CONFLITOS DE DIREITOS
Gisela cobra declaração de Erika Hilton sobre ‘mulheres imbeCIS’ e revela fragilidade de comissão
Nesta última quarta-feira (18 ), a deputada Gisela Simona – líder da bancada feminina do União e membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara Federal – cobrou explicações públicas da presidente do colegiado, Erika Hilton (PSOL-SP), após repercussão de suas declarações nas redes sociais em que utilizou o termo ‘mulheres imbeCIS’, para chamar as mulheres que se identificam com o próprio gênero de ‘esgoto da sociedade e que estariam latindo’.
“A forma como se manifestou, quando chama mulheres CIS de imbeCIS, de esgoto da sociedade, é algo que precisa ser esclarecido. Nós precisamos entender quem está nos presidindo. Caso contrário, não há ambiente para avançar”, afirmou a deputada mato-grossense, condicionando o avanço dos trabalhos a um esclarecimento direto da presidente, e sinalizando que a crise ultrapassou o campo das redes sociais e atingindo a legitimidade da condução política da comissão.
A intervenção de Gisela não ocorreu de forma isolada. Deputadas de diferentes espectros ideológicos, da esquerda à direita, manifestaram desconforto com o episódio. Interpretando a declaração de Érika Hilton como ofensiva às mulheres cisgênero – aquelas que se identificam com o sexo biológico de nascimento -, e acabou elevando o tom político de um colegiado que, tradicionalmente, busca convergência em pautas sensíveis, e transformando o primeiro encontro de 2026 da Comissão em um dos mais simbólicos embates políticos da Casa de Leis
por divergências políticas.
Nos bastidores, o episódio expôs uma tensão mais profunda: o debate sobre quem representa, de fato, as pautas das mulheres dentro do Parlamento. Ainda que haja reconhecimento à trajetória de Erika Hilton como mulher trans e à legitimidade de sua presença política, parte das parlamentares tem sustentado que essa representação não substitui a vivência das mulheres biologicamente femininas: um ponto sensível, mas cada vez mais presente no debate público.
Ao responder às críticas, Erika Hilton afirmou que suas declarações foram retiradas de contexto e direcionadas a ataques que vem sofrendo nas redes sociais, muitos deles, segundo ela, de natureza transfóbica. “Eu não me referi a mulheres, nem a deputadas. Me referi a uma onda de ataques que estava acontecendo e ainda está acontecendo”, disse.
A parlamentar relatou ainda ter sido alvo de ameaças graves, incluindo mensagens de violência, e classificou seus agressores como parte de um “esgoto da sociedade”.
“Para essas pessoas que me ameaçam de morte, que dizem que eu não mereço estar no Parlamento, que dizem que vão arrancar a minha cabeça, é a essas pessoas que me referi”, declarou.
Apesar da tentativa de reposicionamento, o episódio já deixou marcas no início dos trabalhos da comissão e evidencia um cenário de disputa simbólica e política que tende a acompanhar a gestão de Erika Hilton à frente do colegiado.Sobretudo, com sinais claros que esta queda de braço promete ser bem mais do que um ruído pontual. E que não deverá ser fácil , equilibrar, dentro de um mesmo espaço institucional, diferentes concepções sobre identidade, representação e direitos.
POLÍTICA NACIONAL
MP libera recursos para atingidos pelas enchentes em Pernambuco e Paraíba
Famílias afetadas pelas fortes chuvas e enchentes de maio no Nordeste poderão receber apoio para garantir o acesso à alimentação e retomar a produção rural. Medida provisória publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (2) abre crédito extraordinário de R$ 49,2 milhões em favor do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
A MP 1.364/2026 destina os recursos ao programa Segurança Alimentar e Nutricional e Combate à Fome. O objetivo é ampliar o atendimento às populações atingidas pelos desastres climáticos registrados em maio, especialmente nos estados de Pernambuco e da Paraíba.
Do total de recursos, R$ 40 milhões devem ser destinados à aquisição e distribuição de alimentos produzidos por agricultores familiares. Segundo o governo, os recursos permitirão a compra e doação de cerca de 6 mil toneladas de alimentos, que poderá beneficiar 3 mil famílias agricultoras e reforçar o atendimento realizado por cozinhas solidárias.
Outros R$ 9,2 milhões serão aplicados em ações de inclusão produtiva rural, voltadas à recuperação da capacidade produtiva das populações atingidas. A expectativa é que 2 mil famílias sejam atendidas.
Impactos das chuvas
De acordo com a exposição de motivos da MP, as chuvas afetaram 18 municípios em Pernambuco e 31 municípios na Paraíba, e alcançaram aproximadamente 10 mil famílias. Tanto áreas urbanas quanto propriedades rurais da agricultura familiar foram atingidas.
O governo afirma que a abertura do crédito extraordinário é necessária para garantir uma resposta rápida à emergência e evitar o agravamento da insegurança alimentar e o empobrecimento de agricultores familiares nas áreas afetadas. Também argumenta que os recursos previstos no Orçamento de 2026 não seriam suficientes para atender, ao mesmo tempo, às demandas provocadas pelas enchentes e a outras situações emergenciais, como as estiagens que atingem as regiões Norte e Nordeste.
Entre as ações já adotadas pelo MDS estão a distribuição de cerca de 3,2 mil cestas de alimentos para cozinhas solidárias em Pernambuco e na Paraíba e o envio de alimentos por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A medida provisória já está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em até 120 dias para não perder a validade.
Vitória Clementino, sob supervisão de Dante Accioly
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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