POLÍTICA MT
Comissão de Saúde visita Hospital Central com 98% das obras concluídas
Deputados membros da Comissão de Saúde realizaram visita ao hospital na tarde desta quarta-feira (19).
Foto: Luciano Campbell/ALMT
Deputados da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) fizeram visita às obras do Hospital Central, em Cuiabá, na tarde desta quarta-feira (19). Em busca de informações sobre o andamento dos trabalhos e prazo de entrega da unidade, os parlamentares vistoriaram diversas divisões do prédio e ouviram que o início da operação do hospital é esperado para agosto deste ano.
O Governo do Estado garante que as obras físicas estão com 98% de conclusão. De acordo com o secretário estadual de saúde, Gilberto Figueiredo, a previsão é de que em agosto seja iniciada a primeira etapa de funcionamento. “Já tem alguma coisa [de equipamentos] para chegar, mas a nossa previsão é de finalizar todo esse investimento em equipamentos e infraestrutura no mês de agosto. A partir daí, estaríamos em condição de inaugurar, para que o hospital possa entrar em operação em quatro fases, sendo 100% em funcionamento na quarta fase, em aproximadamente 120 dias depois de inaugurar”, explicou o chefe da Secretaria Estadual de Saúde (Ses/MT).
Ele ainda disse que até lá o trabalho será de instalação de equipamentos, montagem de mobiliário, recebimento de aquisições feitas para a unidade, além da conclusão de algumas obras de infraestrutura. “Isso é o que percorre nesses próximos quatro meses que estão na nossa previsão”, assegurou Gilberto Figueiredo.
O presidente da Comissão da Saúde da Casa de Leis, deputado estadual Paulo Araújo (PP), demonstrou estar satisfeito com o trabalho do Governo do Estado. “O objetivo da visita, primeiro era saber exatamente o percentual de execução da obra física, 98%, saber exatamente quando entra em funcionamento essa importante unidade hospitalar, previsto para agosto e quais as especialidades que nós vamos ter aqui, que são ortopedia, cardiologia, hemodinâmica, neurocirurgia, leito de UTI pediátrico, leito de UTI adulto, entre outras especialidades”, relatou o parlamentar.
“Na minha opinião, são justamente as especialidades que as pessoas, tanto do interior quanto de Cuiabá têm dificuldade de acessar no Sistema Público de Saúde. A partir do momento que nós tivermos a plenitude dessa unidade hospitalar em funcionamento, com certeza nós teremos aí uma facilidade muito grande de regular pacientes e salvar vidas”, enfatizou Paulo Araújo. O deputado Dr. João (MDB) também acredita que o Hospital Central vai contribuir para melhorar a saúde em Mato Grosso a partir da capital. “Vai ajudar muito a baixada cuiabana, porque a regulação basicamente é da baixada cuiabana”, destacou.
Também participou da atividade o deputado Lúdio Cabral (PT). Ele chamou atenção para a necessidade de a Comissão de Saúde continuar fiscalizando. “Cumprimos o nosso dever de diálogo com o estado para que mais rapidamente se conclua a obra física e se equipe o hospital. Já há alguns equipamentos aqui. E também que se mobílie o hospital e aí se identifique a forma de gestão, como o pessoal virá trabalhar aqui, como será custeado e como cumprirá o papel de atender demanda de alta complexidade para toda a população do estado”, ressaltou.
Hospital Central – As obras da unidade foram retomadas em 2020 com um novo projeto, após paralisação de 34 anos. O Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso contará com uma área de 32 mil m² e terá capacidade para atender 1.990 internações, 652 cirurgias e 3.000 consultas especializadas mensalmente, de acordo com a Ses/MT.
Além disso, o local contará com dez salas cirúrgicas, 60 leitos de UTI e 230 leitos de enfermaria. O hospital atenderá diversas especialidades como cardiologia, neurologia, ortopedia, urologia e ginecologia. O investimento do Governo do Estado na estrutura física foi de cerca de R$ 220 milhões. Com os equipamentos, a nova unidade custará cerca de R$ 400 milhões, segundo o secretário estadual de saúde.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Enquanto Mato Grosso precisa de recursos, Wellington manda quase R$ 600 mil para montanhistas na Antártida
Emenda do senador previa R$ 200 mil para contratação de profissionais especializados, mas execução chegou a R$ 599,1 mil; documentos ainda não esclarecem origem do acréscimo de R$ 399 mil
Enquanto Mato Grosso enfrenta demandas permanentes por investimentos em saúde, infraestrutura, educação e serviços públicos, uma das emendas apresentadas pelo senador Wellington Fagundes (PL) chama atenção pelo destino escolhido: a Antártica.
Documentos reproduzidos na apuração mostram que Wellington apresentou ao Orçamento de 2023 uma emenda destinada à contratação de montanhistas especializados para dar segurança a pesquisadores brasileiros durante deslocamentos e acampamentos no continente gelado.
A proposta foi aprovada inicialmente por R$ 200 mil, mas os registros de execução orçamentária passaram a apontar R$ 599.128 autorizados, empenhados, executados e pagos.
Na prática, o valor registrado na execução ficou R$ 399.128 acima daquele originalmente aprovado, chegando a praticamente o triplo.
RECURSO FOI PARA PROGRAMA NA ANTÁRTIDA
A emenda, identificada pelo número 38050002 no Orçamento de 2023, foi direcionada à Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), órgão ligado à Marinha e responsável pela coordenação do Programa Antártico Brasileiro (Proantar).
A justificativa apresentada por Wellington previa a contratação de mão de obra especializada de montanhistas para acompanhar pesquisadores brasileiros.
Esses profissionais não seriam responsáveis pelas pesquisas científicas. A função seria proteger e acompanhar as equipes em deslocamentos e acampamentos submetidos a gelo, temperaturas extremas, terrenos de difícil acesso e mudanças bruscas do clima.
A finalidade, portanto, integra uma política científica e estratégica nacional. O que chama atenção sob a ótica política é que a emenda foi apresentada por um senador eleito por Mato Grosso, mas esse recurso específico não teve como destino o Estado, seus municípios ou instituições mato-grossenses.
VALOR SALTOU DE R$ 200 MIL PARA R$ 599 MIL
O espelho da emenda apresentado na apuração identifica Wellington como autor e registra R$ 200 mil como valor originalmente aprovado pelo Congresso.
Na execução, entretanto, os números mudaram.
O Portal da Transparência da União e o painel de emendas do Siga Brasil apontam aproximadamente R$ 599,1 mil vinculados ao código da emenda.
Desse total, R$ 545.485,88 teriam sido pagos durante o exercício financeiro e outros R$ 53.642,12 por meio de restos a pagar.
O ponto ainda sem resposta está justamente na diferença de R$ 399.128 entre o valor inicialmente aprovado e aquele posteriormente executado.
Conforme a documentação apresentada, ainda é necessário obter da SECIRM ou da Marinha o ato que acrescentou os R$ 399.128 à programação, além da descrição detalhada dos serviços pagos e das operações antárticas beneficiadas.
Também não está esclarecido, com o material apresentado, se a ampliação foi solicitada pelo gabinete de Wellington, pela Marinha ou por outro órgão federal.
A alteração de valor, isoladamente, não representa irregularidade, já que dotações orçamentárias podem sofrer modificações legais durante sua execução.
QUASE R$ 488 MIL FORAM PARA FUNDAÇÃO
Os R$ 599.128 aparecem distribuídos em nove notas de empenho.
Três delas, somando R$ 487.629,34, foram emitidas em favor da Fundação de Apoio à Universidade do Rio Grande (FAURG), relacionadas ao apoio operacional e logístico do Proantar.
O montante representa aproximadamente 81,4% de todo o valor executado ligado à emenda.
Os outros seis empenhos somam R$ 111.498,66 e aparecem registrados em nome de cinco pessoas físicas.
Os registros financeiros apresentados, porém, não detalham suficientemente qual atividade cada uma dessas pessoas exerceu. Por isso, não é possível afirmar, apenas com esses documentos, que os cinco beneficiários tenham trabalhado especificamente como os montanhistas previstos na justificativa original.
WELLINGTON TAMBÉM DESTINOU MILHÕES PARA MATO GROSSO
A análise completa das emendas de 2023 mostra, entretanto, que seria incorreto sugerir que Wellington deixou Mato Grosso sem recursos naquele orçamento.
A proposta para a Antártica foi uma entre cinco emendas apresentadas pelo senador naquele ano.
Na fase de aprovação pelo Congresso, as cinco somavam R$ 19,7 milhões. Depois da recomposição das emendas individuais e das alterações ocorridas durante a execução, o valor atualizado dos cinco códigos chegou a R$ 59 milhões.
Além dos R$ 599.128 relacionados à Antártica, os registros apresentados apontam R$ 898.648 para ciência e tecnologia em Mato Grosso; R$ 599.128 para a Associação das Pioneiras Sociais, responsável pela Rede Sarah; R$ 28 milhões para desenvolvimento regional, em programação que resultou na ponte sobre o Rio Teles Pires, em Itaúba; e R$ 28,9 milhões para custeio de serviços hospitalares e ambulatoriais do SUS em Mato Grosso.
Portanto, a controvérsia não está na ausência absoluta de recursos destinados pelo senador ao Estado, mas na decisão de reservar uma de suas emendas para uma atividade desenvolvida na Antártica e na diferença ainda não esclarecida entre os R$ 200 mil aprovados originalmente e os R$ 599,1 mil registrados na execução.
DESTINAÇÃO ENTRA NO DEBATE ELEITORAL
A discussão ganha peso político porque Wellington disputa o Governo de Mato Grosso e apresenta ao eleitorado suas propostas e prioridades para administrar o Estado.
Emendas parlamentares são uma das ferramentas que deputados e senadores possuem para interferir na destinação de recursos do Orçamento da União. Por isso, as escolhas feitas ao longo do mandato também funcionam como parâmetro para avaliar prioridades políticas.
No caso da Antártica, há uma finalidade pública concreta: dar suporte à pesquisa científica brasileira e segurança às equipes que trabalham em um dos ambientes mais hostis do planeta.
Mas permanece uma pergunta sobre a execução financeira: como uma emenda aprovada inicialmente por R$ 200 mil terminou com R$ 599.128 vinculados ao seu código?
A documentação apresentada até agora não responde integralmente à questão.
Para concluir a apuração, será necessário identificar o ato orçamentário responsável pelo acréscimo de R$ 399.128, detalhar os serviços efetivamente pagos e confirmar a função desempenhada pelos profissionais que aparecem entre os beneficiários dos empenhos.
Esse é o ponto que transforma uma destinação curiosa dinheiro indicado por um senador de Mato Grosso para uma operação na Antártica em um caso que ainda merece explicações documentais.
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