BASTIDORES ELEIÇÕES 2026

Áudio sobre STF e ligação com Alcolumbre ampliam desgaste de Medeiros e voto bolsonarista raiz começa a migrar para Galvan e Mauro Mendes

Tracking eleitoral que circula nos bastidores neste domingo (20) aponta forte repercussão do áudio envolvendo o candidato do PL; Galvan estaria absorvendo parte do eleitor bolsonarista mais conservador, enquanto Mauro Mendes mantém força entre eleitores de direita

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A repercussão do áudio em que José Medeiros (PL) afirma ao prefeito de Diamantino, Chico Mendes, irmão do ministro Gilmar Mendes, que evita ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) começa a produzir reflexos nos bastidores da disputa pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso.

A gravação foi revelada neste domingo (20) pelo jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles. No áudio, Medeiros afirma que orientou sua equipe de marketing a retirar referências ao STF dos conteúdos de campanha. O candidato ressalva que mantém críticas específicas ao ministro Alexandre de Moraes.

Segundo informações de um tracking eleitoral que circulou nos bastidores ao meio-dia desta segunda-feira (21), a repercussão inicial do áudio teria provocado impacto significativo justamente entre eleitores identificados com o bolsonarismo mais conservador.

De acordo com as informações desse acompanhamento, parte dos eleitores que vinha indicando voto em Medeiros estaria reconsiderando sua escolha e migrando principalmente para Antônio Galvan (Avante) e, em outra parcela, para o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil).

Por se tratar de tracking interno, sem divulgação pública de metodologia, amostra, margem de erro e números completos, o levantamento deve ser tratado como um indicador de bastidores, e não como pesquisa eleitoral registrada capaz de quantificar publicamente essa movimentação.

GALVAN PODE ABSORVER O “BOLSONARISTA RAIZ”

O movimento chama atenção especialmente no caso de Antônio Galvan.

Galvan possui identificação com setores mais conservadores do bolsonarismo e aparece, nesse cenário de bastidores, como possível destino de parte do chamado voto “bolsonarista raiz” que demonstra insatisfação com Medeiros.

A gravação envolvendo o irmão de Gilmar Mendes atingiu um ponto sensível justamente porque Medeiros construiu parcela de sua trajetória política apresentando-se como integrante do campo bolsonarista.

No áudio, divulgado pelo Metrópoles às 12h51 deste domingo, Medeiros afirma que não ataca institucionalmente o STF e relata ter determinado ao marketing de sua campanha que retirasse referências à Corte dos materiais eleitorais. O próprio parlamentar confirmou a autenticidade da conversa.

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O desgaste se soma às cobranças que Medeiros já vinha enfrentando sobre sua relação política com Davi Alcolumbre, presidente do Senado e responsável por decidir sobre o encaminhamento de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

A combinação desses dois fatores a ligação política com Alcolumbre e agora o áudio em que Medeiros afirma evitar ataques ao STF  passou a alimentar questionamentos entre setores conservadores.

MAURO JÁ CONCENTRA PARTE DO PRIMEIRO VOTO

Mauro Mendes surge no tracking em uma condição diferente.

O ex-governador já lidera a disputa pelo Senado e possui presença consolidada entre diferentes segmentos do eleitorado, inclusive na direita.

Dentro da leitura feita nos bastidores, Mauro já concentra parcela importante do primeiro voto de eleitores identificados com a direita e com o bolsonarismo em Mato Grosso. Assim, parte dos eleitores que eventualmente abandonem Medeiros poderia escolher Mauro para uma das duas vagas ao Senado.

Dados públicos anteriores ajudam a mostrar essa força no primeiro voto. Na pesquisa MT Dados realizada em julho, Mauro aparecia com 35% das intenções de primeiro voto, contra 12% de Medeiros e 2% de Galvan. O levantamento, naturalmente, é anterior ao episódio atual e não permite identificar especificamente o comportamento do eleitor bolsonarista.

Na pesquisa Paraná Pesquisas mais recente, realizada entre 15 e 17 de setembro e divulgada na sexta-feira (18), Mauro Mendes registrou 52,3% no cenário geral para o Senado. Medeiros apareceu com 23,1% e Galvan, com 3,6%.

Esses números também foram coletados antes da divulgação do áudio e, portanto, ainda não captam eventual reação eleitoral à gravação.

ÁUDIO PODE MEXER COM A SEGUNDA VAGA

É justamente por isso que o tracking de hoje ganhou atenção nos bastidores.

Caso a tendência apontada pelo acompanhamento interno seja confirmada pelas próximas pesquisas registradas, o impacto pode aparecer principalmente na disputa pela segunda cadeira do Senado.

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Mauro ocupa posição mais confortável na corrida, enquanto Medeiros disputa espaço com outros candidatos pela segunda vaga. Nesse cenário, mesmo uma movimentação localizada dentro do eleitorado conservador pode alterar a dinâmica dessa disputa.

Galvan, embora apareça com percentual menor nas pesquisas públicas, pode encontrar no desgaste de Medeiros uma oportunidade para crescer justamente dentro do segmento eleitoral com o qual possui maior identidade política.

Para Medeiros, o problema é inverso: a controvérsia atinge justamente um eleitorado fundamental para sua candidatura.

O áudio sobre o STF não chega sozinho. Ele se soma à discussão sobre a proximidade de Medeiros com Davi Alcolumbre e coloca novamente sob escrutínio sua relação com algumas das principais bandeiras defendidas pela ala mais conservadora do bolsonarismo.

PRÓXIMAS PESQUISAS SERÃO DECISIVAS

A dimensão real dessa movimentação deverá ser conhecida quando forem divulgados levantamentos registrados realizados depois da repercussão do áudio.

O tracking de hoje 21/09 aponta um primeiro sinal: o desgaste estaria provocando movimentação dentro do voto bolsonarista, com Galvan aparecendo como alternativa para o eleitor mais conservador e Mauro Mendes absorvendo outra parcela desse eleitorado.

Se essa tendência se mantiver, a disputa pelo voto de direita poderá ganhar uma nova configuração nos últimos dias da campanha.

Para Medeiros, a preocupação passa a ser impedir que o desgaste provocado pelo áudio e pelas cobranças sobre sua relação com Alcolumbre se transforme em perda permanente de sua base. Para Galvan, abre-se uma oportunidade de avançar sobre o “bolsonarista raiz”. E Mauro, que já lidera a corrida, pode ampliar ainda mais sua presença entre os eleitores conservadores.

Na reta final, o voto bolsonarista entrou definitivamente em disputa e o próximo levantamento público realizado após a divulgação do áudio poderá mostrar se a movimentação captada nos bastidores neste domingo se consolidou no eleitorado.

Propaganda

POLÍTICA MT

MP Eleitoral registra 431 manifestações sobre propaganda irregular em MT

Balanço reúne ocorrências analisadas durante o primeiro mês de fiscalização das Eleições 2026 no estado

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O Ministério Público Eleitoral contabilizou 431 manifestações relacionadas à propaganda eleitoral irregular em Mato Grosso durante o primeiro mês de fiscalização das Eleições 2026. O levantamento considera o período entre 15 de agosto e 15 de setembro.

As manifestações incluem análises de representações, reclamações, pedidos de resposta e apurações envolvendo possíveis irregularidades na divulgação de propaganda eleitoral. A fiscalização ocorre tanto em meios tradicionais quanto no ambiente digital, incluindo redes sociais. 

Além dos procedimentos relacionados especificamente à propaganda, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) registrou outras 1.295 manifestações sobre diferentes assuntos eleitorais. Somados os dados, o MP Eleitoral chegou a 1.726 manifestações em Mato Grosso durante o período analisado. 

Segundo o procurador regional Eleitoral em Mato Grosso, Fabrizio Predebon da Silva, a rapidez na análise das demandas é importante para evitar que eventuais práticas irregulares produzam efeitos durante a campanha. A atuação também inclui ações preventivas e orientações sobre condutas permitidas e proibidas pela legislação eleitoral. 

O MP Eleitoral também destaca a participação da população na fiscalização. Eventuais irregularidades podem ser comunicadas por meio do aplicativo Pardal ou pelos canais de atendimento do Ministério Público Federal. 

Propaganda eleitoral gratuita

Com a proximidade do primeiro turno, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) também reforçou aos partidos e federações a necessidade de manter atualizadas as informações sobre a distribuição do tempo da propaganda eleitoral gratuita destinada às candidaturas proporcionais.

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A orientação envolve as regras referentes às cotas destinadas a mulheres, pessoas negras e pessoas indígenas. Conforme informado pelo TRE-MT, os dados devem ser atualizados semanalmente no sistema HEG-Mídias. 

No ciclo encerrado em 17 de setembro, apenas um partido havia registrado no sistema informações indicando o cumprimento integral das cotas. Caso seja comprovado que os percentuais não foram alcançados em determinado ciclo, o tempo faltante deverá ser compensado posteriormente, conforme as regras eleitorais. 

FISCALIZAÇÃO ELEITORAL

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Propaganda eleitoral gratuita

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