TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Juiz ministra palestra para mulheres em vulnerabilidade social

“O projeto Chita & Fuxico é extraordinário e de um alcance social ímpar. Ele traz luz e dignidade humana para um grupo de mulheres em vulnerabilidade social, como as vítimas de violência doméstica. Como embaixador desse projeto estou muito feliz de participar desse dia especial, de conversar com todas e principalmente levar informação e conhecimento para a quebra do ciclo da violência”, disse o juiz da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, Jamilson Haddad Campos. O magistrado proferiu palestra no lançamento da segunda etapa do projeto Chita & Fuxico, no Bairro Osmar Cabral, em Cuiabá. Cerca de 70 mulheres participaram do encontro.
 
A iniciativa, que ocorreu no sábado (17 de setembro), idealizada pela Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais-BPW, contempla em seu eixo estrutural a qualificação e a geração de renda, de mulheres em situação de vulnerabilidade social, por renda, vítimas de violência doméstica, mães com filhos portadores de necessidades especiais.
 
“Nós vivemos em uma sociedade patriarcal e machista, por vezes as mulheres vivem relacionamentos abusivos, se sentem culpadas, muito por conta do agressor, tem baixa autoestima e muita dificuldade de sair do relacionamento, seja por uma dependência emocional ou financeira. Então o projeto cumpre um papel social muito importante ao dar conhecimento para que essas mulheres aprendam uma profissão e se sintam mais empoderadas para sair desse ciclo de abuso. Como juiz da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar falar desse assunto, fazer parte desse projeto, é muito gratificante, pois traz esperança às mulheres. O Poder Judiciário procura sempre fazer a sua parte e contribuir com ações voltadas à prevenção e ao combate à violência contra as mulheres”, afirmou.
 
Segundo a presidente da BPW, Rubia Ranzani, o encontro marcou o início da segunda fase do projeto na Seara Espírita. “O primeiro núcleo a receber a Chita & Fuxico foi o Flor Ribeirinha ano passado, agora no segundo semestre iniciamos o núcleo da Seara Espírita. Estamos com inscrições abertas para aquelas mulheres que querem aprender corte, costura e artesanato. Por ser uma região mais afastada da área central, nosso foco são mulheres da região do Osmar Cabral, mas em si é aberto a todas que tiverem interesse em participar”, detalha.
 
Os cursos acontecem duas vezes na semana, às segundas e terças-feiras, por duas horas. “Elas aprendem a fazer roupas de cama, mesa, banho, aventais, caminhos de mesas, tapetes, entre outros. Nosso foco é capacitá-las em todos os sentidos, seja em corte e costura, artesanato, mas também com palestras de empoderamento e empreendedorismo. Elas, além da parte técnica, precisam saber quanto custa uma agulha ou um tecido, por exemplo, e quanto cobrar pelas peças. Ainda durante o ciclo o dr. Jamilson irá realizar pelo menos duas palestras voltada para essas mulheres, sempre com intuito de conscientizar sobre o tema. Outra novidade é que fechamos uma parceria com os Correios e eles estão doando os uniformes seminovos e as bolsas/malotes e nós estamos usando esses materiais para produzir produtos regionais”, contou.
 
Já a presidente da Seara Espírita de Luz, Elione Fátima de Almeida Santos, destacou a grande receptividade das mulheres com o projeto. “Inicialmente muitas acharam que seria algo difícil que não seriam capazes e aos poucos viram que não era assim, que elas conseguiam. E essa mudança de chave, de que elas são capazes, de aprender algo novo tem sido muito gratificante. Dá para ver nos depoimentos delas, de algumas das alunas que já estão fazendo as roupas para a família. Destaco ainda a fala do juiz Jamilson que me tocou profundamente mostrando que não temos apenas que pensar em punir é preciso educar para não repetir o ciclo, principalmente nas famílias”, disse.
 
A palestra do magistrado também foi destacada pela participante do projeto, Marina Rodrigues. “Como alguém que já sofreu violência doméstica no passado é muito importante falar sobre o assunto. E mesmo agora aprendi algo novo. Esse projeto tem sido uma oportunidade única para as mulheres e estou orgulhosa de fazer parte”, disse.
 
Já a Maria José de Oliveira destaca a busca da independência financeira como um dos pontos de maior relevância. “Aquilo que o juiz falou de que muitas mulheres que sofrem abuso terem medo de terminar o relacionamento porque dependem dos maridos é a grande realidade, mas palestras como essa e o projeto ajudam a mudar isso. Tenho certeza que várias mulheres vão ter um olhar diferente a partir de agora”, afirmou.
 
#ParaTodosVerem: esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência. Imagem 1: Foto horizontal colorida. Todos os participantes e o palestrante estão sentados e perfilados. 2: Foto horizontal colorida. O magistrado está de pé, ele fala ao microfone com as mulheres que estão todas sentadas no auditório. Ele está vestido de camisa polo cinza, calça jeans e tênis branco. Atrás dele, estão expostos diversos produtos produzidos pelo projeto, blazers, avental, entre outros.
 
Larissa Klein
Assessoria de Imprensa CGJ 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Curso reúne especialistas para discutir avanço das demandas ambientais no Judiciário

As mudanças climáticas, os conflitos fundiário, os impactos sobre os biomas e a crescente judicialização das questões ambientais exigem do Poder Judiciário uma atuação cada vez mais técnica e multidisciplinar. Foi nesse contexto que magistrados e servidores participaram, nesta quinta-feira (7), do primeiro dia do curso “Introdução ao Direito Ambiental – no Limiar de um Novo Paradigma Jurídico Ecocêntrico no Antropoceno”, promovido pelo Centro de Estudos Integrados em Meio Ambiente (Cesima) e pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT).

A capacitação, voltada prioritariamente a magistrados com competência ambiental, reúne os juristas Ingo Wolfgang Sarlet e Tiago Fensterseifer, dois dos principais estudiosos brasileiros na área dos direitos fundamentais e da proteção ambiental. A proposta é oferecer uma formação que parte dos fundamentos filosóficos e históricos do Direito Ambiental até os reflexos práticos nas decisões judiciais diante de conflitos cada vez mais complexos.

Na abertura do curso, o coordenador da iniciativa, desembargador Rodrigo Curvo, destacou que o Direito Ambiental deixou de ocupar um espaço periférico dentro do sistema jurídico e passou a dialogar diretamente com temas centrais da sociedade contemporânea, como saúde, economia, dignidade humana e segurança jurídica. Segundo ele, a necessidade de capacitação da magistratura acompanha a transformação dos próprios conflitos levados ao Judiciário.

“O direito ambiental dialoga diretamente com a vida, com a saúde, com a dignidade humana, com a economia, com a segurança jurídica e com o próprio futuro das cidades, das comunidades, das próximas gerações”, afirmou o desembargador. Rodrigo Curvo ressaltou ainda que preparar magistrados para lidar com essas demandas significa fortalecer a prestação jurisdicional, especialmente diante de questões que ultrapassam os limites de interesses individuais e exigem análise dos impactos sociais e ecológicos das decisões.

Ele também enfatizou a relevância acadêmica da presença dos professores Ingo Sarlet e Tiago Fensterseifer, reconhecidos nacional e internacionalmente pela produção jurídica voltada à proteção ambiental e climática. Para o magistrado, o curso nasce como um espaço de reflexão qualificada e aprofundamento técnico sobre uma área que tende a ocupar cada vez mais espaço no cotidiano judicial.

Uma das responsáveis pela organização da capacitação, a juíza Henriqueta Fernanda Chaves de Alencar Ferreira Lima destacou que a proposta do curso surge em um momento em que os impactos ambientais deixaram de ser uma preocupação apenas teórica e passaram a influenciar diretamente a realidade social, econômica e jurídica.

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Segundo a magistrada, Mato Grosso possui características que tornam esse debate ainda mais urgente. O estado abriga três importantes biomas, realidade que intensifica os desafios relacionados à preservação ambiental, ao desenvolvimento econômico e à solução de conflitos complexos.

Henriqueta observou que a pauta ambiental exige hoje um olhar multidisciplinar e sensível por parte da magistratura. “O mundo mudou e os tipos de conflitos também mudaram. Muitos desses conflitos estão justamente relacionados com questões ambientais”, afirmou. Para ela, a intenção do curso é justamente ampliar a compreensão dos magistrados sobre essas transformações e contribuir para respostas judiciais mais adequadas diante da complexidade dos casos.

Ao longo da programação, os participantes discutiram o avanço do Direito Ambiental e, especialmente, do Direito Climático, ramo que ganhou maior protagonismo nos últimos anos diante da intensificação dos eventos climáticos extremos e das decisões judiciais relacionadas à proteção do meio ambiente.

Um dos professores do curso, Tiago Fensterseifer, chamou atenção para o crescimento da atuação do Poder Judiciário em demandas envolvendo mudanças climáticas, proteção da biodiversidade e políticas públicas ambientais. Ele citou julgamentos recentes do Supremo Tribunal Federal relacionados ao Fundo Clima e ao Fundo Amazônia como exemplos do reconhecimento de deveres estatais de proteção climática.

O jurista destacou ainda que o debate ambiental passou a incorporar também a jurisprudência internacional, especialmente decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Segundo ele, no ano passado a Corte reconheceu o direito humano ao clima saudável, ampliando a compreensão tradicional do direito ao meio ambiente equilibrado.

Para Tiago Fensterseifer, a emergência climática já faz parte da realidade brasileira e atinge diretamente a vida das pessoas. Ele lembrou episódios recentes, como enchentes no Sul do país, secas severas e incêndios florestais em diferentes regiões do Brasil. “Hoje você não tem como assegurar a proteção de direitos fundamentais sem um olhar muito sensível para a questão ambiental, climática e da poluição”, afirmou.

O professor também elogiou a iniciativa da Esmagis-MT de investir na formação continuada dos magistrados. Para ele, a atualização técnica é indispensável diante das constantes mudanças legislativas e jurisprudenciais na área ambiental e climática, especialmente porque os juízes estão na linha de frente das respostas institucionais aos conflitos decorrentes da crise ambiental.

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Também professor do curso, Ingo Wolfgang Sarlet ressaltou que discutir Direito Ambiental deixou de ser uma conveniência acadêmica para se tornar uma necessidade estratégica das carreiras jurídicas. Segundo ele, o crescimento das demandas ambientais e os efeitos da crise climática tornam indispensável a formação contínua dos integrantes do sistema de Justiça.

Sarlet observou que o Judiciário brasileiro tem assumido papel de destaque na proteção ambiental, inclusive em comparação com tribunais de outros países, com decisões consideradas inovadoras e de forte impacto social. Para o professor, muitas dessas demandas envolvem não apenas empresas e particulares, mas também omissões e falhas do próprio poder público.

Ele ressaltou ainda que os conflitos ambientais exigem diálogo com outras áreas do conhecimento, especialmente a ciência, além do enfrentamento à desinformação e ao negacionismo climático. “Qualquer pessoa com mínimo de bom senso vai ter que pensar no ambiente”, afirmou o jurista, ao defender a consolidação de uma cultura de cuidado e responsabilidade ambiental aliada ao desenvolvimento econômico.

Participante da capacitação, o juiz Maurício Alexandre Ribeiro, da Comarca de Lucas do Rio Verde, destacou a importância da atualização permanente da magistratura, especialmente em Mato Grosso, onde os conflitos ambientais fazem parte da realidade cotidiana do Judiciário. Segundo ele, a presença dos três biomas no Estado torna as demandas ainda mais específicas e complexas.

O magistrado ressaltou que o curso representa uma oportunidade de aperfeiçoamento técnico diante das constantes alterações legislativas e normativas relacionadas ao tema ambiental. “A carreira jurídica é uma atualização constante”, afirmou, ao elogiar a iniciativa da Esmagis-MT e do desembargador Rodrigo Curvo em promover a formação voltada aos desafios contemporâneos do Direito Ambiental.

O curso segue nesta sexta-feira (8) e integra o eixo temático “Meio Ambiente” da Esmagis-MT. A certificação para magistrados será emitida pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (Enfam), para fins de vitaliciamento e promoção na carreira.

Autor: Flávia Borges

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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