TRAJETÓRIA E ARTICULAÇÃO POLÍTICA

Gisela Simona chega à vice-governadoria com força política e compromisso com o diálogo em Mato Grosso

Com experiência no serviço público, atuação na defesa dos direitos do cidadão e presença ativa na campanha eleitoral, vice-governadora eleita poderá fortalecer a interlocução entre o governo estadual, os servidores públicos e a população.

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A trajetória de Gisela Simona (União Brasil) reúne experiência técnica, atuação política e proximidade com as demandas da população. Eleita vice-governadora de Mato Grosso na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos), ela chega a uma nova etapa da vida pública com a perspectiva de contribuir diretamente para as decisões do Executivo estadual e fortalecer o diálogo entre o governo, os servidores públicos e a sociedade.

Cuiabana, advogada e servidora pública de carreira, Gisela construiu sua trajetória na defesa dos direitos do consumidor. Ingressou no Procon em 2001, como conciliadora, e, entre 2008 e 2017, esteve à frente da Superintendência do órgão em Mato Grosso. Também presidiu a Associação Brasileira de Procons por dois mandatos, ampliando sua experiência na articulação de políticas de proteção ao cidadão.

Essa vivência contribuiu para consolidar um perfil público ligado à escuta, à mediação de conflitos e à busca por soluções para problemas concretos. Em 2018, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados. Em 2020, concorreu à Prefeitura de Cuiabá, recebeu 52.191 votos e terminou em terceiro lugar. Posteriormente, assumiu temporariamente um mandato de deputada federal, ampliando sua experiência no cenário nacional e sua participação em pautas relacionadas aos direitos das mulheres e à defesa dos consumidores.

A atuação política de Gisela também ganhou espaço na Baixada Cuiabana, região estratégica para o desenvolvimento de Mato Grosso. Durante a campanha eleitoral, ela participou de agendas, reuniões e mobilizações, manteve contato com lideranças políticas e comunitárias e contribuiu para a articulação da chapa em diferentes segmentos da sociedade. Sua presença reforçou a representação de uma liderança com raízes em Cuiabá e conhecimento das demandas da região metropolitana.

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A experiência acumulada no serviço público e o conhecimento da realidade local poderão contribuir para aproximar as necessidades dos municípios das decisões tomadas pelo governo estadual. Questões como abastecimento de água, saúde, infraestrutura e qualidade dos serviços públicos estão entre os desafios que exigem cooperação entre o Estado e as administrações municipais.

Um dos principais compromissos apresentados por Gisela após a eleição é fortalecer a interlocução entre o Executivo e os servidores públicos. A vice-governadora eleita defendeu a criação de uma comissão permanente de negociação com representantes das categorias, sindicatos e associações. A proposta prevê discussões sobre a Revisão Geral Anual (RGA), concursos públicos, reestruturação de carreiras e outras reivindicações do funcionalismo.

A iniciativa ganha relevância diante das demandas de diferentes categorias por canais permanentes de diálogo com o governo. Como servidora pública de carreira, Gisela conhece a estrutura administrativa estadual e poderá utilizar essa experiência para contribuir com a mediação de divergências, a construção de entendimentos e a busca por soluções compatíveis com a realidade financeira do Estado. A intenção é fazer com que as reivindicações sejam discutidas de forma organizada e transparente, sem depender exclusivamente de negociações pontuais.

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A proposta também posiciona a vice-governadora como uma possível ponte entre os trabalhadores e a administração estadual. A interlocução com o funcionalismo poderá ser um dos eixos de sua atuação, especialmente na construção de relações institucionais mais próximas entre o governo e os profissionais responsáveis pela execução dos serviços públicos.

Além dessa agenda, Gisela tem defendido atenção às políticas sociais, à saúde pública e à proteção das mulheres. Sua trajetória no Procon, a experiência parlamentar e o contato com diferentes setores da sociedade formam uma base para contribuir com políticas públicas voltadas às necessidades cotidianas dos cidadãos.

A vitória de Otaviano Pivetta no primeiro turno, em 4 de outubro, abriu caminho para que Gisela assuma a Vice-Governadoria em janeiro de 2027. A nova função amplia sua responsabilidade política e cria a oportunidade de transformar a experiência adquirida ao longo de sua carreira em participação efetiva na gestão estadual.

Mais do que ocupar um cargo institucional, Gisela terá o desafio de consolidar uma atuação marcada pelo diálogo, pela articulação regional e pela capacidade de aproximar governo e sociedade. A interlocução com os servidores públicos, o fortalecimento das parcerias com os municípios e a atenção às demandas da Baixada Cuiabana poderão ser marcas importantes de sua contribuição para a próxima administração de Mato Grosso.

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POLÍTICA MT

Mulheres na ALMT: trajetória iniciada há quase sete décadas ganha novo capítulo

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Vera Lúcia Araújo - Verinha -15ª Legislatura (2003-2017).

Vera Lúcia Araújo – Verinha -15ª Legislatura (2003-2017).

Foto: Helder Faria

Teté Bezerra -17ª Legislatura (2011-2015).

Teté Bezerra -17ª Legislatura (2011-2015).

Foto: Helder Faria

A participação feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) atravessa quase sete décadas desde a eleição de Oliva Enciso, em 1958. No último domingo (4), essa história ganhou um novo capítulo com a eleição de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos), que ocuparão duas das 24 cadeiras da Casa a partir de 2027.

Oliva foi a primeira mulher eleita deputada estadual em Mato Grosso, 26 anos depois da conquista do direito ao voto feminino no Brasil. Professora, atuou na educação e na assistência social e também foi vereadora de Campo Grande antes de chegar à Assembleia para a 4ª Legislatura, entre 1959 e 1963, quando Mato Grosso ainda não havia sido dividido.

A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos explica que a participação institucional das mulheres na política mato-grossense começou a ganhar espaço ainda nas décadas de 1920 e 1930, influenciada pela luta e conquistas dos direitos sociais e políticos. Em Mato Grosso, organizações de mulheres, a educação e a imprensa contribuíram para ampliar a presença feminina na vida pública.

A conquista do direito ao voto, porém, não significou acesso imediato aos cargos eletivos. Dejenana aponta que a estrutura política estadual foi historicamente marcada pelo coronelismo, pelas relações familiares e por uma organização patriarcal. Enquanto os homens tiveram o acesso à política tratado como algo natural, as mulheres precisaram construir reconhecimento público por outros caminhos, como a educação, a escrita e a atuação social.

A coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher e as Relações de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso (Nuepom-UFMT), Madalena Rodrigues, também relaciona a baixa representação feminina às estruturas sociais construídas historicamente. “A política de Mato Grosso é uma política patriarcal, cercada pelos homens”, afirma. Segundo ela, as barreiras estão relacionadas não apenas ao gênero, mas também à classe e à raça.

Diferentes caminhos — Ao longo das décadas, as mulheres chegaram à política por diferentes trajetórias. Dejenana aponta que, em Mato Grosso, uma delas foi o capital político familiar, com candidaturas construídas a partir da trajetória de pais, maridos ou outros homens da família. Educação, movimentos sociais e sindicais, atuação profissional e mandatos municipais também se consolidaram como portas de entrada.

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A ex-deputada estadual Vera Araújo, a Verinha, percorreu uma trajetória ligada à educação e ao movimento sindical. Professora e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), foi eleita vereadora de Cuiabá em 2000 e, dois anos depois, conquistou uma cadeira na ALMT, sendo a única mulher entre os 24 deputados estaduais eleitos.

Verinha relata que ocupar um espaço predominantemente masculino significava conviver com cobranças sobre sua capacidade. “Se você faz essa opção, essa decisão de disputar o poder, você tem que provar que você dá conta, que você é competente. Senão eles vêm, dizem: ‘Ah, não deu conta porque é mulher’”, afirma.

Mãe de três filhos, ela também se preocupava que algum problema familiar fosse relacionado à decisão de estar na política. “Eu sempre me preocupei muito com isso, porque eu percebo que, quando a mulher faz essa disputa de poder, ela acaba carregando com ela essa culpa de que nada dê errado com seus filhos, com a sua casa, com a sua família. Porque, se alguma coisa dá errado, ela vai ser culpada porque saiu para o espaço público”, relata.

Mesmo dividindo os cuidados com os filhos e as tarefas domésticas com o companheiro, Verinha afirma que a preocupação permanecia. “Quando a mulher faz essa opção de sair para disputa do espaço de poder, ela acaba sendo responsabilizada duplamente”, acrescenta.

Registros produzidos durante o mandato mostram iniciativas em áreas como educação, saúde e fiscalização do poder público. Entre elas estão a legislação relacionada ao tempo de espera em filas de bancos, uma proposta de combate ao nepotismo e a lei que instituiu o Dia Estadual de Controle à Anemia Falciforme. Outra proposta que se tornou lei instituiu a meia-entrada para professores da rede pública estadual em estabelecimentos de lazer, entretenimento e difusão cultural.

Da candidatura à permanência — A cientista política Christiany Fonseca avalia que a maioria feminina no eleitorado não se transforma automaticamente em presença equivalente nos espaços de representação. O caminho até o mandato envolve acesso aos partidos, recursos de campanha, redes políticas, apoio e condições efetivas de competição. “É preciso conseguir entrar, competir, vencer e depois permanecer na política”, resume.

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Para Christiany, analisar apenas o número de candidaturas não é suficiente, pois estar registrada na disputa não significa necessariamente ser tratada pelo partido como uma candidatura prioritária e competitiva. A divisão das responsabilidades de cuidado, a disponibilidade de tempo e as redes construídas ao longo da trajetória também interferem nesse processo.

Nas eleições gerais de 2026, as mulheres corresponderam a 34% das candidaturas registradas em Mato Grosso, mesmo percentual de 2022. Entre as 24 cadeiras da próxima legislatura estadual, duas serão ocupadas por mulheres.

A eleição de Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira ocorre 16 anos depois do último pleito em que duas mulheres foram eleitas simultaneamente para mandatos titulares na ALMT. Em 2010, Luciane Bezerra e Teté Bezerra foram escolhidas para a 17ª Legislatura, entre 2011 e 2015.

Quase sete décadas depois da eleição de Oliva Enciso, a chegada de Samantha e Alessandra acrescenta um novo capítulo a uma trajetória marcada pela ampliação das formas de participação feminina e pela permanência do debate sobre acesso, condições de disputa e presença das mulheres nos espaços de poder.

Mulheres que ocuparam cadeiras na ALMT

4ª Legislatura (1959–1963)
Oliva Enciso

9ª Legislatura (1979–1983)
Sarita Baracat

11ª Legislatura (1987–1991)
Thaís Bérgo Duarte Barbosa

12ª, 13ª e 14ª Legislaturas (1991–2003)
Serys Slhessarenko

12ª Legislatura (1991–1995)
Malba Varjão — suplente

13ª Legislatura (1995–1999)
Zilda Pereira Leite — suplente

15ª Legislatura (2003–2007)
Vera Lúcia Araújo
Ana Carla Muniz

16ª Legislatura (2007–2011)
Chica Nunes
Vilma Moreira — suplente

17ª Legislatura (2011–2015)
Luciane Bezerra
Teté Bezerra

18ª, 19ª e 20ª Legislaturas (2015-2027)

Janaina Riva

20ª Legislatura (2023–2027)
Marildes Ferreira — suplente
Profa. Graciele (Graciele Marques dos Santos) — suplente
Valdeníria Dutra — suplente
Sheila Klener — suplente
Sandy de Paula — suplente
Priscila Dourado — suplente

Edna Sampaio — suplente
Eliane Xunakalo — suplente e primeira mulher indígena a assumir temporariamente uma cadeira na história da ALMT.

*Os períodos indicados correspondem às legislaturas, não necessariamente ao tempo de exercício de cada parlamentar.

Fonte: ALMT – MT

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