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Programa de inteligência artificial do TJ-PR é apresentado no “Sextas Inteligentes”

A ferramenta de inteligência artificial Larry Assessor – IAA, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), foi apresentada, no último dia 19, no projeto “Sextas Inteligentes”. Organizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o evento ocorre semanalmente, de forma virtual, reunindo integrantes dos Núcleos de Gerenciamento de Precedentes (Nugeps) de todo o país.

Os representantes do TJ-PR – Luciano Valério, supervisor do Núcleo de Gerenciamento de Precedentes e de Ações Coletivas (Nugepnac), Luciano Carvalho, diretor da Assessoria de Recursos do TJ-PR, e Miguel Angelo de Barros Moutinho Neto, analista de sistemas do Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação (DTIC) – explicaram como funciona o programa, voltado para os recursos especiais e extraordinários.

O módulo utiliza um modelo treinado de reconhecimento de linguagem natural, técnica proveniente da área de inteligência artificial para reconhecer e apontar recursos semelhantes no momento em que um recurso estiver sendo analisado pela 1ª Vice-Presidência. A ferramenta permite pesquisar por maior ou menor grau de similaridade e por palavras-chave. O armazenamento abrange petições interpostas aos tribunais superiores, acórdãos recorridos e decisões da própria 1ª Vice-Presidência.

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Segundo Luciano Valério, o uso da inteligência artificial tem se mostrado muito eficiente para a separação de recursos e o encaminhamento aos tribunais superiores como grupos de representativos, com o intuito de ver as questões jurídicas afetadas pelas cortes superiores. “Também estamos iniciando o desenvolvimento da inteligência artificial para a verificação da multiplicidade nos casos de pedidos de incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR), sendo possível, assim, ter uma efetiva noção de quantos processos e recursos então tratando de determinado assunto em todo o Estado do Paraná”, assinalou.

Compartilhamento de informações

Por sua vez, Luciano Carvalho avaliou que a participação no “Sextas Inteligentes” foi muito válida, pois serviu para compartilhar com outros tribunais as soluções de inteligência artificial e de automação em desenvolvimento no TJ-PR. “O encontro também possibilitou a troca de ideias, e os questionamentos dos colegas possibilitaram que novas soluções fossem imaginadas e melhoras nas futuras ferramentas fossem vislumbradas”, apontou.

Miguel Angelo de Barros Moutinho Neto elogiou a iniciativa do STF de fazer essas reuniões semanais. “É muito importante esse espaço de debate, pois sabemos como é necessária essa aproximação entre as áreas de Direito e tecnologia”, afirmou. Ele destacou, ainda, a importância do convênio assinado entre o TJ-PR e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para o desenvolvimento do Larry Assessor – IAA.

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Para o supervisor do Nugep do Supremo, Júlio Luz Sisson de Castro, a iniciativa do TJ-PR está atualizada com tudo de mais moderno nessa área. “Outra vantagem é que a ferramentas está conversando com outros programas de inteligência artificial do Judiciário. O compartilhamento de informações e soluções potencializa o nosso trabalho e permite que não cometamos os mesmos erros”, aponta.

Na gestão do ministro Luiz Fux, foram realizadas mais de 60 reuniões do “Sextas Inteligentes”. O objetivo é colocar em prática uma das metas da sua gestão de trazer mais racionalidade ao sistema judicial e fortalecer o sistema de precedentes qualificados.

RP/AD

Fonte: STF

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Dino endurece punição contra juízes e determina fim da aposentadoria compulsória como sanção disciplinar

Decisão do ministro do STF estabelece que magistrados que cometam infrações graves poderão perder o cargo, em vez de apenas serem aposentados com salário proporcional

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá aplicar punições mais severas contra magistrados que cometam infrações disciplinares graves. Pela decisão, a perda do cargo passa a ser considerada a principal sanção, substituindo a tradicional aposentadoria compulsória.

A medida representa uma mudança significativa no sistema disciplinar da magistratura brasileira. Até então, a aposentadoria compulsória era considerada a punição administrativa máxima para juízes que cometiam irregularidades.

Na prática, porém, a medida sempre foi alvo de críticas porque, mesmo afastado da função, o magistrado continuava recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço, o que frequentemente era interpretado como uma espécie de benefício e não como punição efetiva.
Com o novo entendimento firmado por Dino, casos graves devem resultar na perda do cargo, com a consequente perda do salário.

Segundo o ministro, uma emenda constitucional aprovada em 2019 já havia eliminado a chamada aposentadoria compulsória punitiva, o que reforça a necessidade de um sistema disciplinar mais efetivo dentro do Judiciário.

“Não faz mais sentido que os magistrados fiquem imunes a um sistema efetivo de responsabilidade disciplinar, com a repudiada e já revogada aposentadoria compulsória punitiva”, escreveu o ministro na decisão.

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Dino destacou ainda que, devido à vitaliciedade do cargo de magistrado, a perda da função depende de decisão judicial. Assim, quando o CNJ concluir pela demissão, o caso deverá ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que analisará a medida.

A decisão vale para juízes e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não se aplica aos ministros do próprio STF.

Caso analisado

A decisão foi tomada durante a análise de uma ação apresentada por um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que buscava anular decisões do CNJ que resultaram em sua aposentadoria compulsória.

O magistrado atuava na Comarca de Mangaratiba (RJ) e foi punido após investigações apontarem diversas irregularidades em sua atuação.
Entre as condutas apontadas pelo CNJ estão: favorecimento de grupos políticos da cidade;
liberação de bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público;
direcionamento de processos para concessão de liminares em benefício de policiais militares ligados a milícias;
irregularidades no julgamento de ações envolvendo policiais militares que buscavam reintegração à corporação;
anotação irregular da sigla “PM” na capa de processos para identificar ações envolvendo policiais militares.

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Após ser punido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e posteriormente pelo CNJ com aposentadoria compulsória, o magistrado acionou o Supremo Tribunal Federal.

A análise do caso levou o ministro Flávio Dino a estabelecer o novo entendimento sobre as punições disciplinares aplicadas a magistrados no país.

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