EXPANSÃO EMPRESARIAL

Grupo Cometa aposta em free shop de R$ 20 milhões e planeja ampliar negócios em Mato Grosso

Empreendimento em Cáceres marca a entrada do grupo no varejo de produtos importados; empresa também prevê novas concessionárias, expansão da Box 73 e investimentos no setor pecuário.

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A entrada no mercado de lojas francas terrestres representa um novo desafio para o Grupo Cometa, que construiu sua trajetória principalmente nos setores automotivo e agropecuário. Para viabilizar o Pantanal Free Shop, em Cáceres, o empresário Francis Maris Cruz afirma que foi necessário aprender uma nova dinâmica de compras, negociação internacional e logística de mercadorias.

Diferentemente das concessionárias, nas quais as montadoras estruturam boa parte da cadeia de abastecimento, o free shop exige planejamento próprio para negociar com fornecedores, organizar pedidos e reduzir os custos de transporte. A distância de Cáceres em relação aos principais portos utilizados para a importação também é um obstáculo. Para minimizar o impacto do frete sobre os preços, a empresa pretende consolidar cargas e avaliar as alternativas de transporte mais adequadas para cada compra.

O empreendimento deve começar com mais de 40 empregos diretos, distribuídos entre áreas como vendas, caixas, estoque, administração, segurança, limpeza e gestão. A expectativa do grupo é que os efeitos econômicos ultrapassem os limites da loja, estimulando a procura por hotéis, restaurantes, transporte e outros serviços em Cáceres.

A empresa também aposta na localização estratégica do município, às margens do Rio Paraguai e em uma das principais portas de entrada para o Pantanal mato-grossense. A proposta é combinar o turismo de compras com atividades de pesca, passeios de barco e observação da fauna, atraindo visitantes de cidades próximas e de outros estados.

O Pantanal Free Shop deverá reunir 12 categorias de produtos, incluindo perfumes, cosméticos, bebidas, roupas, calçados, eletrônicos, alimentos, relógios, óculos, suplementos e artigos para pesca. A inclusão de produtos voltados à pesca considera a demanda associada ao turismo regional.

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Além do novo empreendimento, o Grupo Cometa mantém planos de expansão nos segmentos que sustentaram seu crescimento. Uma concessionária Hyundai está prevista para Cacoal, em Rondônia, enquanto Cáceres também deve receber uma unidade da marca. No mercado de veículos seminovos, a rede Clicar planeja cinco novas lojas para 2027, com cidades como Rio Verde, Primavera do Leste e Barra do Garças entre as possibilidades.

A Box 73, voltada à venda de peças e à assistência técnica para motocicletas fora da rede tradicional de concessionárias, também está nos planos de crescimento. No agronegócio, o grupo investe na seleção genética e na comercialização de animais e material genético da raça Nelore Cometa.

A trajetória da empresa começou em 1973, quando Francis abriu a Auto Peças Cometa, em Mirassol d’Oeste. Anos depois, o negócio avançou para o mercado de motocicletas, com a primeira concessionária Honda em Vilhena, Rondônia, em meados da década de 1980. A expansão seguiu para Cáceres, Ji-Paraná e outros municípios, consolidando uma estratégia de presença em cidades do interior e regiões onde grandes redes nem sempre chegam.

Atualmente, o grupo informa comercializar cerca de 40,4 mil motocicletas Honda por ano, além de vender aproximadamente 2,6 mil veículos Hyundai e Volkswagen. Também registra cerca de 135 mil atendimentos anuais em oficinas e mais de 10 mil consórcios contemplados. Para apoiar a operação, a empresa afirma utilizar 78 robôs de software em tarefas administrativas.

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Outro diferencial destacado por Francis é o investimento na formação dos funcionários. Há cerca de duas décadas, o programa Cometa Leitura incentiva a leitura e reúne mais de 11 mil livros em acervos físicos e digitais. A companhia investe aproximadamente R$ 65 mil por ano na iniciativa.

Segundo o empresário, os funcionários devem ler pelo menos um livro por mês, com no mínimo 200 páginas, e entregar um resumo ao setor de Recursos Humanos. O cumprimento dessa regra, somado às metas corporativas e de desempenho, integra os critérios para participação nos lucros e resultados (PLR).

Com a chegada da inteligência artificial, a empresa afirma ter adaptado o programa e passou a utilizar ferramentas para tentar identificar resumos produzidos com auxílio de sistemas como o ChatGPT. Francis também destaca a preferência por promover profissionais internamente para cargos de gestão, antes de buscar candidatos no mercado.

A diversificação, porém, não elimina os riscos. O próprio empresário reconhece que juros elevados, mudanças tributárias e incertezas econômicas podem influenciar as decisões de investimento. Ainda assim, o grupo pretende continuar ampliando sua presença em diferentes setores, combinando a expansão das operações tradicionais com a aposta no turismo de compras em Cáceres.

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POLÍTICA MT

Odilio Balbinotti entra na Frente Parlamentar da Agropecuária e ganha força para ocupar ministério

Suplente do senador José Medeiros, empresário mato-grossense integrará a bancada ruralista a partir de fevereiro; indicação para o Ministério da Agricultura dependerá de eventual vitória de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

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O empresário Odilio Balbinotti Filho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso, passará a integrar, a partir de fevereiro, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), uma das principais forças políticas do Congresso Nacional. O movimento amplia sua atuação em pautas ligadas ao agronegócio e ocorre em meio às especulações sobre seu possível nome para comandar o Ministério da Agricultura, caso Flávio vença o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

Suplente do senador eleito José Medeiros, ambos filiados ao PL, Balbinotti afirmou que sua participação na frente parlamentar terá como foco temas considerados estratégicos para o setor produtivo, como infraestrutura, crédito e financiamento rural.

“ O Medeiros vai me colocar lá para representar dentro da FPA a nossa vaga de Senado. Ou seja, eu também sou membro, a partir de fevereiro”, afirmou o empresário ao comentar sua entrada no grupo. Ele também defendeu que a bancada tenha influência na escolha do futuro ministro da Agricultura, a exemplo do que ocorreu no governo de Jair Bolsonaro, quando a frente apoiou a indicação de Tereza Cristina para o cargo.

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Apesar de ser citado entre os possíveis nomes para a pasta, Balbinotti declarou que não foi sondado por Flávio Bolsonaro para assumir o ministério. Segundo ele, outras lideranças também podem disputar espaço, entre elas o atual presidente da FPA, o deputado federal Pedro Lupion, e a senadora e ex-ministra Tereza Cristina.

A Frente Parlamentar da Agropecuária reúne parlamentares que atuam em defesa de pautas relacionadas ao agronegócio e acompanha projetos sobre produção rural, mercado, infraestrutura e financiamento. O grupo conta com representantes da Câmara dos Deputados e do Senado e exerce influência nas discussões legislativas de interesse do setor.

Mato Grosso tem histórico de participação no comando do Ministério da Agricultura e em outras pastas relacionadas à produção rural. Entre os nomes do estado que já ocuparam cargos ministeriais estão Carlos Fávaro, no atual governo Lula; Blairo Maggi, durante a gestão Michel Temer; e Neri Geller, no governo Dilma Rousseff. Antes deles, Dante de Oliveira também comandou uma pasta ligada ao desenvolvimento agrário no governo José Sarney.

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A entrada de Balbinotti na FPA representa, portanto, um passo para ampliar sua presença nas articulações políticas nacionais. Uma eventual indicação para o Ministério da Agricultura, porém, dependerá do resultado da eleição presidencial e das negociações políticas para a formação de um futuro governo.

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