NACIONAL

Portos de pequeno porte, mas de grande importância social

As Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4) – popularmente chamadas de “portinhos” pelas comunidades ribeirinhas – estão transformando o dia a dia de milhares de famílias, levando saúde, educação, segurança e desenvolvimento às margens dos rios.

Durante muito tempo, quem vivia em comunidades isoladas da Amazônia dependia de embarcações para quase todas as atividades: de chegar ao médico a comercializar a produção local. No entanto, essas viagens começavam e terminavam em barrancos improvisados, sem estrutura ou segurança.

Foi para preencher essa lacuna que, em 2013, o governo federal criou a categoria das Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4), destinadas a municípios às margens de rios, que dependem exclusivamente do transporte hidroviário. A Lei 12.815, de 2013, incluiu as IP4 no ordenamento portuário brasileiro, estabelecendo requisitos de eficiência, segurança, interesse público, conforto e respeito ao meio ambiente para esses terminais fluviais.

Como surgiu

A iniciativa nasceu da constatação de um vazio de infraestrutura logística na região Norte. Antes dos pequenos portos, comunidades inteiras enfrentavam dificuldades para acessar serviços básicos ou comercializar seus produtos por falta de portos estruturados. Agora, passados mais de dez anos, a ideia se consolidou: mais de 80 portos fluviais foram implantados na Amazônia, em estados como Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima.

Construídos e mantidos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em parceria com o então Ministério dos Transportes – hoje com o Ministério de Portos e Aeroportos – esses pequenos portos vêm ajudando a resgatar a dignidade de comunidades tradicionais.

Integração e qualidade de vida

Em vastas regiões da Amazônia, sem estradas e com poucos aeroportos, o porto fluvial comunitário torna-se o coração da cidade: ali chegam mercadorias, partem alunos para escolas, desembarcam visitantes e ocorrem até eventos culturais.

Dona Joelma (com a neta) acompanhada da família
Dona Joelma (com a neta) acompanhada da família

Para a dona de casa, com formação em gestão ambiental, Joelma Maia, que acompanha a filha em tratamento contra o câncer em Manaus, isso representa mais segurança para quem depende do porto para se deslocar entre os municípios. Segundo ela, antes as condições eram precárias. “Nós tínhamos que embarcar e desembarcar em um local improvisado, inadequado, sem nenhuma estrutura, pegando chuva e atravessando na lama, correndo o risco de escorregar e sofrer acidentes ao acessar a embarcação. Se essa situação já era perigosa para qualquer cidadão, imagine para quem tem uma enfermidade ou idade avançada. Agora, com o porto de Parintins funcionando, e equipamentos seguros, podemos transitar com tranquilidade nos espaços”, celebra.

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Falando em saúde, esses portos permitem que barcos-hospital e equipes médicas cheguem a locais antes isolados, assim como facilitam a remoção de pacientes para centros maiores, em casos de emergência. Medicamentos e suprimentos hospitalares agora desembarcam em estruturas adequadas, agilizando atendimentos.

Na educação, crianças e jovens que vivem em comunidades ribeirinhas têm um ponto de apoio seguro para pegar o barco-escola rumo às salas de aula nas cidades próximas. Professores itinerantes também usam os portos fluviais para levar conhecimento a vilarejos distantes.

Desenvolvimento econômico

Com um ponto fixo de atracação, comerciantes e agricultores conseguem escoar sua produção de farinha, açaí, peixe e artesanato com mais facilidade. Muitos desses terminais portuários contam com pequenos armazéns e até fábrica de gelo e câmaras frigoríficas, o que evita a perda de pescado e de alimentos perecíveis.

Do ponto de vista do turismo, regiões antes inacessíveis agora recebem visitantes interessados em vivenciar a Amazônia autêntica. Os IP4 impulsionam o turismo de base comunitária, pois viabilizam escalas de barcos regionais e até cruzeiros fluviais de pequeno porte, gerando renda extra para famílias ribeirinhas que passam a oferecer serviços como hospedagem domiciliar, gastronomia típica e como guias ambientais.

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Segurança e cidadania

Um dos maiores ganhos trazidos pelas IP4 é que esses terminais integram os rincões da Amazônia à malha de transporte nacional. Onde antes a incerteza reinava – Será que o barco consegue encostar? Vai atrasar por causa da maré? – hoje há calendário e linhas regulares atendendo a população.

E com essa iniciativa entra em ação a Marinha do Brasil, cujo papel é a fiscalização, segurança, salvaguarda da vida e do meio ambiente. Com instalações planejadas e sinalizadas, os portos fluviais reduziram drasticamente o número de acidentes durante embarques e desembarques. Rampas antiderrapantes, iluminação adequada e pessoal treinado oferecem condições dignas para as pessoas, protegendo principalmente idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida.

O papel do MPor

Toda essa transformação social é fruto de planejamento público e parceria entre órgãos federais, estaduais e comunidades. Antes, o Ministério da Infraestrutura e, a partir de 2023, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) lidera a expansão e manutenção dessa iniciativa.

Dentro da estrutura do MPor, foi criada em 2024 a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN); um marco institucional que reforça o compromisso governamental com o transporte aquaviário. Cabe à SNHN gerir, coordenar e supervisionar políticas para o setor hidroviário, incluindo as IP4.

Diante do sucesso alcançado na Amazônia, o governo federal planeja levar o modelo das IP4 para outras regiões do país. Uma das frentes já anunciadas é o projeto de revitalização da Hidrovia do Rio São Francisco, que atravessa parte do Sudeste e Nordeste. Nessa iniciativa, está prevista a construção de 17 pequenos portos públicos ao longo do “Velho Chico”, distribuídos entre Bahia, Pernambuco e Alagoas.

Nas águas da Amazônia, refletem-se agora histórias de transformação e cidadania; histórias de um Brasil que aprendeu a enxergar nos rios um caminho vivo de integração e prosperidade.

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

Fonte: Portos e Aeroportos

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NACIONAL

Viaje por São Miguel das Missões (RS), um encontro com a história do Brasil

Entre igrejas de pedra, esculturas sacras e vestígios de construções que atravessaram séculos, São Miguel das Missões (RS) preserva um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil. Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 1983, o local guarda as ruínas do antigo povoado de São Miguel Arcanjo, criado por missionários jesuítas e indígenas guaranis durante o período colonial.

Instalado entre os séculos 17 e 18, no território que hoje corresponde ao Brasil e à Argentina, o sítio integra um conjunto de antigas missões. Essas comunidades foram criadas pelos jesuítas para catequizar os povos guaranis, mas também funcionavam como centros de moradia, agricultura, educação, música, arte e produção artesanal.

Com o fim das missões, parte das construções foi abandonada e as ruínas preservadas hoje ajudam a contar essa história.

Reconhecimento

A Unesco reconheceu São Miguel das Missões por preservar o mais importante conjunto preservado das Missões Jesuítico-Guaranis no Brasil. As ruínas da Igreja de São Miguel Arcanjo, da praça central e de outras estruturas do antigo povoado ajudam a compreender como viviam indígenas guaranis e missionários jesuítas entre os séculos 17 e 18.

O sítio brasileiro integra um Patrimônio Mundial compartilhado com quatro antigas missões na Argentina, formando um dos mais importantes conjuntos históricos da América do Sul.

O que fazer

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Entre os principais atrativos estão:

  • Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo: principal atração da cidade, reúne as ruínas da antiga igreja, da torre e de construções que faziam parte do povoado missioneiro.

  • Museu das Missões: apresenta imagens sacras, esculturas e objetos produzidos nas antigas missões, além de ajudar o visitante a entender a organização desses povoados.

  • Espetáculo Som e Luz: realizado à noite, usa iluminação e narração para contar a história das Missões Jesuítico-Guaranis.

  • Praça das Missões: em frente às ruínas, oferece uma das principais vistas do conjunto histórico.

  • Artesanato missioneiro: produzido por artesãos da região, reúne peças inspiradas na cultura guarani e na história das missões.

Quem estiver de carro pode aproveitar a viagem para conhecer outros destinos da Rota das Missões, como Santo Ângelo, São João Batista e o Santuário do Caaró, que ajudam a compreender a história da presença jesuítica no Sul do Brasil.

Quando visitar

São Miguel das Missões pode ser visitada durante todo o ano. Entre outubro e maio, as temperaturas são mais altas e favorecem os passeios ao ar livre.

Entre os principais eventos estão:

  • Espetáculo Som e Luz: realizado regularmente junto às ruínas.

  • Réveillon nas Missões: com apresentações culturais.

  • Semana Nacional dos Museus: com programação especial no Museu das Missões.

  • Semana Farroupilha: celebrada em setembro, com atividades culturais em toda a região.

  • Celebrações religiosas e eventos ligados à cultura missioneira: ao longo de todo o ano.

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Como chegar

São Miguel das Missões está localizada na Região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul. O acesso mais rápido é pelo Aeroporto Regional Sepé Tiaraju, em Santo Ângelo, a cerca de 50 quilômetros do município. A partir dali o trajeto pode ser feito de carro, ônibus ou traslado.

Também é possível chegar pelo Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Nesse caso, a viagem até São Miguel das Missões é feita por rodovia, em um percurso de aproximadamente 480 quilômetros.

Para quem viaja de carro, o principal acesso é pela BR-285, que liga a cidade a municípios da Região das Missões e a outras rodovias do estado.

Patrimônio Mundial

A Lista do Patrimônio Mundial reúne locais reconhecidos pela Unesco por sua importância cultural, natural ou histórica para a humanidade. Os bens inscritos são considerados de valor universal excepcional e passam a integrar uma relação internacional de patrimônios, cuja preservação é de interesse mundial.

O Brasil possui atualmente 26 bens inscritos na lista, distribuídos entre as categorias Cultural, Natural e Mista.

Por Natália Moraes
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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