NACIONAL
Reunião de ministros do Turismo do BRICS termina com aprovação da Declaração do Cerrado
Em um passo importante para a cooperação internacional no setor turístico, o ministro Celso Sabino liderou na tarde desta segunda-feira (12/05), a reunião de ministros do Turismo do BRICS, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O evento foi marcado pela aprovação da Declaração do Cerrado, documento que reforça o compromisso do grupo com o turismo sustentável, regenerativo e inclusivo. A opção pelo nome teve como objetivo homenagear o Cerrado, vegetação típica de Brasília e o segundo maior bioma da América do Sul.
Durante a reunião, Sabino destacou o papel estratégico do turismo como força motriz para o desenvolvimento econômico, social e ambiental dos países do bloco. “Estamos aqui dando mais um firme passo nesse propósito, em consonância com o multilateralismo tão defendido pelo nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Declaração do Cerrado é um marco na história do turismo global. Os países que fazem parte do BRICS formam a maior economia, o maior mercado consumidor e o maior grupo de turistas. Esse documento define como os nossos países devem direcionar suas ações no turismo”, afirmou o ministro.
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, também reforçou a visão brasileira para o setor. “Reafirmamos nosso compromisso com um novo paradigma de desenvolvimento, no qual o turismo assume um papel central como vetor de inclusão e sustentabilidade. Acreditamos firmemente que fortalecer a integração regional e a cooperação entre os países do Sul Global é uma tarefa histórica. O Brasil vê no turismo um caminho para aproximar nações”, declarou.
Ainda durante o evento, o ministro anunciou que a COP30, que será realizada em Belém do Pará, em novembro, deverá reservar um dia específico para discutir o turismo sustentável e seu papel no enfrentamento da degradação ambiental e das mudanças climáticas. “Esse será, inclusive, o foco central da COP30 – a Conferência Mundial do Clima – que teremos a honra de sediar em Belém. Desde já, convido todos a estarem presentes nesse momento histórico”, destacou.
DECLARAÇÃO DO CERRADO – O documento consolida os avanços discutidos nas reuniões do Grupo de Trabalho e estabelece três eixos estratégicos para a cooperação internacional no setor:
• Desenvolvimento do turismo regional: Reconhece o turismo regional como prioridade estratégica para o BRICS. O relatório sobre o tema destaca seis áreas-chave: infraestrutura, diversificação da oferta, qualificação profissional, parcerias público-privadas, financiamento e promoção conjunta dos destinos. Entre as principais recomendações estão o fortalecimento da conectividade aérea regional e a realização de campanhas integradas de marketing.
• Turismo sustentável, resiliente e regenerativo: Posiciona o turismo como um motor de desenvolvimento econômico, social e ambiental. Aborda temas como políticas públicas, resiliência a crises, participação comunitária e alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Propõe, ainda, a criação de uma plataforma conjunta para monitorar e compartilhar boas práticas, fortalecer a capacidade de adaptação do setor e promover transições justas. A cooperação entre os países do BRICS é vista como essencial para garantir a sustentabilidade e a resiliência do turismo frente a desafios como as mudanças climáticas e a instabilidade global.
• Atração de nômades digitais: Também reconhece o potencial desse público como vetor de inovação e inclusão. Recomenda medidas para facilitar vistos, ampliar a conectividade digital, melhorar a infraestrutura e desenvolver ações promocionais conjuntas, aproveitando o crescimento do trabalho remoto como oportunidade para impulsionar o turismo e o desenvolvimento local.
BRICS – Sob a presidência brasileira, o BRICS – que neste ano adotou o lema “Fortalecer a Cooperação do Sul Global por uma Governança mais Inclusiva e Sustentável” – buscou consolidar o turismo como uma das prioridades da agenda global e reforçar o papel estratégico do setor.
O grupo, formado por 11 países (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã), promove a cooperação entre nações do Sul Global em diversas áreas estratégicas.
Por Lívia Albernaz
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
NACIONAL
Como escolas e famílias formam novos leitores
A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho.
Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância.
A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura.
Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo.
“Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso”.
As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância – e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças.
“Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas – hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês –, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”.
A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo.
“Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar”.
Cooperação – Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida.
Instituída pela Portaria nº 540/2026, a comunidade reúne gestores públicos indicados pelos municípios, estados e Distrito Federal em uma rede de cooperação federativa. A iniciativa busca fortalecer as capacidades institucionais dos entes para planejar, executar, monitorar e avaliar políticas públicas destinadas a bebês e crianças de até seis anos, além de promover a troca de experiências, a difusão de conhecimentos técnicos e o aprimoramento contínuo das ações voltadas à primeira infância.
A comunidade está estruturada em dois eixos. O primeiro, Pactuação e Articulação Federativa, prevê oficinas, encontros técnicos e seminários para discutir iniciativas, projetos e programas voltados à primeira infância e incentivo à cooperação entre os entes federativos. Já o eixo Desenvolvimento de Capacidades Institucionais contempla a criação de instrumentos de gestão, protocolos, sistemas de informação, monitoramento e avaliação, além da oferta de ações formativas voltadas ao fortalecimento das capacidades individuais e coletivas da gestão pública.
As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas. Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação
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