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Dia Nacional da Adoção – Família Fortunato mostra como laços afetivos independem da idade

O dia no apartamento da família Fortunato, em Cuiabá, começa agitado. As irmãs Gabriela, 12 anos, e Isabela, nove, têm uma agenda cheia: aulas pela manhã, tarefas escolares à tarde, aulas de reforço e além de ajudar a mãe, a professora Elisandra, nos afazeres domésticos, tudo cercado de muito amor e animação.
 
Mas nem sempre foi assim. Gabriela chegou para a família há quase três anos, após Elisandra e o marido, o professor Alex Fortunato, participarem do Programa Padrinhos, da Comissão Estadual da Adoção (Ceja), ligada a Corregedoria-Geral da Justiça do Poder Judiciário de Mato Grosso. Após sofrerem dois abortos espontâneos, o casal pretendia adotar uma criança de até três anos de idade.
 
Enquanto aguardavam, fizeram o curso “Pré-Natal da Adoção” da Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), receberam informações sobre adoção tardia e refizeram o formulário do perfil da criança que pretendiam adotar. Logo conheceram Gabriela, então com nove anos. Fizeram a aproximação com o apadrinhamento afetivo e conviveram por 45 dias, aos finais de semana, com menina.
 
“Ela ficava o fim de semana conosco e na segunda-feira tínhamos que levá-la para a escola. Ela ficava emburrada, não queria descer do carro. A gente conversava com a Gabriela e dizia que no próximo fim e semana iriamos buscá-la. Após um mês e meio recebemos a ligação da Casa Lar dizendo que ela falava que não queria ficar mais no abrigo e que rezava todas as noites para ter uma família”, conta a mãe emocionada.
 
“Conversei com meu marido e resolvemos fazer a solicitação da guarda provisória, que foi concedida pela juíza. Ela teve algumas dificuldades de socialização, tinha vergonha de interagir com outras crianças do condomínio, mas tivemos ajuda profissional e o processo de adaptação foi acontecendo”, completa Elisandra. “Com um ano da chegada da Gabi e com a guarda definitiva percebemos que ela precisava de uma irmã”, revela.
 
Dessa vez, o perfil apontado foi uma criança com mais de cinco anos. O coração escolheu Isabela, então com sete anos. A garotinha vivia em uma Casa Lar, em Vila Rica (a 1.270 km de Cuiabá). No início de 2020, o casal teve um compromisso profissional na cidade, aproveitou e pediu autorização para visitar o abrigo. Ao chegar no local, quem abriu a porta, junto com os pais sociais, foi Isabela. Muito falante, meiga, religiosa e educada, a menina encantou Elisandra e Alex.
 
Semanas depois, devido a medidas de biossegurança em razão da pandemia do Cornona vírus, as visitas foram suspensas. Mas, o vínculo afetivo já estava formado. Em dezembro de 2020, Elisandra e Alex tiveram autorização judicial para fazer o aniversário Isabela. “Ela queria que o tema fosse da Frozen. Fizemos e ela ficou muito feliz”, lembra. Nesse período, a menina estava com problema de saúde e Elisandra ajudou com exames e medicação. “Descobrimos que Isabela só tinha um rim e foi uma fase de muita preocupação, eu já me sentia mãe dela”, revela.
 
Depois de muitas viagens para Vila Rica, gastos com hotel para poder ficar com a menina aos fins de semana, o casal conseguiu no dia 30 de maio de 2021, a guarda provisória. “A Isabela chegou para somar. Ela tem o perfil totalmente diferente da Gabriela. Enquanto a Gabi é calma, tímida, a Isa é impulsiva e destemida. Uma completa a outra”, afirma.
 
O convívio familiar é tão positivo que todos pensam em aumentar o número de membros. A idade desse novo integrante também já está definida: uma criança com cinco anos ou mais. Mas, ainda não chegaram a um consenso no quesito gênero. O pai, a mãe a primogênita querem um menino, já a caçula pede uma nova irmãzinha.
 
A história da família Fortunato é prova de que o vínculo de amor não depende da genética, da etnia e muito menos da idade da criança. A chamada adoção tardia, de crianças com mais de sete anos é uma das bandeiras defendida pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), ligada a Corregedoria-Geral da Justiça do Poder Judiciário de Mato Grosso.
 
Na Semana Nacional da Adoção (23 a 27 de maio), em alusão ao Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio, a Ceja destaca que as crianças com mais de sete anos, adolescentes, grupo de irmãos, portadores de necessidades física ou mental, afrodescentes ou pertencentes a minorias étnicas compõem o perfil dos acolhidos disponíveis para adoção e que menos são citados como desejados pelos pretendentes a adotar.
 
A secretária geral da Ceja, Elaine Zorgetti, cita que atualmente Mato Grosso possui 402 crianças e adolescentes acolhidos, desse total, 52 estão disponíveis para adoção e 30 acolhidos das Comarcas de Cuiabá, Várzea Grande e Primavera do Leste se enquadram no perfil mencionado. “Essas crianças e adolescentes só querem amor, carinho e necessitam do convívio familiar”.
 
Essa matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência. Imagem 1 – Foto retangular quadrada colorida. Mãe e filhas se abraçam. Imagem 2 – Foto retangular quadrada colorida mostra a mãe e as crinças na pia da cozinha lavando louça. Imagem 3 – Foto retangular colorida mostrar as duas irmãs se abraçando.
 
Alcione dos Anjos
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 
 

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42º Gemam reforça atualização da magistratura diante de desafios sociais complexos

Homem com cabelos grisalhos e barba, fala direcionando o olhar para baixo e para a esquerda. Ele usa paletó azul e camisa social cinza. Um microfone da A evolução constante da sociedade e o surgimento de novos desafios exigem do Poder Judiciário uma resposta igualmente dinâmica e qualificada. Com esse enfoque, o desembargador Márcio Vidal, diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), abriu o 42º Encontro do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) ao destacar que a busca por conhecimento é contínua e essencial para enfrentar problemas sociais que acompanham o avanço do tempo.

A afirmação de Vidal sintetiza o espírito do encontro realizado na última sexta-feira (19 de junho), no Tribunal do Júri de Rondonópolis, que reuniu magistrados(as) em uma programação técnica voltada à discussão de temas atuais e sensíveis à prestação jurisdicional.

Na abertura do encontro, o desembargador ressaltou que o Judiciário precisa acompanhar as transformações sociais, que evoluem junto com o avanço tecnológico, mas também trazem novos problemas.

Ao comentar a temática da palestra inicial, intitulada “Juventude em risco: O desafio das drogas no portão da escola e a proteção da vida por meio da internação compulsória para todos”, Vidal chamou atenção para a complexidade da questão das drogas entre jovens, classificando-a como um tema bastante sensível para toda a sociedade. Segundo o desembargador, o papel do Judiciário é justamente se manter atento e buscar constantemente novos modelos de atuação.

Homem de cabelos escuros e curtos, vestindo paletó azul e camisa branca, concede entrevista olhando para o lado esquerdo. Um microfone preto aparece em primeiro plano e o fundo está desfocado.Representando a Corregedoria-Geral da Justiça, o juiz auxiliar Jorge Alexandre Martins Ferreira reforçou o apoio institucional ao evento e destacou o impacto da atualização contínua na qualidade das decisões. “É muito importante que o juiz se qualifique vendo coisas novas”, afirmou, ao comentar a relevância da palestra com o psiquiatra convidado, Diego de Souza Vacari.

Ferreira acrescentou que o contato com dados atuais permite compreender melhor a realidade social, citando como exemplo a evolução do potencial das drogas ao longo das décadas. “São fatos que a gente vê no dia a dia e que mostram que precisamos estar sempre reaprendendo”, completou.

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Construção coletiva fortalece a magistratura

Mulher de cabelos longos e escuros fala ao microfone. Ela veste blazer off-white e brincos de argola. Ao fundo, um painel verde exibe a imagem da estátua da Justiça com a balança.A proposta do Gemam como espaço de construção coletiva foi enfatizada pela coordenadora do grupo, juíza Alethea Assunção Santos. Segundo ela, o diferencial está na produção acadêmica conduzida pelos próprios magistrados(as). “A construção é feita pelos próprios juízes e, a partir das discussões, são elaborados enunciados orientativos para a prestação jurisdicional. Isso é muito importante porque enriquece o nosso trabalho, enriquece a prestação jurisdicional e serve como capacitação profissional e também pessoal para os magistrados de Mato Grosso”, explicou.

Ela destacou ainda que os temas debatidos refletem diretamente os desafios enfrentados nas unidades judiciais. “São dificuldades que encontramos no dia a dia da prestação jurisdicional e, a partir desses debates, conseguimos levar mais segurança para as decisões”, pontuou, ressaltando que o resultado é um serviço mais qualificado à população.

Mulher de cabelos escuros e batom vermelho sorri ao conceder entrevista. Ela veste blusa verde-escura sem mangas. Um microfone da A realização do encontro em Rondonópolis foi celebrada pela juíza diretora do Foro, Aline Bissoni, que destacou a importância institucional do evento. “É uma honra receber o Gemam, um grupo que realmente traz temas muito relevantes para o nosso desenvolvimento”, afirmou. Para ela, a abordagem interdisciplinar amplia a visão dos magistrados sobre questões complexas.

Atuando na área criminal, a magistrada destacou o impacto prático do conteúdo apresentado. “Ouvir o psiquiatra falar de forma técnica sobre os malefícios das drogas e como elas se tornaram mais nocivas faz toda a diferença para que possamos julgar melhor”, disse.

Homem de óculos fala ao microfone, gesticulando com a mão esquerda. Ele veste terno escuro, camisa clara e gravata amarela listrada. Ao fundo, uma parede verde e um banner com a deusa da justiça.No campo interdisciplinar, o psiquiatra Diego Vacari, responsável pela palestra de abertura, enfatizou a importância do diálogo entre diferentes áreas. Ele destacou como positiva a aproximação da magistratura com o tema. “A magistratura está cada vez mais interessada nessa situação, e isso é fundamental para desmitificar e aproximar saúde mental e justiça”, afirmou.

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Vacari alertou ainda para o aumento do consumo de drogas entre crianças e adolescentes, fenômeno que, segundo ele, ocorre em escala global. “Os jovens estão usando drogas cada vez mais cedo, muitas vezes dentro da escola ou nas proximidades”, disse. Para o especialista, o enfrentamento do problema depende de atuação conjunta. “Se não houver união entre saúde, justiça, segurança pública e educação, não vamos conseguir diminuir esses índices”.

Mulher de cabelos longos e ondulados fala ao microfone, com a mão direita fechada. Veste camisa estampada verde e branca e saia escura. Ao fundo, parede verde e pontas de mastros de bandeiras.Outro destaque foi o painel sobre litigância abusiva, no qual a juíza Cristiane Padim da Silva apresentou proposta para aprimorar o monitoramento de demandas predatórias. “A ideia é registrar a Recomendação 159 do CNJ nas decisões em que houver abuso do direito de ação, para que possamos traçar estratégias mais eficientes”, explicou. Segundo ela, a medida busca garantir que o sistema de justiça seja mais acessível a quem realmente precisa. A magistrada também ressaltou a importância do encontro como espaço de troca. “A gente sai daqui cheio de ideias, de motivação, com mais preparo para a atuação diária”, afirmou.

Além das discussões sobre saúde mental, drogas e litigância abusiva, o 42º Gemam contou ainda com painéis voltados a outros temas relevantes para a atuação jurisdicional. Foram abordados o controle judicial do orçamento público e a aplicação de emendas parlamentares frente à discricionariedade e abuso de poder, o tratamento ambulatorial e as medidas de segurança aplicáveis a réus com doença mental, bem como o conceito e as implicações da chamada “purga da mancha probatória”.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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