FALTA EQUIDADE
No Dia do Trabalhador, Gisela Simona destaca o cuidado como eixo da desigualdade de gênero
Na diretoria-executiva do União Mulher, em Mato Grosso, Gisela Simona traz para o centro do debate neste 1º de maio, alguns desafios enfrentados por milhares de brasileiras diariamente: a disparidade salarial e a dupla jornada. Assim, muito embora haja avanços na contratação feminina, a consolidação da equidade ainda enfrenta desafios significativos.
Coautora da Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024), Gisela defende que é necessário reconhecer o trabalho não remunerado, exercido majoritariamente por mulheres. E que qualquer discussão séria sobre valorização do trabalho precisa passar por esta ação secularmente invisibilizada, mas que ancora milhões de lares no país.
E a partir dessa lente, o Dia do Trabalhador deixa de ser apenas uma data simbólica e passa a expor uma contradição: pois enquanto o país avança na ampliação da presença feminina no mercado formal, continuam intactas as estruturas que a penalizam.
Com 33 meses de atuação na Câmara Federal, somados à experiência como advogada, servidora pública e dirigente partidária em Mato Grosso, Gisela aponta que a desigualdade de gênero segue operando de forma silenciosa, mas constante, seja na diferença salarial, na dificuldade de ascensão profissional ou na sobrecarga cotidiana.
“Não podemos naturalizar que mulheres trabalhem mais e recebam menos. Tampouco aceitar que a responsabilidade pelo cuidado continue sendo tratada como uma obrigação individual e não como uma pauta pública”.
Dados recentes reforçam esse cenário ao revelar que as mulheres continuam concentradas em áreas historicamente menos valorizadas e, mesmo quando ocupam as mesmas funções que os homens, enfrentam remuneração inferior e menor reconhecimento. A chamada dupla jornada – trabalho formal somado às tarefas domésticas – permanece, igualmente, como uma das expressões mais evidentes dessa desigualdade.
E nesse contexto, o debate se amplia mais ao inserir a maternidade, ainda hoje observada como um fator de desequilíbrio no percurso profissional feminino. Pois a necessidade de conciliar trabalho e cuidado impacta claramente na renda, na progressão de carreira e nas oportunidades, desvelando limites concretos das políticas existentes.
Desta forma, para Gisela, embora haja avanços e medidas voltadas à igualdade salarial, a ausência de fiscalização efetiva e transparência ainda impedem mudanças estruturais. “O Brasil já reconhece parte do problema, mas ainda executa pouco. E sem ações concretas, direitos seguem sendo promessa”, afirma.
A parlamentar, que ganhou projeção nacional ao relatar o Pacote Antifeminicídio, também reforça a conexão entre autonomia econômica e segurança. Para ela, não há como dissociar a independência financeira da proteção das mulheres. “A autonomia econômica é um dos caminhos mais concretos para romper ciclos de violência. Mas isso exige que o Estado atue de forma integrada, garantindo não só acesso ao trabalho, mas condições reais de permanência e segurança”, pontua.
Desta forma, a leitura que emerge desse 1º de maio é direta: para milhões de brasileiras trabalhar não é apenas produzir renda, é sustentar vidas, equilibrar ausências do Estado e, muitas vezes, garantir a própria sobrevivência.
POLÍTICA MT
Articulação entre MDB e PL é tratada como especulação por membros históricos do MDB, porém não afastam possibilidade de aliança com Republicanos
Enquanto rumores envolvendo o PL são descartados, ala tradicional do MDB admite que diálogo com Republicanos pode ocorrer no cenário de 2026
A possível articulação entre MDB e PL em Mato Grosso, que ganhou força nos bastidores políticos nos últimos dias, é tratada como mera especulação por membros históricos do MDB.
Lideranças tradicionais da sigla afirmam que não há qualquer construção em curso que indique uma aliança com o PL visando as eleições de 2026.
De acordo com emedebistas com longa trajetória, os rumores não passam de movimentações isoladas e não refletem o posicionamento institucional do partido.
A avaliação interna é de que não houve, até o momento, qualquer abertura de diálogo formal entre as duas legendas.
Por outro lado, esses mesmos membros históricos não descartam a possibilidade de uma eventual composição com o Republicanos, dependendo do cenário político que se consolidar nos próximos anos.
Segundo interlocutores, o partido mantém cautela, mas reconhece que alianças fazem parte do jogo eleitoral e podem ser construídas conforme interesses convergentes.
A prioridade do MDB, neste momento, segue sendo a reorganização interna e o fortalecimento de suas bases em Mato Grosso. A definição sobre alianças, conforme reforçam lideranças, deverá ocorrer apenas mais próximo do calendário eleitoral.
Nos bastidores, a leitura é de que o ambiente político ainda está em fase de especulação e testes de viabilidade. Enquanto isso, o MDB mantém postura pragmática: descarta, por ora, qualquer aproximação com o PL, mas não fecha portas para possíveis diálogos com outras siglas, como o Republicanos.
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