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Mais capacitação: corregedoria está discutindo a elaboração de manual com agentes da infância

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A “Elaboração dos Manuais dos Agentes da Infância e Juventude” foi o tema de um encontro entre profissionais desta área na Escola dos Servidores do Poder Judiciário. Uma parceria entre a Corregedoria e a Presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio da Escola. Nesta fase 62 agentes da infância de um total de 138 representantes de todas as entrâncias, participaram. Eles trocam experiências e trabalham para desenvolver uma padronização de ações a fim de se melhorar a atuação em todo Estado. O encontro foi aberto pelo corregedor, desembargador José Zuquim Nogueira.
 
“Não mediremos esforços para que vocês sejam reconhecidos como os responsáveis pela entrega desta atividade à sociedade. Queremos valorizar vocês com a interação entre a Corregedoria e todo o Poder Judiciário. Esse serviço e esta atividade a serem realizados nestes dois dias serão inclusive o alicerce das atividades futuras. Vai ser um verdadeiro divisor de águas para que seja apresentado uma melhor uniformidade e inclusive com melhor aproveitamento para servidores e as secretarias. Vocês estão aqui para construírem um fluxo de trabalho uniforme e foram escolhidos pelo conhecimento e expertise que cada um apresentou, sem desmerecer quem ainda não está. Este é um momento de integração entre vocês para a melhoria dos serviços. Com isto reforçamos a necessidade desta função, do agente da infância nos quadros do Judiciário. A minha gratidão pelo acolhimento de vocês ao nosso convite. Que vocês tenham um profícuo resultado. A sociedade ganhará muito com isso“, ressaltou o corregedor em seu discurso.
 
O encontro teve a participação dos agentes e também de três magistrados de varas de infância e juventude de Mato Grosso. O juiz da 2ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, Tulio Duailibi Alves Souza; o juiz da Vara Especializada da Infância e Juventude de Várzea Grande, Carlos José Rondon Luz e da Vara Especializada da Infância e Juventude de Sinop, Jacob Sauer. “Tivemos a possibilidade de dialogar com os agentes da infância e juventude. Isso foi ótimo. Haverá uma sistematização, uma uniformização das atividades dos agentes para que o próprio sistema da Infância e Juventude se organize e trace melhores ações. Que as comarcas sejam agraciadas com atividades que a própria Administração possa nortear e com isso teremos um alcance muito bom das campanhas e projetos permanentes que sejam definidos. O ganho será enorme para todos nós. É um momento muito especial para a carreira dos agentes que contarão com maior respaldo para suas atuações”, disse o juiz Túlio.
 
“A ideia da Corregedoria é padronizar entendimentos e ações. Conhecer as boas práticas e em conjunto com os agentes, que são grandes interessados, desenvolver as entregas e procedimentos para que elas sejam realizadas. Teremos um padrão de fluxo para os agentes da infância que será adotado no Estado todo. Assim teremos mais efetividade aos recursos gastos. Entregaremos melhor e mais”, considerou o coordenador da Corregedoria-Geral da Justiça, Flávio de Paiva Pinto, que anunciou que outros manuais entrarão em fase de construção com suas respectivas áreas. Uma forma de prestigiar os profissionais que atuam diretamente e também minimizar erros.
 
“Quero manifestar minha satisfação de ter ouvido as palavras do corregedor. O quanto nosso trabalho é importante e necessário para o Estado de Mato Grosso”, ressaltou a agente de Sinop, com mais de 30 anos de experiência na área, Rosana Pereira da Rocha. “Faz tempo que pedimos por este manual. Lógico que cada comarca tem sua particularidade, mas se tivermos um manual que nos indique as melhores formas de desempenharmos nossas funções, será maravilhoso do ponto de vista da segurança. Essa troca de experiências ajuda a melhorar muito. Atuamos muito mais do que a fiscalização noturna, como o cumprimento de ordens judicias, busca e apreensão com oficiais de Justiça, entre outros… são inúmeras atividades, que exigem direcionamento para termos excelência”, aduziu a agente da infância e juventude de Sorriso, Charlene Gabriela Demkonki, que atua desde 1999 na área. “Muito bom ser ouvido e também ouvir as necessidades de outras áreas. Acho uma oportunidade única, embora tenhamos legislações próprias como o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). Dá uma esperança de melhoramos o que fazemos“, concluiu o agente de Colíder, Arnaldo Leite Albuquerque, que atua desde o ano 2 mil na área.
 
“Compreendo que esta ação para a o encontro de nossos servidores é essencial. Eles se encontram somente nestes casos. É uma forma de entrosamento e de se sentirem prestigiados pela alta Administração da instituição. Percebi isso no semblante e também nos dizeres de muitos deles. Eles anotaram muitas coisas e aproveitaram a oportunidade para nos questionarem sobre vários temas. Nosso trabalho continua, vamos analisar as indicações que nos foram apontadas e dar as devidas respostas“, destacou a diretora-geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Claudenice Deijany Farias de Costa.
 
#Paratodosverem Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagens: Foto 1: Horizontal e colorida mostrando o corregedor ao microfone e em pé, conversando com os participantes, que estão sentados. Foto 2: Horizontal e colorida. O coordenador da Corregedoria ouve atentamente colocações dos agentes da infância. Foto 3: Horizontal e colorida da gente da infância de Sorriso. Ela usa óculo e está de crachá.
 
Ranniery Queiroz / Fotos Adilson Cunha
Assessor de imprensa CGJ
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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