TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Desembargadora Maria Erotides recebe Medalha do Mérito Judiciário em homenagem à trajetória dedicada
Em uma solenidade marcada pela emoção, reconhecimento e reverência à trajetória profissional, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) concedeu nesta quinta-feira (28) à desembargadora Maria Erotides Kneip, coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT) e da Ouvidoria da Mulher, a “Medalha do Mérito Judiciário Desembargador José de Mesquita”.
A homenagem ocorreu durante sessão solene realizada no Plenário Wandir Clait Duarte (Plenário 1) do TJMT, em reconhecimento aos serviços prestados. Prestes a completar 75 anos no próximo dia 4 de junho, a desembargadora encerra um ciclo de 41 anos dedicados à magistratura, iniciado em janeiro de 1985.
A cerimônia foi conduzida pelo presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, após a leitura do ato solene feita pelo secretário-geral do TJMT, juiz Agamenon Alcântara Moreno Júnior.
Ao conduzir a homenagem, o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira ressaltou a dimensão humana da atuação da magistrada. “A vida na magistratura foi dedicada a servir, usando o poder, porque ele só tem valor quando usado para servir a quem necessita”, afirmou.
Em seguida, o presidente convidou a desembargadora Clarice Claudino para realizar uma homenagem pública à colega de magistratura. Muito emocionada, Clarice destacou a dimensão histórica da trajetória construída por Maria Erotides.
“À mim coube essa honrosa missão de homenagear essa criatura incrível, que todos que a conheciam talvez não conhecessem em todas as nuances. Há homenagens que decorrem do protocolo institucional, mas há aquelas que nascem, sobretudo, do reconhecimento sincero por uma trajetória que honra a magistratura, fortalece nossa instituição e transforma vidas. A sessão de hoje possui exatamente esse significado”, declarou.
A desembargadora Clarice Claudino também ressaltou o protagonismo da desembargadora no enfrentamento à violência doméstica em Mato Grosso.
“Sob a sua liderança foram instaladas mais de uma centena de redes de enfrentamento, hoje passam de 120 redes de enfrentamento à violência doméstica e familiar”, destacou.
Ao falar sobre a atuação da magistrada, Clarice Claudino enfatizou a sensibilidade e o compromisso humano que marcaram sua carreira. “Sua atuação jamais se limitou à aplicação fria da lei. Ao longo de toda sua carreira, demonstrou que julgar exige sensibilidade para compreender a dor humana e compromisso verdadeiro com a dignidade das pessoas”, afirmou.
“Conheço a sua fé, a escuta sempre muito sensível e a coragem de agir com justiça. Ao longo de sua caminhada, Vossa Excelência não julgou apenas processos, mas cuidou de pessoas e deixou marcas profundas, principalmente na defesa das mulheres vítimas de violência. O seu compromisso com o enfrentamento à violência doméstica não foi apenas institucional. Foi corajoso, ativo e transformador para o nosso Estado. E essa atuação não se mede apenas em números, mas se revela nas vidas protegidas e nas histórias interrompidas da dor e reescritas com dignidade”, destacou a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, também presente na solenidade.
“Não nos despedimos apenas de uma delegada ou magistrada. O legado de Vossa Excelência inspira gerações, porque a sua contribuição já está eternizada na história da Justiça mato-grossense. Desta vida, só levamos o bem que fazemos a nós mesmos e ao próximo, e sua bagagem, certamente, é uma das maiores”, declarou Anne Karine.
Ao discursar, a desembargadora Maria Erotides Kneip falou sobre o encerramento do ciclo na magistratura com serenidade, gratidão e senso de continuidade do compromisso público.
“Encerro um ciclo formal da magistratura, mas não encerro o compromisso e nem a responsabilidade de quem dedicou a vida a servir. A magistratura foi uma forma de existir no mundo e me permite olhar para o futuro e ver o quanto eu ainda posso contribuir para Mato Grosso”, afirmou.
Ela também refletiu sobre o significado humano do exercício da magistratura.
“Desde meu ingresso, em 1985, aprendi que julgar é mais do que aplicar a lei. Julgar é escutar. É compreender a dor humana sem perder a razão. É saber que por trás de cada processo há uma história, uma família, um medo, uma esperança e uma vida”, declarou.
A desembargadora agradeceu a magistrados, servidores, integrantes do sistema de Justiça e equipes que caminharam ao seu lado ao longo das décadas.
“Agradeço a todas as pessoas que têm trabalhado com dedicação e sensibilidade. Agradeço a todos os magistrados e magistradas que compreendem que, às vezes, a medida protetiva é o que separa mulheres da linha da morte”, disse.
“Agradeço a todos que acompanham e não deixam a política pública morrer no papel. Agradeço ao Judiciário de Mato Grosso, que me permitiu crescer na magistratura com independência e sensibilidade social”, acrescentou.
Ao final, Maria Erotides resumiu o sentimento da homenagem recebida.
“Receber a medalha é uma honra que guardarei com humildade, mas posso dizer que a maior honra é saber que as sementes plantadas irão dar frutos”, concluiu.
Agradecimento e amor
Em um dos momentos mais emocionantes da solenidade, Maria Erotides assistiu a um vídeo repleto de depoimentos de familiares, amigos, magistrados e servidores do Poder Judiciário. A desembargadora Clarice Claudino, magistrada que a homenageada considera como irmã, surgiu profundamente emocionada nas imagens.
Representando os quatro filhos e os sete netos, familiares também prestaram homenagens. O filho, Lucilo Macedo, destacou o legado da magistrada.
“Sua aposentadoria encerra apenas um ciclo de sua vida, porque a senhora nasceu para brilhar”, afirmou.
O neto Arthur Kneip também ressaltou a dedicação da avó à Justiça e à defesa da igualdade.
“Falar da senhora é falar de empenho, de amor à magistratura e de luta pela igualdade”, disse.
A servidora do Poder Judiciário há mais de 31 anos e gestora de projetos do Cemulher, Elizabeth Machado Gomes de Oliveira emocionou-se ao descrever a convivência com a homenageada.
“A desembargadora foi um anjo. Deus coloca anjos na Terra para nos ajudar profissionalmente e na vida, e a desembargadora foi um desses. É uma pessoa que está sempre pronta para estar ao seu lado e te fazer crescer e evoluir”, declarou.
Autor: Patrícia Neves
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Comarca de Feliz Natal compartilha conhecimento sobre o “Entrega Legal”
A adoção de crianças e adolescentes é tema recorrente neste mês nas comarcas de todo o país. Maio, considerado o “Mês da Adoção”, mobiliza o Judiciário brasileiro em torno da conscientização sobre o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar. Na Comarca de Feliz Natal, o Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio, foi marcado pelo compartilhamento de conhecimento para fortalecer a rede de proteção.
O titular da Vara da Comarca, juiz Fernando Akio Maeda, ministrou palestra sobre o Programa Entrega Legal a servidores do Conselho Tutelar, da Assistência Social e da Secretaria Municipal de Saúde. O foco foi a atuação humanizada e a aplicação correta das etapas do programa, coordenado pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), vinculada à Corregedoria-Geral da Justiça do Poder Judiciário, que também coordena o Programa Adoção Legal.
O magistrado explicou que durante o encontro foram esclarecidas dúvidas sobre os procedimentos previstos na legislação, além de reforçada a importância do acolhimento respeitoso às gestantes ou mães que, por diferentes circunstâncias, optam pela entrega voluntária do bebê para adoção.
“O encontro foi extremamente importante, especialmente porque a rede de apoio ainda possuía algumas dúvidas sobre o Entrega Legal. Tivemos a oportunidade de esclarecer o procedimento, reforçar a importância do acolhimento humanizado às mães e destacar a necessidade de tratar o tema sem qualquer preconceito ou estigma, sempre com respeito, sensibilidade e observância da legislação”, afirmou o magistrado.
A iniciativa também destacou a importância da adoção legal como instrumento de garantia de direitos, proteção e construção de vínculos afetivos seguros para crianças e adolescentes acolhidos em instituições no estado.
Dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) apontam que, atualmente, 65 crianças estão aptas para adoção em Mato Grosso, enquanto há 627 pretendentes habilitados. O estado contabiliza ainda 608 crianças e adolescentes acolhidos, a maioria em serviços de acolhimento institucional.
A discrepância nos números ocorre porque, apesar do avanço das políticas públicas e das campanhas de conscientização, o perfil mais procurado pelas pessoas habilitadas à adoção ainda se concentra em bebês ou crianças de até cinco anos, sem irmãos e sem problemas de saúde. A realidade, porém, é diferente. Grande parte das crianças e adolescentes aptos para adoção é formada por grupos de irmãos, crianças mais velhas ou com necessidades específicas.
Esse descompasso contribui para a permanência prolongada em instituições de acolhimento e reforça a necessidade de ampliar o debate sobre adoção tardia, adoção de grupos de irmãos e adoção inclusiva.
Saiba mais sobre o processo de adoção e de entrega voluntária para adoção no hotsite da Ceja: https://ceja.tjmt.jus.br/
Autor: Marcia Marafon
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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