ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro promete manter programas sociais, mas não garante aumento real do salário mínimo
Site de campanha do candidato do PL afirma que benefícios serão preservados e prevê correção do piso pela inflação, sem detalhar a política de valorização nem possíveis mudanças no BPC.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) lançou um site para responder a notícias que considera falsas e apresentar posicionamentos de sua campanha. Entre os temas abordados estão o salário mínimo, os programas sociais, a jornada de trabalho e o escândalo envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Sobre o salário mínimo, o candidato afirma que não pretende extinguir o piso nacional nem desvinculá-lo da inflação. No entanto, o material divulgado não apresenta compromisso explícito com reajustes acima da inflação, mecanismo que garante aumento real do poder de compra dos trabalhadores.
A política de valorização retomada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2023, prevê a correção pela inflação medida pelo INPC, somada à variação positiva do Produto Interno Bruto (PIB), respeitados os limites fiscais em vigor. Durante o governo Jair Bolsonaro, o salário mínimo teve reajustes baseados na inflação, sem ganho real na maior parte do período.
O tema se tornou um dos pontos de disputa na campanha presidencial. Lula afirma que propostas de ajuste fiscal defendidas por integrantes da equipe de Flávio podem atingir políticas sociais. O candidato do PL, por sua vez, nega que pretenda concentrar medidas de contenção de gastos sobre a população mais pobre, embora seus assessores defendam uma redução das despesas públicas.
No site de campanha, Flávio afirma que o Bolsa Família e os demais programas assistenciais serão mantidos. A proposta apresentada prevê aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate a fraudes, mas não detalha possíveis mudanças nos critérios de concessão ou nos valores dos benefícios.
A mesma falta de detalhamento aparece na abordagem sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda que atendem aos critérios legais. Questionada sobre uma eventual redução do benefício, a campanha afirma que os programas sociais existentes serão preservados, mas não esclarece se haverá alterações na política de valorização.
Após a publicação de reportagem sobre o tema, Flávio se comprometeu publicamente a conceder reajustes nas aposentadorias acima da inflação. Ainda assim, o plano divulgado não apresenta detalhes suficientes para determinar como essa promessa seria implementada ou como se relacionaria com as despesas previdenciárias.
A campanha também aborda o programa Pé-de-Meia, voltado à permanência de estudantes no ensino médio. O candidato nega que pretenda extinguir a iniciativa e classifica como equivocada a interpretação de que a proposta de redução de despesas significaria o fim do programa.
Outro tema incluído no site é a jornada de trabalho. Flávio menciona a proposta de flexibilização defendida pelo coordenador político de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), em oposição ao fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de atividade para um de descanso.
Segundo a campanha, a proposta prevê remuneração por hora trabalhada e manutenção de direitos como FGTS, férias e 13º salário. O material, porém, não detalha como a flexibilização seria regulamentada nem quais garantias seriam adotadas para evitar perda de renda ou de proteção trabalhista.
Banco Master e BRB também entram no debate
O site de Flávio dedica espaço ao caso envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília. O candidato afirma que não utilizará recursos de aposentados para cobrir prejuízos relacionados ao caso e sustenta que o presidente da República não tem ingerência direta sobre o banco regional.
O material não menciona conversas entre Flávio e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, nem aborda o repasse de ao menos R$ 65 milhões ao filme sobre Jair Bolsonaro, pontos citados na reportagem original. A campanha afirma que trabalhará para preservar a solidez e a confiabilidade das instituições financeiras brasileiras.
A discussão também envolve o governo do Distrito Federal. A governadora Celina Leão (PP), aliada de Flávio, defendeu um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com garantia da União para enfrentar a crise do BRB. O presidente Lula, por sua vez, afirmou que o governo federal não pretende repassar recursos para cobrir prejuízos do banco.
As propostas divulgadas indicam as principais linhas de discurso econômico e social da candidatura, mas deixam questões em aberto sobre a execução das medidas. Entre os pontos que ainda exigem esclarecimento estão a política de reajuste real do salário mínimo, eventuais mudanças no BPC e os efeitos de uma política de contenção de gastos sobre os programas sociais e a Previdência.
POLÍTICA MT
Pivetta inicia novo mandato com contas equilibradas e aposta na industrialização para ampliar renda em Mato Grosso
Com dívida equivalente a cerca de 10% da receita corrente líquida e previsão de R$ 5,6 bilhões em investimentos para 2027, governo terá o desafio de controlar despesas, enfrentar os efeitos da reforma tributária e transformar o crescimento econômico em empregos e melhores salários.
O governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos) começará seu novo mandato, em janeiro de 2027, com uma situação fiscal considerada confortável pelo governo estadual. O cenário, no entanto, exigirá planejamento para manter a capacidade de investimento, ampliar a industrialização e fazer com que a força econômica de Mato Grosso se traduza em mais renda para a população.
Entre as prioridades da próxima gestão estão a atração de novas empresas, a geração de empregos com melhores salários e a preparação do Estado para as mudanças provocadas pela reforma tributária. A estratégia também envolve a revisão de contratos, despesas e custos operacionais da administração pública.
De acordo com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), Mato Grosso deve encerrar 2026 com aproximadamente R$ 9 bilhões em disponibilidade financeira bruta. Para 2027, o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), ainda em tramitação na Assembleia Legislativa, prevê um orçamento de R$ 46,1 bilhões, dos quais R$ 5,6 bilhões estão destinados a investimentos.
O secretário de Fazenda, Fábio Pimenta, afirmou que o Estado reúne condições para manter o ritmo de obras e investimentos dos últimos anos. Segundo ele, a situação financeira permite sustentar o funcionamento da máquina pública e preservar a capacidade de execução de projetos.
A disponibilidade de recursos, entretanto, não significa que todo o dinheiro em caixa esteja livre para novas despesas. Parte dos valores possui destinação específica, enquanto gastos com pessoal, contratos e manutenção dos serviços públicos comprometem uma parcela significativa do orçamento.
Mato Grosso acumulou R$ 34 bilhões em investimentos nos últimos oito anos, segundo a Sefaz, com média superior a R$ 4 bilhões anuais. Para preservar esse ritmo, Pivetta determinou uma avaliação da estrutura administrativa, com revisão de contratos e custos operacionais.
Na proposta orçamentária de 2027, estão previstos R$ 25,3 bilhões para pessoal e encargos e outros R$ 14 bilhões para despesas correntes, como a manutenção da administração pública. O crescimento dessas despesas obrigatórias é uma das preocupações do governo, por reduzir o espaço disponível para novas obras e projetos.
Pimenta também alertou para os efeitos de reajustes, progressões funcionais e novas contratações sobre a folha de pagamento. Segundo ele, o aumento permanente desses gastos pode comprometer a capacidade de investimento nos próximos anos. Pivetta defende uma administração mais enxuta e eficiente, capaz de controlar custos sem prejudicar os serviços oferecidos à população.
“É isso que nós buscamos: um Estado eficiente, que custe menos e que promova o interesse do cidadão acima de tudo”, afirmou o governador em entrevista ao MidiaNews.
A dívida consolidada do Estado está estimada em cerca de R$ 3,9 bilhões, equivalente a aproximadamente 10% da receita corrente líquida. Apesar do indicador considerado confortável, o governo precisará avaliar com cautela novas operações de crédito. Uma proposta de financiamento de R$ 1,5 bilhão está em tramitação na Assembleia Legislativa, com previsão de destinar R$ 300 milhões à área hospitalar e R$ 1,2 bilhão à infraestrutura.
Reforma tributária exige planejamento
Um dos principais desafios fiscais para os próximos anos será a reforma tributária. A transição começa em 2029 e prevê a substituição gradual do ICMS e do ISS pelo novo modelo de tributação sobre o consumo, com conclusão prevista para 2032.
Segundo Pimenta, estudos da Sefaz e do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) apontam uma possível perda de aproximadamente R$ 10 bilhões anuais ao final da transição. A estimativa considera a arrecadação média do ICMS e do Fethab em comparação com a projeção de receitas do novo sistema.
A mudança preocupa porque Mato Grosso tem uma economia fortemente ligada à produção de mercadorias e uma população relativamente pequena. Com a alteração dos critérios de arrecadação, o Estado poderá perder parte da vantagem fiscal associada à produção, o que exigirá adaptação das contas públicas e das estratégias de desenvolvimento.
Além disso, a nova estrutura tributária reduzirá a autonomia dos estados para utilizar incentivos fiscais como instrumento de atração de empresas. Nesse contexto, a diversificação econômica e o fortalecimento da atividade industrial ganham importância para a manutenção das receitas e a geração de oportunidades.
Industrialização como caminho para aumentar a renda
A secretária de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, afirmou que o próximo ciclo de governo terá como prioridade agregar valor à produção mato-grossense. A proposta é ampliar o processamento de grãos e proteínas dentro do próprio Estado, estimulando a instalação de indústrias e a criação de empregos.
“Nós fornecemos grãos, nós fornecemos proteína animal, mas é importante que nós possamos agora agregar valor àquilo que nós produzimos aqui. Isso só vai ser possível através da industrialização”, declarou.
Segundo Beckman, o governo já negocia com empresas interessadas em se instalar em Mato Grosso, enquanto a Invest MT atua na atração de novos investimentos. A expectativa é ampliar a transformação de matérias-primas em produtos industrializados, fortalecendo a economia local e criando oportunidades profissionais com maior remuneração.
O desafio de Pivetta para 2027 será, portanto, conciliar o equilíbrio das contas públicas com a expansão dos investimentos e a diversificação da economia. A capacidade de controlar despesas, preparar o Estado para a reforma tributária e atrair indústrias será decisiva para transformar o crescimento econômico de Mato Grosso em benefícios mais amplos para a população.
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