TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Inovação: 1ª Vara Criminal de Cuiabá implanta sorteio eletrônico de jurados

A 1ª Vara Criminal de Cuiabá trouxe mais uma inovação para o Judiciário mato-grossense: o sorteio eletrônico de jurados que participarão das sessões do Tribunal do Júri em 2024. Sob a liderança da juíza Mônica Perri, titular da vara, o primeiro sorteio eletrônico foi realizado na tarde desta quinta-feira (16), no Fórum da Capital.
 
A iniciativa de substituir o método manual por um sistema automatizado foi idealizada pelo gestor da Vara, Felipe Santana Vitoriano, e visa otimizar e modernizar o processo de seleção dos jurados. “Com o sistema automático vamos economizar tempo e dinheiro, pois até então tínhamos que imprimir recortar e colocar nas urnas os nomes para o sorteio. Essa sistemática mais demorada implicava ainda em gastos com recursos como papel e impressão”, disse.
 
Ele explica que a medida surgiu pensando na economicidade e em razão da crescente demanda de jurados. “Anteriormente tínhamos que sortear de 1 mil a 1,5 mil nomes por ano, mas em 2023 estamos com o projeto Mais Júri. Ao invés de termos um júri por dia, temos de três a quatro, ou seja, o volume triplicou, e consequentemente o trabalho manual também”, explicou Felipe.
 
Ao todo foram sorteados 250 jurados de uma lista com 7 mil nomes de pessoas aptas a participarem do Conselho de Sentença. O sorteio foi feito por meio do programa Microsoft Excel. Os jurados sorteados serão intimados para comparecerem ao Fórum nas datas indicadas, entre janeiro e abril de 2024.
 
As sessões do Tribunal do Júri iniciam em 22 de janeiro de 2024 e serão realizadas de forma simultânea no Plenário do Tribunal do Júri da 1ª Vara Criminal e nos demais plenários selecionados para o Programa Mais Júri (“Plenarinho”, Vara Militar e auditório do Fórum), todos localizados na sede do Fórum da Capital.
 
A juíza Mônica Perri destacou que a iniciativa está entre as boas práticas que os tribunais vêm adotando e que Mato Grosso entrou para este grupo. “São muitos os benefícios que este novo modelo traz para o nosso dia a dia, em especial, a redução do tempo, e a segurança, pois será feito de forma local, por meio do Excel, um programa seguro e confiável, homologado pela instituição. Essa é mais uma iniciativa do Poder Judiciário mato-grossense para melhor atender ao jurisdicionado e entregar mais celeridade e não demandará quaisquer custos”, comentou.
 
A magistrada lembrou ainda que a boa prática permite a otimização do tempo não só no âmbito do Poder Judiciário, para os magistrados e servidores, mas também para os representantes da Defensoria Pública, do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
 
Dinâmica do Sorteio:
 
Seleção Inicial: o sorteio eletrônico irá pré-seleciona 250 jurados (da lista de quase 7 mil nomes) para atuarem nos primeiros quatro meses de 2024.
 
Sorteio do Conselho de Sentença: No dia do julgamento designado, um novo sorteio virtual será realizado para escolher sete integrantes do “conselho de sentença”.
 
Sorteio subsequente (a partir de abril de 2024): Um novo sorteio automático ocorrerá com o cadastro geral, entretanto, retirando os 250 nomes dos jurados sorteados na primeira leva. Este novo grupo irá participar dos sorteios do Conselho de Sentença das sessões designadas para os meses de maio, junho, julho e agosto. O processo se repetirá a cada quatro meses.
 
Mais informações pelo telefone: (65) 3648-6155
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão de pessoas com deficiência visual. Foto 01: O servidor Felipe Santana Vitoriano está sentado, em frente a uma tela de computador, e demonstra como será feita a realização do sorteio. Ele veste uma camisa polo preta e usa óculos de grau.
 
Gabriele Schimanoski 
Assessoria de Imprensa da CGJ-TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Curso reúne especialistas para discutir avanço das demandas ambientais no Judiciário

As mudanças climáticas, os conflitos fundiário, os impactos sobre os biomas e a crescente judicialização das questões ambientais exigem do Poder Judiciário uma atuação cada vez mais técnica e multidisciplinar. Foi nesse contexto que magistrados e servidores participaram, nesta quinta-feira (7), do primeiro dia do curso “Introdução ao Direito Ambiental – no Limiar de um Novo Paradigma Jurídico Ecocêntrico no Antropoceno”, promovido pelo Centro de Estudos Integrados em Meio Ambiente (Cesima) e pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT).

A capacitação, voltada prioritariamente a magistrados com competência ambiental, reúne os juristas Ingo Wolfgang Sarlet e Tiago Fensterseifer, dois dos principais estudiosos brasileiros na área dos direitos fundamentais e da proteção ambiental. A proposta é oferecer uma formação que parte dos fundamentos filosóficos e históricos do Direito Ambiental até os reflexos práticos nas decisões judiciais diante de conflitos cada vez mais complexos.

Na abertura do curso, o coordenador da iniciativa, desembargador Rodrigo Curvo, destacou que o Direito Ambiental deixou de ocupar um espaço periférico dentro do sistema jurídico e passou a dialogar diretamente com temas centrais da sociedade contemporânea, como saúde, economia, dignidade humana e segurança jurídica. Segundo ele, a necessidade de capacitação da magistratura acompanha a transformação dos próprios conflitos levados ao Judiciário.

“O direito ambiental dialoga diretamente com a vida, com a saúde, com a dignidade humana, com a economia, com a segurança jurídica e com o próprio futuro das cidades, das comunidades, das próximas gerações”, afirmou o desembargador. Rodrigo Curvo ressaltou ainda que preparar magistrados para lidar com essas demandas significa fortalecer a prestação jurisdicional, especialmente diante de questões que ultrapassam os limites de interesses individuais e exigem análise dos impactos sociais e ecológicos das decisões.

Ele também enfatizou a relevância acadêmica da presença dos professores Ingo Sarlet e Tiago Fensterseifer, reconhecidos nacional e internacionalmente pela produção jurídica voltada à proteção ambiental e climática. Para o magistrado, o curso nasce como um espaço de reflexão qualificada e aprofundamento técnico sobre uma área que tende a ocupar cada vez mais espaço no cotidiano judicial.

Uma das responsáveis pela organização da capacitação, a juíza Henriqueta Fernanda Chaves de Alencar Ferreira Lima destacou que a proposta do curso surge em um momento em que os impactos ambientais deixaram de ser uma preocupação apenas teórica e passaram a influenciar diretamente a realidade social, econômica e jurídica.

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Segundo a magistrada, Mato Grosso possui características que tornam esse debate ainda mais urgente. O estado abriga três importantes biomas, realidade que intensifica os desafios relacionados à preservação ambiental, ao desenvolvimento econômico e à solução de conflitos complexos.

Henriqueta observou que a pauta ambiental exige hoje um olhar multidisciplinar e sensível por parte da magistratura. “O mundo mudou e os tipos de conflitos também mudaram. Muitos desses conflitos estão justamente relacionados com questões ambientais”, afirmou. Para ela, a intenção do curso é justamente ampliar a compreensão dos magistrados sobre essas transformações e contribuir para respostas judiciais mais adequadas diante da complexidade dos casos.

Ao longo da programação, os participantes discutiram o avanço do Direito Ambiental e, especialmente, do Direito Climático, ramo que ganhou maior protagonismo nos últimos anos diante da intensificação dos eventos climáticos extremos e das decisões judiciais relacionadas à proteção do meio ambiente.

Um dos professores do curso, Tiago Fensterseifer, chamou atenção para o crescimento da atuação do Poder Judiciário em demandas envolvendo mudanças climáticas, proteção da biodiversidade e políticas públicas ambientais. Ele citou julgamentos recentes do Supremo Tribunal Federal relacionados ao Fundo Clima e ao Fundo Amazônia como exemplos do reconhecimento de deveres estatais de proteção climática.

O jurista destacou ainda que o debate ambiental passou a incorporar também a jurisprudência internacional, especialmente decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Segundo ele, no ano passado a Corte reconheceu o direito humano ao clima saudável, ampliando a compreensão tradicional do direito ao meio ambiente equilibrado.

Para Tiago Fensterseifer, a emergência climática já faz parte da realidade brasileira e atinge diretamente a vida das pessoas. Ele lembrou episódios recentes, como enchentes no Sul do país, secas severas e incêndios florestais em diferentes regiões do Brasil. “Hoje você não tem como assegurar a proteção de direitos fundamentais sem um olhar muito sensível para a questão ambiental, climática e da poluição”, afirmou.

O professor também elogiou a iniciativa da Esmagis-MT de investir na formação continuada dos magistrados. Para ele, a atualização técnica é indispensável diante das constantes mudanças legislativas e jurisprudenciais na área ambiental e climática, especialmente porque os juízes estão na linha de frente das respostas institucionais aos conflitos decorrentes da crise ambiental.

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Também professor do curso, Ingo Wolfgang Sarlet ressaltou que discutir Direito Ambiental deixou de ser uma conveniência acadêmica para se tornar uma necessidade estratégica das carreiras jurídicas. Segundo ele, o crescimento das demandas ambientais e os efeitos da crise climática tornam indispensável a formação contínua dos integrantes do sistema de Justiça.

Sarlet observou que o Judiciário brasileiro tem assumido papel de destaque na proteção ambiental, inclusive em comparação com tribunais de outros países, com decisões consideradas inovadoras e de forte impacto social. Para o professor, muitas dessas demandas envolvem não apenas empresas e particulares, mas também omissões e falhas do próprio poder público.

Ele ressaltou ainda que os conflitos ambientais exigem diálogo com outras áreas do conhecimento, especialmente a ciência, além do enfrentamento à desinformação e ao negacionismo climático. “Qualquer pessoa com mínimo de bom senso vai ter que pensar no ambiente”, afirmou o jurista, ao defender a consolidação de uma cultura de cuidado e responsabilidade ambiental aliada ao desenvolvimento econômico.

Participante da capacitação, o juiz Maurício Alexandre Ribeiro, da Comarca de Lucas do Rio Verde, destacou a importância da atualização permanente da magistratura, especialmente em Mato Grosso, onde os conflitos ambientais fazem parte da realidade cotidiana do Judiciário. Segundo ele, a presença dos três biomas no Estado torna as demandas ainda mais específicas e complexas.

O magistrado ressaltou que o curso representa uma oportunidade de aperfeiçoamento técnico diante das constantes alterações legislativas e normativas relacionadas ao tema ambiental. “A carreira jurídica é uma atualização constante”, afirmou, ao elogiar a iniciativa da Esmagis-MT e do desembargador Rodrigo Curvo em promover a formação voltada aos desafios contemporâneos do Direito Ambiental.

O curso segue nesta sexta-feira (8) e integra o eixo temático “Meio Ambiente” da Esmagis-MT. A certificação para magistrados será emitida pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (Enfam), para fins de vitaliciamento e promoção na carreira.

Autor: Flávia Borges

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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