STF
Ministra Cármen Lúcia: nova presidente do STF irá conduzir gestão com prudência e decência
Responsável por saudar, em nome do Supremo Tribunal Federal (STF), a posse da ministra Rosa Weber na Presidência da Corte, a ministra Cármen Lúcia disse, nesta segunda-feira (12), que ninguém seria mais adequada para assumir o cargo. “É uma “magistrada séria, responsável e democrata, a conduzir, com a prudência inerente à República e com a decência própria à virtude democrática, a gestão da coisa pública no espaço do Poder Judiciário”, afirmou.
Decoro e compostura
De acordo com a ministra Cármen Lúcia, a nova presidente do STF não assume o cargo em momento histórico de tranquilidade social e de calmaria política. “Bem diferente disso, os tempos são de tumulto e de desassossego, no mundo e no Brasil”, apontou.
A ministra ressaltou que o momento cobra decoro, e a República demanda compostura. “Não são aceitáveis comportamentos e sentimentos que agridem os princípios civilizatórios de respeito às igualdades e às diferenças, diferenças essas que informam a pluralidade, veio de enriquecimento da experiência humana. Não se promove a democracia com comportamentos desmoralizantes de pessoas e instituições. A construção dos espaços de liberdades não se compadece com desregramentos nem com excessos”, afirmou.
Olhar social
Um dos pontos ressaltados pela ministra Cármen Lúcia foi o fato de a nova presidente do Supremo ser a primeira juíza de carreira a assumir esse cargo, já ocupado antes por outras duas mulheres. “Em todos órgãos dos diferentes ramos da magistratura que integrou, deu testemunha de seu empenho, de sua firmeza e do rigor em sua atuação, sempre em benefício da cidadania brasileira e com olhar social de preocupação com o mais carente e com a demanda mais urgente”, reforçou.
Igualdade
Cármen Lúcia lembrou que a ministra Rosa Weber iniciou sua carreira jurídica como magistrada da Justiça do Trabalho, único ramo do Judiciário em que há equilíbrio entre juízes e juízas. “Afirma-se, assim, também a sensibilidade da magistratura para dotar de efetividade o princípio da igualdade em seus quadros, especialmente quando se consagra o talento, a competência, a respeitabilidade e a honradez de uma cidadã brasileira, vinculada aos deveres dos cargos públicos que ocupa e reverente aos princípios de humanidade e de justiça social com que tem marcado sua vida pessoal e profissional”, frisou.
Conhecimento e liderança
A seu ver, a presidente do STF tem a solidez do conhecimento jurídico aliada ao comedimento de modos e de meios com o qual exerce a liderança. Essas qualidades a auxiliarão a conduzir o Poder Judiciário brasileiro pelas vias democráticas da concretização de direitos, com independência, ética e vigor.
“O Supremo Tribunal Federal tem hoje, na sua Presidência, uma mulher de bem. Em tempos difíceis, no qual o mal força portas de corações e mentes, introduzindo despautérios civilizatórios, que já se pensavam sepultados por serem inumanos, a presidência da ministra Rosa Weber constitui um valor a mais, a mostrar quadro modelar de atuação humana responsável com vista à realização do bem de todos”, concluiu.
Vice-presidente
A ministra Cármen Lúcia destacou que a presidente do STF contará, em sua gestão, com a contribuição do ministro Luís Roberto Barroso na Vice-Presidência. “Seus títulos e pendores revelam seu perfil de juiz trabalhador, que, com brilho e maestria, presidiu o Tribunal Superior Eleitoral, jurista maior e humanista reconhecido como professor e pensador afirmativo quanto aos valores democráticos e aos direitos humanos”.
Ela registrou, ainda, a contribuição do ministro Luiz Fux à dinâmica eficiente e modernizadora que emprestou a sua gestão no Supremo e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no último biênio, lembrando a continuidade e a celeridade na entrega da justiça ao cidadão no período crítico da pandemia.
PGR
Ao saudar os novos dirigentes do STF em nome do Ministério Público, o procurador-geral da República, Augusto Aras, destacou a força, a firmeza e a sabedoria com que a nova presidente do STF vem exercendo a sua carreira de magistrada, que agora chega a seu mais alto posto. Para Aras, a atuação da ministra Rosa Weber honra a justiça brasileira, “com sua estabilidade de espírito, dignidade de conduta e firmeza inabalável na defesa dos direitos da coletividade, da democracia e do respeito às instituições republicanas e democráticas”.
O procurador-geral da República destacou o extremo zelo da ministra pelos direitos e pelas garantias fundamentais, notadamente pelo devido processo legal. Aras afirmou, ainda, sua confiança na capacidade da ministra de conduzir o STF no presente, “com grande repercussão no futuro”, a partir do que já demonstrou nos seus julgados. Nas palavras dirigidas ao vice-presidente, Luís Roberto Barroso, Aras ressaltou a vasta cultura jurídica do ministro e a ponderação de suas decisões.
OAB
Falando em nome da advocacia do país, o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, afirmou que a ministra Rosa Weber e o ministro Barroso têm a confiança e o apoio da maior entidade da sociedade civil brasileira, que, nesta solenidade, renova seu compromisso com a defesa do Poder Judiciário. Simonetti disse esperar que a posse da ministra Rosa Weber na Presidência do STF estimule a entrada de mais mulheres nos espaços decisórios, nos Poderes da República e na iniciativa privada.
Para o presidente da OAB, o êxito demonstrado pela ministra Rosa Weber na condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demonstra que sua segurança e competência estarão novamente a serviço da atuação do Poder Judiciário em prol do Estado Democrático de Direito e da proteção dos direitos e das garantias fundamentais. Ao vice-presidente, Simonetti afirmou que a trajetória de Barroso na advocacia é motivo de orgulho para a OAB.
Leia a íntegra do discurso da ministra Cármen Lúcia.
RP, VP//CF
Fonte: STF
STF
Dino endurece punição contra juízes e determina fim da aposentadoria compulsória como sanção disciplinar
Decisão do ministro do STF estabelece que magistrados que cometam infrações graves poderão perder o cargo, em vez de apenas serem aposentados com salário proporcional
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deverá aplicar punições mais severas contra magistrados que cometam infrações disciplinares graves. Pela decisão, a perda do cargo passa a ser considerada a principal sanção, substituindo a tradicional aposentadoria compulsória.
A medida representa uma mudança significativa no sistema disciplinar da magistratura brasileira. Até então, a aposentadoria compulsória era considerada a punição administrativa máxima para juízes que cometiam irregularidades.
Na prática, porém, a medida sempre foi alvo de críticas porque, mesmo afastado da função, o magistrado continuava recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço, o que frequentemente era interpretado como uma espécie de benefício e não como punição efetiva.
Com o novo entendimento firmado por Dino, casos graves devem resultar na perda do cargo, com a consequente perda do salário.
Segundo o ministro, uma emenda constitucional aprovada em 2019 já havia eliminado a chamada aposentadoria compulsória punitiva, o que reforça a necessidade de um sistema disciplinar mais efetivo dentro do Judiciário.
“Não faz mais sentido que os magistrados fiquem imunes a um sistema efetivo de responsabilidade disciplinar, com a repudiada e já revogada aposentadoria compulsória punitiva”, escreveu o ministro na decisão.
Dino destacou ainda que, devido à vitaliciedade do cargo de magistrado, a perda da função depende de decisão judicial. Assim, quando o CNJ concluir pela demissão, o caso deverá ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que analisará a medida.
A decisão vale para juízes e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não se aplica aos ministros do próprio STF.
Caso analisado
A decisão foi tomada durante a análise de uma ação apresentada por um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que buscava anular decisões do CNJ que resultaram em sua aposentadoria compulsória.
O magistrado atuava na Comarca de Mangaratiba (RJ) e foi punido após investigações apontarem diversas irregularidades em sua atuação.
Entre as condutas apontadas pelo CNJ estão: favorecimento de grupos políticos da cidade;
liberação de bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público;
direcionamento de processos para concessão de liminares em benefício de policiais militares ligados a milícias;
irregularidades no julgamento de ações envolvendo policiais militares que buscavam reintegração à corporação;
anotação irregular da sigla “PM” na capa de processos para identificar ações envolvendo policiais militares.
Após ser punido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e posteriormente pelo CNJ com aposentadoria compulsória, o magistrado acionou o Supremo Tribunal Federal.
A análise do caso levou o ministro Flávio Dino a estabelecer o novo entendimento sobre as punições disciplinares aplicadas a magistrados no país.
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