DECISÃO TOMADA

Fábio Garcia será o vice de Otaviano Pivetta

governador Otaviano Pivetta (Republicano) fechou a chapa que irá disputar a reeleição em Mato Grosso e escolheu o deputado federal Fábio Garcia (UB) como candidato a vice-governador.

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A definição pelo nome de Fábio contou com o apoio de 122 prefeitos do estado. A decisão foi tomada no fim da tarde desta segunda-feira (3) e coloca um fim as especulações.

Com essa definição, o Republicanos realiza amanhã, dia 4, a sua convenção, no Ginásio Dom Aquino, em Cuiabá, a partir das 17h.

“Fábio Garcia é um ótimo nome e irá ajudar a manter Mato Grosso no caminho certo. Vamos fazer mais e melhor por esse estado e por todos que vivem aqui. Ele teve o apoio de 122 prefeitos que encontraram em Fábio o perfil certo para ser vice-governador”, afirmou o governador.

Fábio Garcia, que já ocupou o cargo de secretário-chefe da Casa Civil, é uma das pessoas de confiança de Pivetta, e já tinha seu nome cotado para o cargo. “Vamos trabalhar muito por Mato Grosso. Agradeço o governador Pivetta por essa oportunidade e confiança e vamos trabalhar muito para que o momento de desenvolvimento que esse estado vive continue. Não podemos retroagir”, defendeu.

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PEDRO TAQUES E O COMPLEXO DA DERROTA: O CANDIDATO A SENADOR QUE PREFERE SER DETETIVE A APRESENTAR UM PROJETO PARA MATO GROSSO

Oito anos depois de perder a reeleição no primeiro turno, ex-governador volta a confrontar Mauro Mendes; sua candidatura ao Senado reacende questionamentos sobre o legado administrativo de seu governo e a incapacidade de transformar o embate político em propostas para o futuro do Estado

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Por Palmiro Pimenta | Folha de Mato Grosso

Pedro Taques já foi procurador da República, senador e governador de Mato Grosso. Agora, candidato novamente ao Senado, parece ter escolhido o papel de investigador de seu antigo adversário eleitoral.

O problema é que uma eleição para o Senado não é um concurso para delegado da Polícia Federal.

E muito menos uma oportunidade para reescrever o resultado das urnas de 2018.

Naquele ano, Taques ocupava o cargo de governador de Mato Grosso. Tinha a estrutura administrativa do Estado, visibilidade institucional e a oportunidade de apresentar ao eleitorado os resultados de quatro anos de gestão.

Mesmo assim, terminou derrotado ainda no primeiro turno.

Não foi Mauro Mendes quem impediu Pedro Taques de conquistar a reeleição. Foram os eleitores de Mato Grosso que decidiram não lhe conceder mais quatro anos de mandato.

Essa é uma realidade política que nenhuma denúncia contra adversários poderá modificar.

O COMPLEXO DA DERROTA

O que chamo de complexo da derrota é a insistência em transformar um revés eleitoral em um confronto permanente com o adversário que saiu vitorioso.

Pedro Taques teve a oportunidade de governar Mato Grosso.

Não foi impedido de exercer o mandato. Não foi afastado do Palácio Paiaguás antes de concluir sua gestão. Não deixou de disputar a reeleição.

Governou durante quatro anos e submeteu seu trabalho ao julgamento popular.

O resultado foi uma derrota no primeiro turno, apesar de ocupar a cadeira de governador.

A derrota de Taques não pode ser atribuída exclusivamente a Mauro Mendes sem ignorar o próprio governo que o eleitorado estava avaliando.

A disputa eleitoral de 2018 não começou no dia da votação. Foi construída ao longo dos quatro anos anteriores, com decisões administrativas, escolhas políticas, crises e dificuldades que marcaram aquela gestão.

É nesse histórico que devem ser procuradas as explicações para o resultado.

O GOVERNADOR QUE PRECISA RESPONDER PELO PRÓPRIO LEGADO

Pedro Taques chegou ao Palácio Paiaguás com a reputação de procurador da República e a promessa de aplicar sua experiência jurídica à administração pública.

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Mas governar não é conduzir uma investigação.

Governar exige capacidade de gestão, articulação política, planejamento financeiro, execução orçamentária e sensibilidade diante das necessidades da população.

Seu mandato terminou marcado por dificuldades fiscais, atrasos de pagamentos e questionamentos sobre a condução administrativa do Estado e corrupção com secretarios presos.

O contraste entre a expectativa criada em torno de sua eleição e o resultado de sua tentativa de reeleição merece permanecer no centro de qualquer análise sobre sua trajetória.

Quem pretende voltar ao Senado tem o direito de questionar o governo dos outros, mas também precisa responder pelas decisões tomadas quando teve a responsabilidade de administrar Mato Grosso.

É muito mais simples apontar os erros de um adversário do que explicar os resultados do próprio mandato.

É muito mais confortável exercer o papel de acusador do que submeter novamente à avaliação pública a própria experiência administrativa.

E é muito mais fácil fazer uma campanha de denúncias do que apresentar um projeto consistente para os próximos oito anos.

MAURO MENDES NÃO TINHA OBRIGAÇÃO DE SUSTENTAR O PROJETO POLÍTICO DE TAQUES

Existe outro aspecto importante nessa história.

Nenhum político possui direito adquirido à fidelidade eterna de seus antigos aliados.

A política é construída por convergências, divergências, projetos e escolhas.

Mauro Mendes não tinha obrigação de sustentar indefinidamente o projeto político de Pedro Taques.

Tampouco estava impedido de disputar o governo de Mato Grosso em 2018.

A derrota de Taques não transforma a candidatura de Mauro Mendes em uma dívida política ou moral.

O eleitorado teve alternativas e fez sua escolha.

Transferir a responsabilidade pelo resultado exclusivamente ao adversário seria desconsiderar a avaliação feita pela população sobre o governo que estava terminando.

DE GOVERNADOR A DETETIVE ELEITORAL

O que chama atenção na atual disputa é o espaço ocupado pelo confronto com Mauro Mendes na atuação política de Taques.

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O ex-governador possui experiência suficiente para discutir legislação, orçamento federal, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento econômico.

Também conhece as dificuldades dos municípios mato-grossenses e as responsabilidades de quem ocupa o Executivo.

Poderia utilizar esse conhecimento para apresentar uma agenda legislativa detalhada.

Em vez disso, o enfrentamento com o antigo adversário ocupa lugar de destaque em sua campanha.

Denúncias fundamentadas devem ser apuradas, independentemente de quem esteja envolvido. Mas não substituem propostas de mandato.

O Senado não é uma delegacia. A campanha eleitoral não é um inquérito policial. E o eleitor mato-grossense não está obrigado a transformar uma disputa entre antigos adversários em sua principal preocupação política.

A DERROTA QUE NÃO PODE SER APAGADA

Pedro Taques pode questionar Mauro Mendes quantas vezes considerar necessário.

Pode apresentar denúncias, solicitar investigações e cobrar explicações.

Esses são direitos legítimos de qualquer cidadão.

Mas nenhuma dessas iniciativas altera o fato de que ele próprio teve a oportunidade de governar Mato Grosso e foi derrotado quando pediu ao eleitorado a renovação de seu mandato.

A eleição de 2018 pertence à história política do Estado.

Não existe investigação capaz de mudar aquele resultado.

A questão para 2026 é se Pedro Taques conseguirá apresentar uma candidatura que vá além do confronto com o homem que o derrotou oito anos antes.

Porque, enquanto a campanha permanecer concentrada nesse embate, continuará aberta uma pergunta que o eleitor tem todo o direito de fazer:

Afinal, Pedro Taques pretende voltar ao Senado para representar Mato Grosso ou para continuar disputando politicamente uma eleição que terminou em 2018?

O Estado precisa de representantes com propostas para o futuro. O passado eleitoral de Pedro Taques, por mais presente que esteja em seus confrontos políticos, não pode ocupar sozinho o lugar de um projeto para Mato Grosso.

Palmiro Pimenta
CEO do Folha de Mato Grosso

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