POLICIAL
Força Tática prende homem por tráfico de drogas e captura foragido da Justiça em Cuiabá
Policiais militares da Força Tática do 1º Comando Regional prenderam um homem por tráfico de drogas e capturaram um foragido da Justiça, neste domingo (23.06), em Cuiabá. Na ação, foram apreendidas porções de substância análoga à maconha e pasta base de cocaína.
Durante patrulhamento pelo bairro Residencial Coxipó, populares abordaram a equipe da Força Tática e denunciaram uma boca de fumo localizada na região. De acordo com a denúncia, o local era frequentado por diversos usuários de drogas, que costumavam realizar festas até tarde da noite.
Os militares foram ao endereço e encontraram o suspeito de 24 anos, que tentou fugir ao ver os policiais. O criminoso entrou em uma casa e resistiu à abordagem policial, sendo necessário ser algemado. Com ele, os policiais localizaram duas porções de maconha.
Questionado sobre as drogas, afirmou que na casa havia mais entorpecentes escondidos no guarda-roupa e na geladeira. Os policiais realizaram buscas nos locais e apreenderam porções grandes de maconha e outras porções de pasta base. Também foram apreendidas uma balança de precisão, máquina de cartão e materiais para embalagem das drogas.
Ainda na mesma região, os militares realizaram abordagens e checagens a outros indivíduos e identificaram que um homem de 42 anos estava com um mandado de prisão em aberto pelo crime de tráfico de drogas, expedido pela 13ª Vara Criminal de Cuiabá em novembro de 2023. O suspeito não resistiu à abordagem policial e recebeu voz de prisão em flagrante.
Diante da situação, o suspeito por tráfico de drogas foi conduzido para a Central de Flagrantes da Capital, enquanto o foragido da Justiça foi encaminhado para a delegacia de Polinter. Em ambos os casos foram registrados os boletins de ocorrência, ficando os suspeitos à disposição da Polícia Judiciária Civil.
Disque-denúncia
A sociedade pode contribuir com as ações da Polícia Militar de qualquer cidade do Estado, sem precisar se identificar, por meio do 190, ou disque-denúncia 0800.065.3939.
Fonte: PM MT – MT
POLICIAL
Relatório da Polícia Civil cita Adelcino Lopo em suspeitas de favorecimento em contratos públicos
Mensagens extraídas de celular apreendido mencionam ordem atribuída ao ex-prefeito, tratativas antes de licitação, doações, eventos e pagamentos a pessoas ligadas a agentes públicos; documento, porém, não apresenta mensagem direta de Adelcino nem prova conclusiva de recebimento de valores por ele
Um relatório técnico parcial da Polícia Civil de Mato Grosso coloca o nome do ex-prefeito de Pontal do Araguaia Adelcino Lopo no centro de diálogos investigados sobre contratações públicas, eventos e relações entre empresários e integrantes da administração municipal.
O material integra o Inquérito Policial nº 63.4.2025.1676, que deu origem à Ação Penal nº 1007521-13.2025.8.11.0004. A análise foi realizada a partir do celular do empresário Renan Carlos Rodrigues da Silva, representante da GR Produções & Eventos.
As referências a Adelcino aparecem em relatos de terceiros reproduzidos nas conversas analisadas pela Polícia Civil. O próprio documento ressalta, contudo, que os trechos examinados não trazem mensagem enviada diretamente pelo ex-prefeito que, isoladamente, comprove recebimento de valores ou eventual participação em irregularidades.
“FOI A MANDO DE ADELCINO”
Uma das passagens de maior impacto consta de conversa de 15 de junho de 2023 entre Renan e Raulflis Oliveira Mello, então secretário municipal de Comércio, Indústria e Turismo e de Esportes de Pontal do Araguaia.
A discussão envolvia a contratação de tendas. Renan reclamava que sua empresa, embora vencedora de item em ata de registro de preços, estaria sendo preterida quando apareciam contratos considerados mais vantajosos.
Segundo a transcrição reproduzida no relatório, Raulflis teria dito que procurou outro empresário por determinação atribuída ao então prefeito:
“O Adelcino falou: ‘conversa com o Denir e pede um desconto lá pra ele na estrutura’.”
Ainda conforme o documento, Raulflis relatou que o empresário teria se oferecido para doar tendas diante da alegação de falta de recursos públicos. A conversa menciona ainda que Adelcino teria solicitado uma declaração formal da doação.
Para os investigadores, a hipótese a ser apurada é se eventuais doações poderiam ter sido utilizadas para preservar preferência da administração em futuras contratações. O próprio material pondera que a existência de uma doação, por si só, não comprova crime e exige confronto com documentos administrativos e registros de entrega.
LICITAÇÃO É CITADA EM CONVERSAS ANTERIORES À PUBLICAÇÃO
Outra frente do relatório envolve Alessandro dos Santos Oliveira, apontado no documento como então secretário de Desenvolvimento Econômico e pregoeiro da Prefeitura.
De acordo com o material, mensagens indicariam que informações sobre um pregão teriam sido discutidas com Renan antecipadamente. Em uma das conversas, Alessandro teria informado que organizaria um pregão municipal e solicitado três orçamentos. O empresário teria respondido que o importante seria “ganhar o papel”.
O relatório também menciona o envio de documentos relacionados à licitação e a solicitação de uma planilha com valores de referência para inserir “o seu preço”.
Na avaliação registrada pelos investigadores, os diálogos levantam a hipótese de acesso privilegiado a informações e possível direcionamento da participação de uma empresa. A confirmação, entretanto, depende da comparação das mensagens com o processo licitatório oficial e os documentos apresentados pelos demais concorrentes.
“O PREFEITO QUERIA O SHOW”
Adelcino volta a ser mencionado em conversas relacionadas a um evento na praia e a uma apresentação musical que, segundo o relatório, ocorreria em uma fazenda atribuída ao então prefeito.
Conforme a transcrição, Alessandro teria dito a Renan que “o prefeito queria o show” e sugerido que a apresentação fosse realizada gratuitamente. O argumento seria que a iniciativa poderia favorecer o empresário em eventos posteriores.
A Polícia Civil registra como hipótese a existência de uma possível troca de favores, envolvendo uma vantagem privada associada a futuras contratações públicas.
O relatório, entretanto, não apresenta nos trechos reproduzidos confirmação independente de que Adelcino tenha solicitado pessoalmente a apresentação gratuita. A afirmação é atribuída a Alessandro nas conversas analisadas.
REUNIÃO NA PREFEITURA
Em outra passagem, datada de 18 de junho de 2023, Renan teria informado a Alessandro que havia sido chamado por Adelcino para comparecer à Prefeitura.
Segundo o relatório, Renan afirmou acreditar que o então prefeito ainda o manteria “no esquema”.
O trecho é tratado pelos investigadores como elemento que pode indicar a percepção do empresário de que Adelcino exerceria influência sobre as negociações. Não consta, porém, nas imagens apresentadas, o resultado da reunião nem confirmação independente sobre o conteúdo do encontro.
RELATÓRIO MENCIONA R$ 54 MIL E OUTROS PAGAMENTOS
O documento traz ainda uma conversa na qual Renan afirma ter entregue R$ 54 mil a Elcio Mendes, descrito como pessoa ligada à organização de eventos e à administração municipal. O empresário teria classificado o valor como “limpinho” e relatado que Elcio estaria cobrando mais dinheiro.
Em outra parte da investigação, aparecem pagamentos destinados a pessoas ligadas aos interlocutores públicos.
O relatório cita uma nota fiscal de R$ 4.467, relativa à locação de tendas, e registra, segundo a hipótese investigativa, R$ 3 mil destinados a um prestador chamado Diogo; R$ 1,1 mil transferidos a Karol Anne Wonda Lopes Martins, apontada como esposa de Raulflis; e R$ 367 que poderiam ter permanecido com Renan.
Também são mencionados R$ 400 transferidos a Marisa Martins Silva Oliveira, identificada no relatório como esposa de Alessandro, além de R$ 2 mil destinados a uma empresa registrada em nome de Maria Aparecida dos Santos, apontada pela investigação como mãe de Alessandro.
CONVERSA TAMBÉM MENCIONA “PROPINA”
O material relata ainda um período de conflito entre Renan e Raulflis. Segundo o documento, em dezembro de 2023, Renan teria ameaçado apresentar denúncias ao Ministério Público e divulgar informações nas redes sociais.
Em uma gravação transcrita no relatório, Renan acusa o então secretário de ter recebido propina e afirma: “eu já paguei propina para o Raulfe”.
A declaração integra o material investigativo e, isoladamente, não equivale a uma conclusão judicial de que o pagamento ilícito efetivamente ocorreu.
O QUE O RELATÓRIO ATRIBUI A ADELCINO
As menções ao ex-prefeito são agrupadas, no próprio material apresentado, em quatro pontos principais: a negociação de tendas que teria ocorrido “a mando de Adelcino”; a informação levada ao então prefeito sobre uma possível doação; o relato de que “o prefeito queria o show”; e a convocação de Renan para uma reunião na Prefeitura.
Até o ponto documentado nas imagens, a conexão de Adelcino com os pagamentos aparece de maneira indireta, por meio de relatos de outros interlocutores.
O relatório é relevante porque organiza mensagens, conversas, documentos, notas fiscais e comprovantes de pagamento e fornece elementos para o aprofundamento das investigações. Isso não significa, por si só, que as hipóteses levantadas estejam definitivamente comprovadas.
INVESTIGAÇÃO AINDA EXIGE COMPROVAÇÃO
O conjunto descrito pela Polícia Civil apresenta, em tese, um ambiente em que fornecedores e agentes públicos discutiam licitações, eventos, doações, pagamentos e possíveis preferências comerciais.
No caso específico de Adelcino Lopo, o material aponta suspeitas sobre eventual conhecimento ou influência em determinadas contratações e eventos, mas não apresenta, nos trechos fornecidos, prova direta de que ele tenha recebido valores.
A confirmação ou o afastamento das suspeitas dependerá do conjunto integral das provas, da manifestação das pessoas citadas, dos documentos administrativos, das perícias e das decisões das autoridades responsáveis pelo caso.
Todos os mencionados devem ser tratados como investigados, citados ou pessoas referidas no material — conforme a situação individual de cada um —, sem antecipação de culpa. A responsabilização criminal somente pode ser estabelecida mediante o devido processo legal e decisão judicial.
A Folha de Mato Grosso deixa espaço aberto para Adelcino Lopo, Renan Rodrigues, Raulflis Mello, Alessandro Oliveira, Elcio Mendes, Adenir Pinto e demais pessoas mencionadas apresentarem suas versões. Caso haja manifestação, ela deverá ser incorporada à reportagem.
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