TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Desembargador Márcio Vidal destaca papel do conhecimento na formação da magistratura contemporânea
Na manhã desta sexta-feira (20 de fevereiro), o diretor-geral da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), desembargador Márcio Vidal, foi o responsável pela aula voltada aos 35 novos juízes e juízas substitutos(as) de Direito que participam do Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi). O tema abordado foi “Teoria da Justiça, Decisão Judicial e Direitos no Estado Democrático de Direito”.
“O conhecimento é importante para qualquer carreira, e o magistrado, mais do que nunca, precisa desse conhecimento de forma contínua. Aqui, neste momento, é um curso de formação, porque ninguém nasce magistrado. Então, é uma oportunidade de diálogo com esses novos colegas que ingressaram na magistratura, e vamos apresentar algumas teorias — a teoria da justiça, a teoria da decisão —, vamos falar da democracia e dos problemas que afligem o atual momento histórico da sociedade”, salientou o desembargador.
Segundo ele, o Judiciário do século XXI tem uma nova concepção de diálogo permanente com a própria sociedade. “Isso perpassa por diversas questões sensíveis, seja do meio ambiente, seja da questão familiar — uma mudança, hoje, do conceito de família. Tudo isso vai chegar, em determinado momento, à unidade do Judiciário, e esse magistrado tem que estar preparado para elaborar uma resolução que seja consentânea com a realidade na qual estamos vivendo.”
Para o juiz substituto Israel Tibes Wense de Almeida Gomes, o debate proposto no curso de formação aprofunda a compreensão sobre a evolução histórica das teorias da justiça e da democracia. Ele destaca que esses conceitos se transformam ao longo dos séculos, desde a Antiguidade até as formulações contemporâneas.
De acordo com o magistrado, a democracia não pode ser entendida apenas como a vontade da maioria. “A democracia é construída em sociedade; ela não se resume ao desejo da maioria, mas se fundamenta na vontade constitucional.” Ele acrescenta que, nesse processo, o Judiciário exerce papel relevante na consolidação e no aprimoramento das instituições democráticas. Gomes explica ainda que o objetivo das discussões promovidas no curso é justamente ampliar o entendimento teórico e prático sobre temas como justiça e democracia. “Estamos buscando compreender como essas teorias evoluíram e como podem contribuir para o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional”, ressalta.
Já a juíza substituta Isabela Ramos Frutuoso Delmondes destacou a relevância da aula ministrada pelo desembargador Márcio Vidal para a formação dos novos magistrados. Segundo ela, o conteúdo apresentado amplia a compreensão sobre a aplicação prática da justiça. “A aula de hoje está sendo de suma importância, porque o doutor Márcio Vidal traz uma análise do consequencialismo, do caso concreto e da justiça a ser aplicada à sociedade”, afirmou. A magistrada ressaltou que a formação teórica oferecida no curso é essencial para orientar a atuação futura. “Trazemos toda uma bagagem teórica para aplicar no caso concreto, a fim de praticarmos a jurisdição e entregarmos a justiça da melhor forma possível.”
Isabela também chamou atenção para a necessidade de sensibilidade às particularidades de cada região onde os novos juízes irão atuar. Ela enfatizou que compreender o contexto local é parte fundamental da boa prestação jurisdicional. “Em cada comarca para a qual seremos designados, precisamos analisar a realidade econômica, social e a dinâmica daquela comunidade, para que possamos oferecer uma jurisdição mais adequada e específica”, destacou
Área criminal
Na quinta-feira (19 de fevereiro), o Cofi seguiu com mais uma etapa dedicada ao domínio dos sistemas essenciais à atuação na área criminal. O juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça, João Filho de Almeida Portela, retornou ao curso para aprofundar orientações sobre o BNMP 3.0, reforçando a importância de transformar a teoria apresentada anteriormente em prática segura e eficiente. Segundo ele, o objetivo é reduzir inseguranças iniciais e garantir que os novos magistrados iniciem suas atividades com pleno domínio das ferramentas.
Além do BNMP, o encontro também abordou o Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), plataforma nacional que organiza e centraliza os processos de execução penal. Portela demonstrou, na prática, o preenchimento adequado do sistema e destacou funcionalidades como alertas automáticos sobre benefícios prestes a vencer e relatórios estatísticos que auxiliam na análise da situação de pessoas presas ou em cumprimento de medidas alternativas. O uso qualificado do SEEU, ressaltou, contribui diretamente para maior agilidade, transparência e segurança jurídica.
A programação incluiu ainda a apresentação do Sistema de Apresentação Remota e Reconhecimento Facial (Saref), já implementado em todas as comarcas do Estado. A ferramenta permite que pessoas condenadas realizem o comparecimento periódico ao juízo por meio do celular, utilizando reconhecimento facial e geolocalização. De acordo com o magistrado, o sistema reduz custos, otimiza a logística das unidades e facilita o cumprimento das obrigações processuais, reforçando o compromisso do Judiciário com soluções tecnológicas que aprimoram a prestação jurisdicional.
Formação completa
O Curso Oficial de Formação Inicial, credenciado pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), combina aulas teóricas, estudos de caso, oficinas e prática supervisionada, preparando os novos magistrados para levar às comarcas soluções tecnológicas já implementadas pelo Tribunal.
A proposta é desenvolver competências técnicas, éticas e gerenciais, permitindo que os magistrados atuem como multiplicadores do conhecimento em inteligência artificial e contribuam para uma prestação jurisdicional mais eficiente e conectada às necessidades da sociedade.
A formação, iniciada no final de janeiro, segue até abril.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Desembargadora destaca fortalecimento da proteção às mulheres com delegacia 24 horas em VG
A Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis de Várzea Grande passou a funcionar em regime de plantão 24 horas, ampliando o atendimento às vítimas de violência doméstica e familiar no município. A solenidade de instalação do novo serviço, realizada na noite desta quarta-feira (06), contou com a participação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), representado pela coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher), desembargadora Maria Erotides Kneip.
Durante a cerimônia, a desembargadora destacou a importância da delegacia 24 horas como instrumento de preservação da vida das mulheres vítimas de violência. “Essa delegacia 24 horas significa garantia de vidas. Nós sabemos que os crimes de violação dos direitos humanos das mulheres acontecem normalmente no período noturno e nos finais de semana. Sem profissionais capacitados e uma estrutura preparada para acolher essa vítima, não conseguimos impedir verdadeiramente o feminicídio”, afirmou.
A magistrada também ressaltou a atuação da Cemulher-TJMT na articulação e fortalecimento das redes de enfrentamento à violência contra a mulher, em parceria com instituições do sistema de Justiça, segurança pública, saúde, assistência social e prefeituras municipais. “Hoje completamos 117 redes no estado de Mato Grosso, todas estruturadas para o acolhimento e atendimento das mulheres vítimas de violência. Esse trabalho integrado é essencial para fortalecer o enfrentamento”, pontuou.
O governador Otaviano Pivetta afirmou que a implantação da delegacia simboliza o compromisso do Estado no combate à violência contra mulheres, crianças e pessoas vulneráveis. “Essa delegacia da mulher simboliza a disposição que temos de enfrentar o crime de todas as formas, especialmente esse mais covarde de todos, que é o feminicídio e a agressão contra mulheres e crianças”, declarou.
Já a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, reforçou que a medida representa uma mudança histórica para o município. “É uma decisão que muda a história da violência contra a mulher, contra a criança e contra os idosos. Essa luta começou ainda com a Maria Erotides, quando atuava no fórum, e cresceu como um grande movimento”, frisou.
Atendimento humanizado e estrutura ampliada
A unidade passa a funcionar em novo endereço, localizado na Avenida Senador Filinto Müller, nº 2225, bairro Centro Norte, em Várzea Grande, com atendimento ininterrupto e estrutura voltada ao acolhimento humanizado das vítimas. O espaço conta com equipes formadas por delegados, escrivães e investigadores capacitados para atuar em ocorrências de violência contra mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade.
A delegada da Polícia Civil Paula Gomes Araújo, responsável pela unidade, explicou que o atendimento 24 horas amplia a capacidade de acolhimento e assistência às vítimas. “A dor não tem hora e o acolhimento também não pode ter. Agora teremos uma equipe plantonista com delegado, investigadores e escrivãs atuando durante a noite e nos finais de semana, além da equipe do expediente normal”, disse.
Ela também reforçou a importância da atuação integrada da rede de enfrentamento à violência contra a mulher no município. “Não vamos fazer esse trabalho sozinhos. O apoio do Poder Judiciário, Ministério Público, assistência social, saúde e Prefeitura é fundamental para garantir resultados positivos”, concluiu.
Também participaram da solenidade os secretários estaduais Mauro Carvalho (Casa Civil) e coronel da Polícia Militar, Susane Tamanho (Segurança Pública), além da delegada Mariel Antonini, chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, representantes da Polícia Civil, do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), parlamentares federais, estaduais e municipais, entre outras autoridades.
Autor: Emily Magalhães
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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