AGRONEGÓCIO
Sistema FAEP diz que reduzir alíquotas de importação é ataque à produção nacional
O Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) manifestou forte repúdio ao anúncio do governo federal sobre a redução das alíquotas de importação de alimentos, medida que, segundo o Executivo, visa baratear os preços para o consumidor.
A proposta, detalhada na sexta-feira (24.12) pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, foi classificada como um “ataque à produção nacional” e uma ameaça ao produtor rural, que já enfrenta desafios econômicos significativos.
Para Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP, a decisão ignora as dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário, como os altos custos de produção e o chamado “Custo Brasil”, que inclui tributos, logística cara e burocracia. “Reduzir alíquotas de importação para supostamente reduzir preços internos dos alimentos é um absurdo. Essa medida desconsidera a realidade do produtor rural, que já opera com margens apertadas”, afirmou Meneguette.
O dirigente destacou que os preços dos alimentos no mercado interno não são resultado de lucros excessivos das indústrias ou dos produtores, mas sim reflexo dos custos elevados de produção. “O Brasil tem capacidade de produzir alimentos em quantidade e qualidade suficientes para abastecer o mercado interno. A importação indiscriminada, baseada apenas no apelo do preço, pode levar muitos produtores a encerrarem suas atividades”, alertou.
A medida do governo federal preocupa especialmente setores que já enfrentam concorrência desleal de produtos estrangeiros, como trigo, leite e derivados, e carne suína. A redução das alíquotas de importação pode inundar o mercado com produtos mais baratos, mas de qualidade nem sempre equivalente, colocando em risco a sustentabilidade da produção nacional.
Meneguette ressaltou que, em vez de facilitar a entrada de produtos importados, o governo deveria adotar políticas que reduzam os custos internos e aumentem a competitividade do agronegócio brasileiro. “Precisamos de medidas que fortaleçam a produção nacional, como a redução da carga tributária, investimentos em infraestrutura logística e desburocratização. Essas seriam ações efetivas para beneficiar tanto o produtor quanto o consumidor”, defendeu.
O Paraná, um dos principais polos agropecuários do Brasil, seria diretamente afetado pela medida. O estado é líder na produção de grãos, proteínas animais e outros alimentos essenciais para a cadeia produtiva nacional. A possível redução das alíquotas de importação pode desestabilizar o mercado interno, afetando não apenas os produtores, mas também toda a cadeia de suprimentos, incluindo cooperativas, indústrias e distribuidores.
Especialistas sugerem que, em vez de recorrer à importação, o governo poderia adotar medidas como o fortalecimento de programas de estoques reguladores, que ajudam a equilibrar a oferta e a demanda de alimentos, e o incentivo à comercialização direta entre produtores e consumidores, reduzindo intermediários. Além disso, políticas de apoio à agricultura familiar e à modernização tecnológica do campo poderiam aumentar a eficiência e reduzir custos.
A decisão do governo federal de reduzir alíquotas de importação de alimentos gera preocupação no setor agropecuário, que vê na medida um risco para a produção nacional e para a sobrevivência de milhares de produtores rurais. Enquanto o Executivo argumenta que a iniciativa visa beneficiar o consumidor, entidades como o Sistema FAEP alertam para os efeitos negativos a longo prazo, defendendo políticas que fortaleçam a competitividade do agronegócio brasileiro sem comprometer sua sustentabilidade.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
-
POLÍTICA MT2 dias atrásJustiça determina que Presidente promova a imediata recondução de vereadora ao cargo
-
MATO GROSSO5 dias atrásDa montagem das chapas ao embate eleitoral: o que já está em jogo nestas eleições de 2026
-
Sinop5 dias atrásSinop apresenta atrativos turísticos a visitantes nacionais e internacionais e reforça potencial do setor
-
POLÍTICA MT3 dias atrásALMT dá posse a suplentes e reforça representatividade em sessão marcada por discursos de acolhimento e simbolismo histórico
-
POLÍTICA MT5 dias atrásMato Grosso sanciona lei que proíbe uso de inteligência artificial para criação de “deep nudes”
-
MATO GROSSO2 dias atrás‘Não é política, é violência’, diz Gisela ao cobrar que pedido de cassação de vereador entre em pauta
-
PICANTES5 dias atrásChaiany revela planos de autocuidado após o BBB 26: ‘Isso não é uma questão estética!
-
AGRONEGÓCIO5 dias atrásAmeaça no Estreito de Ormuz reacende risco sobre diesel, fertilizantes e custo da safra
