SAÚDE
Ministério da Saúde inaugura novos serviços em institutos federais no Rio para ampliar o atendimento na rede federal
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, inaugura novos serviços estratégicos nos institutos federais e visita o Hospital Federal de Bonsucesso, nesta quinta-feira (22), no Rio de Janeiro, marcando mais uma etapa da retomada da capacidade assistencial da rede federal de saúde no estado.
Durante sua fala, o ministro destacou que o programa Agora Tem Especialistas está devolvendo ao Sistema Único de Saúde (SUS) a capacidade de atender em seu máximo potencial. “São mais leitos abertos, mais salas cirúrgicas funcionando e mais pessoas sendo operadas e acompanhadas com dignidade. No Rio de Janeiro, estamos retomando estruturas que ficaram represadas por anos e recolocando a rede federal como referência para o Brasil”, afirmou Padilha.
Entre as entregas estão a inauguração do Centro de Atenção em Ortobiológicos no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO); a implantação da cirurgia robótica e das novas instalações da pediatria oncológica no Instituto Nacional de Câncer (INCA); e, no Instituto Nacional de Cardiologia (INC), a inauguração do Serviço de Sequenciamento Genético, do Centro de Telessaúde e do Observatório de Saúde Cardiovascular, além da reabertura de leitos de enfermaria e da reativação dos cuidados paliativos.
As ações fazem parte do programa Agora Tem Especialistas e do Plano de Requalificação dos Institutos Federais, que vêm promovendo a recuperação da capacidade assistencial da rede federal, com reabertura de leitos, ampliação de equipes, modernização da infraestrutura e incorporação de novas tecnologias, com impacto direto na oferta de consultas, exames e cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O plano tem como eixo central a recomposição da força de trabalho em saúde. Para isso, o Ministério da Saúde firmou acordo de cooperação com a Fiocruz, que permitirá a contratação de 2.059 profissionais para os institutos federais, viabilizando a retomada da capacidade máxima instalada, com a reativação de serviços que estavam represados há anos.
Ao todo, os investimentos do programa Agora Tem Especialistas nos institutos e hospitais federais no Rio de Janeiro somam R$ 170 milhões, reposicionando a rede federal como um dos eixos estratégicos do SUS no estado.
“Com a parceria com a Fiocruz, vamos contratar 2.059 profissionais e garantir que os institutos federais voltem a operar com equipes completas, serviços reativados e atendimento em escala. São ações concretas que somam R$ 170 milhões de investimentos e reposicionam a rede federal como um eixo estratégico do SUS no estado do Rio de Janeiro”, destacou o ministro.
Ortopedia e traumatologia: retomada de produção e novos serviços
No Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, a recomposição de equipes e a recuperação da capacidade instalada já mostram resultados: a unidade registrou crescimento de 2% na produção cirúrgica e de 5% nos atendimentos ambulatoriais no último trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024.
Nesta quinta-feira, será inaugurado o Centro de Atenção em Ortobiológicos e realizado o acolhimento de 200 novos profissionais. Está prevista ainda a reabertura de 40 leitos de enfermaria e cinco salas cirúrgicas, ampliando de forma significativa a capacidade de atendimento da unidade.
Câncer: mais cirurgias, tecnologia e equipes em 2026
No Instituto Nacional de Câncer, o Ministério da Saúde avança na expansão do tratamento oncológico no SUS, com a entrega do serviço de cirurgia robótica e do Centro de Formação de Especialistas nessa área.
Para 2026, está prevista a contratação de 784 novos profissionais, além da reabertura de 30 leitos de enfermaria, oito leitos de unidade pós-operatória e cinco salas cirúrgicas, o que permitirá ampliar consultas, exames, internações e procedimentos cirúrgicos.
Cardiologia: inovação, genética e salto tecnológico
No Instituto Nacional de Cardiologia, o destaque é a inauguração do Serviço de Sequenciamento Genético para Diagnóstico de Doenças Raras no SUS, com investimento de aproximadamente R$ 25 milhões e capacidade para realizar até 20 mil exames.
A unidade também passa a contar com nova sala híbrida, destinada a procedimentos de alta complexidade, como implantes de próteses valvares, com investimento de R$ 4,7 milhões, além da implantação do Centro de Telessaúde e do Observatório de Saúde Cardiovascular.
“O que estamos entregando aqui é o SUS do presente e do futuro: cirurgia robótica no INCA, sequenciamento genético no INC com capacidade para até 20 mil exames, ortobiológicos no INTO e a reconstrução acelerada do Hospital Federal de Bonsucesso. É investimento com resultado direto na vida das pessoas — mais acesso, mais tecnologia e mais qualidade no cuidado”, ressaltou Padilha.
Com a recomposição de equipes, o instituto já avança na reabertura de leitos e na ampliação de cirurgias, inclusive aos sábados. Para 2026, estão previstos novos investimentos em infraestrutura, tecnologia e equipamentos, além da ampliação expressiva da produção assistencial.
Hospital de Bonsucesso: virada de página e expansão acelerada
O Hospital Federal de Bonsucesso, sob nova gestão desde 2024, já passou por uma virada de página: foram contratados 2 mil novos profissionais, inaugurados 218 leitos e realizados R$ 30 milhões em investimentos em equipamentos.
Para 2026, estão previstos novos aportes de R$ 31,7 milhões, voltados à modernização da estrutura e à ampliação da capacidade assistencial, com impacto direto na oferta de leitos, cirurgias, consultas e exames. A unidade também passa a integrar a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS e ampliará de forma contínua sua produção assistencial.
Edjalma Borges
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Ministério da Saúde institui comitê para negociação de preços nas compras do SUS
O Ministério da Saúde está estruturando novas formas de negociação e contratação para a aquisição de medicamentos, terapias, vacinas e equipamentos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A estratégia prevê a formalização de um Comitê de Negociação permanente, formado por equipe técnica responsável pelas tratativas com fornecedores, e a adoção de instrumentos inovadores como descontos silenciados, acordos de compartilhamento de risco, compras parceladas e negociação de carteira.
Criado por portaria publicada nesta quinta-feira (23) no Diário Oficial da União (DOU), o Comitê será responsável por negociar preços e condições comerciais de tecnologias em saúde, especialmente em situações que envolvam medicamentos patenteados, fornecedores únicos ou produtos de elevado impacto orçamentário. A medida busca ampliar as possibilidades de acesso a tratamentos inovadores, contribuir para a sustentabilidade financeira do Sistema Único de Saúde (SUS) e preservar a capacidade de investimento do sistema público.
“O Comitê de Negociação permitirá utilizar a escala de compras do SUS como instrumento nas tratativas com os fornecedores. Como o sistema público realiza aquisições em grande volume, essa capacidade de compra pode ser considerada na negociação de preços”, explica a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri.
Além das aquisições realizadas pelo Ministério da Saúde, o Comitê poderá atuar na renegociação de contratos vigentes e participar do processo de incorporação de novas tecnologias ao SUS, utilizando o poder de compra do sistema para negociar melhores condições comerciais antes da decisão definitiva da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A atuação também poderá contribuir para viabilizar a aquisição de medicamentos já incorporados ao SUS, mas ainda não disponíveis na rede pública.
O Ministério da Saúde destina mais de R$ 30 bilhões por ano à aquisição de medicamentos, vacinas e insumos para o SUS. Além desse montante, cerca de R$ 3 bilhões são destinados a terapias de alto custo relacionadas a demandas judiciais envolvendo medicamentos não incorporados ou ainda indisponíveis no sistema público. A estratégia considera a escala de aquisição do SUS como instrumento para ampliar a capacidade de negociação com fornecedores e buscar melhores condições comerciais para a oferta de tecnologias em saúde.
A integração da negociação comercial ao processo de incorporação conduzido pela Conitec é uma das mudanças previstas no novo modelo. Atualmente, a Comissão realiza a avaliação técnica, publica uma recomendação preliminar, submete a proposta à consulta pública e, posteriormente, emite a recomendação final para decisão do Ministério da Saúde. Com a nova sistemática, o Comitê de Negociação poderá ser acionado pela Conitec em casos de elevado impacto orçamentário para negociar diretamente com a empresa fornecedora, buscando condições comerciais compatíveis com os parâmetros técnicos estabelecidos para a incorporação da tecnologia ao SUS.
O Comitê também poderá viabilizar a adoção, no Brasil, do modelo de “compra pelo melhor preço”, conhecido como “desconto silenciado”. Utilizado por sistemas públicos de saúde de outros países, o mecanismo permite que fornecedores concedam descontos em contratos com o poder público, com a manutenção da confidencialidade sobre o valor negociado. A medida busca evitar que o preço acordado em uma negociação específica interfira nas condições comerciais praticadas pelo fornecedor em outros mercados. “Esse é um instrumento destinado a situações específicas, em que há possibilidade de negociação de descontos superiores a 50% em relação ao preço máximo de venda”, afirma Fernanda De Negri.
O modelo de compra pelo melhor preço já é adotado por sistemas públicos de saúde de países como Reino Unido, Austrália e França. A possibilidade de manter em sigilo o desconto negociado permite que sejam praticados preços diferenciados para o sistema público sem que esses valores se tornem referência para outras negociações internacionais. Com o Comitê, o Ministério da Saúde poderá utilizar a escala de compras do SUS para ampliar sua capacidade de negociação e buscar melhores condições comerciais na aquisição dessas tecnologias.
No caso dos descontos silenciados, o Comitê atuará com parâmetros previamente definidos, como a faixa de preço considerada custo-efetiva pela Conitec e o limite de impacto orçamentário considerado sustentável pelo Ministério da Saúde. O mecanismo será aplicado, especialmente, a medicamentos protegidos por patente, com fornecedor exclusivo e elevado impacto financeiro. Embora o valor negociado permaneça sob confidencialidade comercial, o processo estará sujeito ao acompanhamento dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU).
À medida que novas formas de aquisição forem incorporadas, o Comitê também poderá negociar preços por meio de modalidades como o compartilhamento de risco, em que os pagamentos são condicionados à evolução clínica e aos resultados de eficácia observados nos pacientes. Esse modelo foi adotado no acordo firmado com a farmacêutica Novartis para a incorporação do Zolgensma, destinado ao tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 1. O acordo combinou compartilhamento de risco e confidencialidade das condições comerciais para a aquisição do medicamento, cujo preço é de cerca de R$ 7 milhões por dose.
A estratégia também poderá incluir a negociação de carteira e a compra parcelada, modalidade que permite distribuir os pagamentos ao longo do tempo e ampliar a capacidade de investimento do SUS sem comprometer o equilíbrio orçamentário.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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