidos na publicação anterior apontam ainda que Ruth mantém vínculo funcional com a Prefeitura de Rondonópolis, onde ingressou no serviço público em 2002.
A existência desses vínculos, por si só, não comprova irregularidade, favorecimento ou qualquer tipo de contrapartida política. A legalidade de eventuais pagamentos simultâneos depende das regras da cessão, da natureza das verbas recebidas e das normas aplicáveis ao caso.
Politicamente, porém, a situação passou a ser incorporada ao debate sobre a relação entre Medeiros e a cúpula do Senado.
Para os críticos do candidato, a presença de sua esposa justamente na estrutura da Presidência amplia a cobrança por explicações sobre a relação política mantida com Alcolumbre.
MEDEIROS REBATE CRÍTICAS
Medeiros já reagiu publicamente à repercussão do assunto. O deputado afirma que não “passa pano” para Alcolumbre e sustenta que já fez críticas ao presidente do Senado.
Sobre a situação profissional da esposa, o parlamentar argumenta que ela é servidora concursada e que a cessão para o Senado ocorre dentro das regras do serviço público.
Medeiros também rejeita a interpretação de que a atividade profissional de sua esposa interfira em seus posicionamentos políticos ou determine sua postura em relação ao presidente do Senado.
Essa é a versão apresentada pelo candidato e precisa ser considerada no debate.
A controvérsia, entretanto, ocorre justamente quando integrantes do bolsonarismo aumentam o tom contra Alcolumbre.
A cobrança que chega a Medeiros não está baseada na comprovação de alguma irregularidade, mas na coerência política exigida por setores mais duros da própria direita entre o discurso contra o Supremo e a postura adotada diante do presidente do Senado.
RETA FINAL
A discussão ganha relevância adicional porque Medeiros disputa uma das duas vagas de Mato Grosso ao Senado.
Na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta sexta-feira (18), Mauro Mendes aparece com 52,3%, Janaina Riva com 32,4% e José Medeiros com 23,1%. Como o eleitor escolhe dois candidatos ao Senado, a soma das intenções de voto ultrapassa 100%.
O levantamento coloca Medeiros, naquele momento da pesquisa, fora das duas primeiras posições da disputa. Isso, entretanto, não permite afirmar que seu desempenho eleitoral seja consequência da relação com Alcolumbre, já que a pesquisa não investigou a motivação dos eleitores.
Esse cuidado é fundamental: existe uma controvérsia política concreta envolvendo a postura diante de Alcolumbre, mas não há levantamento disponível que permita transformar essa controvérsia em causa direta do desempenho eleitoral de Medeiros.
O que está documentado é que setores bolsonaristas pressionam Alcolumbre pelo impeachment de Alexandre de Moraes e que Medeiros, candidato que busca representar esse eleitorado em Mato Grosso, passou a ser confrontado politicamente com sua relação com a estrutura comandada pelo presidente do Senado.
Na reta final, o assunto acrescenta mais um componente à disputa pelo voto conservador.
Enquanto a ala mais radical do bolsonarismo cobra enfrentamento direto a Alcolumbre, Medeiros precisa conciliar essa pressão com uma relação política construída dentro do Senado e explicar ao eleitorado por que essa proximidade não compromete sua defesa das pautas conservadoras.
POLÍTICA MT
“Foi maravilhoso, coisa de outro mundo”, diz avó que acompanhou neto no Hospital Central
Moradora de Brasnorte, Gicelia dos Santos ficou ao lado do neto na unidade concluída durante a gestão de Mauro Mendes e elogiou estrutura, atendimento e acolhimento
Mais de 30 dias dentro do Hospital Central, em Cuiabá, transformaram a preocupação da moradora de Brasnorte Gicelia dos Santos com a saúde do neto em uma experiência que ela diz não esquecer. Após acompanhar de perto o tratamento da criança, ela conta que se surpreendeu com a estrutura e, principalmente, com o atendimento recebido durante todo o período de internação.
O neto de Gicelia começou a apresentar febre e calafrios e, após passar por atendimento médico, a família buscou atendimento em Sapezal. Diante da suspeita inicial de trombose e da necessidade de investigação do quadro, a criança foi encaminhada para o Hospital Central, em Cuiabá.

“Nós ficamos trinta e poucos dias dentro do hospital de Cuiabá. Pense num hospital. Parabéns para quem deu essa ideia nesse hospital, porque eu nunca vi coisa como aconteceu naquele hospital. Era atendimento toda hora. Maravilha”, relatou ao candidato ao Senado, Mauro Mendes. Foi na gestão dele como governador que as obras foram retomadas após 34 anos.
Durante a internação, segundo Gicelia, o neto passou por uma série de procedimentos para chegar ao diagnóstico, entre exames, biópsia e ultrassonografia. O quadro foi identificado como celulite, uma infecção bacteriana da pele, e a criança permaneceu em tratamento até apresentar melhora.
“Foi maravilhoso. Era exame, biópsia, ultrassom, toda hora. As enfermeiras estavam em cima, medicamento toda hora. Agora ele está bem, está aqui correndo por todo lado”, contou.
A moradora de Brasnorte também destacou a estrutura da ala pediátrica e os espaços destinados às crianças. A área foi projetada com ambientes lúdicos, brinquedotecas e espaços de interação para tornar o período de tratamento menos traumático para os pacientes infantis.
“Meu Deus do céu, tudo maravilhoso. Coisa de outro mundo. Eu tiro o chapéu. Se alguém falar mal dali, é porque não tem o que falar. Está de parabéns. Eu presenciei isso”, afirmou.
O acolhimento aos acompanhantes também chamou a atenção. Gicelia tem problemas de coluna e, mesmo permanecendo por mais de um mês ao lado do neto, conseguiu dormir na cadeira destinada ao acompanhante sem agravar o quadro.
“Fiquei trinta e poucos dias dormindo naquela cadeira e não travei em nada. Em outros hospitais eu travava. Se eu falasse que estava ruim, as meninas já diziam que iam dar um jeito. Graças a Deus, fiquei bem”, disse.
O Hospital Central começou a atender pacientes em janeiro deste ano, após permanecer 34 anos com a construção inacabada. A obra foi retomada definitivamente em 2020, durante a gestão de Mauro Mendes, e a estrutura original foi ampliada de 9 mil para 32 mil metros quadrados. A unidade atende gratuitamente pelo SUS pacientes encaminhados pela regulação estadual.
A pediatria foi uma das primeiras áreas a entrar em funcionamento e conta com estrutura específica para atendimento infantil de alta complexidade. Até junho, o Hospital Central já havia ultrapassado 17 mil atendimentos a pacientes de 104 municípios de Mato Grosso.
Gicelia também declarou apoio à candidatura de Mauro Mendes ao Senado e afirmou que a experiência no Hospital Central reforçou sua decisão.
“Merece o meu voto e o da minha família. Lá em casa somos dez votos e pode ter certeza que todos os dez vão ser dele”, completou.
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