TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Poder Judiciário de MT e PGE iniciam execução de plano para agilizar processos judiciais

O Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais de Mato Grosso solicitou, na quinta-feira (21 de agosto), aos juízes dos Núcleos de Justiça Digital dos Juizados Especiais de Cuiabá e aos Juizados Especiais de Várzea Grande (Criminal e da Fazenda Pública), Sinop e Rondonópolis, o encaminhamento dos processos relacionados a dois temas específicos: processos de abono de permanência e férias de professores temporários.

A demanda atende a uma solicitação do juiz coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Fazenda Pública, Bruno D’Oliveira Marques, e do procurador do Estado de Mato Grosso, Victor Saad Cortez, e cumpre o disposto no Plano de Trabalho e no Termo de Cooperação Técnica nº 04/2025.

O Termo de Cooperação Técnica foi firmado entre o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e a Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ-MT), por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), do Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJud) e do Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais; e o Estado de Mato Grosso, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag).

De acordo com o presidente do Conselho de Supervisão, desembargador Sebastião de Arruda Almeida, a iniciativa visa agilizar o andamento e reduzir o estoque de processos judiciais. “Queremos tornar o trabalho da máquina administrativa e judicial mais eficiente e promover a resolução consensual de conflitos em casos onde o Estado é parte”.

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O plano de trabalho foca em temas específicos com prazos e competências judiciárias definidos. O fluxo prevê análise, manifestação e eventual formulação de proposta de conciliação pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) no âmbito do Cejusc da Fazenda, em conformidade com os prazos e regras já estabelecidas.

Casos prioritários e prazos

As ações prioritárias, agora solicitadas para encaminhamento, incluem:

Processos de abono de permanência – Casos em fase de conhecimento ou execução que discutam a data de início do direito aos abonos de permanência de servidores públicos civis e o respectivo ressarcimento.

Férias de professores temporários – Execuções individuais de sentenças coletivas que concedam a professores temporários da Secretaria de Estado de Educação o direito a férias e terço constitucional de férias.

O plano prevê o encaminhamento à transação, pelo CEJUSC-Fazenda, e, posteriormente, a homologação pelo juízo competente, quando, então, o servidor receberá a verba reconhecida.

Há, também, previsão de extensão dos temas de execução de sentenças sobre FGTS e a extensão dos efeitos dos temas a todas as varas do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso a partir de novembro de 2025, com a disponibilização de novos sistemas de Tecnologia da Informação (TI).

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Fluxo de trabalho e tecnologia

O desembargador presidente do Conselho explicou que, para executar as atividades, o Poder Judiciário disponibilizará, inicialmente, quatro contadores e um profissional de Tecnologia da Informação para auxiliar nos cálculos e na criação de sistemas automatizados que ajudem a PGE a montar propostas de acordo.

Os processos que se enquadrem nos temas definidos deverão ser encaminhados pelos magistrados para o Cejusc, que intimará a PGE para manifestação sobre uma possível conciliação assíncrona, com um prazo de 30 dias.

A proposta de conciliação é por adesão, sem possibilidade de negociação por parte do particular. Se aceita, o magistrado homologará o acordo. Caso a tentativa de acordo não seja bem-sucedida, o processo será devolvido ao juízo de origem.

A PGE se compromete a registrar os processos, compilando informações sobre o número de casos analisados, as propostas de conciliação, os valores envolvidos, a economia gerada e a quantidade de acordos realizados.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Curso reúne especialistas para discutir avanço das demandas ambientais no Judiciário

As mudanças climáticas, os conflitos fundiário, os impactos sobre os biomas e a crescente judicialização das questões ambientais exigem do Poder Judiciário uma atuação cada vez mais técnica e multidisciplinar. Foi nesse contexto que magistrados e servidores participaram, nesta quinta-feira (7), do primeiro dia do curso “Introdução ao Direito Ambiental – no Limiar de um Novo Paradigma Jurídico Ecocêntrico no Antropoceno”, promovido pelo Centro de Estudos Integrados em Meio Ambiente (Cesima) e pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT).

A capacitação, voltada prioritariamente a magistrados com competência ambiental, reúne os juristas Ingo Wolfgang Sarlet e Tiago Fensterseifer, dois dos principais estudiosos brasileiros na área dos direitos fundamentais e da proteção ambiental. A proposta é oferecer uma formação que parte dos fundamentos filosóficos e históricos do Direito Ambiental até os reflexos práticos nas decisões judiciais diante de conflitos cada vez mais complexos.

Na abertura do curso, o coordenador da iniciativa, desembargador Rodrigo Curvo, destacou que o Direito Ambiental deixou de ocupar um espaço periférico dentro do sistema jurídico e passou a dialogar diretamente com temas centrais da sociedade contemporânea, como saúde, economia, dignidade humana e segurança jurídica. Segundo ele, a necessidade de capacitação da magistratura acompanha a transformação dos próprios conflitos levados ao Judiciário.

“O direito ambiental dialoga diretamente com a vida, com a saúde, com a dignidade humana, com a economia, com a segurança jurídica e com o próprio futuro das cidades, das comunidades, das próximas gerações”, afirmou o desembargador. Rodrigo Curvo ressaltou ainda que preparar magistrados para lidar com essas demandas significa fortalecer a prestação jurisdicional, especialmente diante de questões que ultrapassam os limites de interesses individuais e exigem análise dos impactos sociais e ecológicos das decisões.

Ele também enfatizou a relevância acadêmica da presença dos professores Ingo Sarlet e Tiago Fensterseifer, reconhecidos nacional e internacionalmente pela produção jurídica voltada à proteção ambiental e climática. Para o magistrado, o curso nasce como um espaço de reflexão qualificada e aprofundamento técnico sobre uma área que tende a ocupar cada vez mais espaço no cotidiano judicial.

Uma das responsáveis pela organização da capacitação, a juíza Henriqueta Fernanda Chaves de Alencar Ferreira Lima destacou que a proposta do curso surge em um momento em que os impactos ambientais deixaram de ser uma preocupação apenas teórica e passaram a influenciar diretamente a realidade social, econômica e jurídica.

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Segundo a magistrada, Mato Grosso possui características que tornam esse debate ainda mais urgente. O estado abriga três importantes biomas, realidade que intensifica os desafios relacionados à preservação ambiental, ao desenvolvimento econômico e à solução de conflitos complexos.

Henriqueta observou que a pauta ambiental exige hoje um olhar multidisciplinar e sensível por parte da magistratura. “O mundo mudou e os tipos de conflitos também mudaram. Muitos desses conflitos estão justamente relacionados com questões ambientais”, afirmou. Para ela, a intenção do curso é justamente ampliar a compreensão dos magistrados sobre essas transformações e contribuir para respostas judiciais mais adequadas diante da complexidade dos casos.

Ao longo da programação, os participantes discutiram o avanço do Direito Ambiental e, especialmente, do Direito Climático, ramo que ganhou maior protagonismo nos últimos anos diante da intensificação dos eventos climáticos extremos e das decisões judiciais relacionadas à proteção do meio ambiente.

Um dos professores do curso, Tiago Fensterseifer, chamou atenção para o crescimento da atuação do Poder Judiciário em demandas envolvendo mudanças climáticas, proteção da biodiversidade e políticas públicas ambientais. Ele citou julgamentos recentes do Supremo Tribunal Federal relacionados ao Fundo Clima e ao Fundo Amazônia como exemplos do reconhecimento de deveres estatais de proteção climática.

O jurista destacou ainda que o debate ambiental passou a incorporar também a jurisprudência internacional, especialmente decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Segundo ele, no ano passado a Corte reconheceu o direito humano ao clima saudável, ampliando a compreensão tradicional do direito ao meio ambiente equilibrado.

Para Tiago Fensterseifer, a emergência climática já faz parte da realidade brasileira e atinge diretamente a vida das pessoas. Ele lembrou episódios recentes, como enchentes no Sul do país, secas severas e incêndios florestais em diferentes regiões do Brasil. “Hoje você não tem como assegurar a proteção de direitos fundamentais sem um olhar muito sensível para a questão ambiental, climática e da poluição”, afirmou.

O professor também elogiou a iniciativa da Esmagis-MT de investir na formação continuada dos magistrados. Para ele, a atualização técnica é indispensável diante das constantes mudanças legislativas e jurisprudenciais na área ambiental e climática, especialmente porque os juízes estão na linha de frente das respostas institucionais aos conflitos decorrentes da crise ambiental.

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Também professor do curso, Ingo Wolfgang Sarlet ressaltou que discutir Direito Ambiental deixou de ser uma conveniência acadêmica para se tornar uma necessidade estratégica das carreiras jurídicas. Segundo ele, o crescimento das demandas ambientais e os efeitos da crise climática tornam indispensável a formação contínua dos integrantes do sistema de Justiça.

Sarlet observou que o Judiciário brasileiro tem assumido papel de destaque na proteção ambiental, inclusive em comparação com tribunais de outros países, com decisões consideradas inovadoras e de forte impacto social. Para o professor, muitas dessas demandas envolvem não apenas empresas e particulares, mas também omissões e falhas do próprio poder público.

Ele ressaltou ainda que os conflitos ambientais exigem diálogo com outras áreas do conhecimento, especialmente a ciência, além do enfrentamento à desinformação e ao negacionismo climático. “Qualquer pessoa com mínimo de bom senso vai ter que pensar no ambiente”, afirmou o jurista, ao defender a consolidação de uma cultura de cuidado e responsabilidade ambiental aliada ao desenvolvimento econômico.

Participante da capacitação, o juiz Maurício Alexandre Ribeiro, da Comarca de Lucas do Rio Verde, destacou a importância da atualização permanente da magistratura, especialmente em Mato Grosso, onde os conflitos ambientais fazem parte da realidade cotidiana do Judiciário. Segundo ele, a presença dos três biomas no Estado torna as demandas ainda mais específicas e complexas.

O magistrado ressaltou que o curso representa uma oportunidade de aperfeiçoamento técnico diante das constantes alterações legislativas e normativas relacionadas ao tema ambiental. “A carreira jurídica é uma atualização constante”, afirmou, ao elogiar a iniciativa da Esmagis-MT e do desembargador Rodrigo Curvo em promover a formação voltada aos desafios contemporâneos do Direito Ambiental.

O curso segue nesta sexta-feira (8) e integra o eixo temático “Meio Ambiente” da Esmagis-MT. A certificação para magistrados será emitida pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (Enfam), para fins de vitaliciamento e promoção na carreira.

Autor: Flávia Borges

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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