Após fake News

Imagem de Nossa Senhora Aparecida é vandalizada em Cuiabá em meio a desinformação eleitoral

Estátua instalada junto à Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, foi encontrada sem a cabeça; Arquidiocese cobra apuração do caso

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Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida instalada junto à Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá, foi encontrada vandalizada e sem a cabeça na noite da última sexta-feira (25). O caso ganhou repercussão nas redes sociais e provocou manifestação da Arquidiocese de Cuiabá.

Em nota, a Arquidiocese repudiou o ato e cobrou a identificação e responsabilização dos envolvidos. A instituição destacou ainda a importância histórica e religiosa da Cruz do Chilão, considerada um espaço ligado à memória cultural e à religiosidade popular da Capital. 

“A Cruz do Chilão é um importante marco da religiosidade popular cuiabana e carrega uma história que atravessa gerações, reunindo elementos da tradição católica e da cultura dos povos de matriz africana”, afirmou a Arquidiocese.

O episódio ocorreu em meio a uma controvérsia nacional envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a campanha eleitoral de 2026. Publicações nas redes sociais passaram a atribuir ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) uma suposta intenção de apresentar uma proposta para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.

A informação, porém, é falsa. O projeto utilizado como origem da discussão existiu, mas não foi apresentado por Flávio Bolsonaro.

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Trata-se do Projeto de Lei nº 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal por Mato Grosso Victório Galli. A proposta pretendia alterar a Lei nº 6.802/1980 para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e posteriormente arquivado, em 2008. 

Flávio Bolsonaro negou ter apresentado qualquer proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil e classificou a associação como desinformação.

Controvérsia chegou à Justiça

A discussão também chegou à Justiça Eleitoral. A campanha de Flávio Bolsonaro acionou o Judiciário alegando ser alvo de desinformação relacionada ao tema.

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou inicialmente a retirada de mais de mil publicações relacionadas ao conteúdo questionado. Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão em relação a conteúdos que chegaram à Corte, em decisão relacionada à proteção da liberdade de expressão e ao debate eleitoral. 

Arquidiocese reforça defesa da liberdade religiosa

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Em meio à repercussão, a Arquidiocese de Cuiabá também reforçou que a liberdade de consciência, crença e culto é assegurada pela Constituição Federal. A instituição afirmou que atos de intolerância, discriminação e violência motivados por religião podem configurar crimes.

A Cruz do Chilão é reconhecida como um espaço que reúne referências da tradição católica e de manifestações culturais de matriz africana, fazendo parte da memória religiosa e histórica de Cuiabá. 

Ainda não há ligação comprovada com a disputa eleitoral

Apesar de o ataque ter ocorrido no mesmo período em que a imagem de Nossa Senhora Aparecida passou a ser utilizada no debate eleitoral, não há, até o momento, informação que comprove que a depredação em Cuiabá tenha relação com a controvérsia política ou com as fake news que circulam nacionalmente. 

Também não há confirmação pública sobre a autoria ou a motivação do dano. Relatos publicados por veículos locais apontam que moradores levantaram diferentes possibilidades para explicar o episódio, mas nenhuma delas foi confirmada pelas autoridades. 

O caso segue cercado de questionamentos enquanto as circunstâncias da depredação são apuradas.

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POLÍTICA MT

Policial aposentado é preso após ex-mulher ser morta a tiros dentro de hotel em Cáceres

Noeli Simsen, de 50 anos, foi atingida por quatro disparos; segundo a investigação, casal estava separado havia cerca de cinco meses

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Uma mulher identificada como Noeli Simsen, de 50 anos, foi morta a tiros dentro de um quarto de hotel no bairro Cidade Nova, em Cáceres, a cerca de 220 quilômetros de Cuiabá, nesta segunda-feira (28). O principal suspeito é o ex-companheiro dela, o investigador aposentado da Polícia Civil Ricardo de Souza Pessoa, de 62 anos, que foi preso em flagrante após se apresentar espontaneamente à polícia. Segundo o delegado responsável pelo caso, Higo Rafael, o casal estava separado havia aproximadamente cinco meses e o suspeito não aceitava o fim do relacionamento.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para atender uma ocorrência envolvendo disparos de arma de fogo. Ao chegar ao quarto, a equipe encontrou Noeli ferida na região central do tórax e já sem sinais vitais. A morte foi constatada ainda no local. Segundo as informações divulgadas pela polícia, a vítima foi atingida por quatro disparos. A Polícia Militar isolou a área para a realização dos trabalhos de perícia. 

Funcionários e testemunhas relataram aos policiais que Ricardo esteve no hotel e teria acessado a janela do quarto onde Noeli estava. Pouco depois, foram ouvidos disparos. Após deixar o local, o suspeito se apresentou espontaneamente na Delegacia Regional de Cáceres, onde entregou a arma que teria sido utilizada no crime. Ele recebeu voz de prisão e permanece à disposição da Justiça. 

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Antes do crime, uma mensagem encontrada no celular de Noeli também chamou a atenção das autoridades. Conforme as informações divulgadas, o conteúdo, atribuído ao ex-companheiro, alertava a vítima para que tivesse cuidado ao ligar o carro, pois poderia haver uma bomba no veículo. A informação levou a Polícia Militar a isolar a área onde o automóvel estava estacionado e acionar o Esquadrão Antibombas para verificar a possibilidade de existência de um artefato explosivo.

Durante as buscas realizadas na residência de Ricardo, os policiais encontraram quatro armas de fogo e munições. A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do crime, incluindo a dinâmica dos disparos, a mensagem enviada à vítima e a possível motivação. O caso é tratado como feminicídio. 

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