TENSÃO EM WASHINGTON
Governo Trump faz operação na casa de deputada democrata e parlamentar denuncia intimidação política
Investigação apura possível fraude imigratória envolvendo documentos de Ilhan Omar, representante de Minnesota e crítica do presidente; democratas questionam o uso da estrutura federal contra adversários políticos
Autoridades dos Estados Unidos realizaram, na madrugada desta segunda-feira (12), uma operação na residência da deputada federal Ilhan Omar, do Partido Democrata, representante do estado de Minnesota. Segundo informações divulgadas sobre o caso, a ação está relacionada a uma investigação de suposta fraude imigratória.
Uma pessoa familiarizada com a apuração afirmou que a investigação envolve documentos de imigração da parlamentar, nascida na Somália, que teriam sido preenchidos por seu pai, já falecido, quando ela ainda era criança. As autoridades não divulgaram detalhes completos sobre as suspeitas nem sobre os elementos que motivaram a operação.
Omar é uma das críticas mais contundentes do presidente Donald Trump e afirma ser alvo de uma campanha política de perseguição. Em publicação nas redes sociais, a deputada declarou que o governo estaria utilizando sua estrutura para atingir uma adversária política.
“Há dez anos, Trump me persegue com mentiras infundadas e campanhas de difamação”, afirmou a parlamentar. Ela classificou a operação como mais um episódio de intimidação política e declarou que não pretende se calar diante das investidas contra ela.
A investigação é conduzida pelo Departamento de Justiça em conjunto com o Departamento de Segurança Interna. Tom Homan, responsável pela política de fronteiras do governo Trump, confirmou que o caso está em andamento, mas não apresentou detalhes sobre as diligências. O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, também havia indicado anteriormente que haveria desdobramentos na apuração relacionada à entrada da família de Omar nos Estados Unidos.
A operação provocou reação entre lideranças democratas. O líder do partido na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, e outros integrantes da bancada classificaram a ação como preocupante e levantaram questionamentos sobre o possível uso político dos órgãos federais.
Em manifestação conjunta, os democratas afirmaram que a atuação das autoridades na residência de uma parlamentar eleita e de sua família exige esclarecimentos e responsabilização. O governador de Minnesota, Tim Walz, também criticou a iniciativa e acusou Trump de usar o poder presidencial para perseguir adversários às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
O episódio ocorre em um momento de forte disputa política nos Estados Unidos, quando os republicanos tentam manter o controle do Congresso. Omar, de 44 anos, busca um quinto mandato de dois anos na Câmara e foi reeleita em 2024 com ampla vantagem em seu distrito eleitoral.
O caso também reacende o debate sobre a independência das investigações federais. As regras do Departamento de Justiça proíbem que procuradores e agentes conduzam ações com o objetivo de influenciar eleições ou beneficiar candidatos e partidos. Historicamente, o órgão adota cautela com medidas investigativas contra candidatos nas semanas que antecedem uma votação.
Até o momento, as informações divulgadas não estabelecem que a deputada tenha cometido fraude. A apuração segue em andamento, enquanto representantes democratas cobram transparência e questionam se a operação foi conduzida por razões estritamente legais ou se pode ter sido influenciada pelo confronto político entre Omar e Trump.
MUNDO
Trump sugere renomear Atlântico ou Pacífico como “Oceano Trump”
Presidente dos Estados Unidos voltou a defender mudanças em nomes geográficos e citou a possibilidade de homenagear a si próprio; proposta segue a linha de alterações simbólicas adotadas por seu governo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera renomear o oceano Atlântico ou o Pacífico para “Oceano Trump” ou “Oceano das Américas”. A declaração foi feita durante um comício no Tennessee, em apoio a candidatos republicanos nas eleições legislativas de meio de mandato.
Ao comentar a ideia, Trump afirmou que já havia um golfo e um lago com nomes que, segundo ele, poderiam ser alterados, e disse que agora seria necessário incluir um rio e um oceano. O presidente descartou mudar o nome do rio Hudson, em Nova York, e elogiou o navegador Henry Hudson antes de sugerir as novas denominações. A fala foi recebida com aplausos por apoiadores presentes no evento.
A declaração ocorre após mudanças promovidas pelo governo norte-americano em referências geográficas. Entre elas estão a adoção do nome “Golfo da América” para o Golfo do México e a alteração de referências ao lago Ontário, na fronteira com o Canadá, conforme a política de nomenclatura defendida pela administração Trump. Empresas de tecnologia, como Google e Apple, também passaram a refletir algumas dessas mudanças em seus serviços de mapas.
A iniciativa faz parte de uma série de ações simbólicas associadas ao segundo mandato do republicano, que tem buscado ampliar a presença de seu nome em instituições e espaços públicos. O Instituto da Paz dos Estados Unidos, por exemplo, passou a ser chamado de Instituto de Paz Donald J. Trump.
Outro caso envolve o Kennedy Center, importante instituição cultural de Washington, que chegou a ser rebatizado com a inclusão do nome de Trump, mas enfrentou contestação judicial sobre a mudança. Na Flórida, aliados do presidente também promoveram homenagens ao republicano ao renomear uma rodovia e o aeroporto de Palm Beach.
Em Washington, Trump ainda pretende associar seu nome a novos projetos, incluindo uma ala da Casa Branca em construção e um arco do triunfo que planeja erguer na capital americana.
A sugestão de renomear um dos oceanos, porém, foi apresentada como uma ideia durante o discurso, sem anúncio de uma medida oficial para alterar a denominação internacional do Atlântico ou do Pacífico.
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