TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Comissão de Acessibilidade e Inclusão promove palestra sobre autismo para educadoras

Para garantir o direito à acessibilidade aos usuários dos serviços da Justiça, o Poder Juduciário, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, promoveu uma palestra com o tema “Autismo: compreender intervir” para cerca de 50 profissionais de Educação que atuam no Berçário e Creche Infantil Anjinho da Guarda, cuja filial funciona dentro do Tribunal, atendendo aos filhos de magistrados e servidores. A capacitação foi dividida em duas turmas e ocorreu nesta segunda-feira (12), na Escola dos Servidores do Judiciário.
 
De acordo com a presidente da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do TJMT, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, a iniciativa é uma forma do Poder Judiciário intervir positivamente junto à sociedade. “É para dar a nossa contribuição sobre como ajudar as pessoas que têm transtorno de espectro autista, não só as crianças, mas também os pais porque, às vezes, eles notam alguma diferença no comportamento da criança e têm dificuldades em buscar o diagnóstico junto a especialistas”, afirma.
 
A formação contou com três profissionais que abordaram o autismo a partir de vários aspectos. A psicóloga Leidiany Santos tratou sobre os níveis de autismo, mostrando como o autista percebe e sente o mundo à sua volta, estilos de aprendizagem e benefícios da inclusão escolar, destacando que crianças de todos os níveis do espectro podem frequentar a escola juntamente com crianças que não fazem parte do espectro autista.
 
“A criança dentro do espectro vai desenvolver a interação social, vai ter modelo de interação. A partir da convivência com outras crianças da mesma idade, vai desenvolver a comunicação, habilidades gestuais. Já a criança que está fora vai se beneficiar também. Ela vai poder aprender princípios éticos, empatia, aprender com o diferente porque é muito importante já crescer com essa base de empatia, de olhar para as necessidades do outro”, afirma.
 
A terapeuta ocupacional, Simone Reksua, que é autista, fez uma apresentação sobre o distúrbio de processamento sensorial e estratégias na inclusão escolar. Ela explicou que cada pessoa pode apresentar diferentes tipos de disfunções, como hipersensibilidades auditiva e/ou visual, entre outras e que, por conta disso, diferentes estratégias deverão ser usadas para acalmar ou para alertar a criança nos momentos de necessidade.
 
“A gente precisa respeitar os limites da criança. Então, se ela está muito nervosa, desorganizada, a gente precisa primeiramente levar ela para um local mais tranquilo porque muito provavelmente são os estímulos que estão em volta dessa criança que estão influenciando, ou seja, muito barulho, muita informação visual, muitas pessoas, várias pessoas falando e correndo ao mesmo tempo… Então, sempre levar ela pra um lugar mais tranquilo onde ela possa se acalmar, falar em tons leves, num tom de voz monótono, tranquilo, acolher, olhar. Se a criança não permitir que você toque, não toque. Respeite. Só cuide pra que não se machuque e traga ela para possibilidade de se acalmar”, orienta.
 
Integração família, trabalho e escola – Quem também proferiu palestra aos profissionais da Educação foi a servidora do Tribunal de Justiça, Andreia Santana de Castro Vasconcelos. Ela é mãe de uma criança autista não verbal, Larissa, 11 anos, e por conta da condição da filha, fez faculdade de Fonoaudiologia, passando a conhecer a técnica da Comunicação Alternativa Aumentativa, que utiliza símbolos como estratégia de comunicação. “Nós começamos a implantação da comunicação alternativa com a Larissa há 2 anos e ela passou a se comunicar de uma forma totalmente interativa, por meio de pictogramas, imagens. A comunicação alternativa trouxe uma verdadeira revolução pra nossa casa! Ela hoje se comunica com qualquer pessoa por meio de tablet ou de pranchas temáticas e consegue expressar tudo o que ela deseja”, relata.
 
Para Andreia, a oportunidade de compartilhar conhecimentos com profissionais da Educação é de extrema importância e proporciona alinhamento entre família e escola para melhor atender às crianças autistas. “Levar esses pictogramas, essa comunicação alternativa pra sala de aula ajuda muito no desenvolvimento cognitivo da criança no dia-a-dia escolar pra ela conseguir se comunicar com o professor, para o professor instruí-la da forma como deseja que ela faça as atividades, para ela se comunicar com seus colegas”.
 
Além disso, a servidora demonstrou sua satisfação em encontrar no local de trabalho o apoio à inclusão e acessibilidade. “É fascinante ver o ambiente em que você trabalha engajado em trazer essa mudança de perspectiva. Nós sabemos que hoje a prevalência do autismo é de 1 para cada 36 crianças, então nós precisamos levantar essa causa em todos os ambientes da sociedade porque é justamente em todos os lugares que elas estão. Como servidora e como mãe, eu acho muito benevolente essa iniciativa do Tribunal e vai ser de grande valia para todos da sociedade e, principalmente, para os seus servidores”, avalia.
 
Inclusão na prática – A professora e coordenadora do Berçário e creche Anjinho da Guarda, Laís Caparelli, elogia a capacitação proporcionada pelo Tribunal de Justiça e destaca sua importância para melhoria do atendimento das crianças autistas que frequentam a unidade escolar. “Com certeza nós temos que estar em constantes capacitações para nos adequar e receber nossos alunos com qualidade de ensino e de desenvolvimento. É o que nós sempre estamos buscando, conforme a necessidade que temos com as crianças com autismo”, afirma.
 
Atualmente acompanhando três alunos autistas, a educadora garante que a educação inclusiva traz resultados. “Pra gente é gratificante ver a evolução. É um orgulho ver o desenvolvimento deles, ver a proporção de cada conquista que eles vêm tendo e a gente estar ali próximo vendo tudo isso é mais que emocionante! É algo que alegra! Nos faz ver que estamos no caminho certo”.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: dezenas de profissionais da creche, todas com uniforme azul lilás, sentadas em uma sala da Escola dos Servidores, prestando atenção na palestra. Na primeira fila, está a desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho e uma assessora, também assistindo à palestra. Segunda imagem: foto em plano aberto que mostra a sala da Escola dos Servidores repleta de pessoas participando da palestra que é proferida pela psicóloga Leidiany Santos. Terceira imagem: servidora Andreia Vasconcelos profere palestra. Ela está em pé, segurando um microfone, usando calça em tons de preto e marrom e uma blusa de maga ¾ na cor mostarda. É uma mulher branca, de cabelos e olhos castanhos.
 
 
Celly Silva/ Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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42º Gemam reforça atualização da magistratura diante de desafios sociais complexos

Homem com cabelos grisalhos e barba, fala direcionando o olhar para baixo e para a esquerda. Ele usa paletó azul e camisa social cinza. Um microfone da A evolução constante da sociedade e o surgimento de novos desafios exigem do Poder Judiciário uma resposta igualmente dinâmica e qualificada. Com esse enfoque, o desembargador Márcio Vidal, diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), abriu o 42º Encontro do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) ao destacar que a busca por conhecimento é contínua e essencial para enfrentar problemas sociais que acompanham o avanço do tempo.

A afirmação de Vidal sintetiza o espírito do encontro realizado na última sexta-feira (19 de junho), no Tribunal do Júri de Rondonópolis, que reuniu magistrados(as) em uma programação técnica voltada à discussão de temas atuais e sensíveis à prestação jurisdicional.

Na abertura do encontro, o desembargador ressaltou que o Judiciário precisa acompanhar as transformações sociais, que evoluem junto com o avanço tecnológico, mas também trazem novos problemas.

Ao comentar a temática da palestra inicial, intitulada “Juventude em risco: O desafio das drogas no portão da escola e a proteção da vida por meio da internação compulsória para todos”, Vidal chamou atenção para a complexidade da questão das drogas entre jovens, classificando-a como um tema bastante sensível para toda a sociedade. Segundo o desembargador, o papel do Judiciário é justamente se manter atento e buscar constantemente novos modelos de atuação.

Homem de cabelos escuros e curtos, vestindo paletó azul e camisa branca, concede entrevista olhando para o lado esquerdo. Um microfone preto aparece em primeiro plano e o fundo está desfocado.Representando a Corregedoria-Geral da Justiça, o juiz auxiliar Jorge Alexandre Martins Ferreira reforçou o apoio institucional ao evento e destacou o impacto da atualização contínua na qualidade das decisões. “É muito importante que o juiz se qualifique vendo coisas novas”, afirmou, ao comentar a relevância da palestra com o psiquiatra convidado, Diego de Souza Vacari.

Ferreira acrescentou que o contato com dados atuais permite compreender melhor a realidade social, citando como exemplo a evolução do potencial das drogas ao longo das décadas. “São fatos que a gente vê no dia a dia e que mostram que precisamos estar sempre reaprendendo”, completou.

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Construção coletiva fortalece a magistratura

Mulher de cabelos longos e escuros fala ao microfone. Ela veste blazer off-white e brincos de argola. Ao fundo, um painel verde exibe a imagem da estátua da Justiça com a balança.A proposta do Gemam como espaço de construção coletiva foi enfatizada pela coordenadora do grupo, juíza Alethea Assunção Santos. Segundo ela, o diferencial está na produção acadêmica conduzida pelos próprios magistrados(as). “A construção é feita pelos próprios juízes e, a partir das discussões, são elaborados enunciados orientativos para a prestação jurisdicional. Isso é muito importante porque enriquece o nosso trabalho, enriquece a prestação jurisdicional e serve como capacitação profissional e também pessoal para os magistrados de Mato Grosso”, explicou.

Ela destacou ainda que os temas debatidos refletem diretamente os desafios enfrentados nas unidades judiciais. “São dificuldades que encontramos no dia a dia da prestação jurisdicional e, a partir desses debates, conseguimos levar mais segurança para as decisões”, pontuou, ressaltando que o resultado é um serviço mais qualificado à população.

Mulher de cabelos escuros e batom vermelho sorri ao conceder entrevista. Ela veste blusa verde-escura sem mangas. Um microfone da A realização do encontro em Rondonópolis foi celebrada pela juíza diretora do Foro, Aline Bissoni, que destacou a importância institucional do evento. “É uma honra receber o Gemam, um grupo que realmente traz temas muito relevantes para o nosso desenvolvimento”, afirmou. Para ela, a abordagem interdisciplinar amplia a visão dos magistrados sobre questões complexas.

Atuando na área criminal, a magistrada destacou o impacto prático do conteúdo apresentado. “Ouvir o psiquiatra falar de forma técnica sobre os malefícios das drogas e como elas se tornaram mais nocivas faz toda a diferença para que possamos julgar melhor”, disse.

Homem de óculos fala ao microfone, gesticulando com a mão esquerda. Ele veste terno escuro, camisa clara e gravata amarela listrada. Ao fundo, uma parede verde e um banner com a deusa da justiça.No campo interdisciplinar, o psiquiatra Diego Vacari, responsável pela palestra de abertura, enfatizou a importância do diálogo entre diferentes áreas. Ele destacou como positiva a aproximação da magistratura com o tema. “A magistratura está cada vez mais interessada nessa situação, e isso é fundamental para desmitificar e aproximar saúde mental e justiça”, afirmou.

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Vacari alertou ainda para o aumento do consumo de drogas entre crianças e adolescentes, fenômeno que, segundo ele, ocorre em escala global. “Os jovens estão usando drogas cada vez mais cedo, muitas vezes dentro da escola ou nas proximidades”, disse. Para o especialista, o enfrentamento do problema depende de atuação conjunta. “Se não houver união entre saúde, justiça, segurança pública e educação, não vamos conseguir diminuir esses índices”.

Mulher de cabelos longos e ondulados fala ao microfone, com a mão direita fechada. Veste camisa estampada verde e branca e saia escura. Ao fundo, parede verde e pontas de mastros de bandeiras.Outro destaque foi o painel sobre litigância abusiva, no qual a juíza Cristiane Padim da Silva apresentou proposta para aprimorar o monitoramento de demandas predatórias. “A ideia é registrar a Recomendação 159 do CNJ nas decisões em que houver abuso do direito de ação, para que possamos traçar estratégias mais eficientes”, explicou. Segundo ela, a medida busca garantir que o sistema de justiça seja mais acessível a quem realmente precisa. A magistrada também ressaltou a importância do encontro como espaço de troca. “A gente sai daqui cheio de ideias, de motivação, com mais preparo para a atuação diária”, afirmou.

Além das discussões sobre saúde mental, drogas e litigância abusiva, o 42º Gemam contou ainda com painéis voltados a outros temas relevantes para a atuação jurisdicional. Foram abordados o controle judicial do orçamento público e a aplicação de emendas parlamentares frente à discricionariedade e abuso de poder, o tratamento ambulatorial e as medidas de segurança aplicáveis a réus com doença mental, bem como o conceito e as implicações da chamada “purga da mancha probatória”.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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