STF
Ministra Rosa Weber recebe Diploma Bertha Lutz no Congresso Nacional
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, foi homenageada na manhã desta quarta-feira (8) com o Diploma Bertha Lutz, em sessão solene realizada no plenário do Senado Federal em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. O prêmio foi criado em 2001 para homenagear personalidades que se destacaram na luta pelos direitos da mulher e em questões de gênero. Ao receber a honraria das mãos do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ela reafirmou o direito das mulheres à igualdade de tratamento e de acesso aos espaços públicos como forma de luta contra a discriminação de gênero. “Não se trata de projeto realizado, mas sim de projeto em permanente construção”, disse.
A ministra ressaltou que nem mesmo o Poder Judiciário em seus campos de atuação “está imune à cultura de subjugação e de desqualificação do feminino de que está impregnada a sociedade brasileira” e manifestou grande preocupação com o crescimento alarmante do número de casos de violência contra a mulher. Segundo ela, em sociedade marcada pelo machismo estrutural, edificaram-se as estruturas procedimentais e de tomada de decisão, “de modo a não considerar a mulher como um ator político institucional relevante no projeto democrático constitucional”.
Nesse sentido, defendeu a necessidade de revisão de normas, práticas e políticas reprodutoras de desigualdade de gênero, de forma a se conquistar igualdade formal, na lei, e uma igualdade substancial efetiva. Citando a historiadora Mary Del Priore, a ministra lembrou que a questão feminina no Brasil permaneceu excluída da própria história como disciplina até a década de 1970 do século XX. Disse que o espaço era demarcado pelas representações masculinas dos historiadores que produziam com exclusividade a reconstituição da história. Na avaliação dela é preciso evoluir nas conquistas, “sobretudo sob a ótica das relações de poder na sociedade”.
Demais homenageadas
Juntamente à ministra Rosa Weber foram agraciadas com o diploma a cientista política Ilona Szabó, a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, a jornalista Nilza Valéria Zacarias e a socióloga Rosângela Silva (Janja). Os nomes foram indicados pela bancada feminina no Senado, atualmente composta por 15 senadoras. O prêmio também foi entregue in memoriam à indígena potiguara Clara Filipa Camarão, considerada uma das heroínas da pátria por ter liderado um grupo de mulheres contra as invasões holandesas no século XVII, em Pernambuco, e à jornalista Glória Maria, que morreu no mês passado vítima de câncer.
Rosa Weber disse receber com honra e orgulho um diploma com o nome de Bertha Lutz e ao lado de mulheres tão expressivas e com tantas contribuições relevantes para questões de gênero. “Que nós, homens e mulheres, possamos sempre caminhar lado a lado na construção de uma sociedade mais justa”, concluiu ao compartilhar a honraria com as juízas e demais mulheres guerreiras e valentes do Brasil.
Bertha Lutz
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse do orgulho de conceder o prêmio Bertha Lutz como símbolo de luta em defesa da igualdade incondicional entre homens e mulheres. Ele lembrou que a bióloga, advogada e ativista do movimento feminista foi uma das poucas mulheres a participar da Carta das Nações Unidas, em 1945, atuando para garantir que os direitos das mulheres estivessem previstos e garantidos no documento em favor dos direitos humanos e da paz mundial. Segundo Pacheco, “é preciso assegurar a representação feminina nos espaços de poder e na política”, destacando que o legado de Bertha Lutz segue muito bem representado.
AR//GR
*Com informações da Agência Senado
Fonte: STF
STF
Dino endurece punição contra juízes e determina fim da aposentadoria compulsória como sanção disciplinar
Decisão do ministro do STF estabelece que magistrados que cometam infrações graves poderão perder o cargo, em vez de apenas serem aposentados com salário proporcional
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá aplicar punições mais severas contra magistrados que cometam infrações disciplinares graves. Pela decisão, a perda do cargo passa a ser considerada a principal sanção, substituindo a tradicional aposentadoria compulsória.
A medida representa uma mudança significativa no sistema disciplinar da magistratura brasileira. Até então, a aposentadoria compulsória era considerada a punição administrativa máxima para juízes que cometiam irregularidades.
Na prática, porém, a medida sempre foi alvo de críticas porque, mesmo afastado da função, o magistrado continuava recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço, o que frequentemente era interpretado como uma espécie de benefício e não como punição efetiva.
Com o novo entendimento firmado por Dino, casos graves devem resultar na perda do cargo, com a consequente perda do salário.
Segundo o ministro, uma emenda constitucional aprovada em 2019 já havia eliminado a chamada aposentadoria compulsória punitiva, o que reforça a necessidade de um sistema disciplinar mais efetivo dentro do Judiciário.
“Não faz mais sentido que os magistrados fiquem imunes a um sistema efetivo de responsabilidade disciplinar, com a repudiada e já revogada aposentadoria compulsória punitiva”, escreveu o ministro na decisão.
Dino destacou ainda que, devido à vitaliciedade do cargo de magistrado, a perda da função depende de decisão judicial. Assim, quando o CNJ concluir pela demissão, o caso deverá ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que analisará a medida.
A decisão vale para juízes e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não se aplica aos ministros do próprio STF.
Caso analisado
A decisão foi tomada durante a análise de uma ação apresentada por um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que buscava anular decisões do CNJ que resultaram em sua aposentadoria compulsória.
O magistrado atuava na Comarca de Mangaratiba (RJ) e foi punido após investigações apontarem diversas irregularidades em sua atuação.
Entre as condutas apontadas pelo CNJ estão: favorecimento de grupos políticos da cidade;
liberação de bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público;
direcionamento de processos para concessão de liminares em benefício de policiais militares ligados a milícias;
irregularidades no julgamento de ações envolvendo policiais militares que buscavam reintegração à corporação;
anotação irregular da sigla “PM” na capa de processos para identificar ações envolvendo policiais militares.
Após ser punido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e posteriormente pelo CNJ com aposentadoria compulsória, o magistrado acionou o Supremo Tribunal Federal.
A análise do caso levou o ministro Flávio Dino a estabelecer o novo entendimento sobre as punições disciplinares aplicadas a magistrados no país.
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