ESCÂNDALO BANCO MASTER
André Mendonça abre sigilo e PF expõe mensagens entre Vorcaro e Moraes sobre operação; banqueiro perguntou se deveria deixar o Brasil – veja documentos da PF
Decisão do ministro do STF tornou públicos elementos da investigação sobre a relação entre os dois; material reúne mensagens sobre medidas contra o Banco Master, referências a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues e contrato milionário com escritório ligado à família de Moraes
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de retirar o sigilo de elementos da investigação envolvendo o Banco Master trouxe a público novos detalhes sobre a relação e as comunicações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes.
O material revelado joga luz sobre mensagens nas quais o empresário demonstra preocupação com o avanço das investigações e das medidas judiciais contra o banco, além de trazer referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, ligado à família do ministro.
Com a abertura do sigilo determinada por André Mendonça, documentos e registros que estavam restritos à investigação passaram a alimentar o debate público sobre a extensão dos contatos mantidos por Vorcaro e Moraes e, principalmente, sobre aquilo que o banqueiro sabia a respeito das medidas que estavam sendo preparadas contra ele.
É importante destacar que o conteúdo integra material investigativo e que as interpretações apresentadas pela Polícia Federal não equivalem, por si só, a uma conclusão judicial de que houve prática criminosa por parte das pessoas mencionadas.
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Um dos episódios que mais chama atenção teria ocorrido em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da primeira prisão de Vorcaro.
Segundo o material divulgado, o banqueiro teria enviado uma mensagem ao ministro na qual demonstrava preocupação com o avanço das medidas.
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”, teria perguntado Vorcaro.
O conteúdo apresentado também registra questionamentos sobre um juiz chamado Ricardo e sobre Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
Segundo investigadores, o conteúdo das conversas sugere que Vorcaro buscava informações sobre o andamento inicial da Operação Compliance Zero, incluindo medidas que poderiam atingir o banqueiro e a instituição financeira.
Vorcaro teria pedido tentativa de adiamento
Outro trecho atribuído ao banqueiro menciona diretamente Andrei Rodrigues.
Na véspera de sua primeira prisão, Vorcaro teria perguntado se o diretor-geral da PF teria condições de postergar o cumprimento das medidas cautelares.
“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu o banqueiro, segundo o material divulgado.
Em outra mensagem, Vorcaro teria demonstrado preocupação com a gravidade das providências que poderiam ser adotadas e perguntado se existiria alguma possibilidade de bloqueá-las.
A sequência das mensagens passou a ser um dos pontos sensíveis da investigação porque pode ajudar a esclarecer qual era o nível de conhecimento prévio de Vorcaro sobre as medidas que estavam em preparação.
PF aponta referências a Paulo Gonet
O material tornado público também contém referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Segundo a investigação, Vorcaro não teria o contato direto de Gonet, mas aparecem registros de aproximação por intermédio de terceiros.
Em 15 de março de 2025, o advogado Ciro Soares teria encaminhado ao banqueiro uma fotografia ao lado do procurador-geral. Logo depois, escreveu: “Liga aqui” e “Ele quer falar com vc”.
Na sequência, aparecem registros de chamadas de voz entre o telefone do advogado e o banqueiro.
O material também menciona a organização de um fórum jurídico em Londres, com despesas custeadas pelo Banco Master.
Segundo a PF, uma referência a “Pedro e Ciro” em uma lista de convidados corresponderia a Pedro Gonet e Ciro Soares.
Ciro Soares negou qualquer ilegalidade, argumentando que não existe irregularidade em convidar empresários, advogados, administradores e palestrantes para seminários e ressaltando que o evento acabou não sendo realizado.
Mensagens de visualização única
Outro ponto destacado pelos investigadores é a maneira como algumas mensagens entre Vorcaro e Moraes teriam sido enviadas.
Segundo a PF, Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do celular, fazia uma captura da tela e encaminhava a imagem pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
A investigação sustenta que Moraes responderia de maneira semelhante. As conversas completas, portanto, não teriam sido recuperadas, mas determinadas anotações permaneceram disponíveis para análise.
Em uma delas, atribuída a Vorcaro, o banqueiro teria dito ser “importante reforçar” com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet uma orientação para que integrantes subordinados das instituições não fizessem, nas palavras reproduzidas no material, “uma sacanagem” com o Banco Master.
Contrato previa R$ 108 milhões
A investigação também alcança o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes.
A minuta previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões, chegando a um valor potencial de R$ 108 milhões ao longo de três anos.
Outro elemento que chamou atenção está nos metadados de uma versão do documento, que indicariam que a última modificação teria sido feita por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O escritório Barci de Moraes apresentou uma explicação para o episódio.
Segundo a manifestação divulgada, o setor de compliance teria solicitado informações a Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora do escritório, para verificar eventuais impedimentos legais relacionados à contratação do Banco Master.
O escritório sustenta ainda que não existia previsão de atuação no STF e que Moraes jamais havia julgado causa envolvendo o banco. Diante da inexistência de impedimento, segundo essa versão, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios foram prestados.
Abertura do sigilo coloca relação sob escrutínio
A decisão de André Mendonça de abrir o sigilo acrescenta uma nova dimensão ao caso, porque permite que mensagens, documentos e conclusões preliminares da investigação sejam submetidos ao escrutínio público.
O ponto central agora é esclarecer até onde chegou a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, qual era a natureza efetiva das comunicações e de que maneira o banqueiro teria tomado conhecimento de medidas que poderiam atingir o Banco Master.
A divulgação também aumenta a pressão por esclarecimentos sobre as referências a integrantes da cúpula da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.
Os documentos levantam questionamentos relevantes, mas não constituem, isoladamente, prova definitiva de interferência ilegal na investigação. Caberá às autoridades responsáveis estabelecer o contexto das mensagens, confrontar versões e determinar se houve ou não qualquer irregularidade.
Com a retirada do sigilo, o caso Banco Master ganha uma nova frente de repercussão jurídica e política e coloca sob os holofotes a relação entre Vorcaro e integrantes de algumas das instituições mais importantes da República.
Veja documentos e conversas entre o banqueiro e o ministro Alexandre Moraes

NACIONAL
Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação
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