MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Crescimento exponencial da população idosa aumenta desafios do MPMT
O Brasil terá 32.493.765 habitantes com 60 anos ou mais em julho deste ano, dos quais 433.537 estarão em Mato Grosso. A projeção é da Gerência de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (consulte aqui). Os números refletem um crescimento de 45% dessa parcela da população no país e de 233% no Estado nos últimos 10 anos (de 2012 a 2022). Ao passo que o número de idosos aumenta, crescem também os desafios do Ministério Público Estadual para garantir a proteção e o bem-estar desses cidadãos.
Para debater os aspectos teóricos e práticos dos direitos da pessoa idosa, o Centro de Apoio Operacional (CAO) do Idoso, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT promoveram um webinar nesta quinta-feira (31), por meio da plataforma Microsoft Teams. Esse foi o terceiro evento da série “MP Debate”, destinado ao público interno da instituição. O objetivo foi buscar o aperfeiçoamento funcional sobre o direito dos idosos, de maneira a aprimorar a atuação prática do Ministério Público.
“Um país que não valoriza as crianças como investimento no presente e que não tem respeito aos seus idosos, é um país fadado ao insucesso. Precisamos investir na valorização e proteção dos idosos, em garantir políticas públicas eficazes para esses cidadãos, sobretudo nas áreas de saúde, qualidade de vida e acolhimento. Essa é uma área de atuação muito importante do MPMT”, afirmou o procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, José Antônio Borges Pereira, na abertura do evento.
“Contrariamente ao que acontece na cultura oriental, no ocidente, especialmente no Brasil, o idoso ocupa lugar derivado do desprezo, tido por muitos como inútil. E cabe ao Ministério Público a defesa dos seus direitos. E para subsidiar os integrantes do MPMT nessa árdua missão é que promovemos esse evento para debater aspectos teóricos e práticos dos direitos dos idosos”, acrescentou o coordenador da Escola Institucional, promotor de Justiça Paulo Henrique Amaral Motta.
O webinar teve como palestrantes o promotor de Justiça em Mato Grosso que atua na defesa do idoso e da pessoa com deficiência, Wagner Cezar Fachone, e o procurador de Justiça do Ministério Público da Paraíba (MPPB) Valberto Cosme de Lira. Os temas abordados foram, respectivamente, “Os cuidados com idosos em instituições de longa permanência (ILPI) e a necessidade da atuação e fiscalização pelo Ministério Público” e “Atuação prática na seara dos direitos dos idosos”. O promotor de Justiça coordenador do CAO do Idoso, Claudio Cesar Mateo Cavalcante, atuou como debatedor.
Acolhimento em MT – Conforme Wagner Fachone, somente 27% dos municípios de Mato Grosso possuem instituições de acolhimento para idosos. São 1.404 pessoas com 60 anos ou mais acolhidas no estado, sendo mais de 50% em instituições privadas. “Isso representa um campo enorme de atuação do MPMT para fomentar o poder público a investir na implantação dessas instituições”, afirmou. Ele enfatizou o acolhimento nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), abordando o conceito e o que devem proporcionar.
O promotor de Justiça, que atua há dois anos na área, falou ainda sobre direitos dos idosos garantidos pela Constituição Federal, pela Política Nacional do Idoso e pelo Estatuto do Idoso. “Apesar de todos esses direitos, sabemos que uma grande parcela dos idosos sofre violência e vive em situação de vulnerabilidade e abandono. E a atuação do MPMT nessa temática é fundamental”, observou.
MINISTÉRIO PÚBLICO MT
MPMT capacita servidores sobre planejamento de contratações e uso de IA
O Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) promoveu, nos dias 24 e 25 de setembro, uma capacitação voltada aos servidores da área-meio sobre planejamento de contratações públicas e o uso de novas tecnologias no desenvolvimento dos documentos exigidos pela legislação. Com o tema “O planejamento da contratação com base na Lei 14.133/2021 – construindo ETPs e TR com uso do ChatGPT e outras tecnologias para servidores do MPMT”, o curso foi ministrado pelo professor Sandro Bernardes, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU).Ao longo dos dois dias, os participantes tiveram contato com aspectos relacionados ao planejamento das contratações, especialmente à elaboração de documentos como o Estudo Técnico Preliminar (ETP) e o Termo de Referência (TR), além de conhecerem possibilidades de aplicação da inteligência artificial e de outras ferramentas tecnológicas na rotina de trabalho.Para o assessor especial da Subprocuradoria-Geral de Justiça Administrativa, José Fabrício Silva, a capacitação ocorre em um momento importante de adaptação às exigências trazidas pela nova legislação de contratações públicas.“Esse tipo de capacitação é fundamental por dois aspectos essenciais. O primeiro é que as equipes que constroem essas demandas de contratação ainda precisam de formação sobre a estrutura dos documentos e tudo o que precisa ser preparado para que uma contratação seja realizada”, explicou.José Fabrício também destacou a utilização da inteligência artificial como uma ferramenta capaz de auxiliar os servidores diante do volume e da complexidade dos documentos produzidos no processo de contratação. “São documentos, às vezes, de muitas páginas, de uma estrutura que a lei exige que seja feita. A capacitação realmente veio para ajudar no dia a dia”, afirmou.Na avaliação do servidor, a incorporação de novas tecnologias à administração pública tende a fazer parte cada vez mais da rotina. “Quanto mais capacitadas as pessoas para darem conta de acompanhar esse avanço, que não é só no setor público, mas também no setor privado, melhores serão os resultados para a administração e, consequentemente, para a população”, ressaltou.A servidora Débora Luz, que atua na Coordenadoria de Engenharia e acompanha atividades relacionadas ao departamento, também destacou a importância da formação continuada. Entre suas atribuições estão o assessoramento na elaboração de documentos relacionados às contratações de engenharia, com atenção à legislação e às normas aplicáveis.Para ela, cursos dessa natureza são fundamentais para o aprimoramento dos processos de contratação do Ministério Público. “Não só importante, como essencial, fundamental. Uma condição sem a qual não é possível nós evoluirmos nossas contratações e licitações aqui no Ministério Público”, afirmou.Débora defendeu ainda que a capacitação seja realizada de forma permanente, permitindo o aprofundamento dos conhecimentos e a aplicação prática dos conteúdos. “A cada etapa, a cada curso, você permite se aprofundar mais na matéria e aplicar na sua prática. Então, sem uma reincidência, um retorno disso, eventualmente até com alguns mesmos professores ou mesmas temáticas, a gente não consegue andar evoluindo os resultados”, explicou.Para a servidora, a participação de especialistas com experiência na administração pública federal também contribui para aproximar o conteúdo apresentado da realidade enfrentada pelas equipes do MPMT.O professor Sandro Bernardes ressaltou que a atualização dos servidores é essencial diante das transformações pelas quais passa a administração pública. Segundo ele, o curso integra um processo de desenvolvimento de capacidades e habilidades necessárias aos profissionais que atuam em todas as etapas da contratação pública, desde o planejamento até a entrega do objeto à sociedade. “Não existe retrocesso” no uso da inteligência artificial, afirmou o professor, ao destacar que essas ferramentas tendem a ser incorporadas cada vez mais ao cotidiano profissional.O instrutor também chamou atenção para o papel da tecnologia como instrumento de apoio ao trabalho dos servidores, e não como substituta da atuação humana. Para ele, ferramentas de inteligência artificial podem potencializar o trabalho, proporcionando maior celeridade e novas possibilidades de pesquisa e análise, mas a supervisão humana permanece indispensável. “O que as plataformas, os chats e as IAs que temos à disposição vão fazer por nós é potencializar o nosso trabalho”, explicou.Sandro Bernardes destacou ainda que a responsabilidade pelas decisões continua sendo humana, especialmente no serviço público, que tem como finalidade atender às necessidades da sociedade. “A supervisão humana ainda é necessária, primeiro pela responsabilidade que a gente tem diante da comunidade civil. A plataforma nunca vai se comportar como ser humano; ela vai emular, vai usar algoritmos, números para tentar traduzir aquilo que considera como interesse público”, afirmou.Segundo o professor, a tecnologia pode ampliar as possibilidades de atuação dos servidores, mas não substitui aspectos próprios da experiência humana, como a capacidade de compreender contextos, interpretar situações e manter proximidade com a sociedade.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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